Lúcio Júnior — Efeitos Especiais de Georg Lukács

Lukács é um autor interessante. Tido por stalinista por alguns, é um dos grandes inspiradores do marxismo ocidental, juntamente com Trotsky e Gramsci. Em um artigo recente de Brian Williams na revista Socialist Action, Williams explicou bem as diferenças entre Lenin e Lukács. Resumindo, são as seguintes: para Lukács, o importante é que o sujeito conheça o objeto, ou seja, que a classe proletária tome consciência de si mesma: aí ela está pronta para a revolução. Para Lenin, a revolução não depende somente da própria classe operária e sim da correlação das classes, massas, partidos e forças, assim como, num dado país, a revolução só irá acontecer quando a classe superior não puder levar as coisas da mesma maneira e quando a classe operária não puder mais viver da antiga maneira. Além disso, é preciso estudar e levar em conta todas as forças e classes que estão em jogo – e não somente se trata de uma identificação entre a classe operária consigo mesma, numa tomada de consciência iluminadora que enche o seu ser de poder. O poder é exterior, não está na consciência. Lukács tende ao idealismo subjetivo, a pensar que a consciência da revolução gera a revolução, a ideia gera a matéria.

Lenin escreve: “O Partido Comunista (…) deve agir segundo princípios científicos. Ciência…demanda que se tome conta de todas as forças, grupos, partidos, classes e massas operando num dado país”. (Lenin V. I., 1920, p. 81, apud: WILLIAMS, 2011).

Para Brian Williams, é Lenin que está de acordo com Marx e é bem claro. Por seu turno, Lukács escreve uma teoria diferente em um ensaio sobre o Oportunismo e o Golpismo:

“Por causa de sua noção de mecânica da luta de classes, oportunistas e golpistas são igualmente obrigados a ter um conceito estático da classe, vendo-a como algo que é para sempre, algo invariável numa dada realidade, e não como o que emerge, cresce e é trazido à vida no curso da luta. No entanto, é somente quando a constituição do proletariado como classe é considerada como o objetivo e a tendência da revolução que podemos descobrir uma base firme para as táticas em constante mudança de atividade comunista. A realidade econômica e científica da classe [trabalhadora] é, naturalmente, o ponto de partida para considerações táticas. Mas a outra realidade, a realidade de vida da classe afetada pelo proletariado – só é interessante como um alvo da ação revolucionária. Todo verdadeiro ato revolucionário diminui a tensão, o abismo entre o ser econômico e consciência ativa do proletariado. Uma vez que essa consciência atingiu, penetrou e iluminou o ser [do proletário], ele é imediatamente possuído do poder de superar todos os obstáculos e de completar o processo da revolução”. (Lukács, 1920a, p.79, apud: WILIAMS, 2011).

Como se pode ler acima, muito embora Lukács tenha até um livro sobre o pensamento de Lenin, eles divergem num determinado ponto, claramente. Lenin refutou Lukács em termos duros:

“Seu marxismo é puramente verbal; sua distinção entre táticas ‘ofensivas’ e ‘defensivas’ é artificial; ele não fornece uma análise concreta, precisa e definida das situações históricas; não leva em conta o que é essencial”. (Lenin V. I., Kommunismus, 1920b, p.165, apud: WILLIAMS, 2011).

E numa questão que Lukács atacará em Stalin: a questão das táticas. Em 1951, ele ainda tinha certeza de que Lenin e Stalin eram a mesma linha de pensamento, o que ele irá negar depois:

“É um grande mérito de Lenin e Stalin de haver concretizado também as doutrinas do marxismo e ter-las desenvolvido nas circunstâncias do imperialismo, nas vésperas das guerras mundiais e revoluções”. (LUKÁCS, 1966, p. 486).

Como a proposição de Lenin em questão acima é bem mais próxima da de Marx, portanto, para Williams toda a moldura teórica de História e Consciência de Classe está errada, pois parte desse pressuposto. Williams vê nas posições do jovem Lukács um ultra-esquerdismo tal como o de Karl Korsch, Pannekoek e de outros. Lenin percebeu que Lukács estava em desacordo com ele. Já o Lukács maduro parece dado, em seus próprios termos, a fazer mimetismo teórico. O que seria isso? Mudar algo em sua aparência conforme uma situação exterior desfavorável, permanecendo o mesmo e ficando a salvo de transtornos. Vejamos como ele faz esse movimento, que tem desdobramentos sérios devido à sua associação com Kruschev. Na introdução à edição italiana de 1957 de seu trabalho Introdução a uma Estética Marxista, Lukács escreve que:

“Muitas coisas aconteceram no mundo, e também no âmbito da teoria marxista, desde 1954, ano no qual o presente volume apareceu nas línguas alemã e húngara (…). O leitor atento comprovará sem dificuldade que minha conferência refuta diretamente –ou corrige, pelo menos, de um ponto substancial – as afirmações de Stalin em dois pontos importantes (…). Essa polêmica contra Stalin não podia expressar-se mais que sob: 1) uma superestrutura pode também atacar a base existente, e, até pode tentar desagregá-la e destruí-la, mas não somente servir a uma base determinada e somente a uma. 2) Para Stalin, ao desaparecer a base, tem que desaparecer a superestrutura inteira. Eu, ao contrário, quero demonstrar que esse destino não afeta em absoluto a toda a superestrutura”. (LUKÁCS, 1966).

Ele fala que foi obrigado a fazer “mimetismo teórico”, mas o artigo não trata em absoluto disso. Entender o que ele afirma acima foi absolutamente impossível para mim, como leitor. O artigo em questão é sobre a língua como superestrutura, foi pronunciado na Hungria e é de 1951, ou seja, antes da morte de Stalin e da subida de Kruschev, com quem Lukács se alinhou, renegando Stalin e dissociando Stalin de Lenin.

É um artigo totalmente elogioso e que de forma alguma apresenta as posições que Lukács escreve acima. Na verdade, pelo que pude observar lendo o texto, ele afirma exatamente o contrário do que escreve nessa introdução. Tanto que, na edição, o texto dele sobre Stalin ficou sendo o último texto, provavelmente devido a oportunismos miméticos. Provavelmente foi pouco lido, porque nele Lukács elogia desvairadamente as posições de Stalin:

“Não faz mais do que um ano que apareceram os trabalhos de Stalin sobre as questões de linguística, mas já agora podemos dizer que essas introduções têm uma importância histórica (….). E aqui precisamente se manifesta o caráter superestrutural da linguagem, definido por Stalin (…). Com apoio das importantes afirmações de Stalin (…). As tradições do marxismo se concretizam e se desenvolvem com as afirmações de Stalin sobre o seu caráter superestrutural (…). Nosso exemplo confirma inclusive e sublinha a correção da afirmação de Stalin”. (LUKÁCS, 1966, p. 488, 489, 491).

Donde subentende-se que as posições apresentadas na introdução são uma revisão completa, uma volta em torno de si mesmo (possivelmente para aliar-se com o poder) que Lukács elaborou. Stalin argumentou – e Lukács concordou –que a literatura e a arte pertencem à superestrutura, mas a língua não. Já a respeito da superestrutura, ele apenas concorda com Stalin:

“Tudo isto confirma de outro ponto de vista uma velha afirmação de Stalin, por todos conhecida: uma superestrutura não somente reflete a realidade, senão toma ativamente posição a favor ou contra a velha ou nova base, e quando a superestrutura deixa de exercer esta função, deixa também de ser superestrutura”. (LUKÁCS, 1966, p. 505).

Essa é apenas uma das afirmações totalmente positivas que ele volta e meia faz a favor de Stalin no artigo. Lukács sempre mostrou divergências, fez autocrítica, voltou a elas de maneira transformada. Segundo um “marxiano” como Chasin, Lukács teria feito apenas um despiste, agregando palavras críticas a elogios apenas formais de Stalin, mas pelo visto é algo mais grave. No entanto, há uma grande riqueza em Lukács.

O problema é que passa por um filósofo exemplarmente marxista-leninista, senão “stalinista”, o que é falso. Ele é sempre um filósofo que tenta conciliar sua formação hegeliana com a teoria marxista-leninista, e também ambiciona associar-se ao poder: é um camaleão fazendo mimetismo teórico.

Anúncios

10 comentários sobre “Lúcio Júnior — Efeitos Especiais de Georg Lukács

  1. Nunca li tamanha incompreensão para com um autor da envergadura de Lukács, uma grande análise científica deixa de lado esses completos ataques pessoais a pessoa de Lukács, primeiro que sobre a questão do proletariado conhecer seu objeto e o desenrolar dessa tese no seu sujeito-objeto idêntico Willians não precisaria nem criticá-lo o prório Lukács fez isso no seu famoso prólogo de 1967 de História e Consciência de Classe. E para quem conhece a história de Lukács você deveria saber que o mesmo passou algum tempo preso na Hungria e outros perengues mais. Uma análise fiel aos fatos, e desse modo científica, necessariamente deixa de lado tais posições políticas de Lukács e analisa se sua teoria é pertinente ou não, lembrando a tese número 2 de Marx e Engels em sua Teses ad Feuerbach:

    “A questão de saber se ao pensamento humano pertence a verdade objectiva não é uma questão da teoria, mas uma questão prática. É na práxis que o ser humano tem de comprovar a verdade, isto é, a realidade e o poder, o carácter terreno do seu pensamento. A disputa sobre a realidade ou não realidade de um pensamento que se isola da práxis é uma questão puramente escolástica.”

    Quando vc me explicar o pq das revoluções socialistas não terem ocorrido, e o pq do proletariado não ter sido essa força motriz da supressão da sociedade capitalista tendo como pressuposto o pensamento de Stálin, eu mudarei de opinião…

    Sobre Hegel, muito me admiro um pensador marxista-leninista acusar Lukács de ser hegeliano, que eu saiba o próprio Lênin foi um dos primeiros marxistas que categoricamente afirmava da necessidade de se estudar Hegel para se compreender os escritos de Marx.

    Só para deixar bem clara a herança hegeliana no pensamento de Marx:

    “O senhor autor, ao descrever tão acertadamente aquilo a que chama o meu método real e tão benevolentemente o que à minha aplicação pessoal dele concerne, que outra coisa descreveu ele senão o método dialéctico?”

    “Confessei-me, portanto, abertamente discípulo daquele grande pensador e coqueteei mesmo aqui e ali no capítulo sobre a teoria do valor com o modo de expressão que lhe é peculiar. A mistificação que a dialéctica sofre às mãos de Hegel de modo nenhum impede que tenha sido ele a expor, pela primeira vez, de um modo abrangente e consciente as suas formas de movimento universais. Nele, ela está de cabeça para baixo. Há que virá-la para descobrir o núcleo racional no invólucro místico.

    Na sua forma mistificada, a dialéctica tornou-se moda alemã, porque ela parecia glorificar o existente. Na sua figura racional, ela é um escândalo e uma abominação para a burguesia e para os seus porta-vozes doutrinários, porque, na compreensão positiva do existente, ela encerra também ao mesmo tempo a compreensão da sua negação, da sua decadência necessária; porque ela apreende cada forma devinda no fluir do movimento, portanto, também pelo seu lado transitório; porque não deixa que nada se lhe imponha; porque, pela sua essência, é crítica e revolucionária.”

    Se Marx abertamente dá os devidos créditos a filosofia de Hegel, chamar Lukács de hegeliano, é um baita elogio.

  2. Em primeiro, Lukács depois da contrarrevolução de 56, que ele apoiou (olha a práxis dele aí) como ministro da cultura e reunindo-se num círculo NACIONALISTA, o círculo Petofi, ficou primeiro na embaixada da Iugoslávia (por isso Lukács fala em autogestão, república de conselhos, etc, é coisa do Tito). E depois, Lukács ficou na ROMENIA. Vc fala que Marx tem herança hegeliana e cita ele rompendo com Hegel em termos duros. Se eu falar que tenho de virar Lukács de ponta cabeça para encontrar a razão (ele ama ser dono dela, agora sim, tou sendo pessoal) no invólucro idealista, aí, sim, estou sendo duro com ele.

    Peço licença para reproduzir esse debate em meu blog.

    No mais, abraços!

    • Hahahahaha, eu não sei pq os Stalinistas sempre apontam que não concorda com eles de serem contrarrevolucionários, só não cita a prisão dele em seu intinerário, como sempre são cultuadores mais parecedos com os neopentecostais do que com marxistas. Sobre meus questionamentos não respondeu, você não deve conhecer a filosofia de Lukács e nem sua estética e muito menos sua Ontologia. Sobre Hegel e Marx não é porque Marx colocou a dialética em termos materialistas que ele rompeu com Hegel senão ele não afirmaria que seu metodo era dialético, se houvesse esse rompimento da dialética eu não sei porque Marx ainda lança a categoria da Totalidade do ser social, pois ciência se faz assim nem tudo de joga fora de outro autor mesmo não conordando em sua totalidade. Afora que Marx, como você deve saber, deve tudo a Smith e Ricardo em sua teoria do Valor-Trabalho, e olhe que no fim de sua vida Marx viu nascer a teoria da utilidade marginal. Agora só gostaria que você me respondesse como você poderá me explicar o conceito de mercadoria e seu valor de uso e valor de troca a forma-dinheiro, topa o desafio?? Cuidado para não cair nos desvios explicativos da economia vulgar neoliberal, é sempre um risco.

      Um olhar mesmo dogmático a trajetória de Lukács:

      Quando Lukács vivia na União Soviética (1933-45), Fadeiev e ele participavam da Associação de Escritores. O grupo a que Lukács pertencia fazia oposição ao zdanovismo, do qual Fadeiev era um dos expoentes. Fadeiev era expoente literário mais famoso do período stalinista na Rapp, no Proletkult e no zdanovismo. Os seus escritos do pós-Guerra, que eram terríveis e sem nenhum valor estético, eram apresentados, naquele tempo, como modelo. Ele se tornou o expoente oficial do realismo socialista. Naquele tempo, Lukács chegou a ser preso.
      Chasin: Por quanto tempo?
      Mészáros: Por alguns meses. Os húngaros não faziam nada para tirá-lo da prisão. Até os amigos mais antigos do Partido recusavam-se a interferir. Por sorte, os intelectuais alemães, que o receberam em Moscou, intervieram. Béla Kun5 não era mais o chefe da seção húngara, mas seus amigos estavam no controle do partido húngaro.
      Lukács tinha, em relação a eles, posições conflitantes a respeito de teoria da literatura, o que implicou a sua oposição à Rapp e ao Proletkult. Quando foi preso, naturalmente, tudo isso pesou. Nos interrogatórios, a polícia secreta queria que confessasse que era trotskista. Mas refutava tudo com bom humor. Paralelamente, os tempo era o chefe do Comintern, referindo a existência de afinidades entre as Teses de Blum e as de Dimitrov. Nas Teses de Blum, Lukács anunciava uma estratégia de fronts populares, sete anos antes de Dimitrov. Por isso, nos anos de 29/30, Lukács foi posto em desgraça, o que acabou com sua carreira política. Lukács pertencia à ala de Eugênio Landler6, que era opositor à fração de Béla Kun, um burocrata, um stalinista que trabalhava no Comintern. Os alemães puderam demonstrar a Dimitrov a afinidade política entre a estratégia da aliança popular, que Lukács recomendara ao Partido Comunista na Hungria, e a sua própria posição. Dimitrov, então, interveio junto a Stalin para relaxar a prisão.

      A questão de História e consciência de classe é muito complicada, pois envolve fatores de ordem política e pessoal. O próprio Révai criticara História e consciência de classe por não ser bastante hegeliana. É possível provar isto, pois, naquele tempo, foi publicado no arquivo Grünberg (1925).
      Deste modo, as pessoas que se viram envolvidas neste debate, nesse novo ataque de 1949, achavam-se em uma situação psicológica e intelectual extremamente confusa. Acusaram Lukács, num primeiro momento, de não ser suficientemente hegeliano, para depois o atacarem por ser hegeliano. Rudás, por exemplo, ia de um extremo a outro. Não é possível entender o que está envolvido na questão sem conhecer as relações extremamente complexas que estão por detrás dela.

      Preste atenção nesse trecho da entrevista, assaz significativo:

      Imre Lakatos, que se tornou o sucessor de Karl Popper, o neopositivista antimarxista, era quem selecionava os textos para os chefes do Partido utilizarem contra Lukács – e se orgulhava disso. Révai procurou levar o debate para um nível mais elevado, de princípios, e, num determinado momento, queria mesmo acabar com a discussão, pois sabia muito bem que tudo isso levaria uma grande questão com a União Soviética. Com a intervenção de Fadeiev, foi o início do fim: o debate acabou em 1951.

      O resto da entrevista pode ser acessada em:

      http://www.verinotio.org/conteudo/0.34578628963398.pdf

    • Sobre a Razão que você afirma que Lukács era o Dono, em sua a destruição da Razão o “demônio” Lukács faz uma crítica severa a autores como Weber, Nietszche, Heidegger e outros, em uma defesa da Racionalidade Materialista Marxiana, se você perde tempo escrevendo sobre o “demônio” Lukács em fez de sistematizar criticas a quem deveria lançar por direito você presta um grande papel contrarrevolucionário, pois se vc entrar em uma Universidade se vc ligar em quaisquer canais de televisão não é a teorização de Lukács com certeza que estará sendo discutida e sim a ciência burguesa, portanto continuem deixando em pé e reinando em berço esplêndido a grande ciência burguesa e continue seu ataque ao grande pensador que foi Lukács, infelizmente o marxismo hj em dia ainda tem muito disso.

  3. Hidemi, se o pessoal da Verinotio tivesse um pingo de juízo, faria um debate da obra de Lukács como o que estou fazendo nesse artigo, inclusive aceitando que há grande riqueza nele.

    Agora leia aqui: “História e consciência de classe corresponde a uma psicologia que se expressa na vontade revolucionária pela recusa das forças políticas concretas” (O Pensamento Vivido, 1999, p. 79). Na resposta logo abaixo, Lukács não refuta que seja isso. Putz, recusa das forças políticas concretas? É sério, né não?

    Lukács foi preso por ter sido um trotsquista ao tempo do terceiro congresso, mas ele argumentou que então Trotski estava (fingindo) estar de acordo com Lênin e foi liberado depois de um tempo. Ele foi tolerado, pois nunca foi um trotsquista sabotador e conspirou para um golpe tal como Bukharin. Ele se sentiu à vontade para sabotar e fazer carreirismo depois de 56. Isso está em O Pensamento Vivido tb. Lukács rompe com Lênin e Zdanov quando coloca a oposiçao racionalismo versus irracionalismo ao invés da oposição entre materialismo e idealismo. A própria Verinotio tem uma entrevista em que Lukács, em plena contra-revoluçaõ de 56, preconiza a volta da democracia capitalista, ou seja, é contrarrevolucionário. Fora os elogios desbragados que ele fez ao canalha Soljenistin. No Destruiçaõ da Razão o cara emula o esquema do Hayek, da Arendt, do pensamento da Guerra Fria e da CIA, igualando Stálin e Hitler! E depois dizem que não existia liberdade de pensamento no Leste Europeu.
    A política dele e´tão desastrosa e errática quanto a de seu discípulo Chasin, que terminou apoiando FHC no pior momento da esquerda, os anos 90.

  4. Ah, e ó: quanto ao seu desafio: eu topo se o texto for publicado na Verinotio. Em linhas gerais, concordo com o Lukács quando ele teoriza que a coisificação é a forma que as relações humanas tomam na sociedade capitalista. Mas, como Lukács mesmo é um marxista puramente verbal, como disse Lênin, tudo o que escreve é suspeito. A ontologia é uma bobagem. Um marxista tem de se ocupar de derrotar o imperialismo em todo o mundo, não em ficar divagando sobre o “qual é o ser do ser?” Qual seria a ontologia marxista? O que existe é matéria em movimento. Tá de bom tamanho assim?

    • Hahahahahahahaha, porra parceiro eu pensei que você tecesse críticas mais bem elaboradas, ” a ontologia é uma bobagem” hahahahaha, será que assim se convencerá algum trabalhador da possibilidade da revolução e de sua positividade, “o capitalismo é uma bobagem”… daqui o cidadão passa toda sua vida assitindo a rede Goebbels, ops Globo, e a revolução nunca chegará. Afinal para que Marx escreveu tanto, aliás passou sua vida escrevendo e militando, o mesmo de Lukács, quer vc queira ou não queira, concorde ou não com tal militância, pois interpreto que para você apenas o voluntarismo resolverá os problemas do mundo, para quê estudar e teorizar não é mesmo???

      ” O que existe é matéria em movimento”?? O que é isso??? Onde na Ontologia tem escrito isso?? Dessa forma o poder ativo da cosnciência não existe na Ontologia?? Espero que tal debate também seja publicado na Comunidade Josef Stálin, hahahahahahahaha.

      Realmente sua inverdades são muito primárias, leia um texto chamado Meu caminho a Marx, de Lukács, depois nós conversamos melhor…

      Velho na boa sua religião esta lhe deixando doido… desafio você a transcrever o trecho em A Destruição da Razão na qual, supostamente Lukács teria comparado Hitler a Stálin, se não transpor tal trecho chegarei a conclusão que vc utiliza as mesmas estratégias da Direita mais canalha, acusa alguém e não prova nada e depois desconversa…

      Sobre o pensamento vivido seria bom você transcrever o restante da página 79 como também transcrever o prólogo a História e Consciência de Classe de 1967, se tiver com preguiça eu mesmo postarei…

  5. ” História e consciência de classe corresponde a uma psicologia que se expressa na vontade revolucionária pela recusa das forças políticas concretas”.

    Se você não conhece Lukács e fica apenas na crítica de alguém que criticou Stálin passará desapercebido esse trecho de Pensamento Vivido como um crítica de Lukács ao próprio Lukács, aliás irei transcrever alguns trechos do prefácio a História… que se relaciona com tal fato:

    ” Porém, consegui chegar somente a formulação de uma consciência de classe “atribuída”. Tinha em mente com isso aquilo que em Lênin,em O Que Fazer?, designava da seguinte maneira: em oposição à consciência trade-unionista que surge espontaneamente, a consciêcia de classe socialista é “trazida de fora” ao operário, ” isto é, de fora da luta econômica, de fora da esfera das relações entre operários e patrões”. Portanto, aquilo que para mim correspondia em uma intenção subjetiva e que para Lênin era resultado da autêntica análise marxista de um movimento prático dentro da totalidade da sociedade tornou-se em minha exposição um resultado puramente teórico[…]”

    História e Consciência de Classe, Prefácio página 18. Enfim caro Lúcio júnior sua crítica para com Lukács está com 45 anos de atraso, ele mesmo se auto criticou em 1967, depois continua…

  6. Oi, Hidemi. Para Lênin, a consciência de classe deve ser importada do PARTIDO para as massas. Lukács enrola e não deixa ver a oposiçaõ entre ele e Lênin, fica parecendo que saiu um “resultado puramente teórico”. Foi um resultado puramente equivocado e não teve nada de marxismo.

  7. Eu acho que o Ulbricht tava certo quando falou que Lukács era um agente do imperialismo americano; afinal, ele apoiou Imre Nagy, que quis passar para o Ocidente e restaurar o imperialismo. Realmente não tem crítica a Stálin no Destruição, mas sim no Pensamento Vivido. Ele coloca, nesse livro, embora com a dialética da safadeza dele naõ fique claro, que Stálin é hiperrracionalista e o Hitler é irracionalista, ambos destroem a razão, que tá sempre do lado do Lukacsiano. Aliás, irracionalista foi usado para xingar José Celso e Glauber. Quer dizer: louco. Um xingamento bobo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s