O trotskismo e a imprensa burguesa

Uma forma de lançar luz sobre a essência contra-revolucionária do trotskismo é examiná-lo no contexto das suas relações com a imprensa burguesa. E bem sabido que a imprensa imperialista desabona e denuncia todas as idéias marxistas e todos os marxistas. Mas como essa imprensa trata Trotsky, supostamente o maior bolchevique depois de Lênin? Eis aqui alguns exemplos:

O Daily Express, de Lord Beaverbrook, era em 1929, como é hoje, um jornal reacionário, da ala direita, imperialista. Dentre os conservadores, é um dos órgãos efetivos de propaganda imperialista, exercendo há décadas uma tremenda influência imperialista sobre a política de uma seção significativa da classe operária britânica. Quando dezenas de milhares de operários estavam sob a influência de seu conservadorismo estridente olharam para o Daily Express em 27 de fevereiro de 1929, viram-se lendo as seguintes manchetes esparramadas na sua primeira página:

“A HISTÓRIA DA EXPULSÃO DA RÚSSIA CONTADA PELO PRÓPRIO TROSKY:

Revelações Dramáticas do Revolucionário Banido: Como Ele Foi Levado às Pressas para a Turquia: Ataques Severos a Stalin, seu Principal Inimigo; O Uso da Força contra um Povo Rebelde: Um Documento Histórico: Fotografias de M. e Madame Trotsky: História Exclusiva do Próprio Trotsky, por Leon Trotsky.

O Daily Express publica hoje a primeira parte da história, pelo próprio Trotsky, de sua expulsão da Rússia Bolchevique que ele tanto ajudou a criar. E um documento histórico. Trotsky, doente e exilado em Constantinopla, onde está protegido por oficiais russos contra o perigo de assassinato, dramaticamente quebrou o seu longo silêncio. Ele acusa amargamente seu arquiinimigo Stalin, ditador da Rússia, pelo destino que lhe coube, prevê a queda de Stalin, critica o regime soviético atual e revela a história secreta dos acontecimentos que o levaram a se tornar um exilado político sem um tostão.”

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Algumas razões para a construção do Muro de Berlim

Seguem descrições de ações organizadas pela CIA antes do reforço da segurança das fronteiras da Alemanha Oriental:

  • Através de explosivos, incêndios, curto-circuitos, e outros métodos eles danificaram estações de energia, esteleiros, uma barragem, canais, docas, prédios públicos, estações de gás, lojas, uma estação de rádio, estandes, transportes públicos;
  • Descarrilharam trens, ferindo gravemente trabalhadores; enterraram 12 vagões e destruíram mangueiras de pressão de ar;
  • Detonaram pontes para carros e trens; colocaram explosivos em uma ponte ferroviária da linha Berlim-Moscou que foram descobertos a tempo – centenas teriam sido mortos;
  • Usaram ácidos especiais para danificar máquinas vitais em fábricas; colocaram areia na turbina de uma fábrica, provocando uma paralização; atearam fogo a uma fábrica produtora de telhas; promoveram a desaceleração do trabalho nas fábricas; roubaram projetos e amostras de novos desenvolvimentos técnicos;
  • Mataram 7.000 vacas de uma cooperativa de laticínios envenenando a cobertura de cera do arame usado para enfardar a forragem de milho das vacas;
  • Destruíram escritórios de esquerda em Berlim Oriental e Ocidental, roubaram listas de membros; esquerdistas foram agredidos e raptados e, ocasionalmente, assassinados;
  • Forjaram e distribuíram grandes quantidades de cartões de racionamento de comida – por exemplo, para 60.000 libras de carne – para causar confusão, escassez e ressentimento;
  • Enviaram notificações fiscais falsas e outras diretrizes e documentos do governo para promover a desorganização e a ineficiência na indústria e nos sindicatos;

Fonte: “Killing Hope – U.S. military and CIA interventions since WWII”, de William Blum
https://williamblum.org/books/killing-hope

Documento histórico russo traz à tona o que pretendia Leon Trosky

Documento histórico russo traz à tona o que pretendia Leon Trosky. Foi Trotsky, então Comissário da Guerra, quem organizou o Exército Vermelho entre 1918 a 1924, note-se a palavra organizou, pois o exército já existia, nascido da revolução e sua criação se deve aos bolcheviques.

Na organização do exército, Trotsky habilmente introduziu 40 mil oficiais e 220 mil soldados oriundos das forças czaristas inimigas e que haviam combatido a Revolução de 1917. Criou também inúmeras escolas militares, onde esses oficias ensinariam as táticas militares. Ora, o que pretendia Trotsky com isso? esta bem claro, preparar a revolução dentro da revolução, com isto assumiria o controle pleno do país. Seu plano poderia dar certo ou levar ao país a graves conflitos internos, mas Lenin percebeu isto a tempo, destituindo-o do alto comissariado militar. Foi fácil para Lenin perceber a ingenuidade de Trotsky, quando este começou a eliminar comunistas ortodoxos em nome da revolução. Mas como, se a revolução era dos trabalhadores e comunistas? Era preciso assegurar a continuidade do governo bolchevique, então recai sobre Stalin a garantia que Lenin queria. Ao assumir o poder, Stalin teve o cuidado de desarticular o engedro militar trotkista e com isso impedir a contra-revolução. Então temos a verdade incontestável: Stalin era o indicado de Lenin para assumir o governo soviético.

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Um desabafo rápido

Imagino antigos revolucionários comunistas daqui vendo a situação da esquerda brasileira atualmente, em que até gente crescidinha que teve tempo de sobra para estudar as coisas não conhece sequer a história de pelo menos um país socialista de forma mais profunda. Quando falam de “socialismo real” parece que assistimos a um show de horrores! A profundidade é a mesma de qualquer youtuber direitista de quinta categoria.

As ideias que absorvem desde cedo não permitem isso, a começar pela propaganda anticomunista que é alimentada aqui desde a Ditadura Militar, depois pela Guerra Fria e depois pelo fim da URSS. Então surge aqui um monte de pequenas organizações nanicas de orientação trotskista que incentivam essa mentalidade engessada – tão engessada que nem mesmo a própria corrente teórica estudam a fundo.

Existe um “círculo da punheta” que transformou pessoas desonestas e preguiçosas em “referências intelectuais da esquerda marxista no Brasil”. A maioria virou professores universitários acomodados com seus gordos salários. Tidos intelectuais, mas soltam as frases mais desconexas e absurdas em suas palestras, com a certeza de aplausos.

Um exemplo que dou é do deplorável Coggiola, que em uma de suas últimas palestras afirmou que “stalinismo é de direita”. Isso é tão absurdo quanto o jornal Antagonista usando o mesmo espantalho do “stalinismo” para atacar Fernando Haddad. A profundidade, como já dito, é a mesma. Não existe nenhum intuito de entendimento. Não existe leitura séria. Não existe pesquisa científica. Não existe método materialista e dialético no estudo que se faz do socialismo.

As leituras são sempre as mesmas, com as mesmas interpretações às vezes pueris e muitas vezes errôneas, dos mesmos autores e dos mesmos temas. Qualquer um que tente dar uma visão diferente e que saia do que aprenderam como correto seguindo uma cartilha dogmática, ainda que seja uma visão mais sólida e com evidências mais fortes do que é o pensamento consolidado, é automaticamente rechaçado e ridicularizado. Não existe espaço para o desenvolvimento do marxismo nem mesmo nos meios supostamente marxistas.

E ainda não temos um Partido Comunista de fato, nos moldes marxistas, revolucionário. Estamos fodidos.

Em defesa do martelo e da foice: sobre simbolismo e luta

Por Charles Wofford

De acordo com a Teoria da Hegemonia Cultural, frequentemente atribuída a Antonio Gramsci, mas também desenvolvida por Edward Said e Nicos Poulantzas entre outros, a classe dominante mantém seu poder moldando deliberadamente o discurso cultural ao qual a população está exposta. Os teóricos da hegemonia reconheceram que nenhuma classe dominante pode sobreviver pela aplicação constante de violência; deve obter algum grau de legitimidade entre a população oprimida. Isso significa normalizar o status quo opressor. A hegemonia cultural é, portanto, a estrutura pela qual o governante mantém a dominação cotidiana, e pode ser vista como o complemento da aplicação deliberada da violência, que é reservada para aqueles momentos em que a hegemonia não consegue marginalizar a população.

Uma parte importante da manutenção da hegemonia cultural é controlar a linguagem. No discurso político estadunidense, aquele movimento cujas políticas podem destruir o mundo é referido como “conservadorismo”; o partido que zomba abertamente dos processos democráticos é o Partido “Democrático”; aqueles que defendem uma total tirania das corporações privadas se autodenominam “libertários”; e defender o aumento do número de proprietários de bancos privados (“desmembrar os bancos!”), em vez de defender o controle socializado dos bancos, é o suficiente para merecer o título de “socialista”. Esse tipo de distorção (ou adequação ao politicamente correto) é como o rastro da hegemonia cultural.

Um aspecto diferente do controle da linguagem é o controle dos símbolos. Dado o esforço da esquerda em direção à democracia popular (ou, como podemos chamá-la, “democracia”), quais são as distorções hegemônicas dos símbolos da democracia? E o padrão de transformar os termos em seus opostos (como exemplificado acima) nos dá uma pista dessa distorção?

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Manifesto da campanha “Brasil: pela Segunda e Definitiva Independência”

A proclamação da independência do Brasil está prestes a completar 200 anos. Nunca o Brasil esteve tão ameaçado como nesse momento. O saque das riquezas naturais, dos recursos energéticos e do trabalho do nosso povo parece seguir sem freios. Os direitos sociais, a previdência social e a legislação de proteção ao trabalho estão em processo de extinção. A política externa se tornou um apêndice da Casa Branca e do Departamento de Estado estadunidense. Petróleo, Amazônia, minérios, tecnologia nacional, tudo está aberto à sanha do capital estrangeiro e seus associados locais.

O resultado da política entreguista, antitrabalho e antipopular é a explosão do desemprego e a deterioração das condições de vida do nosso povo. Doenças outrora erradicadas retornam, como o sarampo e a poliomelite. O Brasil retorna para o mapa da fome da ONU. A concentração de renda é cada vez maior, com os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. As cenas de miséria nas ruas das grandes cidades são cada vez mais visíveis.

A política econômica de Bolsonaro-Guedes entrega os recursos da educação e saúde do povo para os especuladores financeiros. Enquanto há corte dos gastos sociais, os juros e os encargos da dívida são pagos em dia e de maneira crescente, chegando a quase um trilhão de reais em 2018. É uma política que pune o trabalho e a produção e favorece o enriquecimento de uns poucos. Esta, porém, não é uma política exclusiva da dupla Guedes/Bolsonaro. O modelo neoliberal imposto nos fins da década de 80 não foi combatido nos diversos governos desde então.

A privatização dos serviços públicos, dos ativos da Petrobras e do setor elétrico tem gerado ganhos para os mesmos, a grande finança internacional e local. A venda dos ativos públicos se dá de maneira suspeita, como mostra o caso da BR Distribuidora. Para os consumidores serviços mais caros, para os compradores das empresas privatizadas e seus intermediários mais oportunidades de ganho fácil.

Privatização, prioridade absoluta aos ganhos da alta finança e arrocho estão desarticulando a indústria brasileira. Empresas industriais fecham as portas, inclusive filiais de multinacionais. Em 1993, 63% da pauta de exportações brasileiras era de bens manufaturados. Em 2018, 66% das exportações foram em produtos in natura ou com pouco beneficiamento. O Brasil se converte em exportador de soja em grão, petróleo cru e minério bruto. A indústria que é o setor que oferece mais e melhores empregos começa a desaparecer. A exploração de recursos naturais sem controle tem um alto custo social e ambiental, sendo Brumadinho um caso exemplar.

Em prol do que há de mais atrasado no agronegócio, o governo descumpre e estimula o descumprimento da legislação ambiental. A devastação cresce exponencialmente. Ameaça entregar as terras indígenas à exploração das mineradoras estrangeiras.

O objetivo dos círculos da alta finança, do capital estrangeiro, notadamente estadunidense, e das classes dominantes é transformar o país em mero produtor de bens agrícolas e minerais e fornecedor de mão-de-obra barata. Destruir o sistema educacional, universitário e de ciência e tecnologia é central para a consecução desse objetivo.

Para impor as políticas neoliberais, há um recrudescimento da repressão às lutas populares. Militantes sociais são encarcerados. Manifestações são reprimidas a bombas e tiros. A violência policial perde qualquer limite, assumindo um caráter de genocídio. Lideranças indígenas, de trabalhadores rurais, negros e pobres são assassinados cotidianamente.

O governo Bolsonaro é um governo de traição nacional! Entrega as riquezas do Brasil. Rebaixa a força de trabalho e desarticula o mercado de trabalho em nosso país. Entrega o comando forças armadas ao Pentágono, como denota a nomeação do Brasil como aliado extra-OTAN. Entrega a Base de Alcântara. Afasta o Brasil dos seus parceiros naturais, inviabilizando a integração latino-americana e deixando de lado a parceria BRICS. Estabelece acordos danosos à economia nacional, como o acordo Mercosul e União Europeia e como se anuncia acordo similar com os EUA.

A luta pela soberania nacional, pelos direitos sociais e do trabalho é urgente e cada vez mais necessária. Os frutos do trabalho dos brasileiros devem ser revertidos em benefício dos brasileiros. O povo brasileiro deseja viver em paz no mundo, respeitando a autodeterminação de todos os povos. Quer emprego e condições dignas de vida para os seus filhos. Os brasileiros querem acesso à cultura e à educação, ter direito à livre criação artística, científica e filosófica. Quer viver em um país diverso, em que as raízes africanas e dos povos originários sejam respeitadas e cultuadas. Quer ter pleno direito à sua identidade, onde ser Nordestino, Amazônida, Paulista, Gaúcho, Mineiro ou Carioca seja expressão da brasilidade, reduzindo as desigualdades regionais.

A independência não foi para os trabalhadores e o povo. É hora do povo brasileiro tomar o seu destino em suas mãos. É chegada a hora da Segunda e Definitiva Independência!

Associação Cultural José Martí da Baixada Santista
Célula Comunista de Trabalhadores
Círculos pela Revolução Brasileira
Grupo de Estudos da Conjuntura Brasileira
Movimento Nova Pátria
Organização Comunista Arma da Crítica
União Reconstrução Comunista

Fonte: https://www.novacultura.info/single-post/2020/06/05/Manifesto-da-campanha-Brasil-pela-Segunda-e-Definitiva-Independencia

O mito da “não-violência”

“Ninguém lhe dará a liberdade. Ninguém lhe dará igualdade ou justiça. Se fores um homem, toma-os à força.” — Malcolm-X, grande herói do movimento afroamericano pelos direitos civis e oponente ferrenho da não violência.

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Em 1942, George Orwell afirmou, em um ensaio acerca da Segunda Guerra Mundial, que “O pacifismo é objetivamente pró-fascista. Isto é do mais elementar bom senso”. À primeira vista, esta sentença de seu ensaio intitulado “O Pacifismo e a Guerra” parece ser um disparate escandaloso, uma declaração provocadora por parte de um escritor que buscava apenas chamar atenção para si. Como diabos poderia alguém comparar o pacifismo — aparentemente a expressão do amor pela humanidade, pela paz e harmonia e oponente incansável de todas as formas de violência — com o apoio ao fascismo — a mais reacionária, chauvinista, militarista e sanguinária forma burguesa de governo que, na época, travava uma guerra genocida? Além disso, como poderia alguém ir ainda mais além e dizer que tal afirmação era “do mais elementar bom senso”? Contudo, se nós analisarmos mais profundamente as palavras de Orwell, veremos que ambas as declarações são verdadeiras. Orwell prossegue:

«Se dificultares os esforços de guerra de um lado, automaticamente estarás a ajudar ao outro. Não há qualquer forma real de permanecer fora de uma guerra como esta. Na prática, ‘ele que não está do meu lado está contra mim’. A ideia de que se pode permanecer distante à luta e superior a ela […] é uma ilusão burguesa, fruto do dinheiro e da segurança.»

Orwell também aponta para o fato de que os nazistas divulgavam propaganda pacifista na Grã-Bretanha e nos EUA. Quer gostemos ou não desta linha de raciocínio, esta é a mais pura verdade: em uma guerra como a Segunda Guerra Mundial, tinha-se o dever de escolher de que lado se estava; não havia uma maneira de permanecer neutro. Aqueles que tentavam enganar aos outros e a si mesmos, fingindo viver em uma torre de marfim, feita de paz e amor pela humanidade como um todo, ao mesmo tempo em que se opunham a todos os lados da guerra estavam obviamente cegos em relação à enorme ameaça que as potências do Eixo representavam ao mundo. “Mas ainda assim, tal declaração continua sendo uma generalização”, poderia dizer um pacifista ou um simpatizante da não violência. “A Segunda Guerra Mundial era um caso muito especial e qualquer um que hoje dissesse o mesmo que Orwell seria um completo lunático. Hoje em dia nós não estamos mais em uma guerra em escala total, na qual está em jogo o destino da humanidade.” — Sim, nós estamos! Travamos uma guerra de classes contra um inimigo de fato tão impiedoso quanto os nazistas. Aqueles que fazem a propaganda intransigente da não violência, fingindo desconhecerem ou estarem indiferentes em relação aos mecanismos da sociedade e condenando o simples pensamento de resistência violenta devem ser chamados de “fascifistas”. Ao longo deste artigo, o leitor verá que as declarações antipacifistas lidas acima também são válidas quando aplicadas no contexto da luta de classes. Ao contrário de contribuir com táticas úteis ao movimento dos trabalhadores e à luta dos povos pela emancipação e libertação, o pacifismo atravanca e dificulta a luta contra a classe dominante, desta forma, favorecendo a mesma.

A natureza de classe do pacifismo

A ciência do marxismo-leninismo demonstra que apenas a classe proletária — dada a sua posição especial em meio ao modo de produção capitalista e o papel resultante de tal posição — possui um interesse legítimo na revolução socialista e é a única capaz de levar a cabo tal revolução, se apropriando dos meios de produção e colocando termo a todo o sistema de classes, juntamente com todas as formas de exploração do homem pelo homem. Portanto, deve-se examinar a natureza de classe do pacifismo. Seria o pacifismo uma expressão progressista da luta de classes, uma tática ditada pelas necessidades e pela luta dos oprimidos e explorados, com raiz em um movimento voltado para a classe trabalhadora? Representaria o pacifismo um desafio ou uma ameaça à ordem de classes vigente, ao capitalismo ou ao domínio burguês? Pelo contrário, o pacifismo é um produto da burguesia, o predileto dos membros dessa classe e dos intelectuais liberais. Como nós já vimos, Orwell afirmou com justeza que o pacifismo é uma “ilusão burguesa, produto do dinheiro e da segurança”. Quando se dá conta de sua origem, não é de se surpreender que o pacifismo pareça estar sempre fora de contato com a realidade, impregnado de noções idealistas. Isto, somado à sua recusa em reconhecer ou em aceitar a luta de classes, faz do pacifismo um obstáculo, tanto para os movimentos que lutam pela emancipação da classe trabalhadora e dos povos oprimidos, quanto para a luta de libertação contra o grande capital. A luta de classes é a força motriz da história, inerente a todas as sociedades constituídas por classes antagônicas. Marx e Engels demonstraram que a burguesia só pode produzir lucro à custa da classe trabalhadora, ao passo que a classe trabalhadora só será capaz de alcançar seus objetivos e melhorar sua situação e suas condições de vida em prejuízo da burguesia. Em outras palavras, os objetivos da burguesia e do proletariado são diametralmente opostos e seus interesses enquanto classe, antagônicos e irreconciliáveis.

Uma vez que compreendemos este fato, somos obrigados a reconhecer que a violência é algo inerente à luta de classes. Não há registros históricos de uma classe dominante que tenha voluntária e espontaneamente aberto mão de seu poder e de seus privilégios em beneficio de uma classe oprimida. Tal coisa nunca aconteceu e não há possibilidades reais de que algo parecido aconteça. O pacifista é, obviamente, ignorante em relação a tal fato, ou é, de fato, um cúmplice consciente. A pequena burguesia é essencialmente uma classe fadada à desaparição e dividida entre apoiar a burguesia ou o proletariado. De qualquer forma, eles são guiados por um aventureirismo rebelde ou, no caso dos pacifistas, um humanismo idealista e sentimental. O pacifista é, obviamente, ignorante em relação a tal fato, ou é, de fato, um cúmplice consciente. A pequena burguesia é essencialmente uma classe fadada à derrota e dividida entre apoiar a burguesia ou o proletariado. De qualquer forma, eles são guiados por um aventureirismo rebelde ou, no caso dos pacifistas, um humanismo idealista e sentimental. Para os pacifistas, a violência está longe de ser uma consequência inevitável. Ela é meramente uma escolha pessoal, o produto de uma mente irracional e brutal. Afinal, como diz o conto de fadas cor-de-rosa pacifista, todos podem ser convencidos por argumentos racionais. Logo, devemos “falar a verdade àqueles no poder” e apelar à boa vontade e ao lado racional e emocional (?) da classe dominante e lembrá-los de sua “responsabilidade moral”. Salta aos olhos o fato de que esta é uma abordagem ingênua e idealista — quando não desonesta —, que luta por nada menos do que um milagre — a burguesia negando seus interesses enquanto classe e agindo de forma contrária a eles significaria que ela deixou de ser burguesia. O ativista americano Malcolm-X nos exorta:

«Ninguém lhe dará a liberdade. Ninguém lhe dará igualdade ou justiça. Se fores um homem, toma-os à força.»

Se houvesse, de fato, algo de verdadeiro na suposição antimaterialista de que todos os problemas se resolvem quando as “ideias certas” são propagadas e que todos verão a beleza e justeza de tais ideias, não poderia, então , haver uma explicação acerca do porquê de nós ocidentais não vivermos em uma sociedade comunista. Nós devíamos nos perguntar também por que há tantas coisas erradas com o mundo, apesar de haver tantas pessoas argumentando e se manifestando da maneira mais racional, agradável e tolerante por décadas. Para que seja conquistado o apoio da opinião pública é mister que seja atraída a atenção de uma audiência simpática à causa; o fator mais importante em chamar a atenção de tal audiência e, por conseguinte, conseguir o apoio público é, sem dúvida, a mídia. Mas, esperem — quem é mesmo que controla a mídia e os meios de comunicação e, desta forma, mantém um monopólio sobre a formação de opinião? Ah, sim! Os capitalistas e a elite corporativa! De volta aos apelos idealistas pela clemência das mesmas pessoas contra as quais nós travamos uma luta de vida ou morte.

«Um movimento pretensamente revolucionário empenhou-se em uma batalha terrivelmente desigual, na tentativa de ganhar corações e mentes sem que fossem destruídas as estruturas que envenenaram esses corações e mentes.» — Peter Gelderloos, ativista estadunidense

Esperar outro desenlace significaria retroceder aos dias dos socialistas utópicos, que defendiam a mesma coisa. Devemos nos perguntar: o que levaria algumas pessoas a defender pontos de vista ingênuos como este, mesmo após o socialismo utópico ter sido superado pelo socialismo científico, isto é, após Marx e Engels terem dado ao socialismo uma base científica? A resposta está na natureza de classe do pacifismo. A burguesia não deseja ver a superação do capitalismo, uma vez que isto poderia colocar em risco sua posição privilegiada.

O racismo do pacifismo

A cor da pele é ainda outro fator que contribui muito para que um indivíduo ocupe uma posição privilegiada ou desfavorecida na sociedade. Apesar do fato de Martin Luther King Jr. e Gandhi serem frequentemente usados como estandartes para o movimento pacifista, a maioria esmagadora dos intelectuais liberais e patrocinadores do movimento pacifista é branca, o que remete a uma visão de mundo eurocentrista e desvia a atenção da discriminação institucionalizada à qual são submetidos os cidadãos negros e pardos todos os dias. Ao invés de levar em consideração as diversas circunstâncias de populações inteiras que são oprimidas, violadas, brutalizadas e subjugadas em seu próprio território e de povos ameaçados pelo imperialismo em todo o mundo, o típico pacifista prefere apelar à moralidade, alegando que “violência nunca será a solução”. Eles tentam, com sucesso, encobrir o fato de que em todos os casos de opressão e tirania, a resistência violenta, de fato é, sim, uma solução — a única solução contra a violência crescente vivenciada em uma base diária, direcionada contra pessoas que não têm escolha senão retribuir à violência, se quiserem viver! Gelderloos sublinha que esta é essencialmente uma forma diferenciada de pensamento colonialista (“o fardo do homem branco”), a expressão de um racismo subjacente:

«A ideia de que todos somos parte de uma única luta homogênea e que os brancos, que estão no coração do império, podem dizer às pessoas de cor em suas (semi-) colônias qual a melhor maneira de resistir.» – Peter Gelderloos

Não se trata de uma acusação infundada, mas de uma observação válida, corroborada pelas tentativas por parte dos partidários da supremacia branca nos Estados Unidos de utilizar o pacifismo — e, de uma forma especial, pacifistas de cor — para abrandar os ânimos da população afroamericana e, assim, enfraquecer seus movimentos de resistência. A classe dominante norte-americana subitamente descobriu sua preocupação com os direitos dos negros quando estes ficaram fartos de meses de protestos não violentos e passaram a resistir à violência policial, como em Birmingham, no ano de 1963. Para prevenir situações semelhantes a esta, o FBI se concentrou em rastrear e “pacificar” possíveis “desordeiros”. Gelderloos cita um memorando do FBI que denotava a preocupação com o surgimento de um “Messias negro”, como Malcolm-X poderia ter sido, se estivesse vivo à época. O documento prossegue:

«Prevenir a violência por parte de grupos de nacionalistas negros. Isto é de suma importância, e é, obviamente, uma meta de nossas atividades investigativas; tal objetivo deve ser também a meta do Programa de Contrainteligência [COINTELPRO]. Através da contrainteligência será possível rastreá-los e neutralizá-los antes que eles exerçam seu potencial para a violência.»

O que o FBI pretendia foi exprimido em letras garrafais pela “neutralização” dos ativistas do Partido dos Panteras Negras, por exemplo. A maioria dos pequeno-burgueses é incapaz de ser “radical”, uma vez que isto significaria questionar criticamente a ordem vigente e, com isto, pôr em risco seu próprio papel privilegiado na sociedade de classes. Quando as “classes subalternas” e as “pessoas de cor” reclamam seus direitos, fazem soar os alarmes daqueles que beneficiam as estruturas de poder vigentes. Mesmo que eles cedam aos seus instintos mais revoltosos, eles ainda assim gozariam de uma leniência muito maior por parte das classes dominantes do que militantes da classe trabalhadora ou líderes de comunidades oprimidas poderiam jamais esperar. No momento em que eles se unem verdadeiramente a um dos dois últimos grupos, eles perdem seu status privilegiado na sociedade.

As “vitórias” do pacifismo

Tendo tudo isto em mente, devemos reconhecer que o pacifismo é uma abordagem bem sucedida, que já conseguiu diversas vitórias históricas. Ícones da resistência não violenta como Martin Luther King Jr. e Mohandas Karamchand Gandhi vêm imediatamente à nossa mente. Peter Gelderloos, então, põe em cheque a legitimidade da afirmação de que Gandhi tenha conseguido qualquer outra coisa que não fosse garantir conforto e segurança para o imperialismo britânico. Ele aponta para o fato de que os britânicos se defrontavam com o enorme número de mortos de ambos os conflitos mundiais, com a imensa destruição causada pela Luftwaffe alemã e com conflitos armados em suas colônias árabes. Não importa o que os pacifistas ou a versão do establishment queiram que nós pensemos, não era a desobediência civil de Gandhi que preocupava os britânicos e obrigava-os a lançar mãos daquela “joia da coroa do Império”, como a Índia era chamada: os britânicos, responsáveis por diversas crises de fome artificiais que mataram dezenas de milhões de indianos, se defrontavam com razões muito mais fortes para se retirarem da Índia do que a possibilidade de Gandhi se matar de fome.

«Como parte de um padrão perturbadoramente universal, os pacifistas ignoram outras formas de resistência e ajudam, assim, a propagar a falsa história [de] que Gandhi e seus discípulos foram o único mando e guia da resistência indiana. São ignorados importantes líderes, tais como Chandrashekhar Azad, que travou uma luta armada contra os colonizadores britânicos, e revolucionários como Bhagat Singh, que ganhou o apoio das massas pelos atentados a bomba e assassinatos como parte de uma luta para alcançar a derrubada tanto do capitalismo estrangeiro, quanto do indiano.»  — Peter Gelderloos

O último objetivo, obviamente, não foi atingido, e temos todo o direito de nos perguntar se o movimento de libertação na Índia foi mesmo tão bem sucedido quanto nos é dito. Gelderloos prossegue, mais uma vez:

«O movimento pela libertação da Índia fracassou. Os britânicos não foram forçados a abrir mão da Índia. Ao invés disso, eles próprios optaram [por] mudar da gestão colonial direta para uma gestão semicolonial. Que tipo de vitória permite aos perdedores determinarem a hora e a maneira da ascensão [ao poder] dos vitoriosos? Os britânicos foram os autores da nova constituição e colocaram no poder os seus sucessores escolhidos a dedo. Eles atiçaram as chamas do separatismo étnico e religioso, de forma que a Índia fosse dividida [e se voltasse] contra si mesma, negada de seu direito à paz e à prosperidade e dependente do auxílio militar e demais [auxílios] por parte do bloco euro-americano. A Índia continua sendo explorada pelas corporações euro-americanas (apesar de muitas novas corporações indianas, subsidiárias em sua maioria, terem se juntado à pilhagem), e continua a fornecer recursos naturais e mercado para os estados imperialistas. De muitas maneiras, a pobreza de seu povo se intensificou e a exploração ficou ainda mais eficaz.» — Peter Gelderloos

Voltemo-nos agora para Martin Luther King Jr., o suposto herói do movimento pelos direitos civis dos afroamericanos. Sem nenhuma surpresa, o mesmo padrão mais uma vez nos é revelado: o papel de um ícone pacifista é generosamente supervalorizado, e a “vitoria” do movimento é atribuída a oradores e táticas não-violentas. São ignorados grupos como o Partido dos Panteras Negras e indivíduos como Malcolm-X, é ignorada a enorme influência que eles tiveram e ainda têm em meio à comunidade negra dos Estados Unidos e são, também, ignoradas as suas realizações. A classe dominante, como nós já vimos, procurou ativamente isolar e “pacificar” estes grupos e indivíduos ao utilizarem pessoas como o Dr. King para este fim. Mais uma vez, a pretensa vitória não está completa como se imagina:

«As pessoas de cor têm, ainda hoje, rendas médias menores, menos acesso aos serviços de habitação e saúde, e têm a saúde mais frágil do que a dos brancos. A segregação continua existindo de facto. […] Outras raças foram, também, fisgadas pelo fruto mítico dos direitos civis. Os imigrantes latinos e asiáticos são especialmente vulneráveis ao abuso, à deportação, à recusa dos serviços sociais pelos quais eles pagam impostos e ao trabalho tóxico e excessivo em [empresas de] suadouro ou como operários agrícolas migrantes. Muçulmanos e árabes estão tomando o peso da repressão pós-11 de Setembro, enquanto uma sociedade que se declarou “[racialmente] daltônica” evidencia uma leve pontada de hipocrisia. Os povos nativos são mantidos [em um grau] tão baixo na escala socioeconômica, a ponto de permanecerem invisíveis, exceto nas ocasionais manifestações simbólicas do multiculturalismo dos EUA — o mascote esportivo estereotipado ou a boneca da garota-hula, que obscurecem a verdadeira realidade dos povos indígenas.» — Peter Gelderloos

E a lista continua. A resistência não violenta colocou um fim ao espetáculo de horror, morte e destruição causado pelos Estados Unidos sobre a Indochina em geral e no Vietnã, em especial? Não — mas a resistência violenta dos povos indochineses e dos vietnamitas colocou, sim, um basta à situação. Depois dos vietnamitas e indochineses terem se defendido por anos a fio contra a agressão imperialista — que incluiu a maior campanha de bombardeios jamais vista, além de outros atos de genocídio que causaram um sofrimento inimaginável às populações locais —, a classe dominante americana chegou à conclusão de que a guerra não poderia ser vencida. As coisas ficaram ainda piores para o alto comando posteriormente, conforme as tropas “se contaminavam” cada vez mais com ideias “antiamericanas” em favor da libertação do proletariado e das populações negras. Cada vez mais desmoralizadas, as tropas se recusavam a obedecer às ordens do comando, recorrendo muitas vezes à sabotagem e até ao assassinato dos odiados comandantes. Mesmo após a retirada das tropas estadunidenses, os imperialistas continuavam a apoiar o seu governo-fantoche, a ditadura militar no Sul. O que um movimento pacifista vietnamita poderia realizar em um cenário como este? O mesmo que todos os outros que nós vimos antes: absolutamente nada. É desnecessário dizer que o mesmo se aplica às guerras mais recentes. Nenhuma delas foi cessada por apelos e protestos pacifistas. Ao contrário, a resistência armada nos países atacados e ocupados preocupa os líderes imperialistas no Ocidente e resulta cada vez mais em apelos pela redução ou pela retirada completa de suas tropas.

A imoralidade do pacifismo

«Eu gostaria a dizer a vocês para que abaixem as armas que têm, por serem inúteis para salvar a si mesmos ou à humanidade. Vocês deveriam convidar Herr Hitler e Signore Mussolini a levarem tudo aquilo que quiserem do país que chamam de seu […] Se estes cavalheiros decidirem ocupar suas casas, acolham-nos. Se não quiserem ceder a vocês uma saída, vocês, homens, mulheres e crianças deixar-se-ão ser massacrados, mas deverão recusar-lhes a submissão.»  — Mohandas Karamchand Gandhi, o “herói” do movimento pela independência da Índia.

Por que esta “virtuosa” condenação da violência? Por que excluir completamente a possibilidade da resistência violenta realizar qualquer coisa? Por que esta insistência em crer que quaisquer táticas que não sejam não violentas estão fadadas ao fracasso? Qual seria, então, a justificativa dos pacifistas? A resposta é muito simples: “a violência nunca é a resposta”, “toda violência é ruim”, ou porque “a violência é violenta” ou mesmo porque “violência gera violência” e “gentileza gera gentileza”. Examinemos, então, esta profunda sabedoria. Aplicá-la na prática enriquecerá a nossa análise e a tornará ainda mais profunda. De volta ao ensaio de Orwell sobre a Segunda Guerra Mundial, nós, partindo da lógica pacifista, devemos não somente condenar a todos os exércitos envolvidos no confronto, mas devemos também condenar os grupos guerrilheiros de libertação nacional, os Partizans, por combaterem os nazistas, pois “violência apenas gera violência”. Pois, afinal, Gandhi, de fato, estava certo em recomendar aos judeus para que deixassem de resistir aos nazistas e “oferecessem a si mesmos à faca do açougueiro”. Que bem fez o Vietcong em se levantar em armas contra os invasores estadunidenses, sabendo que isso levaria a uma “espiral de violência”? Então, subitamente nós descobrimos que Israel também merece a nossa simpatia, pois se os brutais palestinos não recorressem constantemente à violência, os pobres sionistas sitiados provavelmente nunca teriam sido forçados a bombardear a Faixa de Gaza, bem como a outras medidas “defensivas”. Mesmo que os bombardeios ocorressem de qualquer maneira, isto não justificaria a resistência violenta por parte dos palestinos. Os palestinos fariam apenas perder sua superioridade moral, pois “a violência é violenta”, “violência nunca é a resposta” e “violência gera violência”. Eles, na verdade, deveriam fazer alguns sit-ins e vigílias à luz de velas ou, quem sabe, depositar flores nos trabucos dos fuzis israelitas e “falar a verdade” ao parlamento israelita! Os pacifistas frequentemente alegam que aqueles que usam a violência como “uma saída fácil” são maus, ignorantes, guiados pelas emoções e, sobretudo, imorais, ao passo que os pacifistas são pessoas bondosas, racionais e iluminadas, portadoras de uma infinita superioridade moral. Mais uma vez, nós vemos aqui, a “boa e virtuosa posição pacifista” servindo aos interesses da classe dominante. Não a resistência violenta, mas o pacifismo é, de fato, uma “saída fácil” ser colocado em prática por essas pessoas asquerosamente imorais, o pacifismo torna-se cúmplice da opressão. Ou o proletariado russo se levanta em armas para colocar termo à guerra de rapina imperialista e à reação czarista, ou o Czar ordena às suas tropas para que abram fogo contra uma multidão de protestantes pacíficos desarmados — isto pouco importa, pois “toda violência é má”. A abordagem pacifista ignora as condições concretas e, desta forma, não é capaz de reconhecer que nem toda violência é “má” e que há diferentes formas de violência, de acordo com a motivação, conteúdo, qualidade e quantidade.

O pacifismo não se importa em diferenciar — ao invés disso, tal ideologia utiliza de uma lógica simplória, com base na evocação de conotações negativas. Ao invés de mostrar solidariedade e apoio às lutas de libertação dos povos oprimidos, o pacifismo conclui sua linha de raciocínio censurando à vítima e exortando-a a esperar que algum milagre aconteça. Aparentemente, se nós não quisermos cair vítimas de um infinito ciclo de violência, nós temos de nos assegurar que somente táticas não-violentas serão empregadas. A ironia inerente a esta linha de raciocínio é o fato de que nós temos o direito à livre escolha de rejeitar a violência e abraçar o pacifismo, mas estamos inevitavelmente fadados a nos afogar em nosso próprio sangue. Por que as pessoas não poderiam abaixar suas armas e esquecer a violência apenas após seu país ter sido liberto do jugo imperialista ou após a revolução ter triunfado?

As táticas do pacifismo

O interesse de classe burguês pode ser observado não somente em sua expressão ideológica, mas também em suas táticas e objetivos concretos. A rejeição dogmática da violência sob quaisquer circunstâncias reduz, é claro, de forma significativa o número de táticas disponíveis a táticas tais como sit-ins, vigílias à luz de velas, narizes de palhaço, cânticos com palavras de ordem, etc. Talvez assim, o “outro lado” saiba que aqueles que protestam são pessoas boas e infinitamente superiores, no plano moral, aos seus oponentes corruptos. Gelderloos intervém:

«Simplificando, se um movimento não representa uma ameaça, ele não pode mudar um sistema baseado na violência e na coerção centralizadas.» Peter Gelderloos

É exatamente isto o que o Estado é — não se trata de uma entidade neutra e benevolente, preocupada com o bem-estar da sociedade, mas  de um instrumento do domínio de classe, ávido a garantir o seu monopólio sobre o uso da violência. E ele não o faz devido a um instinto irracional ou selvagem. Ao contrário, centralizar e institucionalizar a violência são tarefas vitais para a sobrevivência da classe dominante e a manutenção da propriedade burguesa. Sempre que este monopólio no seio do Estado é posto em cheque, a classe dominante reage ferozmente, como mostra um olhar atento aos noticiários ou aos livros de história, por exemplo.

Portanto, insistir exclusivamente em táticas não violentas apenas garante que quaisquer chances de um progresso real sejam efetivamente postas por terra e que o descontentamento da população seja mantido sob controle e direcionado para canais inofensivos. Assim, nós podemos dizer que os pacifistas, longe de desafiarem a ordem vigente, a consolidam. Enquanto governos de todo o mundo reagem de forma cada vez mais violenta a protestos que questionam suas políticas, nós somos instruídos a nos desarmar e nem ao menos pensar na mera possibilidade de resistir violentamente. Após os intransigentes pacifistas terem tido sucesso em manter o descontentamento do povo em formas aceitáveis e inofensivas, bem como em manter o povo desamparado e à espera de um milagre após terem “dito a verdade àqueles no poder”, eles devem ser recompensados. Eles podem ter o seu protesto e a cobertura da imprensa será toda deles. E o mais importante — a fachada de paz social, liberdade de expressão e democracia é mantida intacta.

A classe dominante, com sucesso, evitou que uma eventual onda de resistência violenta pudesse pôr por terra a sua aura imaculada de paz social, amor, harmonia e democracia. Como poderia então ser explicado outro fenômeno pelo qual os pacifistas gostam de jactar-se, as assim chamadas “revoluções não violentas”? O Estado e as classes dominantes foram desafiados, porventura fizeram uso da polícia contra os protestantes, mas nenhum banho de sangue ocorreu tampouco uma guerra civil eclodiu. Ainda assim, estes regimes foram levados ao colapso e o povo triunfou.

O que falar daquelas revoluções de Veludo, Laranjas, Rosas e outras “Revoluções Coloridas”? É triste que tenhamos que responder mais uma vez a uma pergunta como esta e, mais uma vez, nos é revelada a ingenuidade do movimento não violento. Tais revoluções não são autoexplicativas? Qual foi o resultado de todas estas “revoluções”? Elas realmente tiveram sucesso? Algo mudou para melhor? Os povos dos paises onde ocorreram tais revoluções vivem hoje no país das maravilhas? Conclusão Como nós vimos, o pacifismo:

«Defende uma sociedade sem uma hierarquia racial ou de classe; sem elites privilegiadas, poderosas e violentas; sem uma imprensa corporativa controlada pelos interesses do estado a soldo do capital, ávida a manipular a percepção dos cidadãos. Tal sociedade não existe entre as democracias capitalistas industrializadas.» — Peter Gelderloos

Poderia isto significar que todas as táticas não violentas são completamente inúteis ou que nós devemos permanecer em casa quando protestos e encontros não violentos acontecem e que, ao invés disso, devemos procurar intensificar a violência sempre que possível? Poderia isto significar que o que devemos fazer é arremessar coquetéis molotov lá e acolá? Não! O Marxismo-Leninismo condena o terrorismo individual e a incitação contraproducente da violência. Isto apenas alienaria uma potencial base de apoio e daria ao Estado uma razão para intensificar sua repressão reacionária. Agitação e propaganda são atividades de extrema importância e ambas são táticas não violentas. Táticas pacíficas podem ser um meio útil e eficiente de chamar atenção, ganhar apoio e obter pequenas vitórias, tais como concessões. Mas nós devemos manter em mente o fato de que táticas pacíficas não podem ser mais do que meios de alcançar o nosso objetivo final, a revolução democrática anti-imperialista e, posteriormente, a socialista, que será necessariamente violenta.

Este artigo é dirigido contra a negação deste fato e contra a rejeição de quaisquer outros meios que não as táticas pacíficas, vistas como se elas constituíssem um fim em si. Não há argumentos contra este fato e, não importa o quanto tentemos ignorá-lo, não importa o quão seguros nos sentimos em nosso mundinho dos sonhos cor-de-rosa ou em nossa torre de marfim, a realidade nos alcançará. Tomara que ela não nos pegue de surpresa. Quando é chegada a hora, nós todos devemos estar preparados para defender a nós mesmos e responder à reação violenta com ações violentas, bem como preparar e armar o proletariado na teoria e na prática para o inevitável confronto com a burguesia e com seu exército e sua polícia fascistas. Qualquer outra abordagem seria sinônimo de “abrir mão da militância revolucionária (que é o mesmo que abrir mão da revolução como um todo)”, como diz Gelderloos, com justeza.

A classe dominante não esperará pacificamente que as coisas aconteçam; eles não ficarão parados observando passivamente enquanto nós assumimos o controle de seu poder e riqueza. Se nós não quisermos servir no papel de massa de manobra nas mãos do nosso inimigo de classe, nós devemos nos dar conta de que há uma guerra em andamento e que o pacifismo, ainda hoje, continua sendo pró-fascista, pró-burguês e pró-imperialista.

Nota: Peter Gelderloos é um militante anarquista estadunidense. O fato de termos mencionado uma obra sua no texto não significa que partilhemos de suas concepções antiestatistas e idealistas. Nota²: George Orwell foi um escritor de caráter burguês e contrarrevolucionário. Os trechos do ensaio citado foram citados por fazerem observações e referências interessantes em relação ao assunto.

Nota³: As citações do ativista americano Peter Gelderloos foram tiradas de seu livro “Como a não violência ajuda o Estado”.

O papel de Nicolae Ceausescu no movimento comunista da Romênia e do mundo

Tradução de artigo sobre Ceausescu, seus erros e acertos
Texto original por Radu Florin (comunista romeno e professor de História)

Nicolae Ceausescu (26 de janeiro de 1918 – 25 de dezembro de 1989) dirigiu o Partido Comunista Romeno (PCR) de 1965 até 1989, sendo durante este tempo um condutor com grandíssimos acertos e conquistas para a classe operária, mas com alguns erros e por isso, sem dúvida é necessário que o movimento comunista analise essa personalidade que é impossível de ignorar. É necessário um posicionamento claro sobre Ceausescu, tanto para sublinhar seus acertos, mas também para evitar seus erros, cometidos nos anos que dirigiu o PCR.

Quais são os méritos e os defeitos de Nicolae Ceausescu?

Vamos começar com os erros.

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A Revolução Cultural Desconhecida – Vida e Mudança numa Aldeia Chinesa

Dongping Han cresceu na China durante a Revolução Cultural e agora ensina nos EUA. É o autor do livro The Unknown Cultural Revolution—Life and Change in a Chinese Village [A Revolução Cultural Desconhecida – Vida e Mudança numa Aldeia Chinesa]. O que se segue é uma versão resumida da parte final de uma intervenção que ele fez em Nova Iorque em Dezembro de 2008 no simpósio «Redescobrir a Revolução Cultural Chinesa: Arte e Política, Experiência Viva, Legados de Libertação», patrocinado pela livraria Revolution Books, pelo Projecto Set the Record Straight [Repôr a Verdade] e pelo Instituto para o Conhecimento Público – Universidade de Nova York. A versão integral surgiu na edição de 6 de Setembro de 2009 do jornal Revolution, órgão do Partido Comunista Revolucionário dos EUA (revcom.us).

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Sovietes: um milhão de vezes mais democráticos!

Por Rogério Lustosa

O sistema soviético, implantado pela revolução de 1917, cedeu lugar a um Congresso dos Deputados do Povo – semelhante aos parlamentos ocidentais – e restaurou-se a separação entre Legislativo e Executivo, com a criação do cargo de presidente da República.

A imprensa burguesa não esconde sua satisfação com as novidades. Jornais e revistas estampam manchetes categóricas: “Pela primeira vez realizam-se eleições realmente livres desde 1917”; termina a era de dizer amém às ordens de partido, “fim do monolitismo do Estado Soviético”; “agora se pode falar num Parlamento com algum grau de legitimidade; a revolução da perestroika avança”.

A derrota fragorosa de boa parte dos candidatos indicados pelo PCUS – como Yuri Solovyev, dirigente em Leningrado e membro do Bureau Político do Comitê Central que, apesar de concorrer sozinho no seu distrito, não alcançou o mínimo de 50% dos votos – foi saudada como uma maravilha de democracia. O grande herói é Boris Yeltsin, dissidente, destituído da direção do partido em Moscou e, agora, consagrado por 89% dos eleitores no pleito do último dia 26 de março. Segundo os comentaristas ele será o líder dos “progressistas, que não se limitam a aprovar o que diz a direção” contra o aparato burocrático.

O que tem de democrático, renovador ou progressista nestas mudanças? O que representou o sistema dos sovietes e qual o papel do partido na construção do socialismo na URSS?

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Os crimes dos Bolsonaro

Listando aqui crimes e casos de corrupção envolvendo Jair Bolsonaro, candidato do PSL à presidência do Brasil nessas eleições de 2018, e seus familiares. Aumentarei a lista conforme for recebendo mais material.


Propina da JBS, grande empresa da indústria alimentícia

1 – https://jovempan.uol.com.br/programas/ao-explicar-r-200-mil-da-jbs-bolsonaro-admite-que-pp-recebeu-propina-qual-partido-nao-recebe.html

2 – https://www.metropoles.com/brasil/politica-br/site-do-tse-mostra-que-bolsonaro-recebeu-doacao-da-jbs

3 – https://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1886798-qual-partido-nao-recebe-diz-bolsonaro-sobre-propina-a-radio.shtml

4 – https://catracalivre.com.br/cidadania/bolsonaro-assume-propina-ao-explicar-doacao-de-r200-mil-da-jbs/

5 – https://www.opovo.com.br/noticias/politica/2017/05/ao-explicar-r-200-mil-da-jbs-bolsonaro-admite-que-pp-recebeu-propina.html

6 – https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/bolsonaro-recebeu-dinheiro-da-jbs-e-valor-esta-registrado-no-site-do-tse/

7 – https://br.sputniknews.com/brasil/201705238461473-bolsonaro-propina-jbs/

8 – https://www.revistaforum.com.br/bolsonaro-fez-manobra-contabil-para-nao-estar-na-lista-da-friboi/

9 – https://odia.ig.com.br/_conteudo/brasil/2017-05-23/bolsonaro-admite-propina-a-seu-partido.html

10 – https://www.vice.com/pt_br/article/kze54z/bolsonaro-confirma-que-pp-recebeu-propina-da-jbs

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Saudações aos comunistas italianos, franceses e alemães

Um texto excelente de Lenin, que demonstra um pouco de seu domínio da dialética marxista, fazendo a crítica tanto da “pequeno-burguesia” adepta das ideias de Kautsky quanto a crítica dos ultra-esquerdistas que desejam “proibir” a participação dos comunistas no parlamento burguês. Traduzido para Português (do Brasil) a partir da tradução para Português (de Portugal) realizada pelo site Para a História do Socialismo.

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Augusto Machado — “O caminho do inferno é pavimentado de boas intenções”: ensaio sobre o anarquismo

Via Blog BRADO!

Obs.: Alguns erros de digitação foram corrigidos pelo Iglu Subversivo.

Gustave Doré

A “esquerda” é definida pela disposição de suspender marco moral abstrato, ou parafraseando Kierkegaard, de realizar uma suspensão política do Ético.
Zizek

O leninista, visto que persegue uma ação de classe, abandona a moral universal, mas esta lhe será devolvida no universo novo dos proletários de todos os países.[…] A política é, por essência, imoral.
Ponty

Nas últimas décadas, o fim do bloco socialista e a deterioração de Estados e Partidos comunistas que se tornaram revisionistas, como é o caso chinês, ou reformistas, como os PC’s de todo o mundo, tem aberto um terreno fértil para outras teorias socialistas não-marxistas, já que o marxismo e sua proposta política teria perdido grande parte de sua legitimidade com os fracassos citados. O anarquismo é uma dessas teorias. A atrativa crítica ao “autoritarismo” e ao “totalitarismo estatal” de tipo leninista parece explicar as causas do fracasso e apontar um futuro promissor e renovado para a revolução. Os anarquistas tomam a derrota do movimento comunista do século XX e tentam com isso descartar o marxismo enquanto alternativa do horizonte político. Teóricos que perdiam cada vez mais sua influência nos movimentos revolucionários, à época, com o avanço do socialismo inspirado no marxismo, retornam das cinzas, e este, antes influência quase única vai perdendo terreno, não só para o anarquismo, mas para outras variantes mais tradicionais ou mais ecléticas.

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Ações do governo de Beata Syzdlo ameaçam Justiça da Polônia segundo a União Europeia

via Aumento da xenofobia e do neofascismo na Polônia coloca em risco permanência do país na UE

Aumento da xenofobia e do neofascismo na Polônia coloca em risco permanência do país na UE

Publicado em 

Para Bruxelas, as recentes ações do governo, chefiado pela primeira-ministra ultraconservadora Beata Szydlo, ameaçam a ‘independência e a legitimidade’ da Justiça.

Membro de destaque da União Europeia, a Polônia virou motivo de preocupação em Bruxelas por conta das ações da política no poder Judiciário e do crescimento de movimentos neofascistas, como ficou explícito na marcha que reuniu cerca de 60 mil pessoas em Varsóvia no último fim de semana.

No atual cenário, a Polônia já é protagonista dentro de um bloco que ainda tenta encontrar seu caminho, não apenas por ocupar a presidência do Conselho Europeu, na figura de Donald Tusk, mas também por ter aglutinado em torno de si os países descontentes com as políticas migratórias e de integração da UE.

A Polônia lidera o grupo Viségrad, que também reúne Hungria, Eslováquia e República Tcheca e representa o principal entrave para o programa de realocação de solicitantes de refúgio dentro da União Europeia, tema que já provocava atritos com suas maiores potências: Alemanha, França e Itália.

No entanto, o cenário que vem se desenhando em 2017 aumentou a preocupação de Bruxelas com o que acontece na Polônia. Na última quarta-feira (15/10), o Parlamento Europeu aprovou, por ampla maioria, uma resolução que diz que os valores fundamentais da UE estão “em risco” no país.

O motivo é a sanção pelo presidente da Polônia, Andrzej Duda, em julho passado, de uma lei que dá ao Ministério da Justiça, cujo chefe já exerce o cargo de procurador-geral, a prerrogativa de nomear líderes de tribunais de direito comum.

Duda vetou textos que davam ao governo o papel de indicar integrantes da Suprema Corte e submetiam o Conselho Nacional de Magistratura, órgão regulador do Judiciário, ao Parlamento, mas não foi suficiente para evitar a abertura de um procedimento de infração contra o país.

Para Bruxelas, as recentes ações do governo, chefiado pela primeira-ministra ultraconservadora Beata Szydlo, ameaçam a “independência e a legitimidade” da Justiça. Além disso, a resolução de quarta-feira prevê a mais dura sanção contra um Estado-membro que viole valores fundamentais da UE: a suspensão do direito a voto no Conselho Europeu, principal órgão político do bloco.

Nos próximos dias, a Comissão de Liberdades Cívicas do Parlamento Europeu formalizará o pedido ao Conselho, alegando preocupações em relação à separação de poderes. A resolução também pede para a Polônia condenar a marcha “xenófoba e fascista” realizada em Varsóvia em 11 de novembro, Dia da Independência.

O ato nacionalista foi convocado por movimentos de extrema direita e também teve a presença de neofascistas de toda a Europa, como Roberto Fiore, líder do partido Força Nova. A manifestação foi marcada por slogans xenófobos, antissemitas e de supremacia branca.

Do palco, oradores lançaram apelos contra liberais e pediram a defesa dos “valores cristãos”. O presidente Duda condenou o teor fascista do ato, mas a emissora pública TVP descreveu os manifestantes como “patriotas que expressaram o próprio amor pelo país”.

OperaMundi

Louis Althusser — Sobre o marxismo

Althusser, L. [1953], Primeiros Escritos, O Espectro de Hegel
Traduzido do seguinte link em inglês:
<https://www.marxists.org/reference/archive/althusser/1953/onmarx/on-marxism.htm>, a
cessado em 23 de Novembro de 2017


Sobre o marxismo

O marxismo constitui uma das principais correntes do pensamento contemporâneo. Até agora, há inúmeras obras que tentam expô-lo, combatê-lo ou mesmo “substituí-lo”. Já não é tarefa fácil encontrar o caminho que atravessa esta massa de trabalhos polêmicos e leva aos textos. Além disso, há muitos desses textos. A edição francesa (incompleta) das obras de Marx e Engels, publicada pela Costes, compreende cerca de 60 volumes; mais de 20 publicados pelas Editions Sociales; a edição (incompleta) das obras de Lenin inclui cerca de 20 volumes; a edição de Stalin, uns 15; e assim por diante … Mas o fato de que há tantos textos não é o único problema. O cânone marxista abrange um período histórico que se estende de 1840 até o presente, e levanta problemas que alimentaram a polêmica: a natureza dos primeiros trabalhos de Marx; o problema da tradição marxista. Finalmente, a própria natureza do marxismo – uma ciência e uma filosofia intimamente ligada à prática (política ou científica) – representa uma dificuldade adicional, talvez a maior de todas. Se negligenciarmos a constante referência à prática, que Marx, Engels e seus seguidores chamam insistentemente a atenção, alguém é suscetível de mal interpretar completamente o significado do marxismo e de interpretá-lo como uma filosofia “comum”.

Aqui, gostaríamos de fornecer alguns guias que possam facilitar a aproximação e o estudo do marxismo.

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Estratégia para a Libertação da Palestina – XV. O Partido e as Massas

O documento Estratégia para a Libertação da Palestina foi publicado pela Frente Popular para a Libertação da Palestina em Fevereiro de 1969. Foi traduzido naquela época pelo Departamento de informação da FPLP e circulou largamente em inglês e outros idiomas.

Esse compreensivo documento político e organizacional foi preparado pelo II Congresso da FPLP.


O Partido e as Massas

O partido é a liderança das massas. Consequentemente, os membros e líderes do partido devem vir de elementos conscientes imbuídos de entusiasmo pela ação e estão dispostos a aceitar o sacrifício, observar a disciplina e agir de acordo com os regulamentos e a política da organização. O partido deve velar para que seus membros em geral constituam um exemplo e uma vanguarda na consciência, atividade, sacrifício e disciplina. Se o partido e seus membros perderem essas qualidades, naturalmente, ela perde seu papel de organização política revolucionária. No entanto, na medida em que o partido revolucionário deve manter-se como uma organização de elementos conscientes, ativos, leais e disciplinados, deve ser, ao mesmo tempo, uma organização para as massas, emanando deles, vivendo no meio deles, lutando por suas causas, contando com eles e percebendo seus objetivos através e com eles e em seu interesse.

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Grover Furr — A Versão “Oficial” do Massacre de Katyn Refutada?

Descobertas em Um Local Alemão de Assassinato em Massa na Ucrânia

Por Grover Furr
(Socialism and Democracy, 2013 Vol. 27, No. 2, 96–129, http://dx.doi.org/10.1080/08854300.2013.795268)

Nota do Autor: A versão oficialmente aceita do Massacre de Katyn pode ser lida em sua página do Wikipédia – http://en.wikipedia.org/wiki/Katyn_massacre Esta página é implacavelmente anticomunista e anti-stalinista. Não faz nenhuma tentativa de ser objetiva ou neutra, na medida em que não discute seriamente a controvérsia acadêmica sobre essa questão. É útil apenas como um resumo curto e preciso da versão “oficial”. Gostaria de reconhecer que fui guiado pelas novas fontes por um excelente artigo de Sergei Strygin na página de internet [1] russa “Pravda o Katyni” (A Verdade Sobre Katyn). Recomendo vivamente a todos aqueles que leem russo.

Em 2011 e 2012, uma equipe conjunta polaco-ucraniana arqueológica escavou parcialmente um local de execução em massa na cidade de Volodymyr-Volyns’kiy, na Ucrânia. Cápsulas de bala encontradas no poço de enterro provam que as execuções ocorreram antes de 1941. No poço de enterro foram encontrados os distintivos de dois policiais poloneses que anteriormente se pensava que haviam sido assassinados a centenas de quilômetros de distância pelos soviéticos em abril-maio de 1940. Essas descobertas lançam sérias dúvidas sobre a versão canônica ou “oficial” dos eventos conhecidos pela história como o Massacre de Katyn.

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Grover Furr — O “Holodomor” e o filme “Bitter Harvest” são mentiras fascistas

Introdução do Partido Comunista Português

Com a subida ao poder de fascistas e anticomunistas na Ucrânia, regressaram velhas mentiras históricas. Como a do alegado genocídio de ucranianos por fome alegadamente imposta pelos “estalinistas” em 1932-33: o alegado “Holodomor” retratado no filme “Bitter Harvest” (Colheita Amarga) a circular brevemente em Portugal.

 

Mentiras apoiadas pelos serviços secretos imperiais. Para branquear, saudar e legitimar o poder pró-imperial extremamente reaccionário, imposto na Ucrânia para servir os interesses do grande capital. E também para alimentar a campanha contra Estaline e o socialismo soviético.

 

Esta campanha chegou a Portugal. Em 3 de Março, duas semanas depois de a AR ter condenado a ilegalização do PC da Ucrânia, o PSD propôs um voto de “condenação pelo Holodomor”. O PS – que não gosta de deixar créditos direitistas em mãos alheias, ainda que escondidos por detrás de belas palavras como “homenagem” e “vítimas” – também propôs um voto de «homenagem às vítimas da grande fome na Ucrânia». Ambos os votos foram aprovados. O do PSD, com o apoio do CDS, PAN e um deputado do PS, a abstenção do PS e votos contra do PCP, BE, PEV e três deputados do PS. O do PS, com os votos do CDS, PAN e BE, a abstenção do PSD e votos contra do PCP e PEV. Note-se (mais uma vez!) o alinhamento do BE com o PS.

 

O PCP desmascarou, em certa medida, a “exumação do cadáver de uma campanha lançada há vários anos pela extrema-direita ucraniana”. É uma campanha que desde a Guerra Fria tem sido desmascarada. É claro que muitos cidadãos honestos não têm conhecimento disso. No PSD, PS, etc., também há os desconhecedores; mas, mais do que isso, abundam os desonestos lambe-botas do grande capital e do império.

 

Para os cidadãos desconhecedores mas honestos aqui deixamos ficar a tradução de um excelente artigo de Grover Furr, Professor e especialista em história da URSS da Universidade de Montclair, EUA, publicado na revista Counterpunch em 3 de Março.

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A Revolução Maoísta no Tibete — Parte 4

A Opressão Retorna — Depois do Golpe na China

Duas Linhas Se Enfrentam no Tibete

Os revolucionários maoístas combateram forças poderosas dentro do Partido Comunista que queriam impor um caminho capitalista à China, incluindo o Tibete. Na Parte 3, descrevemos o programa desses “caminhantes capitalistas” – cujos líderes incluíram Deng Xiaoping. Eles se chamavam “comunistas” e falavam em construir um “poderoso Estado socialista moderno”, mas eles realmente queriam era parar a revolução depois de abolir o feudalismo. Mao Tsé-tung considerou que essas forças eram inimigos amargos da revolução – ele os chamou de “revisionistas”, “negociantes capitalistas” e “comunistas falsos”. Mao viu que sua imitação de métodos capitalistas “eficientes” traria a polarização de classe e a exploração capitalista de volta para a China. O resultado seria que a China mais uma vez seria penetrada e dominada por investidores e exploradores estrangeiros.

O contraste entre a linha comunista revolucionária de Mao e a linha capitalista dos revisionistas é muito claro em todas as questões relacionadas ao Tibete.

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A Revolução Maoísta no Tibete — Parte 3

Guardas Vermelhos e as Comunas Populares

Solo Fértil no Tibete Para a Revolução Cultural de Mao

Em um dia ensolarado de Agosto de 1966, Mao Tsé-tung ficou em frente a um milhão de jovens Guardas Vermelhos que inundaram Pequim – e colocou uma de suas braçadeiras vermelhas. Mao Tsé-tung fez algo que nenhum outro chefe de estado da história havia feito: convocou as massas do povo a se levantarem contra o governo e o partido no poder que ele mesmo liderou. “Bombardeiem os Quarteis-generais!” ele disse. A luta intensa e histórica que ele desencadeou foi irromper pela China nos próximos dez anos – de 1966 a 1976. A Revolução Cultural Proletária estava em curso.

Dentro de alguns dias dessa grande reunião, alguns Guardas Vermelhos voaram para Lhasa, Tibete – onde sua mensagem radical encontrou uma audiência ansiosa. O novo ensino médio no Tibete tinha se formado em sua primeira classe sênior em 1964. Um núcleo de jovens de servos e escravos agora sabia ler e aprendeu princípios básicos maoístas sobre a revolução.

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Resposta à animação “Os Invencíveis”, do Instituto de Memória Nacional da Polônia — Parte 4

O Massacre de Katyn

Contexto

No dia 13 de Abril de 1943, a imprensa nazista anunciou que haviam sido encontradas valas comuns na Floresta de Katyn próximo a Smolensk, contendo os corpos de milhares de oficiais poloneses alegadamente assassinados pelos russos. O plano era minar as relações entre soviéticos e poloneses. Três dias depois, o governo soviético nega as acusações alemãs.

A insistência do líder do governo polonês no exílio, o General Władysław Sikorski, em endossar a propaganda alemã levou ao completo desastre nas relações entre o governo polonês em exílio em Londres e o governo soviético – como Goebbels comentou em seu diário:

“Esta quebra representa uma vitória de 100 por cento para a propaganda alemã e, especialmente, para mim pessoalmente… nós fomos hábeis em converter o incidente de Katyn em uma questão altamente política…”

O objetivo de Sikorski era disputar a fronteira a leste da Linha Curzon.

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Resposta à animação “Os Invencíveis”, do Instituto de Memória Nacional da Polônia — Parte 3

Leia também a Parte 4.

Rússia refresca memória da Polônia sobre ajuda soviética ao país durante 2ª Guerra Mundial

Enquanto a Polônia tenta eliminar quaisquer vestígios da União Soviética de sua história, o Ministério da Defesa russo desclassificou documentos que comprovam assistência maciça soviética aos poloneses nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial.

Os documentos do Arquivo Central do Ministério da Defesa “nunca antes publicados para livre acesso”, detalham o apoio recebido pela Polônia da União Soviética durante libertação dos nazis entre 1944 e 1945. De acordo com os papéis, a URSS fornecia aos poloneses nas áreas libertadas “comida, medicamentos, veículos, combustível e matéria-prima para empresas industriais”.

Por exemplo, “durante março e novembro de 1945, mais de 1,5 bilhão de rublos (cerca de 930 milhões de reais) nos preços de produtos alimentícios de 1945 foram dados para a população polonesa e empresas agrícolas do país”.

Além do mais, o Exército Vermelho se envolveu na reconstrução de ferrovias e pontes, que foram bombardeadas pelas forças nazis antes de serem expulsas da Polônia.

O Ministério da Defesa da Rússia publicou também o acordo entre o comando soviético militar e o governo provisório polonês em relação ao destino do equipamento industrial e outras propriedades abandonadas pelos nazis no país. “Nota-se que todas as usinas [alemãs] e equipamento na Polônia sem exceções foram entregues aos poloneses. Desmontagem e transferência foram rigorosamente proibidas”, diz-se nos documentos.

Em junho, o parlamento polonês adotou um pacote de emendas legislativas para proibir qualquer propaganda relacionada ao comunismo ou qualquer outro regime totalitário em edifícios e estátuas. Há alguns dias, autoridades locais da cidade de Szczecin deram início à destruição do monumento em homenagem aos soldados soviéticos. Muitos outros monumentos no país correm o risco de ser destruídos da mesma forma.

O embaixador russo na Polônia, Sergey Andreev, criticou a lei polonesa anticomunista. Em entrevista ao canal RT, ele disse: “Qual é a ligação entre os monumentos e propaganda comunista? Foram erguidos para homenagear 600.000 soldados soviéticos e oficiais que morreram durante a libertação da Polônia entre 1944 e 1945. Trata-se de monumentos dedicados às pessoas que salvaram a Polônia, pois somente graças a eles, a Polônia existe hoje em dia, caso contrário não existiria nem comunismo nem capitalismo, tampouco poloneses como povo.”

A publicação dos documentos pelo Ministério da Defesa se enquadra no projeto digital “Memória contra o esquecimento” que visa preservar exatidão histórica e prevenir sua falsificação.

Fonte: Sputnik News

Resposta à animação “Os Invencíveis”, do Instituto de Memória Nacional da Polônia — Parte 2

Leia também a Parte 3.

A luta dos comunistas dentro dos campos de concentração

O vídeo esconde o fato de que os maiores levantes armados ocorridos em campos de concentração, como o do Gueto de Varsóvia, foram liderado por jovens comunistas e de outras matizes de esquerda.

Era comum a ideia de que essa perseguição nazista era mais um fardo que o povo judeu deveria carregar e aguentar; isso denota a inserção de uma ideologia de colaboracionismo com os nazis dentro dos campos. Porém, nem todos pensavam dessa forma. Contra essa desmoralização, círculos rebeldes auto-organizados se formaram; seções do Gueto eram compostas por indivíduos de esquerda: social-democratas, socialistas-sionistas e comunistas. Todos os partidos – o Partido Comunista polonês; o Bund, organização judia de massas social-democrata; o grupo de jovens marxistas-sionistas Hashomer Hatzair; e o partido sionista de esquerda Po’alei Zion se dedicaram à estratégia de organizar células que buscavam reviver atitudes coletivistas, entre uma juventude judia emocionalmente paralisada e desmobilizada.

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Resposta à animação “Os Invencíveis”, do Instituto de Memória Nacional da Polônia — Parte 1

Leia também a Parte 2.

Esse instituto produziu uma animação gráfica de viés nacionalista sobre a Polônia, denominada “Os Invencíveis”, que segundo o qual retrata “a história da luta pela liberdade do povo polonês contra as ocupações dos regimes nazista e soviético”.

O vídeo é repleto de incoerências históricas, com um raciocínio simplista que vem acompanhado do sensacionalismo tanto na forma de escrita quanto nas imagens. Isso joga vários véus sobre a realidade histórica e presta um desserviço a quem precisa ter acesso a alguma informação fidedigna sobre os fatos enunciados.

Não é nem mesmo explicado o contexto político que levou à assinatura do tratado de não agressão entre a URSS e a Alemanha, que não tinha nenhuma relação com qualquer plano “para destruir a Polônia”. São ocultados todos os fatos que precederam a invasão nazista, algo útil para alimentar o discurso de que supostamente havia uma espécie de conluio maléfico entre os dois países. Tentam destruir o resgate da memória da resistência armada da esquerda contra o nazismo, de dentro dos campos de concentração. Confiam na propaganda que jogou a responsabilidade pelo Massacre de Katyń nas mãos dos soviéticos. Escondem a ascensão do fascismo, tanto na Polônia quanto em alguns outros países que compunham o que a burguesia chama de “Bloco de Varsóvia”, que continuou atuando mesmo depois da guerra.

Os longos parágrafos que se seguem tentam dar uma resposta a esses ataques mentirosos, tendo um compromisso sério com a verdade, sem apelar para a distorção de fatos históricos com o objetivo de alimentar determinada retórica político-ideológica.

Nesta primeira parte, o foco será dado ao Tratado de Não Agressão Mútua, pelo qual o vídeo passa muito rapidamente – com uma afirmação sensacionalista de duas linhas: “Em 23 de agosto de 1939, Hitler e Stalin firmaram um pacto secreto. O objetivo era destruir a Polônia”.

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Anotações de Marx ao livro de Bakunin “O Estado e a anarquia”

Do Portal Vermelho à Esquerda
https://vermelhoaesquerda.blogspot.com.br/2014/01/anotacoes-de-marx-ao-livro-de-bakunin-o.html )



Neste texto, Karl Marx faz anotações de caráter crítico ao livro do teórico anarquista Mikhail Bakunin. Neste livro, como mostra Marx durante as anotações, há vários erros de Bakunin sobre o comunismo científico. Mais tarde, tais críticas de Bakunin à concepção marxista se mostram cientificamente refutadas sobre a experiência da revolução russa, sobretudo com a criação da República proletária Soviética! 
 

Abaixo, o texto. Em itálico e clareado, os escritos de Bakunin; em fonte normal, as intervenções de Karl Marx.

“Nos últimos tempos, o filisteu alemão começa de novo a sentir um terror sagrado ante as palavras: ditadura do proletariado. Pois bem, senhores, quereis saber o que é essa ditadura? Olhai a Comuna de Paris. Eis aí a ditadura do proletariado”. (Engels em introdução do livro Guerra Civil na França).


 

Já apontamos nossa profunda repugnância pela teoria de Lassale e Marx, que recomenda aos operários, senão como ideal supremo, pelo menos como objetivo imediato e principal a instauração de um Estado popular, o qual, segundo sua expressão, não será senão o proletariado erigido em classe dominante. E alguém se pergunta: quando o proletariado seja classe dominante, sobre quem vai dominar? Isso significa que restará de pé outro proletariado, submetido a esta nova dominação, a este novo ‘Estado’”.

Isto significa que enquanto subsistam as outras classes e especialmente a classe capitalista, enquanto o proletariado lute contra elas (pois com a subida do proletariado ao poder não desaparecem todavia seus inimigos, nem desaparece a velha organização da sociedade) terá que empregar medidas de violência, a saber, medidas de governo. Enquanto o proletariado seja todavia uma classe e não tenham desaparecido as condições econômicas nas quais descansa a luta de classes e a existência destas, será preciso, pela violência, tira-las do caminho ou transforma-las, será preciso acelerar pela violência seu processo de transformação.

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Sobre o livro ‘A Anarquia’, de Malatesta

Resolvi reler este livro novamente depois de alguns anos de tê-lo mofando na estante. Se eu fosse comprar um livro sobre o assunto hoje, seria mais exigente quanto ao seu conteúdo e suas fontes (Malatesta não cita quase nada); porém, compreendo que é um livro escrito somente para agitprop e dá pra tolerar isso.

Apesar da maior parte do livro já não me convencer hoje, há algumas partes que são aproveitáveis.

O panfleto é de 1891 e pode ser lido em inglês aqui: http://www.marxists.org/archive/malatesta/1891/xx/anarchy.htm (Versão curta)

E em espanhol aqui: http://www.nodo50.org/fau/teoria_anarquista/malatesta/1.htm (Versão completa, provavelmente a que foi utilizada na tradução deste livro que tenho em mãos)

Comentarei primeiramente a biografia de Errico Malatesta escrita por Jorge Silva antes da introdução ao livro, algo que me chamou a atenção:

É citado um movimento italiano chamado Levante de Benevento, do qual Malatesta fez parte; diz-se que ele se tornou lendário na Itália depois que “um grupo anarquista percorreu o sul da Itália distribuindo armas à população e queimando os arquivos públicos, proclamando o comunismo libertário”. Não me incomoda a ação contestadora ou o uso das armas (que, aliás, é um ato autoritário); porém, o fato de pensarem que mudarão tudo ao colocarem armas nas mãos do povo politicamente desorganizado (e não se preocupando em organizá-lo, já que isso supõe necessariamente uma centralização em algum grau), adotando a via da “espontaneidade das massas”, uma tática que a história comprovou continuamente ser causa somente de derrotas para o proletariado. Não preciso citar exemplos do Brasil recente, tendo as Jornadas de Junho de 2013 falhado miseravelmente em pelo menos trazer um pouco de estabilidade política. Nada que incomode os anarquistas e seus dogmas, infelizmente. O anarquismo nega a necessidade de organizações proletárias disciplinadas e centralizadas, deixando o proletariado inofensivo diante das poderosas organizações capitalistas.

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A Revolução Maoísta no Tibete — Parte 2

Assalto ao Céu

Revolutionary Worker # 944, 15 de fevereiro de 1998

Trazendo a Revolução ao Tibete

Em 1949, o Exército de Libertação Popular de Mao havia derrotado todos os principais exércitos reacionários na China central. O dia dos pobres e dos oprimidos havia chegado! Mas as grandes potências do mundo estavam se movendo rapidamente para esmagar e “conter” essa revolução. As tropas francesas invadiram o Vietnã, ao sul da fronteira da China. Em 1950, uma enorme força invasora dos EUA arrasaria a Coreia com planos para ameaçar a China.

As montanhas ocidentais e as pradarias das áreas fronteiriças da China são habitadas por dezenas de diferentes agrupamentos nacionais, cujas culturas são diferentes da maioria dos povos Han da China. Uma dessas regiões, o Tibete, havia sido governada localmente como um reino isolado e “à prova d’água” por uma classe de servos, liderados pelos abades dos grandes mosteiros budistas lamaístas. Durante a guerra civil chinesa, a classe dominante do Tibete conspirou para criar um estado falso “independente” que estava na verdade sob a ala do colonialismo britânico.

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Jason Unruhe — O Livro Negro do Comunismo Desmascarado

Traduzido por Nathan Palmares

Nota do tradutor: No final do artigo, junto com as fontes em que o autor cita todas elas em inglês, deixarei material em português que também ajuda a entender e desmascarar muitas das mentiras, absurdos e bobagens contidas no “Livro Negro do Comunismo”.


 

O Livro Negro do Comunismo Desmascarado

Por Movimento Internacional Maoísta
Primeira edição por Leading Light Communist Organization*
Segunda edição por The Maoist Rebel

O Livro Negro do Comunismo, é uma das distorções mais flagrantes da história. Os números de mortes fraudulentos contidos no livro, são a única fonte do livro mais anti-comunista citado no mundo. O livro esmaga o socialismo e tenta o tornar pior do que o fascismo, sem rodeios, tenta retratar o fascismo como uma coisa boa.

O livro é tão tendencioso e absolutamente sem sentido que em 2001 o Movimento Internacional Maoísta informou a Harvard University Press de seus erros inegáveis. Como resultado o Movimento Internacional Maoista conseguiu com que Mark Kramer admitisse que o livro continha erros matemáticos propositais.

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Stalin e a Internacional Comunista

Um ensaio de N. Steinmayr para a Stalin Society.
Setembro de 2000, Londres.

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A Revolução Socialista de Outubro em 1917, o estabelecimento de dois sistemas opostos, socialismo e capitalismo, junto à crescente internacionalização das lutas proletárias, salientou mais uma vez a necessidade de formas eficazes de solidariedade mútua e de coordenação entre as vanguardas revolucionárias operando em diferentes países. Consequentemente, criou-se a III Internacional Comunista, ou Comintern, em Moscou em 1919 – uma nova internacional proletária, livre dos oportunistas que prevaleciam na II Internacional, uma nova internacional que, segundo Lenin, “começou a implementar a ditadura do proletariado”. [1] O reconhecimento da ditadura do proletariado e a luta pela sua segurança representavam, de fato, condições preliminares de adesão.

Foi sob a iniciativa de Lenin que a Internacional Comunista inicialmente elaborou sua estratégia e tática revolucionárias, bem como seus princípios políticos e organizacionais. Logo se espalharam para além da Europa. E, adquirindo importância vital para todos os partidos comunistas, a III Internacional também exerceu considerável influência social e política na arena internacional. Como o socialismo estava sendo consolidado na União Soviética, o Comintern permaneceu existindo até sua dissolução em 1943 [Nota do Editor: leia o nosso post Dimitrov sobre a dissolução da III Internacional]. Sete congressos foram realizados (o último ocorrido em 1935). Entre os congressos seu órgão mais alto foi o Comitê Executivo da Internacional Comunista (CEIC), que convocou treze sessões plenárias de 1922 a 1933.

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