Feudalismo Amigável: O Mito do Tibete — II. Secularização e Espiritualidade

Por Michael Parenti

O que aconteceu com o Tibete depois que os comunistas chineses se mudaram para o país em 1951? O tratado daquele ano previa a autogestão ostensiva sob o governo do Dalai Lama, mas conferiu à China o controle militar e o direito exclusivo de conduzir relações externas. Os chineses também receberam um papel direto na administração interna “para promover reformas sociais”. Entre as primeiras mudanças que fizeram foi reduzir as taxas de juros usurárias e construir alguns hospitais e estradas. Em primeiro lugar, eles se moviam lentamente, dependendo principalmente da persuasão na tentativa de reconstrução. Nenhuma propriedade aristocrática ou monástica foi confiscada, e os senhores feudais continuavam a reinar sobre seus camponeses hereditários. “Ao contrário da crença popular no Ocidente”, afirma um observador, os chineses “tomaram o cuidado de mostrar respeito pela cultura e religião tibetanas”. [25]

Ao longo dos séculos, os senhores e os lamas tibetanos viram os chineses indo e vindo, e tiveram boas relações com o generalíssimo Chiang Kaishek e seu reacionário governo do Kuomintang na China. [26] A aprovação do governo do Kuomintang era necessária para validar a escolha do Dalai Lama e Panchen Lama [N.E.: na escola Gelug, é o nome atribuído ao número dois da hierarquia budista]. Quando o 14º Dalai Lama foi instalado pela primeira vez em Lhasa, foi com uma escolta armada de tropas chinesas e um ministro chinês, de acordo com a tradição secular. O que chateou os senhores tibetanos e lamas no início da década de 1950 foi que esses últimos chineses eram comunistas. Seria apenas uma questão de tempo, eles temiam, antes que os comunistas começassem a impor os seus esquemas igualitários e coletivistas ao Tibete.

Continuar lendo

Feudalismo Amigável: O Mito do Tibete — I. Para Senhores e Lamas

Por Michael Parenti

Juntamente com a paisagem ensopada de conflitos religiosos, existe a experiência de paz interior e consolo que todas as religiões prometem, nenhuma mais que o budismo. Em contraste marcado com a selvageria intolerante de outras religiões, o budismo não é fanático nem dogmático – assim dizem seus adeptos. Para muitos deles, o budismo é menos uma teologia e mais uma disciplina meditativa e investigativa destinada a promover uma harmonia interior e iluminação, enquanto nos orienta para um caminho de vida correta. Geralmente, o foco espiritual não é apenas sobre si mesmo, mas sobre o bem-estar dos outros. Um tenta deixar de lado as buscas egoístas e obter uma compreensão mais profunda da conexão de alguém com todas as pessoas e coisas. O “budismo socialmente engajado” tenta misturar a libertação individual com a ação social responsável para construir uma sociedade esclarecida.

Um olhar sobre a história, no entanto, revela que nem todas as formas muito variadas do budismo foram livres de fanatismo doutrinário, nem livres das atividades violentas e exploradoras tão características de outras religiões. No Sri Lanka há uma história registrada lendária e quase sagrada sobre as batalhas triunfantes realizadas por reis budistas de outrora. Durante o século XX, os budistas se enfrentaram violentamente uns com os outros e contra não-budistas na Tailândia, Birmânia (Myanmar), Coreia, Japão, Índia e outros lugares. No Sri Lanka, batalhas armadas entre cingaleses budistas e tâmiles hindus tiraram muitas vidas em ambos os lados. Em 1998, o Departamento de Estado dos EUA listou trinta dos grupos extremistas mais violentos e perigosos do mundo. Mais de metade deles eram religiosos, especificamente muçulmanos, judeus e budistas. [1]

Continuar lendo

Os marxistas e o Tibet, por Carlos Marques

Todo marxista deve ser contra a intervenção e intenção de subversão imperialista provocada pelo governo dos Estados Unidos contra o povo chinês. O Tibet foi, é e até quando o povo quiser, será da China.

A posição de certos ditos “esquerdistas” só confirma aquilo que Eduard Limonov costuma dizer, hoje em dia não interessa se você é de esquerda ou de direita, mas sim se é a favor ou contra o Sistema. Os lamas querem estabelecer no Tibet uma ditadura totalitária e feudal em conluio com o governo americano, que por sinal financia o Dalai Lama, a fim de garantir a instalação de tropas americanas na região. O Exército Americano é como uma praga de gafanhotos, se espalha por toda parte e causa danos incomensuráveis.

Posto aqui alguns vídeos bastante relevantes sobre a situação do Tibet:

Michael Parenti – Tibet: Feudalismo amistoso?
http://www.youtube.com/watch?v=WWGGjpJJCKE
(Entrevista com o famoso cientista político americano autor de “O assassinato de Júlio César” e “A cruzada anti-comunista”)

Obs.: O vídeo foi deletado, há agora apenas a versão original, em inglês e sem legendas:

Para ler o texto de Michael Parenti sobre o assunto:

http://www.michaelparenti.org/Tibet.html

http://www.scribd.com/doc/16447664/Parenti-Michael-Feudalismo-amistoso-El-mito-de-Tibet-2004 (em espanhol)

O Tibet FOI, É e SEMPRE será uma parte da China


(Vídeo bastante eloquente com fatos e fotos para você mostrar para o seu cachorro, ou melhor, esquerdista ou reacionário favorito)

Enquanto as pessoas continuarem a adotar atitudes lemingues, a agir como lemingues e pensar como lemingues, continuaremos na mesma fossa intelectual e tornaremos o mundo igual ou pior do que aquele em que vivemos.