Augusto Machado — “O caminho do inferno é pavimentado de boas intenções”: ensaio sobre o anarquismo

Via Blog BRADO!

Obs.: Alguns erros de digitação foram corrigidos pelo Iglu Subversivo.

Gustave Doré

A “esquerda” é definida pela disposição de suspender marco moral abstrato, ou parafraseando Kierkegaard, de realizar uma suspensão política do Ético.
Zizek

O leninista, visto que persegue uma ação de classe, abandona a moral universal, mas esta lhe será devolvida no universo novo dos proletários de todos os países.[…] A política é, por essência, imoral.
Ponty

Nas últimas décadas, o fim do bloco socialista e a deterioração de Estados e Partidos comunistas que se tornaram revisionistas, como é o caso chinês, ou reformistas, como os PC’s de todo o mundo, tem aberto um terreno fértil para outras teorias socialistas não-marxistas, já que o marxismo e sua proposta política teria perdido grande parte de sua legitimidade com os fracassos citados. O anarquismo é uma dessas teorias. A atrativa crítica ao “autoritarismo” e ao “totalitarismo estatal” de tipo leninista parece explicar as causas do fracasso e apontar um futuro promissor e renovado para a revolução. Os anarquistas tomam a derrota do movimento comunista do século XX e tentam com isso descartar o marxismo enquanto alternativa do horizonte político. Teóricos que perdiam cada vez mais sua influência nos movimentos revolucionários, à época, com o avanço do socialismo inspirado no marxismo, retornam das cinzas, e este, antes influência quase única vai perdendo terreno, não só para o anarquismo, mas para outras variantes mais tradicionais ou mais ecléticas.

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Ações do governo de Beata Syzdlo ameaçam Justiça da Polônia segundo a União Europeia

via Aumento da xenofobia e do neofascismo na Polônia coloca em risco permanência do país na UE

Aumento da xenofobia e do neofascismo na Polônia coloca em risco permanência do país na UE

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Para Bruxelas, as recentes ações do governo, chefiado pela primeira-ministra ultraconservadora Beata Szydlo, ameaçam a ‘independência e a legitimidade’ da Justiça.

Membro de destaque da União Europeia, a Polônia virou motivo de preocupação em Bruxelas por conta das ações da política no poder Judiciário e do crescimento de movimentos neofascistas, como ficou explícito na marcha que reuniu cerca de 60 mil pessoas em Varsóvia no último fim de semana.

No atual cenário, a Polônia já é protagonista dentro de um bloco que ainda tenta encontrar seu caminho, não apenas por ocupar a presidência do Conselho Europeu, na figura de Donald Tusk, mas também por ter aglutinado em torno de si os países descontentes com as políticas migratórias e de integração da UE.

A Polônia lidera o grupo Viségrad, que também reúne Hungria, Eslováquia e República Tcheca e representa o principal entrave para o programa de realocação de solicitantes de refúgio dentro da União Europeia, tema que já provocava atritos com suas maiores potências: Alemanha, França e Itália.

No entanto, o cenário que vem se desenhando em 2017 aumentou a preocupação de Bruxelas com o que acontece na Polônia. Na última quarta-feira (15/10), o Parlamento Europeu aprovou, por ampla maioria, uma resolução que diz que os valores fundamentais da UE estão “em risco” no país.

O motivo é a sanção pelo presidente da Polônia, Andrzej Duda, em julho passado, de uma lei que dá ao Ministério da Justiça, cujo chefe já exerce o cargo de procurador-geral, a prerrogativa de nomear líderes de tribunais de direito comum.

Duda vetou textos que davam ao governo o papel de indicar integrantes da Suprema Corte e submetiam o Conselho Nacional de Magistratura, órgão regulador do Judiciário, ao Parlamento, mas não foi suficiente para evitar a abertura de um procedimento de infração contra o país.

Para Bruxelas, as recentes ações do governo, chefiado pela primeira-ministra ultraconservadora Beata Szydlo, ameaçam a “independência e a legitimidade” da Justiça. Além disso, a resolução de quarta-feira prevê a mais dura sanção contra um Estado-membro que viole valores fundamentais da UE: a suspensão do direito a voto no Conselho Europeu, principal órgão político do bloco.

Nos próximos dias, a Comissão de Liberdades Cívicas do Parlamento Europeu formalizará o pedido ao Conselho, alegando preocupações em relação à separação de poderes. A resolução também pede para a Polônia condenar a marcha “xenófoba e fascista” realizada em Varsóvia em 11 de novembro, Dia da Independência.

O ato nacionalista foi convocado por movimentos de extrema direita e também teve a presença de neofascistas de toda a Europa, como Roberto Fiore, líder do partido Força Nova. A manifestação foi marcada por slogans xenófobos, antissemitas e de supremacia branca.

Do palco, oradores lançaram apelos contra liberais e pediram a defesa dos “valores cristãos”. O presidente Duda condenou o teor fascista do ato, mas a emissora pública TVP descreveu os manifestantes como “patriotas que expressaram o próprio amor pelo país”.

OperaMundi

Louis Althusser — Sobre o marxismo

Althusser, L. [1953], Primeiros Escritos, O Espectro de Hegel
Traduzido do seguinte link em inglês:
<https://www.marxists.org/reference/archive/althusser/1953/onmarx/on-marxism.htm>, a
cessado em 23 de Novembro de 2017


Sobre o marxismo

O marxismo constitui uma das principais correntes do pensamento contemporâneo. Até agora, há inúmeras obras que tentam expô-lo, combatê-lo ou mesmo “substituí-lo”. Já não é tarefa fácil encontrar o caminho que atravessa esta massa de trabalhos polêmicos e leva aos textos. Além disso, há muitos desses textos. A edição francesa (incompleta) das obras de Marx e Engels, publicada pela Costes, compreende cerca de 60 volumes; mais de 20 publicados pelas Editions Sociales; a edição (incompleta) das obras de Lenin inclui cerca de 20 volumes; a edição de Stalin, uns 15; e assim por diante … Mas o fato de que há tantos textos não é o único problema. O cânone marxista abrange um período histórico que se estende de 1840 até o presente, e levanta problemas que alimentaram a polêmica: a natureza dos primeiros trabalhos de Marx; o problema da tradição marxista. Finalmente, a própria natureza do marxismo – uma ciência e uma filosofia intimamente ligada à prática (política ou científica) – representa uma dificuldade adicional, talvez a maior de todas. Se negligenciarmos a constante referência à prática, que Marx, Engels e seus seguidores chamam insistentemente a atenção, alguém é suscetível de mal interpretar completamente o significado do marxismo e de interpretá-lo como uma filosofia “comum”.

Aqui, gostaríamos de fornecer alguns guias que possam facilitar a aproximação e o estudo do marxismo.

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Estratégia para a Libertação da Palestina – XV. O Partido e as Massas

O documento Estratégia para a Libertação da Palestina foi publicado pela Frente Popular para a Libertação da Palestina em Fevereiro de 1969. Foi traduzido naquela época pelo Departamento de informação da FPLP e circulou largamente em inglês e outros idiomas.

Esse compreensivo documento político e organizacional foi preparado pelo II Congresso da FPLP.


O Partido e as Massas

O partido é a liderança das massas. Consequentemente, os membros e líderes do partido devem vir de elementos conscientes imbuídos de entusiasmo pela ação e estão dispostos a aceitar o sacrifício, observar a disciplina e agir de acordo com os regulamentos e a política da organização. O partido deve velar para que seus membros em geral constituam um exemplo e uma vanguarda na consciência, atividade, sacrifício e disciplina. Se o partido e seus membros perderem essas qualidades, naturalmente, ela perde seu papel de organização política revolucionária. No entanto, na medida em que o partido revolucionário deve manter-se como uma organização de elementos conscientes, ativos, leais e disciplinados, deve ser, ao mesmo tempo, uma organização para as massas, emanando deles, vivendo no meio deles, lutando por suas causas, contando com eles e percebendo seus objetivos através e com eles e em seu interesse.

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Grover Furr — A Versão “Oficial” do Massacre de Katyn Refutada?

Descobertas em Um Local Alemão de Assassinato em Massa na Ucrânia

Por Grover Furr
(Socialism and Democracy, 2013 Vol. 27, No. 2, 96–129, http://dx.doi.org/10.1080/08854300.2013.795268)

Nota do Autor: A versão oficialmente aceita do Massacre de Katyn pode ser lida em sua página do Wikipédia – http://en.wikipedia.org/wiki/Katyn_massacre Esta página é implacavelmente anticomunista e anti-stalinista. Não faz nenhuma tentativa de ser objetiva ou neutra, na medida em que não discute seriamente a controvérsia acadêmica sobre essa questão. É útil apenas como um resumo curto e preciso da versão “oficial”. Gostaria de reconhecer que fui guiado pelas novas fontes por um excelente artigo de Sergei Strygin na página de internet [1] russa “Pravda o Katyni” (A Verdade Sobre Katyn). Recomendo vivamente a todos aqueles que leem russo.

Em 2011 e 2012, uma equipe conjunta polaco-ucraniana arqueológica escavou parcialmente um local de execução em massa na cidade de Volodymyr-Volyns’kiy, na Ucrânia. Cápsulas de bala encontradas no poço de enterro provam que as execuções ocorreram antes de 1941. No poço de enterro foram encontrados os distintivos de dois policiais poloneses que anteriormente se pensava que haviam sido assassinados a centenas de quilômetros de distância pelos soviéticos em abril-maio de 1940. Essas descobertas lançam sérias dúvidas sobre a versão canônica ou “oficial” dos eventos conhecidos pela história como o Massacre de Katyn.

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Grover Furr — O “Holodomor” e o filme “Bitter Harvest” são mentiras fascistas

Introdução do Partido Comunista Português

Com a subida ao poder de fascistas e anticomunistas na Ucrânia, regressaram velhas mentiras históricas. Como a do alegado genocídio de ucranianos por fome alegadamente imposta pelos “estalinistas” em 1932-33: o alegado “Holodomor” retratado no filme “Bitter Harvest” (Colheita Amarga) a circular brevemente em Portugal.

 

Mentiras apoiadas pelos serviços secretos imperiais. Para branquear, saudar e legitimar o poder pró-imperial extremamente reaccionário, imposto na Ucrânia para servir os interesses do grande capital. E também para alimentar a campanha contra Estaline e o socialismo soviético.

 

Esta campanha chegou a Portugal. Em 3 de Março, duas semanas depois de a AR ter condenado a ilegalização do PC da Ucrânia, o PSD propôs um voto de “condenação pelo Holodomor”. O PS – que não gosta de deixar créditos direitistas em mãos alheias, ainda que escondidos por detrás de belas palavras como “homenagem” e “vítimas” – também propôs um voto de «homenagem às vítimas da grande fome na Ucrânia». Ambos os votos foram aprovados. O do PSD, com o apoio do CDS, PAN e um deputado do PS, a abstenção do PS e votos contra do PCP, BE, PEV e três deputados do PS. O do PS, com os votos do CDS, PAN e BE, a abstenção do PSD e votos contra do PCP e PEV. Note-se (mais uma vez!) o alinhamento do BE com o PS.

 

O PCP desmascarou, em certa medida, a “exumação do cadáver de uma campanha lançada há vários anos pela extrema-direita ucraniana”. É uma campanha que desde a Guerra Fria tem sido desmascarada. É claro que muitos cidadãos honestos não têm conhecimento disso. No PSD, PS, etc., também há os desconhecedores; mas, mais do que isso, abundam os desonestos lambe-botas do grande capital e do império.

 

Para os cidadãos desconhecedores mas honestos aqui deixamos ficar a tradução de um excelente artigo de Grover Furr, Professor e especialista em história da URSS da Universidade de Montclair, EUA, publicado na revista Counterpunch em 3 de Março.

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A Revolução Maoísta no Tibete — Parte 4

A Opressão Retorna — Depois do Golpe na China

Duas Linhas Se Enfrentam no Tibete

Os revolucionários maoístas combateram forças poderosas dentro do Partido Comunista que queriam impor um caminho capitalista à China, incluindo o Tibete. Na Parte 3, descrevemos o programa desses “caminhantes capitalistas” – cujos líderes incluíram Deng Xiaoping. Eles se chamavam “comunistas” e falavam em construir um “poderoso Estado socialista moderno”, mas eles realmente queriam era parar a revolução depois de abolir o feudalismo. Mao Tsé-tung considerou que essas forças eram inimigos amargos da revolução – ele os chamou de “revisionistas”, “negociantes capitalistas” e “comunistas falsos”. Mao viu que sua imitação de métodos capitalistas “eficientes” traria a polarização de classe e a exploração capitalista de volta para a China. O resultado seria que a China mais uma vez seria penetrada e dominada por investidores e exploradores estrangeiros.

O contraste entre a linha comunista revolucionária de Mao e a linha capitalista dos revisionistas é muito claro em todas as questões relacionadas ao Tibete.

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