A Revolução Maoísta no Tibete – Parte 1

Quando os Dalai Lamas Governavam: Inferno na Terra

Revolutionary Worker # 944, 15 de fevereiro de 1998

Publicado como A Verdadeira Face do Dalai Lama, por Kalovski Itim.

Clima Duro, Sociedade Cruel

O Tibete é um dos lugares mais remotos do mundo. Está centrado num platô de uma alta montanha no fundo da Ásia. É cortado ao sul da Ásia pelos Himalaias, as montanhas mais altas do mundo. Inúmeros desfiladeiros de rio e pelo menos seis cordilheiras diferentes esculpem esta região em vales isolados. Antes de todas as mudanças ocorridas após a revolução chinesa de 1949, não havia estradas no Tibete que os veículos com rodas pudessem viajar. Todas as viagens eram mais sinuosas, perigosas trilhas de montanha – por mula, a pé ou por iaques que são animais de montanha peludos e semelhantes a vacas. O comércio, as comunicações e o governo centralizado eram quase impossíveis de manter.

A maioria do Tibete está acima da linha de árvores [Nota do Editor: margem para além da qual as árvores não crescem]. O ar é muito rarefeito. A maioria das culturas e árvores não crescerão lá. Foi uma luta para cultivar alimentos e até encontrar combustível para queimadas.

Na época da revolução, a população do Tibete estava extremamente espalhada. Cerca de dois ou três milhões de tibetanos moravam em uma área da metade do tamanho dos Estados Unidos – cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados. Aldeões, mosteiros e acampamentos nômades eram muitas vezes separados por muitos dias de difícil viagem.

Os revolucionários maoístas viram que havia “Três Grandes Carências” no antigo Tibete: falta de combustível, falta de comunicação e falta de pessoas. Os revolucionários analisaram que essas “Três Grandes Carências” não eram principalmente causadas pelas condições físicas, mas pelo sistema social. Os maoístas disseram que as “Três Grandes Carências” foram causadas pelas “Três Abundâncias” na sociedade tibetana: “Abundante pobreza, abundante opressão e medo abundante do sobrenatural”.

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Valores morais

Hoje estava lendo um artigo, no site Na Mira da Verdade, que afirma que o ateu não pode ser bom sem Deus. Isto é, não pode ter valores morais que não partam de Deus. O autor do artigo não se preocupou em investigar se há outros padrões morais além dos que estão na Bíblia ou em algum outro livro religioso. Se tivesse feito isso, com certeza teria encontrado algo chamado secularismo.

Recentemente meu amigo Erick Fishuk, do blog Materialismo – Filosofia, também escreveu sobre valores morais no ateísmo, nestes dois posts:

“1 – Questão de valores”: http://www.materialismo.net/2012/07/erick-fishuk-ser-ateu-e-bom-1-questao_11.html

“2 – Ciência e objetividade”: http://www.materialismo.net/2012/07/erick-fishuk-ser-ateu-e-bom-2-ciencia-e.html

A moral secular são aqueles valores que não nos obrigam ao teísmo para que possamos confiar neles. Um exemplo é “faça o bem sem olhar a quem”; qualquer pessoa pode ter esse valor em seu “código moral”, independente da crença, ou se não tiver crenças.

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Hungria: a tentação da teocracia neoliberal, de Esquerda.net

dossier | 5 Fevereiro, 2012 – 01:12
O poder político húngaro esforça-se por instaurar um regime teocrático – a ordem social deveria ser, aos seus olhos, uma ordem moral judaico-cristã fundamentalista – que mistura nacionalismo, autoritarismo e neoliberalismo. Por Attila Jakab.

A chegada ao poder, em Abril de 2010, do primeiro-ministro Viktor Orbán, profundamente convencido de ser um homem providencial encarregado de uma missão divina, empurra a Hungria para um regime autoritário.

O poder político húngaro esforça-se por instaurar um regime teocrático – a ordem social deveria ser, aos seus olhos, uma ordem moral judaico-cristã fundamentalista – que mistura nacionalismo, autoritarismo e neoliberalismo. As palavras de ordem são a lealdade política incondicional, bem como a obediência e o respeito absoluto pela autoridade. O maniqueísmo do governo – e da direita húngara – baseia-se num dualismo demarcado, opondo de modo acentuado os amigos e os inimigos, bem como o bem e o mal. Este maniqueísmo é fortemente influenciado pelo pensamento do filósofo Carl Schmitt, o ideólogo por excelência do Estado totalitário moderno, para quem a moral não tem nenhuma ligação com a política, nem com o direito.

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