Anotações de Marx ao livro de Bakunin “O Estado e a anarquia”

Do Portal Vermelho à Esquerda
https://vermelhoaesquerda.blogspot.com.br/2014/01/anotacoes-de-marx-ao-livro-de-bakunin-o.html )



Neste texto, Karl Marx faz anotações de caráter crítico ao livro do teórico anarquista Mikhail Bakunin. Neste livro, como mostra Marx durante as anotações, há vários erros de Bakunin sobre o comunismo científico. Mais tarde, tais críticas de Bakunin à concepção marxista se mostram cientificamente refutadas sobre a experiência da revolução russa, sobretudo com a criação da República proletária Soviética! 
 

Abaixo, o texto. Em itálico e clareado, os escritos de Bakunin; em fonte normal, as intervenções de Karl Marx.

“Nos últimos tempos, o filisteu alemão começa de novo a sentir um terror sagrado ante as palavras: ditadura do proletariado. Pois bem, senhores, quereis saber o que é essa ditadura? Olhai a Comuna de Paris. Eis aí a ditadura do proletariado”. (Engels em introdução do livro Guerra Civil na França).


 

Já apontamos nossa profunda repugnância pela teoria de Lassale e Marx, que recomenda aos operários, senão como ideal supremo, pelo menos como objetivo imediato e principal a instauração de um Estado popular, o qual, segundo sua expressão, não será senão o proletariado erigido em classe dominante. E alguém se pergunta: quando o proletariado seja classe dominante, sobre quem vai dominar? Isso significa que restará de pé outro proletariado, submetido a esta nova dominação, a este novo ‘Estado’”.

Isto significa que enquanto subsistam as outras classes e especialmente a classe capitalista, enquanto o proletariado lute contra elas (pois com a subida do proletariado ao poder não desaparecem todavia seus inimigos, nem desaparece a velha organização da sociedade) terá que empregar medidas de violência, a saber, medidas de governo. Enquanto o proletariado seja todavia uma classe e não tenham desaparecido as condições econômicas nas quais descansa a luta de classes e a existência destas, será preciso, pela violência, tira-las do caminho ou transforma-las, será preciso acelerar pela violência seu processo de transformação.

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Stalinismo e Anti-Stalinismo? — Parte 2

Leia a parte 1: Stalinismo e Anti-Stalinismo? — Parte 1

Além disso, deve-se notar:

Se Khrushchev e Gorbachev, em sua acusação contra Stalin, foram guiados pelo desgosto pela desumanidade, teriam que condenar o imperialismo de maneira semelhante, mas para eles estavam buscando confiança e atribuindo-lhe a capacidade de paz. Em contraste com isso, está a avaliação extremamente positiva de Stalin pelo embaixador dos EUA, Joseph Davies, que também acompanhou os julgamentos de Moscou.

Além das críticas históricas da pessoa de Stalin, considerações politico-teóricas também desempenham um papel na deslegitimação dele. O colapso dos países socialistas europeus, especialmente a União Soviética, teria servido como prova da correção da tese trotskista da impossibilidade de se construir o “socialismo em um só país”, geralmente negando que não era Stalin, mas Lenin, que em 1915 considerou a possibilidade do “socialismo em um só país”. A impossibilidade da completa vitória, definitiva do socialismo num só país sem a vitória da revolução não menos importante em um número de países, é a impossibilidade de uma garantia total contra a intervenção e, consequentemente, contra a restauração da ordem burguesa. Isso adiaria a revolução socialista para o dia de São Nunca. Mas Stalin não só defendeu a tese de Lenin, como também provou ao PCUS que tanto a construção socialista em um país quanto a disputa contra os agressores fascistas eram possíveis.

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K. Marx & F. Engels – Princípios Básicos do Comunismo

Texto de Marx e Engels, escrito em 1847 e publicado em 1914.

Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Editorial “Avante!” – Edições Progresso Lisboa – Moscovo, 1982.

1.ª Pergunta: Que é o comunismo?

Resposta: O comunismo é a doutrina das condições de libertação do proletariado.

2.ª P[ergunta]: Que é o proletariado?

R[esposta]: O proletariado é aquela classe da sociedade que tira o seu sustento única e somente da venda do seu trabalho e não do lucro de qualquer capital; [aquela classe] cujo bem e cujo sofrimento, cuja vida e cuja morte, cuja total existência dependem da procura do trabalho e, portanto, da alternância dos bons e dos maus tempos para o negócio, das flutuações de uma concorrência desenfreada. Numa palavra, o proletariado ou a classe dos proletários é a classe trabalhadora do século XIX.

3.ª P[ergunta]: Portanto, nem sempre houve proletários?

R[esposta]: Não. Classes pobres e trabalhadoras sempre houve; e as classes trabalhadoras eram, na maioria dos casos, pobres. Mas nem sempre houve estes pobres, estes operários vivendo nas condições que acabamos de assinalar, portanto, [nem sempre houve] proletários, do mesmo modo que a concorrência nem sempre foi livre e desenfreada.

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Marx e Engels e as perspectivas de revolução na Rússia

É aparente que Marx e Engels eram extremamente bem informados sobre a posição do movimento russo e da sociedade russa em geral. Um boato burguês ainda está por aí afirmando que Marx e Engels “não previram que a revolução ocorreria primeiro em um país atrasado como a Rússia, e não em um país capitalista desenvolvido, como a Inglaterra ou a Alemanha”.

É verdade, com certeza, que nos escritos mais antigos, tanto Marx quanto Engels não apenas esperavam, também pensavam que muito provavelmente a revolução proletária se desenvolveria em países em que o capitalismo estivesse totalmente desenvolvido. Mas na metade, e especialmente no fim de suas vidas e carreiras, ambos previram corretamente que o elo fraco estaria provavelmente na Rússia:

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Revolutionary Communist Party — Sobre o papel da agitação e da propaganda

Os comunistas frequentemente falam sobre a importância crucial da agitação revolucionária e propaganda. E com razão. Juntos, agitação e propaganda, são uma arma poderosa e indispensável no arsenal revolucionário do Partido. De que outra forma, de não com uma agitação vívida e convincente, bem como propaganda, o ódio que é provocado pela vida cotidiana sob o capitalismo pode ser mais despertado e agudizado contra a burguesia? De que outra forma, por meio da agitação e da propaganda, a palavra, as faíscas e as lições das lutas travadas agora uma, agora outra, seção das massas serão espalhadas por todo o país? De que outra forma, a luta de classes pode ser travada na arena crucial da opinião pública contra a classe dominante – cujas ideias também são as ideias dominantes na sociedade e que gastam milhões e milhões de dólares anualmente para produzir um dilúvio de sua própria agitação e propaganda espalhando confusão, derrotismo e reação?

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Zhou Enlai — Como Ser Um Bom Líder

I. A definição de líder

Qualquer quadro pode em algum momento assumir o trabalho de liderança e, muito provavelmente, ele já está fazendo esse trabalho. Portanto, o trabalho de liderança diz respeito a quadros líderes em todos os níveis, seja o inferior, médio ou superior.

Entre os membros da equipe em Hongyan e Zengjiayan, há apenas uma diferença no tipo de trabalho que cada um faz, mas nenhuma distinção é desenhada entre os líderes e liderados, ainda menos entre quadros e não-quadros. Embora alguns camaradas que trabalham em Hongyan e Zengjiayan e no escritório da New China Daily não estão diretamente assumindo as responsabilidades de liderança, eles são de fato líderes.

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Stalinismo e Anti-Stalinismo? — Parte 1

Eckhard Roth

Artigo no Die Rote Fahne, jornal do Partido Comunista Alemão
(Kommunistische Partei Deutschlands – KPD)

Edição de Maio de 2008

Título original: “Stalinismus oder Anti-Stalinismus?”

No começo de um artigo que faz uma avaliação política de Stalin, primeiro deve-se concordar com os termos usados. Se notamos que há um “marxismo” ou um “leninismo”, é ingênuo assumir que a observação sugere haver um “stalinismo” lógico. Apesar de existirem camaradas que orgulhosamente se consideram stalinistas, é preciso notar que o termo “stalinismo” tem uma origem burguesa e é provido de conteúdo negativo. Atribui-se aos termos “marxismo” e “leninismo” principalmente os benefícios teóricos dos mesmos, enquanto “stalinismo” é descrito como despotismo sanguinário e falsificador dos princípios leninistas. Assim, é necessário afirmar que “stalinismo” é um termo da luta burguesa, que pode encontrar um lugar no vocabulário da esquerda marxista. Ao invés disso, o lógico é falar em anti-stalinismo, como fez Kurt Gossweiler no seminário internacional do partidos comunistas e de trabalhadores em Bruxelas, 1º de Maio de 1994.

Deve ser clarificado agora o conteúdo desse termo burguês e que função ele tem.

O termo Stalinismo leva a revisões parcialmente gerais e revisões parcialmente específicas. No caso geral, é de se notar que qualquer revolução custará a vida de pessoas inocentes, como tem custado já, e que qualquer revolucionário é mostrado pela contrarrevolução como um “assassino”: Müntzer, Cromwell, Robespierre, Lenin, Liebknecht, Luxemburgo e Stalin.

No caso específico, é preciso comentar sobre os Processos de Moscou, que são exibidos pela burguesia como “anos de terror” ou “Grande Expurgo”. Naquela época, era evidente que um confronto militar com a superpotência beligerante, o Reich [Nota do Editor: Império] Alemão, estava em andamento. Havia também o aparato militar de diversos colaboradores do nazismo. No aparato político, havia grupos anti-partido do lado da esquerda – e desvios de direita. De acordo com observadores estrangeiros, os Processos de Moscou foram conduzidos de maneira justa. A opinião da maioria dos diplomatas que atenderam às negociações era de que foi comprovado que os acusados claramente eram conspiradores com o propósito de eliminar o governo e assim a ofensiva da traição se tornou conhecida. Entretanto, também era conhecida a ideia de que os processos foram puramente produções, o que foi considerado como apropriado por alguns observadores com fins propagandísticos. Os Processos de Moscou foram entendidos como uma preparação para a guerra, tendo em vista o incipiente ataque fascista. Os eventos em Moscou devem então ser considerados numa relação causal. Através dessa limpeza, a quinta-coluna hitlerista foi impedida de atuar na Rússia.

Leia a parte 2: Stalinismo e Anti-Stalinismo? — Parte 2