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Stalin e a luta pela reforma democrática (II)

15 mar

Parte 1: https://iglusubversivo.wordpress.com/2012/03/15/stalin-reforma-democratica-1/

Grover Furr (professor de História/Montclair, New Jersey)

http://clogic.eserver.org/2005/furr.html
Tradução: Lúcio Jr
Correção de alguns erros gramaticais: eu mesmo (se tiver mais algum erro, me avisem)

Durante a guerra

1. Quando estava acabando a Segunda Guerra Mundial, Stalin e os seus partidários no Politburo tentaram de novo afastar o Partido Bolchevique do controle direto do governo soviético. Assim é que Yuri Zhukov descreve o que aconteceu:

“Em janeiro de 1944…, pela primeira vez durante a guerra, foi convocado conjuntamente o Comitê Central e uma sessão do Soviete Supremo da URSS. Molotov e Malenkov prepararam um rascunho de um decreto do Comitê Central em que afastava legalmente o Partido do poder. O Partido manteria as suas funções de agitação e propaganda, como também a seleção de quadros; ninguém poderia afastá-lo destas tarefas próprias de partido. O esboço impedia ao Partido intervir nas questões econômicas e no funcionamento dos órgãos do Estado. Stalin leu o rascunho, trocou seis palavras, e escreveu:

“De acordo”. O que sucedeu depois continua a ser um mistério…

Era esta uma nova tentativa de reduzir o papel do Partido no Estado, retendo só as funções que teve, de fato, durante a guerra. O esboço tinha cinco assinaturas: Molotov, Malenkov, Stalin, Khrushchev e Andreev. Não existe nenhum registro taquigráfico, pelo que só podemos especular sobre o sentido do voto dos demais participantes na reunião. Nem tão sequer o todo poderoso Comitê Estatal de Defesa, com quatro membros no Politburo, foi quem desejasse mudar o estado das coisas. Isto mostra, mais uma vez, que Stalin nunca teve o poder que lhe pressupõem tanto anti-stalinistas como stalinistas.” (Zhukov, Kul’tovaia) (27)

2. Desconhecemos como se pensava distanciar o Partido das questões econômicas e do estado. Provavelmente, estavam prevendo algum outro método para dotar aos órgãos do estado de pessoal. Significaria isto uma volta às eleições como se especificava na Constituição de 1936?

3. Independentemente das respostas a estas perguntas, parece claro que o Comitê Central, dominado pelos Primeiros Secretários do Partido, rejeitou novamente os projetos do grupo de Stalin para mudar o sistema soviético. No seu Informe Secreto, Khruschev nega que tenha ocorrida essa plenária! Já que a maior parte dos membros do Comitê Central presentes na leitura do Informe sabiam que isto era mentira, pode ser que o objetivo desta mentira fosse deixar claro que esse perigoso movimento contra o seu poder estava formalmente soterrado.

Depois da Guerra

4. Vimos que Stalin preocupava-se com um importante problema, tanto para a URSS como para o Partido Bolchevique, a situação de “duplo poder”. O Partido, no governo, era quem realmente dirigia a sociedade. Cada vez mais, os funcionários deixavam as tarefas de incentivar a produção para se ocuparem do poder através da supervisão.

5. Afastando o Partido do controle direto de estado atingiriam-se vários objetivos:

– Seria finalmente institucionalizada a Constituição de 1936, reforçando os laços entre
a população e o estado soviético.

– Devolveria a direção dos órgãos estatais a aqueles realmente qualificados.

– Impediria que os níveis superiores do Partido se convertessem numa casta de
parasitas e corruptos.

6. O Politburo reunia-se, antes da guerra, pelo menos duas vezes por semana. Em maio de 1941, Stalin converte-se na cabeça oficial do Estado soviético, deixando a Molotov o posto de Secretário do Conselho de Comissários do Povo (Sovnarkom), o órgão executivo oficial do governo da URSS.

7. Mas, durante a guerra, a URSS não foi dirigida nem por este órgão nem pelo Partido, e sim pelo Comitê Estatal de Defesa, composto por Stalin e três dos seus colaboradores mais próximos. Durante a guerra, o Comitê Central convocou só uma reunião, enquanto que as reuniões do Politburo, não só durante a guerra senão também quando a guerra acabou, eram muito infrequentes. Segundo Pyzhikov, “o
Politburo, na prática, não exercia o poder”. O dissidente soviético Zhores Medvedev afirma que o Politburo se reuniu só 6 vezes em 1950, 5 em 1951 e 4 em 1952. (28)

Pode-se dizer que Stalin distanciou o Politburo do controle do Estado (Pyzhikov, 100; Medvedev, Sekretnyi).

8. Parece, também, que Stalin descuidou de seu papel como cabeça do Partido. As reuniões do Comitê Central foram ficando cada vez mais distanciadas no tempo. Em 13 anos, desde 1939 até 1952, não se convocou nenhum Congresso do Partido. Após a guerra, Stalin assinou decisões conjuntas do Partido e do governo simplesmente como Secretário do Conselho de Ministros (o renomeado Conselho de Comissários Populares), delegando a algum dos outros secretários do Partido, Zhdanov ou Malenkov, assinar em nome do Partido (Pyzhikov 100).

9. A autoridade do Partido continuava a ser grande. Ainda que, talvez, isto fosse só porque Stalin era ainda Secretário Geral do Partido. Era o único líder do grupo de aliados que permanecia ainda ativo depois da guerra. Roosevelt morrera e Churchill perdera as eleições de 1945. Não exageramos se afirmamos que, entre os trabalhadores, Stalin era a pessoa mais conhecida e respeitada do mundo. O
movimento comunista que ele encabeçava era a esperança de centenas de milhões de pessoas. A sua figura ainda se agigantou ainda mais como consequência da vitória sobre o fascismo. O grande prestígio de Stalin como chefe de estado, concedia autoridade ao conjunto da direção do Partido (Mukhin, Ubiystvo 622; Ch. 13).

10. As ações de Stalin sugerem que ainda tentava desalojar ao Partido do controle direto sobre o estado. Porém, se isto foi assim, deve tê-lo feito com muitas precauções. Podemos deduzir as razões desta atitude cuidadosa:

– A exposição de uma infundada falha de confiança no Partido significaria um péssimo exemplo para outros países do mundo, onde os Partidos Comunistas ainda não estavam no poder.

– Tinha contra si o Comitê Central e a nomenclatura, como já acontecera antes da guerra.

Eis as razões que explicariam a sua cautela, evitando possíveis choques.

O Projeto de Programa de Partido de 1947

11. É provável que os projetos de democratização do grupo de Stalin fossem mais dos que conhecemos hoje.

Aleksander Pyzhikov, historiador anticomunista e antistalinista, citou interessantes seções de um esboço de programa do Partido datado de 1947, no que se impulsionava a democracia e o igualitarismo na URSS. Este fascinante e totalmente desconhecido projeto nunca foi, evidentemente, publicado e não está à disposição de outros investigadores.

12. Estas são as citações de Pyzhikov:

“O desenvolvimento da democracia socialista como base da construção de uma sociedade socialista sem classes converterá, cada vez mais, a ditadura do proletariado na ditadura do povo soviético. A participação cada vez maior dos indivíduos na direção dos assuntos estatais, o aumento da consciência comunista e da cultura comunista na população, e o desenvolvimento da democracia socialista conduziram à progressiva desaparição das formas de coação da ditadura do povo soviético, sendo substituídas pela influência da opinião pública, estreitando-se cada vez mais as funções políticas do
Estado, que ficaria como órgão de direção da vida econômica do país.”

Pyzhikov resume assim outras partes deste documento inédito:

“Particularmente, o esboço tratava sobre o desenvolvimento da democratização da ordem soviética. Este projeto entendia como essencial a incorporação dos trabalhadores na direção do Estado, na atividade estatal e social diária sobre a base de um desenvolvimento estável do nível cultural das massas e uma simplificação máxima das funções de direção estatal. Na prática, estabelecia a unificação do trabalho produtivo com a participação na direção dos assuntos estatais, no caminho de conseguir a total direção do estado por parte de toda a classe trabalhadora. Também, o projeto, apostava no controle direto por parte do povo da atividade legislativa. O caminho era o seguinte:

a) Colocar em prática o voto universal na tomada de decisões nas questões fundamentais da vida governamental, tanto na esfera social como econômica, assim como em questões relativas à vida, às condições de vida e ao desenvolvimento cultural.

b) Ampliar a iniciativa legislativa a partir da base, concedendo às organizações sociais o direito a apresentar propostas legislativas ao Soviete Supremo.

c) Confirmar o direito dos cidadãos e organizações sociais para apresentar diretamente propostas ao Soviete Supremo referidas às questões mais importantes da política nacional e internacional.

Também se tinha em conta o modo de fazer eleições dos diretores. O projeto do programa do Partido apostava, de acordo com o grau de desenvolvimento caro ao comunismo, pela eleição de todos os cargos do estado, por câmbios no funcionamento de uma série de órgãos estatais para convertê-los em instituições responsáveis da contabilidade e supervisão da economia. Para isto, o máximo desenvolvimento possível de organizações voluntárias e independentes foi considerado importante. Reforçou-se a importância da transformação comunista do conhecimento do povo, do desenvolvimento, sobre a base da democracia socialista, entre as massas populares da “cidadania socialista”, do “heroísmo do trabalho” e do “valor do Exército Vermelho”.

13.Continuando com Pyzhikov, Zhdanov informou sobre o trabalho da comissão de planejamento na reunião do Comitê Central de fevereiro de 1947. Propôs convocar o XIX Congresso do Partido nos finais de 1947 ou em 1948. Também deu a conhecer um plano para convocar uma conferência do partido uma vez ao ano, “com a renovação obrigatória” de não menos que a sexta parte dos integrantes do Comitê Central anualmente. Com a finalidade de levar-se adiante o projeto, e se a “renovação” provocara uma maior rotação dos membros do Comitê Central, isto faria com que os Primeiros Secretários e outros líderes do Partido no Comitê Central estivessem menos entrincheirados nos seus cargos, abrindo as portas do órgão mais importante do Partido a novos dirigentes, facilitando o exercício da crítica dos líderes do Partido (Pyzhikov 96).

14. Este valente projeto repete muitas das ideias da “diminuição do estado” contidas na obra de Lenin O Estado e a Revolução, que por sua vez, reflete as ideias de Marx e Engels sobre o tema. Propondo a participação democrática direta em todas as decisões estatais vitais do povo soviético e das suas organizações populares, e a “renovação” – ou quando menos, a possibilidade de substituição- de nada menos que uma sexta parte do Comitê Central cada ano através de uma Conferência do Partido, o projeto desenvolvia a democracia de base tanto no Estado como no próprio Partido.

15. Mas o projeto não foi adiante. Como aconteceu com as propostas anteriores para a democratização do Estado soviético e do Partido, desconhecemos os detalhes de como sucedeu. Provavelmente foi rejeitado no Pleno do Comitê Central. O XIX Congresso do Partido foi adiado até 1952. Tampouco sabemos a razão. A natureza do rascunho do programa do Partido nos fará intuir que a postura contrária do Comitê Central -os Primeiros Secretários- e que poderia ser o motivo(29)

O XIX Congresso do Partido

16. Parece ser que Stalin e os seus colaboradores fizeram um último esforço por afastar o Partido do controle direto do Estado no XIX Congresso do Partido em 1952 e na reunião do Comitê Central celebrada pouco depois. Começando por Kruschev, a nomenclatura do Partido tentou destruir toda memória deste Congresso. No período de Brezhnev, foram publicadas as transcrições de todos os Congressos do Partido até o XVIII. Até o dia de hoje, ainda não foi publicada a transcrição do XIX. Stalin fez um breve discurso no Congresso que foi publicado, o que nunca foi publicado, a não ser breves referências, foi o discurso de noventa minutos que dirigiu na posterior reunião do Comitê Central. Ninguém tem a transcrição dessa reunião (30).

17. Stalin convocou o Congresso para mudar o estado e a estrutura organizacional do Partido. Entre as mudanças destacavam-se:

– O nome do Partido, até então “Partido Comunista de Toda a União (Bolchevique)”, foi oficialmente mudado para “Partido Comunista da União Soviética”. A mudança ia no sentido da maior parte dos partidos comunistas do mundo, ligando o partido ao estado.(31)

– Um “Presidium” substituiu o Politburo do Comitê Central. Este nome também foi empregado em outros órgãos representativos, como, por exemplo, o Presidium do Soviete Supremo. Também eliminou-se o “político” do nome, depois de tudo, “político” era todo o Partido, não só os dirigentes.

18. Esta mudança, não há dúvida, também sugere um órgão que governa só o Partido, não o Partido e Estado. O Politburo era um organismo composto por membros de distinta procedência: o Secretário do Conselho de Ministros (a cabeça do órgão executivo do Estado –ou seja, o chefe de Estado); o Secretário do Presidium do Soviete Supremo (cabeça do corpo legislativo); o Secretário Geral do Partido (Stalin); um ou dois Secretários do Partido; e um ou dois ministros do governo. As decisões do Politburo afetavam tanto ao Partido como ao Governo.

19. Já que logo, em comparação com a praticamente posição suprema do Politburo no país, o papel do Presidium era muito limitado. Já que nem o chefe de estado nem o do Soviete Supremo tinham assentos reservados nele, o Presidium era tão só o órgão dirigente do Partido Comunista.

20. Houve mais mudanças:

– O posto de Secretário Geral (o do próprio Stalin) foi suprimido. A partir de agora, Stalin era tão somente um dos 10 Secretários do Partido(32), todos eles com assento no novo Presidium, composto por 25 membros e 11 suplentes, quantidade muito maior que os 9 e 11 do antigo Politburo. A sua numerosa composição fazia dele um órgão mais deliberativo que executivo, impossibilitado de tomar decisões que se executassem rotineira e rapidamente.

– A maior parte dos membros do Presidium parece que eram funcionários governamentais, mais do que líderes do Partido. Khruchev e Malenkov perguntaram-se mais tarde como podia conhecer, ainda que fosse só de ouvir falar, algumas pessoas que ele mesmo sugerira para o Presidium, já que não eram líderes famosos do Partido (pode-se dizer, não eram Secretários do Partido). Stálin nomeou-os, provavelmente, para suas posições de liderança no Estado, em contraposição com a liderança no Partido (33).

21. Depois de demitir-se como Secretário Geral do Partido no XIX Congresso, Stalin propôs a sua renúncia, na reunião do Comitê Central posterior a este Congresso, do seu posto no Comitê Central, mantendo-se só como Chefe de Estado (Secretário do Conselho de Ministros).

22. Se Stalin não fazia parte do Comitê Central, mantendo só o posto de Chefe de Estado, os funcionários do governo não sentiriam a necessidade de fazer um informe ao Presidium, o órgão mais alto do Partido. A renúncia de Stalin limitaria a autoridade dos funcionários do Partido, cujo papel “supervisor” no Estado não seria necessário em termos produtivos. Se Stalin não estivesse à testa do Partido, os líderes do Partido, ou seja, a nomenclatura, perderiam prestígio. Os militantes de base já não se sentiriam obrigados a “eleger” –ou melhor dizendo, confirmar- os candidatos recomendados pelos Primeiros Secretários e o Comitê Central.

23. A partir dessa perspectiva, a demissão de Stalin do Comitê Central significaria um desastre para a nomenclatura, que se sentia protegida das críticas impiedosas da base militante por estar à “Sombra de Stalin”. Também significaria que, no futuro, só as pessoas mais capacitadas permaneceriam tanto na nomenclatura do Partido como na direção do Estado.

24. A carência de uma transcrição sugere que o que sucedeu na plenária do partido, incluídas as palavras de Stalin no seu discurso, não foram do agrado da nomenclatura que não quis torná-las públicas. Também indica, é importante acentuá-lo, que Stalin não era “todo-poderoso”. Por exemplo, as sérias críticas de Stalin a Molotov e Mikoian durante a Plenária não foram publicadas até muito depois da sua morte (34).

25. O reconhecido escritor soviético Konstantin Simonov, participante nessa plenária como membro do Comitê Central, foi testemunha do sobressalto e o pânico de Makenkov quando Stalin propôs votar a sua saída do posto de Secretário do Comitê Central (Simonov, 244-5). Ante uma vociferante oposição, Stalin não insistiu.(35)

26. Enquanto tiveram possibilidade, os poderosos do Partido tomaram medidas para anular as decisões do XIXo Congresso. Numa reunião no dia 2 de março de um Presidium reduzido (essencialmente os membros do velho Politburo), com Stalin ainda vivo, mas já inconsciente, decidiram reduzir o Presidium de 25 para 10 membros. Basicamente era de novo o antigo Politburo. O número de Secretários do Partido limitou-se outra vez a 5. Khruchev foi nomeado “coordenador” do secretariado e, cinco meses depois, “Primeiro Secretário”. Finalmente, em 1966, o Presidium retomou o seu antigo nome de Politburo.

27. Durante o resto da história da URSS foi o Partido quem continuou governando a sociedade soviética, e os seus dirigentes formavam uma elite corrupta e auto-eleita, que autoampliava os seus elitistas privilégios. Sob Gorbachov, esse grupo dirigente aboliu a URSS, ficando com a riqueza econômica e o mando político na nova sociedade capitalista. Aliás, isto significou a perda das liberdades e as vantagens sociais da classe operária e do campesinato cujo trabalho foi o responsável pela imensa riqueza coletiva
criada na URSS. Esta mesma nomenclatura continua a dirigir os estados pós-soviéticos na atualidade.

Lavrentii Beria(36)

28. Béria é a figura mais difamada na história soviética, portanto que o novo juízo histórico sobre a carreira de Béria, que começou repentinamente após a queda da União Soviética, ainda é mais intenso que a nova avaliação do papel de Stalin, tema principal deste artigo.

29. Os “Cem Dias” de Béria (realmente 112 dias, desde a morte de Stalin o 5 de março de 1953 até a sua destituição em 26 de junho) testemunham o começo de um grande número de reformas dramáticas. Se os poderosos soviéticos permitissem que estas reformas se desenvolvessem totalmente, a história da União Soviética, do Movimento Comunista Internacional, da Guerra Fria –pode-se dizer, da última metade do século XX- seria radicalmente diferente.

30. Todas as iniciativas de reforma de Béria merecem um estudo especial, e com algumas se está passando assim, apesar de que o governo russo impede o acesso às principais fontes primárias, inclusive a investigadores de confiança. Algumas destas iniciativas seriam:

– A reunificação da Alemanha como um estado não-socialista, neutro, uma medida que seria mais popular entres os alemães, e claramente inoportuna para os aliados da OTAN, incluindo os Estados Unidos.

– A normalização das relações com a Iugoslávia, que prometia abandonar a sua aliança com o Ocidente para voltar ao Kominform.

– Uma política a respeito das nacionalidades oposta à “russificação” das áreas recentemente anexadas no oeste de Ucránia e nos Estados bálticos, junto com uma política de estender as mãos a alguns, pelo menos, grupos de nacionalistas na emigração. Uma reforma da política das nacionalidades noutras áreas não-russas, incluindo Geórgia e Bielorússia.

– Reabilitações e compensações para aqueles injustamente condenados por corpos judiciais especiais (as troikas e as “Comissões Especiais” do NKVD) durante os anos 30 e 40. Sob Béria este processo seria muito diferente de como foi realizado mais tarde sob Khruschev, que “reabilitou” muitos que eram inquestionavelmente culpados.

31. Algumas reformas de Béria foram realizadas em grande parte, como:

– Anistia para um milhão de encarcerados por crimes contra o Estado.

– Finalizar a investigação do “Complô dos Médicos”, junto com o reconhecimento de que as acusações foram injustas, e o castigo aos funcionários do NKVD implicados, incluindo a destituição do Comitê Central de Kruglov, antiga cabeça do NKVD.(37)

– Limitar o poder da “Comissão Especial” do NKVD para sentenciar pessoas à morte ou a longas penas de cárcere.

– Numa campanha não só contra o “culto” a Stalin senão contra o “culto” a qualquer líder, proibir a exibição de retratos de líderes nos comícios. Esta disposição foi anulada a mando do Partido pouco depois da destituição de Béria.

Os movimentos de Béria a prol duma reforma democrática

32. Oficialmente, Béria foi detido pelos seus companheiros do Politburo e por alguns generais em 26 de junho de 1953. Mas os detalhes desta suposta detenção são obscuros, e existem versões antagônicas.(38) De qualquer jeito, durante a plenária do Comitê Central dedicada a acusar a Béria de vários delitos, em julho de 1953, Mikoyan afirmou:

Quando fez a sua apresentação na Praça Vermelha sobre a tumba do camarada Stalin, depois do seu discurso, falei com ele: “No seu discurso há uma parte na qual você garante a todos os cidadãos os direitos e liberdades previstas na Constituição. Inclusive, no discurso de um simples orador não tem que ter nenhuma frase verdadeira; mas já o discurso de um ministro de política interior, que é um programa de ação, deve ser cumprido”. Respondeu-me: vou cumpri-lo. (Beria 308-9; Mukhin 178)

33. Béria dissera algo que alarmou Mikoyan. Aparentemente foi o fato de que, durante a parte crucial do seu discurso na Praza Vermella, e quando fez referência à Constituição, Béria não mencionou o Partido Comunista, e só falou sobre o Governo Soviético. Béria falou em segundo lugar, depois de Malenkov, uma demonstração pública de que ele era agora o segundo no poder, no Estado soviético. O que Béria disse foi:

“Os trabalhadores, os camponeses das fazendas coletivas e a intelectualidade do nosso país podem trabalhar pacificamente e com confiança, sabendo que o Governo soviético garante diligente e incansavelmente os seus direitos, tal e como figuram na Constituição de Stalin… A partir de agora, a política exterior do Governo soviético será a política leninista e stalinista de manter e reforçar a paz…” (Béria, Discurso)

34. Mukhin sugere a seguinte possível interpretação deste parágrafo:

“As pessoas comuns compreenderam apenas parte do sentido do que Béria dissera, mas para a nomenclatura do Partido entendeu que este era um duro golpe. Béria tinha a intenção de conduzir o país sem o Partido, pode-se dizer, sem eles; prometeu às pessoas proteger os seus direitos, que não os outorgava ao partido, mas sim à Constituição!” (Mukhin, 179)

35. Nesta mesma plenária de junho de 1953, Khrushchev afirmou:

“Lembremos como Rakosi (líder comunista húngaro) disse: Gostaria de saber que é que decide o Conselho de Ministros e que o Comitê Central, que tipo de divisão deve existir… Beria contestou tranquilamente: Que Comitê Central? Deixemos que Conselho de Ministros decida e que o Comitê Central se ocupe das suas funções de quadros e propaganda” (Béria 91).

36. Mais tarde, nessa mesma plenária, Lazar Kaganovich notou que foi exposto por Khruchev:

“O Partido para nós é o mais importante. Não se permite que ninguém fale como dele como esse despeitado (Béria), que disse: o Comitê Central (para) quadros e propaganda, não para o mando político, não para dirigir toda a vida, como nós, os bolcheviques, o entendemos.” (Béria 138)

37. Parece que estes homens temiam que Béria intentasse desalojar o Partido do controle direto do país. Isto era muito semelhante ao que Stalin e os seus colaboradores quiseram fazer durante as discussões constitucionais entre 1935 e 1937. Também aparece esta ideia no rascunho do programa do Partido de 1947, na reestruturação que Stalin realizou no XIX Congresso e na imediata Plenária do Comitê
Central.

38. Sergei, filho de Béria, afirma que o seu pai e Stalin estiveram de acordo na necessidade de afastar o Partido da direção direta da sociedade soviética. As relações do meu pai com os órgãos do Partido foram
complicadas… O [O partido] jamais acatou as suas críticas ao aparelho partidário. Por exemplo, disse diretamente a Khruchev e Malenkov que o aparelho do Partido corrompia as pessoas. Era necessário anos antes, quando o Estado soviético acabava de formar-se. Mais, meu pai perguntava-lhes: “Quem precisa hoje destes controles? [Beria] tinha este tipo de conversas francas com diretores de indústrias e fábricas a quem, evidentemente, não lhes importavam nada os inúteis do Comitê Central. Meu pai era igualmente sincero com Stalin. Joseph Vissarionovich estava de acordo em que o aparelho do Partido tirasse de si mesmo responsabilidades em matérias concretas e não tinha nada que fazer além de debater. Sei que um ano antes da sua morte, quando apresentava o novo desenho do Presidium do Comitê Central, Stalin fez um discurso centrado na necessidade de encontrar novas formas de dirigir o país, já que os velhos caminhos não eram os melhores. Começou então uma viva discussão sobre a atividade do Partido (Sergo Beria, Moy Otets Lavrentii Beria).

39. A reestruturação planejada por Béria das relações entre o Estado e o Partido, provavelmente seria muito bem acolhida pelos militantes de base, para não falar da maioria dos cidadãos soviéticos não militantes. Mais constituía uma grande ameaça para a nomenclatura.

40. Mukhin explica isso assim:

“Beria não renunciou a convencer as pessoas de que o país devia ser governado, em todo o território, pelos Sovietes, como reconhecia a Constituição, e que o Partido tinha que ser un órgão ideológico que, mediante a propaganda, ajudaria a garantir que todos os sovietes fossem comunistas. Béria propôs levar à prática o autêntico espírito da Constituição recolhido na lenda: “Todo o poder aos Sovietes!” Ainda que Béria trabalhasse exclusivamente na esfera ideal, estas podiam ser desagradáveis para a nomenclatura, mas não perigosas. Já que eles tinham o poder, podiam selecionar delegados para o Soviete Supremo instruídos de tal jeito que impossibilitassem que se colocasse em prática as ideias de Béria. Mas, e se Béria não permitisse aos secretários e ao Comitê Central dirigir as eleições e a sessão do Soviete Supremo, que decisões poderiam tomar os deputados?” (Ubiystvo 363-4)

41. Evidentemente, isto fez com que Beria colidisse com a maioria da nomenclatura do Partido (Ubiystvo 380). Khruchev representava os interesses deste grupo ou, pelo menos, uma parte grande e ativa do mesmo. E Khruschev tinha um conceito completamente distinto da “democracia”. O famoso diretor de cinema Mikhail Romm registrou as palavras de Khruchev numa reunião com intelectuais:

“Por suposto que vos escutamos, e falamos convosco. Mas quem decidirá? No nosso país é o povo quem tem que decidir. E quem é o povo? É o Partido. E quem é o Partido? Nós somos o Partido. Isto significa que nós decidiremos. Decidirei eu. Entendido?” (Alikhanov)

42. Como Mukhin disse: “o Partido, como uma organização de milhões de comunistas, chegara ao seu fim. O grupo de pessoas das altas esferas converteu-se no Partido”.(Mukhin, Ubiystvo 494)

Mortes de Stalin e Béria

43. Além das misteriosas circunstâncias da morte de Béria, existem suficientes provas para considerar que deixaram Stálin morrer, encontraram-no no chão de seu escritório depois de ter sido golpeado ou, talvez, até envenenado. Não temos tempo ou espaço para resumir esta questão aqui.

44. Porém, não é necessário para os objetivos deste trabalho. A enorme circulação e credibilidade destas suposições entre russos de todo o espectro político exemplifica que muitos russos supõem que as mortes de Stalin e Béria convinham muito à nomenclatura. Estas provas, independentes de outras que possam indicar que foram assassinados, demonstram que tanto Stalin como Béria queriam uma perestroika comunista, uma “reestruturação”, ainda que política, não econômica, do poder, no canto da super-exploração capitalista e a estafa que padeceu o país sob aquele nome desde o final dos anos 80.

45. O resultado imediato dos fracassos de Stalin e Béria na democratização foi que a URSS ficou nas mãos dos líderes do Partido. Não se chegou à democracia operária na URSS. A nomenclatura do Partido continuou a monopolizar o controle das questões chaves, inclusive no Estado e na economia, desenvolvendo uma elite parasitária e exploradora, com fortes semelhanças com os seus homólogos dos países abertamente capitalistas.

46. Realmente, este elite continua hoje no poder. Gorbachov, Ieltsin, Putin, e o resto dos líderes da Rússia e das antigas repúblicas soviéticas são todos antigos membros da direção do Partido. Durante muito tempo se aproveitaram dos cidadãos da União Soviética como funcionários superprivilegiados. Com Gorbachov, foram eles os que dirigiram a privatização de toda a propriedade coletiva que pertencia à classe operária da URSS, empobrecendo não só aos trabalhadores, senão também à ampla classe média. Este processo foi qualificado como a maior expropriação na história do mundo.(39) (The Party nomenklatura destroyed the Soviet Union. Bivens & Bernstein; O’Meara; Williamson)

47. Para esconder o seu protagonismo nas execuções massivas dos anos 30, os seus êxitos em frustrar as tentativas democratizadoras de Stalin, as suas negativas em colocar em prática as reformas de Stalin e Béria –pode-se dizer então, esconder a sua negativa de democratizar a União Soviética- Khruschev e os líderes do Partido culparam Stalin de tudo, mentindo sobre a existência de conspirações sérias na URSS dos anos 30, e escondendo o seu papel nas execuções em massa que se seguiram.

48. O “discurso secreto” de Khruchev foi o maior golpe contra o movimento comunista mundial na história. Estimulou aos anticomunistas de todo o mundo, que decidiram que agora havia um líder comunista em quem podiam confiar. Os documentos que vieram à luz após a queda da URSS demonstraram que praticamente todas as acusações de Khruchev contra Stalin eram mentira. Esta evidência, pela sua parte, obriga-nos a investigar as verdadeiras motivações do ataque de Khruschev a Stalin.(40) Os investigadores russos já demonstraram que as acusaçõees “oficiais” contra Béria, citados por Khruchev e os seus seguidores na direção soviética, são falsos ou carecem absolutamente de provas. Béria foi assassinado judicialmente por razões que os seus executores jamais revelaram. Os montes de mentiras que envolvem estes acontecimentos fazem com que nos tenhamos que perguntar: Que aconteceu realmente? O presente ensaio quer ser uma resposta.

Conclusão e futura investigação

49. Já que Stalin pensava na participação de vários partidos no seu projeto de eleições, que tipo de democracia seria esta? As perguntas sobre a democracia têm que começar com outra pergunta: “Que se entende por democracia?”.

50. No mundo capitalista industrializado “democracia” equivale a um sistema onde os partidos políticos competem em eleições, mas que todos os partidos políticos são controlados pelas elites ricas e autoritárias. Tampouco esta “democracia” permite mudar o sistema econômico capitalista por outro alternativo. Esta “democracia” é uma criação da classe capitalista dirigente. Pode-se dizer, esta “democracia” é “falta de democracia”.

51. Seriam possíveis eleições nas quais participam cidadãos e grupos de cidadãos dentro dos limites que supõe aceitar o poder dirigente da classe operária? Podem funcionar numa futura sociedade socialista? Qual é o papel da “democracia representativa”, é dizer, das eleições, numa sociedade que busca acabar com as classes sociais? Como esta aposta recomendada na Constituição de 1936 nunca foi levada à prática, não podemos saber quais seriam os aspectos positivos e negativos da mesma. Marx e Engels fizeram importantes análises sobre a natureza da democracia proletária, baseando-se no estudo da prática da Comuna de Paris. É uma pena que não tenhamos contado com a experiência de eleições abertas na União Soviética na época de Stalin. Poderíamos aprender muito das debilidades e das vantagens deste sistema.

52. Os estudos motivados pelo anticomunismo seguem dando espaço ao velho e falso, ainda que não suficientemente desacreditado, paradigma Khrushchev/Guerra Fria/Antiestalinismo. Mas o processo de reinterpretar a história da União Soviética à luz dos anteriormente secretos documentos soviéticos começou há muito na Rússia. Chegará logo a outras partes do mundo. Um dos principais objetivos destes estudos é o de introduzir outras pessoas nesta nova interpretação.

53. Há um aspecto que surpreenderá a quase todos os leitores. Através do “culto à personalidade”, a adulação à figura de Stalin, fomos condicionados para ver em Stalin um “ditador todo-poderoso”. Esta mentira fundamental no paradigma histórico Krushchev/Guerra Fria, feita em pedaços pelas investigações que apresento neste ensaio, deformou fatalmente a nossa compreensão da história soviética. De fato, Stalin nunca foi “todo-poderoso”. Foi limitado pelos esforços combinados de outros líderes do Partido. Nunca foi capaz de atingir o seu objetivo de reformas constitucionais. Tampouco podia controlar aos Primeiros Secretários e ao NKVD.

54. O “culto” apagou estas lutas políticas. As transcrições da Plenária do Comitê Central demonstram que, ainda que às vezes os líderes bolcheviques divergiam abertamente de Stalin, isto aconteceu em raras ocasiões. As disputas políticas não eram tratadas abertamente até resolvê-las, senão de outras maneiras, como foi o caso dos Primeiros Secretários em julho de 1937. Outras vezes utilizavam-se métodos policiais, interpretando o desacordo político como uma oposição hostil.

55. Independentemente do mecanismo de resolução das discrepâncias, o resultado do “culto” foi um autoritarismo profundamente antidemocrático. Stalin pareceu ser um dos poucos líderes soviéticos a compreender isto. Ao longo da sua vida condenou o “culto” em muitas ocasiões.(41) Porém, nunca se deu conta da intensidade do dano que podia causar.

56. As conclusões a que chegamos, quase exclusivamente sobre a base de outras investigações, sugerem novos temas importantes para uma investigação adicional. Que forma pode tomar a “democracia” numa sociedade socialista que tem como objetivo gerar uma sociedade sem classes? Um modelo como o previsto por Stalin na Constituição de 1936, democratizando a União Soviética e restaurando o papel original do Partido Bolchevique, como uma organização de revolucionários cujo principal trabalho é conduzir o país ao comunismo? Ou este modelo já incorpora aspectos capitalistas da democracia burguesa que acelerariam, no interesse de impedi-lo, a evolução da URSS que seria cara ao capitalismo?

– Qual é o papel apropriado de um partido comunista em uma sociedade desse tipo? Quais são as formas específicas da direção política compatíveis com a posse do poder democrático pela classe operária? Que formas de direção política e econômica são antagônicas a estes objetivos?

57. Uma vez que nos perguntamos se as eleições e o governo “representativo” bastariam para expressar os interesses dos trabalhadores e camponeses, vemos que a Constituição de 1936, sendo posta em prática, tampouco seria suficiente. Isto leva-nos a pensar que a “solução” tampouco passa por fortalecer o Estado e debilitar o Partido – e parece que foi isto o que pensaram Stalin e Béria. Os marxistas imaginam que o estado pode ser dirigido tanto por uma classe quanto por outra, mas também é preciso supor se uma nova classe dirigente proveniente das camadas superiores do Partido, ou de alguma outra parte da sociedade, governaria e mudaria o estado para fazer este novo poder mais efetivo. Isto sugere que a diferença entre Partido e Estado é artificial e enganosa, e deve ser suprimida.

O termo burocratismo, ou burocracia, ainda que aponte um problema, cria outros. Sugiro que as questões expostas anteriormente -sobre a democracia e o papel do partido- devem levar-nos a empregar modos mais materialistas de pensar as relações, em uma sociedade socialista, entre a parte organizada e politicamente mais consciente, e a menos organizada ou menos consciente politicamente, que representa a maioria produtiva.

Os bolcheviques geralmente, e Stalin expressamente, faziam uma grande distinção entre preparação política e habilidade técnica ou educação. Mais eles nunca estudaram suficientemente a contradição entre “militante” e “técnico”, como se fez durante a Revolução Cultural chinesa. A ideia compartilhada por quase todos os socialistas de que se poderia separar a supervisão política do conhecimento técnico e a
produção, reflete, em parte, a noção errada de que a ciência -a técnica- é politicamente neutra, e de que uma produção econômica eficaz já era politicamente de esquerda ou comunista. A contradição entre Estado-Partido é continuação desta outra contradição (entre o militante e o técnico).

Que significa “democracia interna” no contexto de um partido comunista? Na URSS, muitas das forças de oposição cujos pontos de vista foram derrotados nas Conferências e Congressos do Partido durante os anos 20, tomaram o caminho das conspirações que, no seu último termo, buscavam o assassinato de dirigentes do Partido, golpes de Estado e colaborações, através de atividades de espionagem, com
as potências capitalistas inimigas. Ao mesmo tempo, líderes regionais do Partido desenvolveram hábitos ditatoriais que, por sua vez, os afastavam da militância do Partido (e, por suposto, da população não-comunista, que era muito mais numerosa),
e por outro lado, garantiam privilégios materiais.

58. As vantagens materiais dos altos cargos do Partido jogaram um importante papel, decisivo inclusive, no desenvolvimento do que se conheceu como nomenclatura. Igualmente, o evidente objetivo de Stalin de afastar o Partido do comando direto e devolvê-lo às tarefas de “agitação e propaganda” poderia sugerir uma tomada de consideração desta contradição por parte de Stalin e, talvez, também, por outros dirigentes. Até que ponto as grandes diferenças salariais eram essenciais para estimular a industrialização na URSS? E se estas diferenças fossem essenciais, foi um erro conceder privilégios materiais a membros do Partido (melhor salário, melhor alojamento, casas especiais, etc. O contexto político em que se tomaram estas decisões, final dos anos 20 e princípios dos 30, deve ser estudado com mais vagar. Os debates, que tiveram lugar no princípio dos anos 30 e que por agora ainda não estão
disponíveis, referidos ao salário máximo dos membros do Partido, têm que ser descobertos e estudados.

59. Parece que Zhukov e Mukhin pensaram que a tática, que eles atribuem a Stalin e Béria, de afastar os líderes do Partido da direção do Estado, era a melhor para impedir a degeneração do Partido. Como sugeri mais acima, talvez a verdadeira causa da degeneração do Partido foi a defesa dos seus privilégios, mais que a contradição “militante-técnico”.

60. Pensava-se, por suposto, na necessidade dos incentivos materiais, primeiro, para recrutar técnicos para edificar a base industrial da URSS, especialistas no seu trabalho, mas burgueses, anticomunistas e inimigos da classe operária. Partindo disto, podemos argumentar que os altos salários foram necessários para animar aos técnicos especializados (incluindo trabalhadores especializados) a que se filiassem ao Partido Bolchevique; ou para trabalhar duro em condições adversas, a miúdo perigosas para a saúde, e sacrificando a vida familiar. Isto serviria para justificar as desigualdades semelhantes às do mundo capitalista.

61. Pode-se dizer que Stalin e Béria pensaram que devolvendo ao Partido a sua função puramente política, poderiam impedir a sua degeneração. Já que esta estratégia nunca foi levada à prática, não podemos saber se funcionaria. Mas suspeito que a questão dos “incentivos materiais”, pode-se dizer, a desigualdade econômica, é a fundamental. Nas conversas com Félix Chuev, um Molotov já ancião reflete sobre a necessidade de aumentar o igualitarismo, preocupando-se com o futuro do socialismo na URSS, ameaçado com o maior crescimento das desigualdades. Molotov não via as raízes desta desigualdade nos tempos de Lênin e Stalin. De fato, Molotov, como Stalin, era incapaz de analisar criticamente o legado de Lenin, embora existisse a proposta de manter e ampliar algumas desigualdades com a finalidade de estimular a produção podemos encontrá-la em Lenin e, recuando ainda mais, no Marx da Crítica ao Programa de Gotha.

62. As perguntas que cada um faz refletem inevitavelmente as preocupações próprias, e o meu caso não é uma exceção. Penso que a história do Partido Bolchevique durante a etapa de Stalin -uma história tergiversada pelas mentiras anticomunistas e que ainda tem que ser escrita- têm muito que ensinar às futuras gerações. Os ativistas políticos que estudam o passado para guiar-se, ou os investigadores com consciência política que entendem que suas melhores contribuições para um futuro melhor passam pelo estudo das lutas do passado, todos têm muito que aprender da história da União Soviética.

63. Como marinheiros da Idade Média com mapas mais imaginários que reais, nós fomos enganados por histórias canônicas sobre a URSS, a maior parte delas falsas. O processo de descobrir a história real da primeira experiência socialista acaba de começar. Como pode compreender qualquer leitor deste ensaio, acredito que isto é duma enorme importância para o futuro.

Notas

1. A versão de Trotsky da história soviética antecedeu a de Khruschev, misturando-se com esta última como uma espécie de versão “esquerdista”, compensando, enfim, sua falta de prestígio fora dos círculos trotkistas. Tanto uma como outra, dão uma imagem extremamente negativa de Stalin; o termo “demonizar” não é exagerado. Sobre Trotsky, consultar McNeal.

2. O difundido uso do termo “terror” para adjetivar o período da história soviética que vai desde meados de 1937 até 1939-40 pode se dever a uma aceitação acrítica do tendencioso e pouco confiável trabalho de 1938: O Grande Terror. O termo é tão inexato como polêmico. Ver “Fear and Belief in the URSS’s Gran Terror: Response a Arrest, 1935-1939”, Slavic Reviw 45 (1986), 213-214. Ver tamén “Social Dimensions of Stalinist Rule: Humor and Terror in the USSR, 1935-1941”, de Thurston no Journal of Social History 24, no 3 (1991) 541-562; Life and Terror Ch. 5, 137-163.

3. O pensamento marxista-leninista rejeita a “democracia representativa” capitalista por constituir essencialmente uma cortina de fumaça para o controle das elites. Muitos pensadores políticos não-marxistas acreditam nisto. Por exemplo, Lewis H. Lapham (editor de Harper’s Magazine), “Lights, Camera, Democracy! On the conventions of a make-believe republic”, Harper’s Magazine, agosto de 1996, 33-38. 4. Citado por Yuri Zhukov em Zhupel Stalina, Komsomolskaia Pravda, 5 de novembro de
2002. O profesor Getty confirmou esse ponto em um e-mail.

5. O nome do Partido passou em 1952 a ser Partido Comunista da União Soviética.

6. Yenukidze, um velho revolucionário, georgiano e amigo de Stalin, ocupou durante muito tempo uma posição preminente no Governo soviético, e nunca foi relacionado com nengún dos grupos de oposição dos anos 20. Nesta época estava no comando da Guarda do Kremlin. Em poucos meses foi um dos primeiros a ser denunciado como membro de um plano para um “golpe de mão” contra a liderança de Stalin. Zhukov (KP, 14 de novembro de 2002) indica que isto deve ter irritado profundamente Stalin.

7. A II Parte, Capítulo 3, Artigo 9 da Constitução soviética de 1924, vigente neste momento, concedeu aos habitantes das cidades uma elevadíssima influência social; um delegado soviético por cada 25.000 votantes urbanos, e um delegado por cada 125.000 votantes do campo. Isto estava de acordo com o maior apoio do socialismo dos operários, e com o conceito marxista do estado como ditadura do proletariado.

8. Isto, de fato, não é uma lei, senão “uma decisão do Comitê Executivo, e o Conselho de Comissários Populares”, e, já que desde logo, das áreas legislativa e executiva do governo. O fato de que se chame “lei”, inclusive no âmbito acadêmico, demonstra que a maioria dos que se referem a ela nem sequer a leram. Está impresso em Tragediia Sovetskoy Derevni. Dollektivizatsiia I Raskulachivanie. Documenty I Materialy. 1927- 1939. Tomo 3. Konets 1930-1933 (Moscova: ROSSPEN, 2001), No 160, pp. 453-4, e em
Sobranie zakonov i rasporiazhenii Raboche-Krest’ianskogo Pravitel’ SSSR, chast’ I, 1932, pp. 583-584. Os meus agradecimentos a Rittersporn por esta última citação.

9. Para reconstruir a economia o mais rapidamente possível após a devastação da Guerra Civil e a conseguinte fome, os bolcheviques permitiram certa atividade do capital e favoreceram certos negócios privados, sempre debaixo do controle governamental. É o que se conhece como Nova Política Econômica (NEP).

10. Stalin “Informe ao XVII Congresso do Partido” 704, 705, 706, 716, 728, 733, 752, 753, 754, 756, 758.

11. Isto não é de conhecimento geral, e o seu significado é raramente compreendido. A nossa opinião sobre Stalin foi moldada por aqueles que o odiaram (McNeal 87). Stalin foi um excelente estudante no seminário de Tblisi (Geórxia) onde foi enviado pela sua mãe. Dedicando a sua vida desde a sua adolescência ao movimento revolucionário da clase operária, nunca teve oportunidades para uma educação superior, ainda que era muito inteligente e um grande leitor cujo aprendizado ia desde a filosofia até questões técnicas como a metalurgia. Os registros da época testemunham o seu profundo conhecimento de muitas áreas técnicas. Um acadêmico russo que estudou a biblioteca de Stalin dá umas cifras impressionantes: 20.000 volumes na sua casa após a guerra, muitos dos 5.500 livros doados ao Instituto de Marxismo-Leninismo estão sublinhados e apresentam anotações (Ilizarov). Roy Medvedev, que odeia a Stalin, vê-se na obrigação de admitir as consideráveis leituras de Stalin (Medvedev, Lichnaia). Muitos dos colaboradores que escolheu refletem esta mesma inclinação à superação pessoal. Sergei Kirov, o líder do Partido em Leningrado e estreito aliado de Stalin que foi assassinado em 1934, destacou-se pelas suas amplas leituras literárias (Kirlina 175). “Quando Kirov foi assassinado, os investigadores fotografaram todo o que ajudasse a investigação, inclusive a superfície de sua mesa de trabalho. Na direita havia um manual de engenharia de Hutte, na esquerda uma fila de publicações científicas e técnicas, lendo-se no título superior “Combustíbel Shale”. Efetivamente, era muito vasta a rede de interesses deste trabalhador do Partido, como acontecia com Stalin”. (Mukhin Ubiystvo 625) Em 1924, Lavrenty Beria, após vários anos de trabalho revolucionário e clandestino muito perigoso, como por exemplo a infiltração em grupos violentos anticomunistas caucásicos, escreveu o seu currículo no Partido. Sua idéia de reunir méritos era mais de uma tarefa, mas não para um trabalho cômodo, como pediam a maioria parte dos “velhos bolcheviques”, senão para que se lhe permitisse voltar aos estudos de engenharia e poder contribuir à construção de uma sociedade comunista. (Beria: Konets Kar’ery, 320-325)

12. Thurston, nos Capítulos 2, 3 e 4, é o melhor resumo, nos primeiros anos 90, das provas relacionadas com os Julgamentos de Moscou. Este artigo não tratará diretamente destes julgamentos, nem do julgamento e execução do marechal Tukhachevsky e outros líderes militares em junho de 1937, ou fala das relações entre todas as conspirações antissoviéticas nesses julgamenots citados. Como deixam claro os documentos dos arquivos soviéticos, Stalin e outros dirigentes soviéticos estavam convencidos de que as conspirações existiam, e de que as acusações nos julgamentos de Moscou, incluindo aquelas contra líderes militares, eram, ao menos na sua maior parte, justas.

13. Getty sublinha que os membros do Comitê Central se negaram a fornecer o discurso de Zhdanov, trazendo confusão ao secretário Andreev. (“Excesses” 124) Zhukov enfatiza bastante este ponto, já que Eikhe e outros Primeiros Secretários na sessão seguinte, destacando a luta contra “os inimigos”. (Inoy 345) 14. Para a Resolução, ver Zhukov, Inoy 362-3; Stalin, Zakliuchitel’noe. Como a resolução, que permanece inédita, o discurso de Stalin só menciona o tema dos “inimigos”. Stalin insiste em que há “gente muito prezada” entre os antigos trotskistas, e menciona concretamente Félix Dzerzhinsky.

15. Este volume (Genrikh Yagoda) consiste esencialmente em interrogatórios efetuados a Yagoda e ao seu círculo, e na confissão de Yagoda de participar de uma conspiração para dar um golpe contra o Governo soviético, a liderança de Trotsky nesta conspiração e, de modo geral, tudo o que confessou Yagoda no julgamento de 1938. Não há indícios que ponham em dúvida a autenticidade das confissões. Os editores do volume negam a exatidão dos fatos citados nos interrogatórios, definindo-os como “falsos”. Mais não trazem prova alguma da sua afirmação. Jansen e Petrov, P. 226 n.9, apesar de seu anti-estalinismo, citaram este volume como prova e sem nenhum comentário. Existem boas provas, ademais, de que assim foi na realidade; que estas conspirações existiram, que as confissões nos julgamentos públicos não foram forçadas, e que as principais acusações eram verdadeiras. Outro vasto volume de documentos primários publicado em 2004 contém uma grande número de informes do NKVD sobre conspirações e textos de interrogatórios (ver Lubianka). A explicação mais provável da existência deste volume de evidências é que alguma, ao menos, é certa.

16. Chamado o klubok (“enredo”) pelos investigadores do NKVD da época e pelos
historiadores russos atuais.

17. Não se publicou a transcrição da reunião plenária de junho de 1937. Alguns autores afirmam que não se conservou nenhuma. Porém, Zhukov menciona extensamente algumas transcrições arquivadas não acessíveis a outros.

18. A ordem de estabelecer uma troika na regiões do oeste siberiano de Eikhe existiu. O pedido de Eihke não se comprovou, mas deve ter existido, já que foi verbalmente ou por escrito. Vez Zhukov, “Repressii” 23, n. 60; Getty, “Excesses” 127, n. 64.

19. Getty, Excesses 131-134 comenta algumas estatísticas. Ver Orde No 00447.

20. O presente papel se reproduz em Zhukov; Inoy, 6ª ilustração.

21. Ainda em 1 de fevereiro de 1936, menos de quatro semanas antes do seu discurso secreto ao XX Congresso do Partido, Khruchev definia a Yezhov como “inocente sem nenhuma dúvida, um homem honrado”. Reabilitatsia: Kak Eto Bylo. Mart 1953-Febral’ 1956 (Moscova, 2000), p. 308.

22. A sua demissão não foi formalmente aceitada até o 25 de novembro de 1938; ver Lubianka no 344 e 364.

23. Khruschev pediu para “executar a 20.000” pessoas, Zhukov,KP 3 Dec. 02. Os comentários críticos de Yakovlev sobre as expulsões massivas de Khruchev são citados mais acima. Eikhe foi preso em outubro de 1938, julgado, acusado, condenado e executado em fevereiro de 1940. Segundo Khruschev, Eikhe rejeitou a sua confissão, afirmando que fora obtida através da força ou da tortura. A análise de Zhukov aponta a que o autêntico motivo da sorte de Eikhe foi o seu papel de dirigente nas execuções massivas de 1937-1938. Ver Jansen e Petrov, 91-2. O Politburo e o Plenária do Comitê Central de janeiro de 1938 começaram a atacar aos Secretários do Partido que reprimiram os membros qualificados do Partido. (Getty, Origins 187. O registro completo da investigação sobre Eikhe e o julgamento ainda estão classificados). O desejo de desviar a atenção e as culpas próprias e dos Primeiros Secretários foi um dos objetivos das mentiras contidas no seu “informe secreto”.

24. Getty (“Excesses” 132) cita evidências de que 236.000 execuções foram autorizadas por “Moscou”, querendo significar a direção estalinista, mas mais do que 160% dessa cifra, 387.000 pessoas, foram executadas por autoridades regionais.

25. No julgamento de Moscou de 1938, Yagoda confessou a sua participação na conspiração para um golpe de Estado contra o governo soviético, delatou os assassinos de Máximo Gorki e do seu filho, e outros crimes, mais negou com profundidade a acusação do fiscal de espionagem. O fato de manter-se a acusação de espionagem um anos depois da detenção de Yagoda, demonstra, ao menos, que o Governo soviético pensou que ele poderia ter dado informação a um governo inimigo (Alemanha, Japão, Polônia). Como número um do Ministério do Interior, incluindo a polícia secreta e de fronteiras, Yagoda teve a oportunidade de causar um dano incalculável à segurança soviética no caso de dar informação a governos estrangeiros.

26. Thurston tem a melhor discussão em língua inglesa sobre isto, em Life and Terror 128.

27. O texto completo da resolução está em Zhukov, Stalin. Ver também a posição mais posição mais recente de Zhukov em Tayny 270-276, onde também se reproduz o texto.

28. Outra leitura dos arquivos sugere que os números puderam ser 6, 6 e 5. Ver Khlevniuk O., et al. eds, Politburo TsK VKP(b) i Sovet Ministrov SSSR 1945-1953. Moscova: ROSSPEN, 2002, 428-431.

29. Pyzhikov atribue esta tensão democrática aos Leningradenses, especialmente a Voznesensky. (Ver também o seu artigo “N.A. Voznesenski” em http://www.akdi.ru/id/new/ek5.htm ) Isto implicaria também o apoio de Zhdanov, por mais que este apoio não se “encaixara” com a teoria de Pyzhikov sobre que as forças a prol do capitalismo -Voznesensky e os seus colegas “Leningradenses”- fossem as mais “democráticas”. Nem por que não foi aprovado o rascunho se os “Leningradenses” se mantiveram fortes até 1947. Tampouco isto indica, nem muito menos demonstra, nenhuma conexão necessária entre a conhecida orientação capitalista e consumista de Voznesensky e a democracia política. Finalmente, não indica que Stalin não a apoiou.

30. Segundo Zhores Medvedev, o arquivo pessoal de Stalin foi destruído imediatamente depois da sua morte (Medvedev, Sekretnyi). A julgar por esse ato, é razoável pensar, como faz Mukhin (Ubiystvo 612), que algumas das suas ideias deveriam ser consideradas muito perigosas, e, entre elas, as expressas nestas duas reuniões. A miña análise vai aqui, depois continua a de Mukhin, Ch. 13 e Medvedev, op. cit.

31. Seguramente foi pensado como uma medida de unificação. Cada uma das Repúblicas que formavam a URSS manteve o seu próprio Partido: o Partido Comunista de Ucrânia, da Geórgia, etc. Isto levou alguns líderes do Partido a pensar que Rússia, a maior das Repúblicas, mas que não tinha nenhum Partido “seu”, estava em desvantagem. Parece ser que um dos cargos mais sérios contra os líderes do Partido julgados e executados no “Comunicado de Leningrado” durante o pós-guerra foi o de planejar constituir um Partido russo e mudar a capital da República russa (não a da URSS) a Leningrado. Possivelmente isto faria a Rússia ainda mais poderosa, exacerbando o chauvinismo russo, quando o que se necessitava nesse momento era buscar a unidade das diferentes repúblicas. Ver David Brandenberger, “Stalin, the Leningrad Affair, and the Limits of Postwar Russocentrism”, Russian Review 63 (2004), 241-255.

32. O posto de “Primeiro Secretário” foi criado por Khrushchev após a morte de Stalin.

33. Citado em Mukhin, Ubiystvo 617.

34. A publicação mais antiga que consultei está no jornal de esquerda Sovetskaia Rossiia do 13 de janeiro de 2000, em http://www.kprf.ru/analytics/10828.shtml; em inglês, em http://www.northstarcompass.org/nsc0004/stal1952.htm.

35. Mukhin crê que foi um grave erro. Defende que o interesse da nomenclatura era que Stalin morresse sendo ainda Secretário do Comitê Central (embora não fosse mais “Secretário Geral”) e Chefe de Estado –pode-se dizer, a menos que ele reunisse os cargos de cabeça do Partido e do país. Deste jeito, seria melhor que o seu sucessor como Secretário do Comitê Central fosse aceito pelo país e pelo governo também como Chefe de Estado. Se isto fosse assim, a tentativa de desalojar a nomenclatura do controle direto do país seria o fim. (Mukhin, Ubiystvo, 604 & Ch. 13)

36. Para as reformas de Béria, tanto levadas a cabo como só propostas, utilizei os trabalhos de Kokurin e Pozhalov, Starkov, Knight, e Mukhin, Ubiystvo. Todos os livros recentes sobre Béria citados na bibliografia abordam também este tema.

37. No seu “Discurso Secreto”, Khruchev também qualifica o “Complô dos Médicos” de fraude. Mais teve o descaramento de culpar Béria, que de fato fora quem começara a investigação, enquanto elogiava Kruglov, chefe do NKVD e responsável por este complô e a quem Khruschev restaurou no Comitê Central, e que estava presente enquanto falava Khruschev.

38. Há provas abundantes para sugerir que Béria foi assassinado o dia da sua detenção. O seu filho Sergo Béria, nas suas memórias, escreve que os funcionários lhe disseram que o seu pai não estava presente durante o julgamento. Mukhin afirma que Baybakov, o único membro vivo do Comitê Central de 1953, lhe disse que Béria estava morto já a altura da plenária de julho de 1953, mas os seus membros ainda não sabiam, somente (Sergo Beria; Mukhin, Ubiystvo 375). Amy Knight, p.220, relata que Khruchev declarou duas vezes que Béria fora assassinado no 26 de junho de 1953, mudando mais tarde a sua versão. Suspeita-se que os documentos do julgamento de Béria foram “roubados” do seu arquivo, mas que nem a sua existência pode ser verificada (Khinshtein 2003). Porém, alguns investigadores, como Andrei Sukhomlinov (pp. 61-2), não consideram convincentes as provas sobre o assassinato de Béria.

39. A expressão “o maior roubo da história”, é amplamente utilizada para descrever a “privatização” da riqueza criada e possuída coletivamente na URSS. Podemos ver uns cantos exemplos en: “The Russian Oligarchy: Welcome to the Real World,” The Russian Journal, 17 de marzo de 2003, em http://www.russiajournal.com/news/cnews-article.shtml?nd=36013; Raymond Baker, Centre for International Policy, “A Clear and Present Danger,” Australian Broadcasting Corp, 2003, em http://www.abc.net.au/4corners/stories/s296563.htm.

40. Desde novembro de 2005 preparo um artigo que documenta as mentiras de Khruchev no seu “Discurso Secreto”, que prevejo publicá-lo em fevereiro de 2006 quando se completam os 50 anos do discurso de Khruschev. (Nota: Kruschev publicou em 2010 um livro: Kruschev Mentiu, pela Erytrós Press).

41. Roy Medvedev, Let History Judge: The Origins and Consequences of Stalinism, menciona vários casos em que Stalin fez isto. Ver pp. 150, 507, 512, 538, 547 da edição de Knopf de 1971. Outros viram a luz desde a fim da URSS. Ver um exemplo no Diário de Dimitrov 1933-1949, pp. 66-67, editado e prolongado por Ivo Banac. (New Haven, CT: Yale University Press, 2003)

Notas adicionais

Sobre o trabalho de Yuri Zhukov:

Até o dia de hoje só existe um só ataque acadêmico contra as teses de Zhukov, o da professora Irina V. Pavlova “1937: Vybory kak mistsifikatsiia, terror kak real ‘nost'” Voprosy Istorii 10, 2003 19-36. Pavlova é uma recalcitrante anticomunista da escola “totalitarista”, cuja hostilidade ideológica cara ao comunismo desacredita a sua investigação histórica. Como exemplo, mente sobre a investigação de Getty com a finalidade de desacreditá-lo. Pavlova escreve propaganda, não história.

O trabalho de Pavlova é anterior a publicação de Inoy Stalin, e tão só menciona os artigos de Zhukov em KP. A crítica de Pavlova apoia-se na suposição de que os julgamentos de Moscou, Tkhachesvki, etc., foram forjados, e todas as campanhas eleitorais e constitucionais uma montagem para esconder a repressão. Pavlova também afirma que, por mais que o Soviete Supremo não tinha o poder político real em 1936, as eleições tampouco lhe proporcionariam nenhum poder. Se por “poder” Pavlova entende a habilidade para acabar com a posição dominante na URSS do Partido Bolchevique e desfazer assim o socialismo, evidentemente tem razão: é indubitavelmente que Stalin não tinha nenhuma intenção de permitir uma contrarrevolução por meios constitucionais. Nem isso se permite em nenhum país de democracia burguesa. Mais se por “poder” entende capacidade para influenciar políticas estatais e exercer pressões, dentro de certos limites sobre políticas sociais específicas e sobre o mesmo Partido Bolchevique, pode-se dizer, o tipo de poder que dão as eleições nas democracias burguesas, então seguramente estava errada.

Sobre Iuri Mukhin, Ubiystvo Stalina e Beria:

Este livro de Mukhin é muito ignorado por aqueles contrários ás suas conclusões, sobre a base de que faz comentários que poderiam ser considerados antissemitas. Há que se dizer que Mukhin faz comentários contrários ao antissemitismo no mesmo livro. O presente trabalho não tira nenhum dado dos parágrafos nos que poderia estar o antissemitismo. Mukhin também tem posturas excêntricas sobre alguns dos temas não relacionados com este livro. Tampouco cito nenhum desses trabalhos.

Do mesmo modo se deve fazer quando se citam acadêmicos anticomunistas: a sua ideologia anticomunista não impede que, em ocasiões, poderiam apresentar enfoques de valor. E, desde sempre, o anticomunismo está estreitamente relacionado com o antissemitismo. Não sendo nem anticomunista nem judeu, Mukhin mostra certa hostilidade contra os dois, mas tampouco se pode dizer que seja um anticomunista e antissemita convencional.

As análises de Mukhin das fontes primárias e secundárias são normalmente muito agudas, e eu faço uso delas quando o considero oportuno. Naturalmente, citar algumas análises de Mukhin com as quais concordo, não implica acreditar com as análises que não se citam. Tampouco é Mukhin responsável do uso que eu faça das suas investigações. Comprovei cada referência aportada por Mukhin e todos os acadêmicos aqui citados, no caso de fontes primárias, só a disposição de aqueles que trabalham nos arquivos.

Bibliografia

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