Tony Clark – Sobre as origens da teoria do socialismo em um só país

Neste artigo, examinamos as origens da teoria do “socialismo em alguns, ou mesmo num só país capitalista tomado isoladamente”. Tal esforço se faz necessário para contrapor a recorrente lenda, criada e difundida pelo trotskismo, de que tal teoria teria sido criada por Stalin em 1924, bem como de que servisse como expressão da estreiteza nacional de uma crescente burocracia soviética conservadora. Este estudo nos revela que esta teoria já estava presente na resposta dos bolcheviques à traição dos partidos socialdemocratas europeus ao ideal da revolução proletária, o que se deu logo após a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914 (que os bolcheviques denunciaram como a guerra imperialista). A incompreensão de Trotsky, ou mesmo sua recusa em aceitar esta concepção leninista, nos mostra que seu rompimento com o menchevismo foi parcial, além de apontar a compreensão ultra-esquerdista que tinha do processo revolucionário mundial. Para sermos breves, empregaremos o termo “socialismo em um país” ao invés de “socialismo em alguns, ou mesmo em um único país tomado isoladamente”.

Esta foi, de fato, a disputa mais acirrada na história do movimento revolucionário marxista. Nos debates que giravam em torno da própria natureza do processo revolucionário mundial, tratava-se do papel a ser desempenhado pelo socialismo, caso este obtivesse a vitória somente em alguns, ou mesmo num único país capitalista. Levantada primeiramente no conflito entre Lenin e as correntes oportunistas da Socialdemocracia, esta questão mais tarde se transfiguraria na disputa entre Stalin e Trotski. Mas por que tal debate foi tão central? A resposta pertence à ordem do tempo, e pode ser encontrada na natureza da época em que vieram à tona.

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