A Revolução Cultural Desconhecida – Vida e Mudança numa Aldeia Chinesa

Dongping Han cresceu na China durante a Revolução Cultural e agora ensina nos EUA. É o autor do livro The Unknown Cultural Revolution—Life and Change in a Chinese Village [A Revolução Cultural Desconhecida – Vida e Mudança numa Aldeia Chinesa]. O que se segue é uma versão resumida da parte final de uma intervenção que ele fez em Nova Iorque em Dezembro de 2008 no simpósio «Redescobrir a Revolução Cultural Chinesa: Arte e Política, Experiência Viva, Legados de Libertação», patrocinado pela livraria Revolution Books, pelo Projecto Set the Record Straight [Repôr a Verdade] e pelo Instituto para o Conhecimento Público – Universidade de Nova York. A versão integral surgiu na edição de 6 de Setembro de 2009 do jornal Revolution, órgão do Partido Comunista Revolucionário dos EUA (revcom.us).

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Sovietes: um milhão de vezes mais democráticos!

Por Rogério Lustosa

O sistema soviético, implantado pela revolução de 1917, cedeu lugar a um Congresso dos Deputados do Povo – semelhante aos parlamentos ocidentais – e restaurou-se a separação entre Legislativo e Executivo, com a criação do cargo de presidente da República.

A imprensa burguesa não esconde sua satisfação com as novidades. Jornais e revistas estampam manchetes categóricas: “Pela primeira vez realizam-se eleições realmente livres desde 1917”; termina a era de dizer amém às ordens de partido, “fim do monolitismo do Estado Soviético”; “agora se pode falar num Parlamento com algum grau de legitimidade; a revolução da perestroika avança”.

A derrota fragorosa de boa parte dos candidatos indicados pelo PCUS – como Yuri Solovyev, dirigente em Leningrado e membro do Bureau Político do Comitê Central que, apesar de concorrer sozinho no seu distrito, não alcançou o mínimo de 50% dos votos – foi saudada como uma maravilha de democracia. O grande herói é Boris Yeltsin, dissidente, destituído da direção do partido em Moscou e, agora, consagrado por 89% dos eleitores no pleito do último dia 26 de março. Segundo os comentaristas ele será o líder dos “progressistas, que não se limitam a aprovar o que diz a direção” contra o aparato burocrático.

O que tem de democrático, renovador ou progressista nestas mudanças? O que representou o sistema dos sovietes e qual o papel do partido na construção do socialismo na URSS?

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Os crimes dos Bolsonaro

Listando aqui crimes e casos de corrupção envolvendo Jair Bolsonaro, candidato do PSL à presidência do Brasil nessas eleições de 2018, e seus familiares. Aumentarei a lista conforme for recebendo mais material.


Propina da JBS, grande empresa da indústria alimentícia

1 – https://jovempan.uol.com.br/programas/ao-explicar-r-200-mil-da-jbs-bolsonaro-admite-que-pp-recebeu-propina-qual-partido-nao-recebe.html

2 – https://www.metropoles.com/brasil/politica-br/site-do-tse-mostra-que-bolsonaro-recebeu-doacao-da-jbs

3 – https://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1886798-qual-partido-nao-recebe-diz-bolsonaro-sobre-propina-a-radio.shtml

4 – https://catracalivre.com.br/cidadania/bolsonaro-assume-propina-ao-explicar-doacao-de-r200-mil-da-jbs/

5 – https://www.opovo.com.br/noticias/politica/2017/05/ao-explicar-r-200-mil-da-jbs-bolsonaro-admite-que-pp-recebeu-propina.html

6 – https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/bolsonaro-recebeu-dinheiro-da-jbs-e-valor-esta-registrado-no-site-do-tse/

7 – https://br.sputniknews.com/brasil/201705238461473-bolsonaro-propina-jbs/

8 – https://www.revistaforum.com.br/bolsonaro-fez-manobra-contabil-para-nao-estar-na-lista-da-friboi/

9 – https://odia.ig.com.br/_conteudo/brasil/2017-05-23/bolsonaro-admite-propina-a-seu-partido.html

10 – https://www.vice.com/pt_br/article/kze54z/bolsonaro-confirma-que-pp-recebeu-propina-da-jbs

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Saudações aos comunistas italianos, franceses e alemães

Um texto excelente de Lenin, que demonstra um pouco de seu domínio da dialética marxista, fazendo a crítica tanto da “pequeno-burguesia” adepta das ideias de Kautsky quanto a crítica dos ultra-esquerdistas que desejam “proibir” a participação dos comunistas no parlamento burguês. Traduzido para Português (do Brasil) a partir da tradução para Português (de Portugal) realizada pelo site Para a História do Socialismo.

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Augusto Machado — “O caminho do inferno é pavimentado de boas intenções”: ensaio sobre o anarquismo

Via Blog BRADO!

Obs.: Alguns erros de digitação foram corrigidos pelo Iglu Subversivo.

Gustave Doré

A “esquerda” é definida pela disposição de suspender marco moral abstrato, ou parafraseando Kierkegaard, de realizar uma suspensão política do Ético.
Zizek

O leninista, visto que persegue uma ação de classe, abandona a moral universal, mas esta lhe será devolvida no universo novo dos proletários de todos os países.[…] A política é, por essência, imoral.
Ponty

Nas últimas décadas, o fim do bloco socialista e a deterioração de Estados e Partidos comunistas que se tornaram revisionistas, como é o caso chinês, ou reformistas, como os PC’s de todo o mundo, tem aberto um terreno fértil para outras teorias socialistas não-marxistas, já que o marxismo e sua proposta política teria perdido grande parte de sua legitimidade com os fracassos citados. O anarquismo é uma dessas teorias. A atrativa crítica ao “autoritarismo” e ao “totalitarismo estatal” de tipo leninista parece explicar as causas do fracasso e apontar um futuro promissor e renovado para a revolução. Os anarquistas tomam a derrota do movimento comunista do século XX e tentam com isso descartar o marxismo enquanto alternativa do horizonte político. Teóricos que perdiam cada vez mais sua influência nos movimentos revolucionários, à época, com o avanço do socialismo inspirado no marxismo, retornam das cinzas, e este, antes influência quase única vai perdendo terreno, não só para o anarquismo, mas para outras variantes mais tradicionais ou mais ecléticas.

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Ações do governo de Beata Syzdlo ameaçam Justiça da Polônia segundo a União Europeia

via Aumento da xenofobia e do neofascismo na Polônia coloca em risco permanência do país na UE

Aumento da xenofobia e do neofascismo na Polônia coloca em risco permanência do país na UE

Publicado em 

Para Bruxelas, as recentes ações do governo, chefiado pela primeira-ministra ultraconservadora Beata Szydlo, ameaçam a ‘independência e a legitimidade’ da Justiça.

Membro de destaque da União Europeia, a Polônia virou motivo de preocupação em Bruxelas por conta das ações da política no poder Judiciário e do crescimento de movimentos neofascistas, como ficou explícito na marcha que reuniu cerca de 60 mil pessoas em Varsóvia no último fim de semana.

No atual cenário, a Polônia já é protagonista dentro de um bloco que ainda tenta encontrar seu caminho, não apenas por ocupar a presidência do Conselho Europeu, na figura de Donald Tusk, mas também por ter aglutinado em torno de si os países descontentes com as políticas migratórias e de integração da UE.

A Polônia lidera o grupo Viségrad, que também reúne Hungria, Eslováquia e República Tcheca e representa o principal entrave para o programa de realocação de solicitantes de refúgio dentro da União Europeia, tema que já provocava atritos com suas maiores potências: Alemanha, França e Itália.

No entanto, o cenário que vem se desenhando em 2017 aumentou a preocupação de Bruxelas com o que acontece na Polônia. Na última quarta-feira (15/10), o Parlamento Europeu aprovou, por ampla maioria, uma resolução que diz que os valores fundamentais da UE estão “em risco” no país.

O motivo é a sanção pelo presidente da Polônia, Andrzej Duda, em julho passado, de uma lei que dá ao Ministério da Justiça, cujo chefe já exerce o cargo de procurador-geral, a prerrogativa de nomear líderes de tribunais de direito comum.

Duda vetou textos que davam ao governo o papel de indicar integrantes da Suprema Corte e submetiam o Conselho Nacional de Magistratura, órgão regulador do Judiciário, ao Parlamento, mas não foi suficiente para evitar a abertura de um procedimento de infração contra o país.

Para Bruxelas, as recentes ações do governo, chefiado pela primeira-ministra ultraconservadora Beata Szydlo, ameaçam a “independência e a legitimidade” da Justiça. Além disso, a resolução de quarta-feira prevê a mais dura sanção contra um Estado-membro que viole valores fundamentais da UE: a suspensão do direito a voto no Conselho Europeu, principal órgão político do bloco.

Nos próximos dias, a Comissão de Liberdades Cívicas do Parlamento Europeu formalizará o pedido ao Conselho, alegando preocupações em relação à separação de poderes. A resolução também pede para a Polônia condenar a marcha “xenófoba e fascista” realizada em Varsóvia em 11 de novembro, Dia da Independência.

O ato nacionalista foi convocado por movimentos de extrema direita e também teve a presença de neofascistas de toda a Europa, como Roberto Fiore, líder do partido Força Nova. A manifestação foi marcada por slogans xenófobos, antissemitas e de supremacia branca.

Do palco, oradores lançaram apelos contra liberais e pediram a defesa dos “valores cristãos”. O presidente Duda condenou o teor fascista do ato, mas a emissora pública TVP descreveu os manifestantes como “patriotas que expressaram o próprio amor pelo país”.

OperaMundi

Louis Althusser — Sobre o marxismo

Althusser, L. [1953], Primeiros Escritos, O Espectro de Hegel
Traduzido do seguinte link em inglês:
<https://www.marxists.org/reference/archive/althusser/1953/onmarx/on-marxism.htm>, a
cessado em 23 de Novembro de 2017


Sobre o marxismo

O marxismo constitui uma das principais correntes do pensamento contemporâneo. Até agora, há inúmeras obras que tentam expô-lo, combatê-lo ou mesmo “substituí-lo”. Já não é tarefa fácil encontrar o caminho que atravessa esta massa de trabalhos polêmicos e leva aos textos. Além disso, há muitos desses textos. A edição francesa (incompleta) das obras de Marx e Engels, publicada pela Costes, compreende cerca de 60 volumes; mais de 20 publicados pelas Editions Sociales; a edição (incompleta) das obras de Lenin inclui cerca de 20 volumes; a edição de Stalin, uns 15; e assim por diante … Mas o fato de que há tantos textos não é o único problema. O cânone marxista abrange um período histórico que se estende de 1840 até o presente, e levanta problemas que alimentaram a polêmica: a natureza dos primeiros trabalhos de Marx; o problema da tradição marxista. Finalmente, a própria natureza do marxismo – uma ciência e uma filosofia intimamente ligada à prática (política ou científica) – representa uma dificuldade adicional, talvez a maior de todas. Se negligenciarmos a constante referência à prática, que Marx, Engels e seus seguidores chamam insistentemente a atenção, alguém é suscetível de mal interpretar completamente o significado do marxismo e de interpretá-lo como uma filosofia “comum”.

Aqui, gostaríamos de fornecer alguns guias que possam facilitar a aproximação e o estudo do marxismo.

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