Resposta à animação “Os Invencíveis”, do Instituto de Memória Nacional da Polônia — Parte 4

O Massacre de Katyn

Contexto

No dia 13 de Abril de 1943, a imprensa nazista anunciou que haviam sido encontradas valas comuns na Floresta de Katyn próximo a Smolensk, contendo os corpos de milhares de oficiais poloneses alegadamente assassinados pelos russos. O plano era minar as relações entre soviéticos e poloneses. Três dias depois, o governo soviético nega as acusações alemãs.

A insistência do líder do governo polonês no exílio, o General Władysław Sikorski, em endossar a propaganda alemã levou ao completo desastre nas relações entre o governo polonês em exílio em Londres e o governo soviético – como Goebbels comentou em seu diário:

“Esta quebra representa uma vitória de 100 por cento para a propaganda alemã e, especialmente, para mim pessoalmente… nós fomos hábeis em converter o incidente de Katyn em uma questão altamente política…”

O objetivo de Sikorski era disputar a fronteira a leste da Linha Curzon.

Evidências históricas

Maria Alexandrovna Sashneva, uma professora da escola local, deu evidências para uma
comissão especial formada pela União Soviética em Setembro de 1943, imediatamente depois que a área foi liberada dos alemães, para o efeito que em Agosto de 1941, dois meses depois da retirada soviética, ela escondeu um prisioneiro de guerra polonês em sua casa. Seu nome era Juzeph Lock, e ele contou para ela sobre os maus-tratos que os prisioneiros poloneses sofriam pelos alemães:

“Quando os alemães chegaram, eles apreenderam o campo polonês e instituiu um regime estrito nele. Os alemães não consideraram os poloneses como seres humanos. Eles oprimiram e ultrajaram os poloneses várias vezes. Em algumas ocasiões, poloneses foram executados sem nenhuma razão para isso. Então, ele decidiu escapar…”

Muitas outras testemunhas deram evidências que eles viram poloneses durante Agosto e
Setembro de 1941 trabalhando nas estradas.

Além disso, testemunhas também viram alemães alvejando poloneses que tentaram escapar no outono de 1941. Danilenko, um camponês local, estava entre muitas testemunhas que testemunharam este fato.

“Agentes especiais foram postos para pegar os poloneses que conseguiram escapar. Algumas revistas foram feitas em minha casa duas a três vezes. Depois de uma destas revistas, eu perguntei ao responsável… quem eles estavam procurando em nossa vila. Ele disse que uma ordem havia sido recebida do Comandante Alemão permitindo que revistas fossem feitas em todas as casas sem exceção, porque poloneses prisioneiros que escaparam estavam se escondendo na vila.”

Óbvio que os alemães não executaram todos os poloneses na frente das testemunhas locais, mas há, todavia, evidências significantes do povoado local do que aconteceu. Uma
testemunha foi Alexeyeva que foi detalhada pelo agente responsável de sua vila para servir o pessoal alemão nas casas na seção da floresta de Katyn conhecida como Kozy Gory, que foi à casa de repouso da administração de Smolensk do Comissariado do Povo para Assuntos Internos. Esta casa está situada aproximadamente 700 metros de onde a cova em massa foi encontrada. Alexeyeva disse:

“No findar de Agosto e durante a maioria de Setembro de 1941, muitos caminhões
costumavam a virem todos os dias para a casa de campo de Kozy Gory.

Primeiramente, eu não prestava atenção para aquilo, mas depois eu notei que cada vez que estes caminhões chegavam aos arredores da casa de campo, eles paravam por meia hora, e algumas vezes por uma hora até, em algum lugar na estrada que conecta a casa de campo com a rodovia.

Eu cheguei a esta conclusão porque algumas vezes depois que estes caminhões alcançavam os arredores da casa de campo o barulho que eles faziam cessava.

“Simultaneamente com o barulho cessando, tiros seriam ouvidos. Os disparos seguiam num intervalo curto aproximadamente. Então os disparos cessariam e os caminhões seguiriam para a casa de campo. Os soldados alemães e os NCO’s desciam dos caminhões. Conversando bem alto, eles iam se lavar na casa de banho, depois eles se engajavam em orgias e bebedeiras.

“Nos dias quando os caminhões chegavam, mais soldados de alguma unidade militar
alemã costumava chegar à casa de campo. Camas especiais eram postas para eles… logo antes da chegada dos caminhões a casa de campo, soldados armados iam para a floresta evidentemente para o local onde os caminhões paravam porque meia hora depois eles retornavam nestes caminhões, junto com os soldados que viviam permanentemente na casa de campo.

“… Em muitas ocasiões, eu notei manchas de sangue fresco nos uniformes de dois Cabos. De tudo isto, eu pressupus que os alemães traziam pessoas nos caminhões para a casa de campo e os executavam.”

Alexeyeva também descobriu que as pessoas que eram executadas eram poloneses
prisioneiros.

“Uma vez, fiquei até mais tarde do que o usual na casa de campo… antes de terminar o trabalho que estava fazendo lá, um soldado subitamente entrou e disse-me que eu poderia ir. Ele acompanhou-me até a rodovia.

“Permanecendo na rodovia, a uns 150 a 200 metros de onde a rodovia se ligava com a casa de campo, eu vi um grupo de aproximadamente 30 prisioneiros de guerra poloneses marchando ao longo da rodovia sob pesada escolta alemã… eu fiquei próxima a estrada para ver onde eles estavam sendo levados, e eu vi que eles viraram em direção a nossa casa de campo em Kozy Gory.

“Desde aquele tempo eu comecei a observar mais atentamente tudo que estava
acontecendo na casa de campo, eu fiquei interessada. Eu percorria um pouco ao longo da rodovia, me escondia em arbustos próximos a estrada, e esperava. Em 20 ou 30 minutos eu ouvia os disparos costumeiros.”

As outras duas empregadas requisitadas na casa de campo, Mikhailova e Konakhovskaya, deram apoio às evidências. Outros moradores da região deram evidência similar.

Basilevsky, diretor do observatório de Smolenk, foi apontado representante para Menshagin, um colaborador nazista. Basilevsky estava tentando assegurar a soltura da custódia alemã de um professor, Zhiglinsky, e persuadiu Menshagin a falar com o comandante alemão da região, Von Schwetz, sobre esta questão. Menshagin o fez, mas reportou que era impossível assegurar esta soltura porque “instruções foram recebidas de Berlin prescrevendo que o regime mais estrito deveria ser mantido.”

Basilevsky recontou sua conversa com Menshagin:

“Eu, involuntariamente, perguntei ‘o que mais pode ser mais estrito do que o regime neste campo?’ Menshagin olhou-me de uma forma estranha e baixando-se ao meu ouvido, respondeu em voz baixa: sim, pode haver! Os russos podem pelo menos serem deixados para morrer, mas para os prisioneiros poloneses, as ordens dizem que eles estão para serem simplesmente exterminados”.

Depois da liberação dos cadernos de Menshagin foi encontrado escrito em sua própria caligrafia, como confirmado por um grafologista expert. Página 10, datado de 15 de Agosto de 1941, diz:

“Todos os prisioneiros de Guerra fugitivos estão para serem detidos e entregados a
repartição do comandante…”

Isto em si prova que os prisioneiros poloneses ainda estavam vivos naquele tempo. Na
página 15, que está sem data, na entrada aparece: “há qualquer rumor entre a população
sobre o fuzilamento dos prisioneiros de guerra poloneses em Kozy Gory (por Umnov)” (Umnov foi o Chefe da Polícia Russa).

Um número de testemunhas deu evidências de que eles foram pressionados em 1942-43
pelos alemães para dar falso testemunho sobre o fuzilamento dos poloneses pelos russos.
Parfem Gavrilovich Kisselev, um residente da vila mais próxima de Kozy Gory, testemunhou que ele foi chamado no outono de 1942 pela Gestapo onde foi interrogado por um oficial alemão:

“O oficial pronunciou que, de acordo com a informação a disposição da Gestapo, em 1940, na área de Kozy Gory na floresta de Katyn, membros do Comissariado do Povo para Assuntos Internos fuzilaram oficiais poloneses, e ele me perguntou que testemunho eu poderia dar nesta pauta. Eu respondi que eu nuca havia ouvido a respeito do Comissariado do Povo para Assuntos Internos ter fuzilado pessoas em Kozy Gory, e que, de qualquer modo, isto era impossível, eu expliquei ao oficial, desde que Kozy Gory é um lugar absolutamente aberto e muito freqüentado, e se fuzilamentos tinham ocorrido ali a população inteira das vilas vizinhas teriam conhecimento…

“… O intérprete, portanto, não me escutou, mas pegou um documento escrito a mão da mesa e o leu para mim. Dizia que eu, Kisselev, residente de um vilarejo na área de Kozy Gory, pessoalmente testemunhou o fuzilamento de oficiais pelos membros do Comissariado do Povo para Assuntos Internos em 1940.

“Tendo lido o documento, o intérprete me pediu que o assina-se. Eu recusei a fazê-lo… então, ele gritou ‘Ou você assina este documento ou nós o mataremos. Escolha. ’

“Amedrontado pelas ameaças, eu assinei o documento e pensei que seria o fim do
problema.”

Mas não foi o fim do problema, porque os alemães esperaram Kisselev a dar as evidências de que ele havia ‘testemunhado’ a grupos de ‘delegados’ convidados pelos alemães a vir para a região checar as evidências da suposta atrocidade soviética.

Então, depois das autoridades alemãs terem anunciado a existência das covas em massa para o mundo em Abril de 1943, “o intérprete da Gestapo veio a minha casa e me levou para a floresta na região de Kozy Gory.

“Quando deixamos a casa e estávamos sozinhos, o intérprete me avisou que eu devia contar as pessoas presentes na floresta exatamente tudo que eu havia escrito no documento que eu havia assinado na Gestapo.

“Quando eu cheguei na floresta eu vi as covas abertas e um grupo de estranhos. O intérprete me disse que estes eram delegados poloneses que chegaram para inspecionar as covas. Quando nós nos aproximamos das covas os delegados começaram a me perguntar várias questões em russo em conexão com o fuzilamento de poloneses, mas havia passado mais de um mês quando fui chamado pela Gestapo, e eu havia esquecido praticamente tudo que estava no documento que havia assinado, estava muito confuso, e finalmente disse que eu não sabia nada sobre o fuzilamento dos oficiais poloneses.

“O oficial alemão ficou muito bravo. O intérprete me arrastou para longe da ‘delegação’ e me mandou embora. Na manhã seguinte, um carro com um oficial da Gestapo veio a minha casa. Ele me encontrou no quintal, disse-me que eu estava preso, me colocou dentro do carro e me levou para a prisão de Smolensk…

“Depois da minha prisão, eu fui interrogado muitas vezes, mas eles me batiam mais do que me perguntavam. A primeira vez que eles me interrogaram eles me bateram tanto e abusaram de mim, reclamando que eu havia os deixado na mão, e então me enviaram de volta pra cela. Durante os interrogatórios seguintes, eles me disseram que eu devia relatar publicamente que eu havia testemunhado o fuzilamento dos oficiais poloneses pelos bolcheviques, e que até a Gestapo ficar satisfeita, e faria aquilo de boa fé, eu não seria liberado da prisão. Eu disse ao oficial que eu preferiria ficar na prisão a contar mentiras às pessoas na cara delas. Depois daquilo, eu fui gravemente espancado.

“Houve vários interrogatórios acompanhados de surras, e como resultado eu perdi toda minha força, minha audição ficou fraca e eu não pude mais mover meu braço direito. Mais ou menos um mês depois da minha prisão, um oficial alemão me chamou e disse: ‘Você compreende as conseqüências de sua obstinação, kisselev. Nós decidimos executá-lo. Amanhã de manhã nós o levaremos a floresta de Katyn e o enforcaremos. ’ Eu pedi ao oficial que não fizessem aquilo, e comecei a implorar a eles que eu não era bom para testemunhar sobre o fuzilamento e que não era bom com mentiras e que ficaria confuso novamente.

“O oficial continuou a insistir. Minutos depois soldados vieram a sala e começaram a me bater com cassetetes de borracha. Estando incapacitado para aguentar as surras e a tortura, eu concordei em aparecer publicamente com uma estória falaciosa sobre o fuzilamento de poloneses pelos bolcheviques. Depois daquilo, eu fui liberado da prisão, em condições que em primeira demanda dos alemães eu falaria antes da ‘delegação’ na floresta de Katyn…

“Em todas as ocasiões, antes de ir as covas na floresta, o intérprete costumava vir a minha casa, me chamava no quintal, me levava para um canto onde ninguém nos ouviria, e por meia hora, me fazia memorizar tudo que eu deveria dizer sobre o alegado fuzilamento dos oficiais poloneses pelo Comissariado do Povo para Assuntos Internos em 1940.

“Eu lembro que o intérprete me contou algo como: ’ Eu moro em uma casa de campo em Kozy Gory não muito longe do departamento do Comissariado do Povo para Assuntos Internos. Na primavera de 1940, eu vi poloneses sendo levados em várias noites para a floresta e fuzilados lá’. e então era imperativo que eu devia relatar literalmente que ‘isto foi um feito do Comissariado do Povo para Assuntos Internos’. Depois que eu havia memorizei o que o intérprete havia me dito ele me levou para as covas abertas na floresta e me fez repetir tudo aquilo na presença da ‘delegação’ que estava presente.

“Meus relatos foram estritamente supervisionados e dirigidos pelo intérprete da Gestapo. Uma vez quando falei perante a ‘delegação’, me perguntaram: ‘Você viu estes poloneses pessoalmente antes deles serem fuzilados pelos bolcheviques? ’, eu não estava preparado para tal questão e respondi da maneira que estava em fato, que eu havia visto prisioneiros de guerra poloneses antes da guerra, quando eles estavam caminhando pelas estradas.

Então, o intérprete asperamente me arrastou para fora e me levou para casa.

“Por favor, acredite em mim quando digo que todo o tempo eu sinto dores na consciência, pois eu sabia que na realidade os oficiais poloneses foram fuzilados pelos alemães em 1941. Eu não tive outra escolha, pois eu era constantemente ameaçado com prisões e torturas.”

Várias pessoas corroboraram com o testemunho de Kisselev, e um exame médico
corroborou com a sua estória de ter sido torturado pelos alemães.

Pressão também foi imposta a Ivanov, empregado na estação ferroviária local (Gnezdovo) para dar falso testemunho:

“O oficial inquiriu se eu sabia que na primavera de 1940 vários oficiais poloneses capturados haviam chegado à estação Gnezdovo em vários trens. Eu disse que sabia daquilo. O oficial então perguntou se eu sabia que na mesma primavera de 1941, logo após a chegada dos oficiais poloneses, os bolcheviques fuzilaram todos eles na floresta de Katyn. Eu respondi que eu não sabia de nada sobre aquilo, e que não poderia ser verdade, pois no curso de 1940-41 durante a ocupação de Smolensk pelos alemães, eu havia encontrado oficiais poloneses capturados que haviam chegado na primavera de 1940 a estação de Gnezdovo, e que estavam engajados na construção de estradas.

“O oficial alemão me contou que se um oficial alemão dissesse que os poloneses haviam sido fuzilados pelos bolcheviques, então, era verdade. ‘Conseqüentemente’, o oficial continuou, ‘você não precisa temer a nada, e você pode assinar conscientemente um protocolo dizendo que os oficiais poloneses capturados foram fuzilados pelos bolcheviques e que você testemunhou isto’.

“Eu disse que já era um homem velho, que estava com 61 anos de idade, e que não queria cometer um pecado na minha velha idade. Eu só pude testemunhar que os poloneses capturados realmente chegaram à estação de Gnezdovo na primavera de 1940. O oficial alemão começou a me persuadir para dar o testemunho requerido prometendo que se eu concordasse, ele me promoveria de vigilante de uma ferrovia à Mestre da Estação de Gnezdovo, qual eu tinha no governo soviético, e também providenciaria materiais para as minhas necessidades.

“O intérprete enfatizou que meu testemunho como um ex-oficial de ferrovia na estação de Gnezdovo, a estação mais próxima da floresta de Katyn, era extremamente importante para o comando alemão, e que eu não me arrependeria disto se eu desse tal testemunho. Eu compreendi que estava numa situação muito complicada, e que um destino triste me aguardava. Portanto, novamente recusei a dar falso testemunho para o oficial alemão. Ele começou a gritar comigo, me ameaçou com surras e disparos, e disse que eu não entendia o que era bom pra mim. Porém, eu mantive minha decisão. O intérprete então escreveu um curto protocolo em alemão de uma página e deu a mim uma cópia traduzida de seu conteúdo. Neste protocolo dizia, como o intérprete me havia dito, somente o fato da chegada dos prisioneiros poloneses à estação de Gnezdovo. Quando eu pedi que meu testemunho não fosse somente gravado em alemão,mas também em russo, o intérprete finalmente explodiu em fúria, me bateu com um cassetete de borracha e me retirou do recinto…”

Savvateyev foi outra pessoa pressionada pelos alemães a dar falso testemunho. Ele contou a Comissão Soviética de Inquérito:

“Na Gestapo, eu testemunhei que na primavera de 1940 os prisioneiros de Guerra
poloneses chegaram à estação de Gnezdovo em vários trens e procederam depois em
caminhões, e eu não sei para onde foram. Eu também adicionei que eu repetidamente encontrei aqueles poloneses mais tarde na rodovia Moscou-Minsk, onde eles estavam trabalhando em reparos da estrada em pequenos grupos. O oficial me disse que eu estava misturando as coisas, que eu não podia tê-los encontrado na rodovia, sendo que eles haviam sido fuzilados pelos bolcheviques, e mandou que eu testemunhasse isto.

“Eu recusei. Depois de me ameaçar e me adular por um longo tempo, o oficial consultou com o intérprete sobre algo em alemão, e então o intérprete escreveu um pequeno protocolo e deu-o a mim para assiná-lo. Ele explicou que era uma gravação do meu testemunho. Eu pedi ao intérprete para me deixar ler o protocolo, mas ele me interrompeu com abuso, ordenando-me a assinar imediatamente e cair fora. Eu hesitei por um minuto. O intérprete bateu com o cassetete de borracha na parede e me ameaçou. Depois daquilo eu assinei o protocolo. O intérprete me disse pra cair fora e ir pra casa, e se eu abrisse minha boda pra alguém, eles me matariam…”

Outros deram testemunho similar.

Evidência também foi dada para mostrar como os alemães ‘adulteraram’ as covas das
vítimas para tentar eliminar evidências de que o massacre tenha ocorrido não no outono
de 1941, mas na primavera de 1940, depois da primeira chegada dos poloneses na região.
Alexandra Mikhailovna trabalhou durante a ocupação alemã, na cozinha de uma unidade militar alemã. Em Março de 1943, ela encontrou um prisioneiro russo escondendo-se em sua estadia:

“Conversando com ele, aprendi que seu nome era Nikolai Yegorov, um nativo de Leningrado. Desde o fim de 1941 ele esteve no campo alemão nº 126 para prisioneiros de guerra na cidade de Smolensk. No começo de Março de 1943, ele foi enviado com uma coluna de centenas de prisioneiros de guerra do campo para a floresta de Katyn. Lá eles, incluindo Yegorov, foram obrigados a cavar covas contendo cadáveres em uniformes de oficiais poloneses, retirar estes cadáveres das covas e remover de seus bolsos documentos, cartas, fotografias e vários outros apetrechos.

“Os alemães deram estritas ordens que nada fosse deixado nos bolsos dos cadáveres. Dois prisioneiros de guerra foram mortos porque eles deixaram alguns papéis nos bolsos dos cadáveres e oficiais alemães descobriram. Apetrechos, documentos e cartas extraídas das roupas nos corpos foram examinados pelos oficiais alemães, que então obrigaram os prisioneiros a colocar de volta parte dos papéis nos bolsos dos corpos, enquanto o resto estava atolado nos documentos e apetrechos que eles haviam extraído, e depois os queimaram.

“Além disto, os alemães fizeram os prisioneiros colocar nos bolsos dos oficiais poloneses alguns papéis que eles pegaram de casacos e pastas (eu não lembro exatamente) que eles haviam trazido consigo. Todos os prisioneiros de guerra viveram em condições terríveis na floresta de Katyn sob céu aberto, e foram extremamente guardados… no início de Abril de 1943, todo o trabalho planejado para os alemães estava aparentemente completado, e não havia mais o que fazer para os prisioneiros de guerra…

“Subitamente, a noite, todos eles sem exceções foram acordados e levados para outro local. A guarda estava fortalecida. Yegorov sentiu que algo estava errado e começou a observar atentamente o que estava acontecendo. Eles marcharam por 3 a 4 horas em uma direção desconhecida. Eles pararam na floresta em uma clareira. Ele viu como um grupo de prisioneiros estavam separados do resto e foram em direção a cova e alvejados. Os prisioneiros se apavoraram, desesperadamente. Não muito longe de Yegorov, os prisioneiros começaram a atacar os guardas. Outros guardas foram ao local. Yegorov aproveitou a chance da confusão e fugiu para dentro da escuridão da floresta, ouvindo gritos e tiros.

“Depois de ouvir aquela história terrível, que ficou gravada na minha memória pelo resto da minha vida, eu fiquei com muita pena de Yegorov, e disse a ele para entrar em meu quarto, se aquecer e se esconder em minha morada até ele recobrar suas forças. Mas Yegorov recusou… disse que não importasse o que acontecesse ele iria embora naquela noite mesmo, e pretendia tentar passar para a linha de frente do Exército Vermelho. Na manhã seguinte, quando fui checar se Yegorov havia partido, ele ainda estava no abrigo. Parecia que na noite ele tentou partir, mas só conseguiu dar 50 passos quando sentiu suas forças esvaírem-se e teve que retornar. A exaustão foi causada pelo longo tempo aprisionado e pela fome no campo. Decidimos que Le deveria ficar em casa por mais alguns dias para recobrar as forças. Depois de alimentar Yegorov, eu fui trabalhar. Quando retornei a noite, minhas vizinhas em Branova, Mariya Ivanovna, Kabanovskaya, Yekaterina Viktorovna me disseram que a tarde, durante uma busca pela polícia alemã, o prisioneiro russo foi encontrado e levado embora.”

Mais corroboração foi dada pelo engenheiro mecânico chamado Sukhachev, que trabalhou para os alemães como mecânico na oficina da cidade de Smolensk:

“Eu estava trabalhando na oficina na segunda metade de Março de 1943. Lá, eu
conversava com um chofer alemão que falava um pouco de russo, e desde quando ele estava carregando farinha para a vila de Savenki para as tropas, e estava retornando no dia seguinte a Smolensk, eu perguntei a ele se podia ir junto para poder comprar graxa na vila. Minha ideia era que fazendo a viagem num caminhão alemão diminuiria o risco de ser parado nas estações de controle. O alemão concordou, mas com um preço.

“No mesmo dia, às 22 horas, nós seguimos pela rodovia Smolensk-Vitebsk, somente eu e o motorista alemão. A noite estava clara, e somente uma baixa névoa que atrapalhava a visibilidade. Aproximadamente 22 ou 23 quilômetros de Smolensk em uma ponte demolida na rodovia havia uma descida íngreme. Nós começamos a descer pela rodovia, quando de repente um caminhão apareceu vindo em nossa direção. Ou por causa de nosso freio estava quebrado ou por causa da falta de experiência do motorista, nós estávamos incapazes de fazer nosso caminhão parar, e sendo a passagem estreita, nós colidimos com o caminhão vindo em nossa direção. O impacto não foi muito violento, o resultado foi apenas dois caminhões resvalando um ao outro.

“A roda direita do outro caminhão ficou presa na vala, e o caminhão ficou inclinado. Nosso caminhão ficou normal. O motorista e eu saltamos do caminhão imediatamente e corremos até o caminhão que havia caído. Nós nos deparamos com um cheiro putrefato de carne vindo diretamente do caminhão tombado.

“Chegando mais perto, eu vi que o caminhão estava carregando uma carga coberta com um encerado e amarrado com cordas. As cordas arrebentaram com o impacto, e parte da carga havia caído. Era uma carga horrível – corpos humanos vestidos em uniformes militares. Até onde me lembro haviam 6 ou 7 homens próximos do caminhão: um motorista alemão, dois alemães armados com Tommy-guns – o resto eram prisioneiros russos, pois eles falavam russo e estavam vestidos de acordo.

“Os alemães começaram a abusar do meu motorista e então fizeram algumas tentativas para endireitar o caminhão. Em 2 minutos aproximadamente, mais dois caminhões dirigiram-se ao local do acidente e puxaram o caminhão. Um grupo de alemães e prisioneiros russos, aproximadamente dez homens, vieram até nós destes caminhões… por esforço em conjunto nós começamos a erguer o caminhão. Tomando vantagem de um momento oportuno eu perguntei em voz baixa a um dos prisioneiros russos: ‘ O que é isto?’ ele respondeu: ‘ por muitas noites nós estamos carregando corpos para a floresta de Katyn’.

“Antes de o caminhão tombado ser erguido, um NCO alemão veio até mim e meu motorista e nos ordenou para continuar a trajetória imediatamente. Como não houve danos graves ao nosso caminhão, apenas estercemos um pouco e seguimos para a rodovia. Quando estávamos passando os dois caminhões cobertos e novamente senti o cheiro horrendo de carne putrefata.”

Várias outras pessoas também deram testemunhos de terem visto caminhões carregados
com corpos.

Zhukhov, um patologista que trabalhou como especialista médico-legal em Smolensk e que visitou as covas em Abril de 1943 no convite dos alemães, também deu evidências:

“As vestimentas dos corpos, particularmente os sobretudos, botas e cintos, estavam em um bom estado de preservação. As partes de metal das vestimentas – fivelas, botões, e pregos nas solas dos sapatos, etc. – não estavam muito enferrujados, e em alguns casos o metal ainda retinha seu polimento. Partes da pele dos corpos que podiam ser vistas – face, pescoço, braços – estavam com uma coloração verde, e em alguns casos marrom, mas não havia completa desintegração dos tecidos, sem putrefação. Em alguns casos tendões de coloração branca e partes de músculos podiam ser vistos.

“Enquanto eu estava nas escavações pessoas estavam no trabalho extraindo corpos no fundo da vala. Para este propósito eles usavam pás e ferramentas, e também seguravam os corpos com suas mãos e os arrastavam de um lugar para outro pelos braços, pernas e roupas. Eu não vi nenhum dos corpos caírem aos pedaços ou serem desmembrados.

“Considerando tudo a cima, eu cheguei a conclusão que os corpos não ficaram enterrados durante três anos como os alemães diziam, mas muito menos que isso. Conhecendo que em covas em massa, e especialmente sem caixões, a putrefação dos corpos progride mais rapidamente do que em covas singulares, eu concluí que o fuzilamento em massa dos poloneses havia ocorrido aproximadamente há um ano e meio, e poderia ter ocorrido no outono de 1941 ou primavera de 1942. Como resultado de minha visita ao campo de escavação eu fiquei firmemente convencido que um monstruoso crime havia sido cometido pelos alemães.”

Muitas outras pessoas que visitaram as covas naquele tempo deram testemunho
semelhante.

Além disso, patologistas que examinaram os corpos em 1943 concluíram que eles não poderiam ter sido mortos mais do que 2 anos. Além disso, documentos foram encontrados em alguns dos corpos que foram obviamente perdidos pelos alemães quando eles adulteraram as evidências. Estes incluem uma carta datada de Setembro de 1940, um cartão postal datado de 12 de Novembro de 1940, um bilhete de penhor receitado de 14 de Março de 1941 e outro receitado em 25 de Março de 1941. Receitas datadas de 6 de Abril de 1941, 5 de Maio de 1941, 15 de Maio de 1941 e um cartão postal não enviado em polonês de 20 de Junho de 1941. Embora todas estas datas pré-datam a retirada soviética, eles todos pós-datam o tempo dos assassinatos alegados dos prisioneiros pelas autoridades soviéticas na primavera de 1940, o tempo dado como data do suposto massacre por todos aqueles que os alemães estavam atormentando para dar falsos testemunhos. Se, como é relatado pelos propagandistas burgueses, estes documentos são forjados, teria sido a coisa mais fácil forjar documentos que pós-dataram a partida soviética, mas não foi feito – e não foi feito porque os documentos encontrados eram indubitavelmente genuínos.

A notícia do New York Times

Uma notícia de 29 de Junho de 1945 ao New York Times dizia:

HISTÓRIA SOBRE OS TÚMULOS EM KATYN DECLARADOS COMO UMA FRAUDE SINISTRA

STOCKHOLM, Suécia, 28 de Junho–A história sobre as valas comuns em Katyn, que causou uma sensação mundial dois anos atrás, foi uma manobra de propaganda realizada por Goebbels e Ribbentrop para causar uma divisão entre a Rússia e seus aliados, diz um relatório recebido aqui por canais [veículos] especiais que é respaldado por uma mensagem de Olso essa noite. É afirmado que um colaborador próximo de Himmler, o líder da SS Schellenberg, deu essa informação sensacionalista durante um interrogatório no Quartel General dos Aliados na Alemanha na última terça. Ele é citado dizendo que 12.000 corpos foram tirados dos campos de concentração alemães e trajados com velhos uniformes poloneses para que parecessem com oficiais da Polônia.

Esta noite foi recebido um relatório comprovativo de Olso, onde Erik Johansen–prisioneiro do campo de concentração alemão de Sachsenhausen recentemente repatriado–conta uma interessante história sobre a produção alemã de documentos de identidade falsos para os corpos das valas comuns de Katyn.

Johansen afirma que uma seção especial do campo de concentração foi completamente isolada e fortemente protegida por soldados da SS, ao que 40 a 70 prisioneiros judeus foram selecionados para forjar os documentos. Eles receberam os melhores instrumentos óticos disponíveis para que o trabalho fosse feito com perfeição. Fizeram passaportes, cartas, etc., até mesmo carteiras, que foram tratadas com um químico especial para que parecessem desgastadas.

Antes da capitulação alemã, todas as máquinas, instrumentos e materiais usados foram destruídos e os especialistas judeus foram mortos para prevenir o segredo de ser descoberto, ele falou.

Já naquela época era lançada luz sobre essa questão, inclusive tal relatório de Oslo corrobora com os fatos anteriormente citados, mas se vê que não tardou para que fosse ocultada qualquer tipo de contestação à versão “oficial” construída pelas imprensas liberal e fascista.

Falsificação de documentos soviéticos

Alguns documentos, que estavam para ser liberados desde a dissolução da União Soviética, foram abertos em 9 de maio de 2010.

Ocorre que, conforme denunciado pelo parlamentar russo Viktor Ivanovich Ilyuhin em plena Duma, estes documentos louvados pelos liberais russos e o governo polonês, há fortíssimas evidências de que tais arquivos são falsos, o que demonstra bem uma atitude torpe do atual governo russo, liberal e capitalista, num processo criminoso de falsificação de arquivos através de seu serviço secreto. Assim, na Rússia chegou a ser aberta uma “CPI” para a investigação desse processo de falsificação, por iniciativa do deputado Ilyukhin.

Os arquivos sobre várias das principais “evidências do terror” das décadas de 30-40 do século passado então estão sendo novamente questionados e postos em dúvida. O motivo principal é a aparição de um agente do governo de Boris Yeltsin que afirma ter participado de alterações e falsificações de vários documentos, entre eles o de “O massacre de Katyn” e da “Carta de Beria nº 794/B” (nessa última ele mesmo teria falsificado a assinatura de Beria).

Parlamentar da Duma pelo Partido Comunista da Federação Russa (PCFR), foi contatado por telefone no dia 20 de maio pelo agente que queria passar informações sobre as execuções de oficiais poloneses em Katyn, caso conhecido como “Massacre de Katyn”. No mesmo dia, Ilyukhin encontrou-se pessoalmente com o ex-agente de Yeltsin e um dos encarregados pela falsificação de documentos soviéticos do período de Stalin. De acordo com o informante, ele resolveu falar porque não concorda com a situação que vive a Rússia e com a liberação dos documentos falsificados para a população.

Segundo o agente relatou ao deputado Ilyukhin, um grupo de falsificadores foi formado no início da década de 1990 (os documentos apareceram, “misteriosamente”, em 91-92) e eles foram providos de altos salários e materiais para as falsificações, como velhos carimbos e fôrmas para carimbos soviéticos. O grupo trabalhou na cidade de Nagorno até o ano de 1996 e depois seus membros foram transferidos para a vila de Zaretye. Entre os participantes do grupo de falsificação estariam o coronel Klimov, Rudolf Pichoya (chefe do arquivo russo), M. Poltoranin (amigo de Yeltsin) e G. Rogozin (chefe da segurança do presidente russo). Há de se observar que Rudolf Pichoya foi o responsável pela entrega dos documentos “secretos” ou “perdidos” do Pacote Fechado nº 1 (ou Pasta de Katyn) a Lech Walesa (presidente da Polônia) em Varsóvia, no dia 14 de outubro de 1992. Ele afirmou ainda ter sido ele quem falsificou a assinatura de Beria na carta conhecida como Carta de Beria nº 794/B e também as assinaturas de Stalin, Voroshilov, Molotov e Mikoyan.

A falsificação do grupo engloba importantes momentos da história soviética, a fim de incriminar o Estado Soviético. Buscava alterar documentos existentes e até criar outros. Fazem parte das falsificações: o ato de abdicação de Nicolau II, a Carta de Shelepin (que incrimina a URSS pela morte de cidadãos polacos) e a Carta de Beria nº 794/B. Diz ainda que sabe da participação do 6º Instituto do Estado-Maior Russo nestas alterações, acabando por entregar vários materiais que foram usados nas falsificações. Entre eles, fôrmas de carimbos da década de 1940, alguns carimbos falsos e marcas de carimbos e documentos.

Ilyukhin tornou públicas as informações por meio da divulgação de um vídeo em que mostra parte do material que tem. Entre eles há o destaque para um carimbo similar ao usado na Carta de Beria e um documento de 202 páginas (também falsificado pelo mesmo grupo) tendencioso e que faz crer que Stalin, mesmo sabendo da iminência da guerra com a Alemanha nazista, não teria feito nada para a URSS se preparar.

No vídeo, o deputado afirma que o coronel Klimov fora o único responsável pela Carta de Shelepin (de 1959, direcionada a Kruschev), sendo então fácil comparar sua letra à letra dessa carta por meio de perícia. Quando o informante fazia parte do grupo, chegava a liberar milhares de páginas falsificadas. Disse que algumas ordens de falsificação teriam vindo diretamente do chefe do arquivo russo. Provavelmente o grupo ainda trabalha em algum lugar agora desconhecido.

Em junho passado, Ilyukhin pediu à Duma russa uma investigação parlamentar, devido ao tamanho dos fatos e aos altos funcionários envolvidos. Reclamou que tais falsificações buscavam igualar o stalinismo ao fascismo e que a atividade deste grupo coincidiu com a desclassificação de documentos do Politburo e do Comitê Central do Partido Comunista por uma comissão de governo liderada por Mikhail Poltoranin, que era um dos envolvidos nas falsificações.

Vários documentos foram avaliados por especialistas, a pedido do PCFR, que acabaram por comprovar que os documentos são falsos. Nesse bolo de falsificações estaria um documento que tenta provar parcerias entre a NKVD (polícia soviética) e a Gestapo (polícia secreta nazista).

Em seu discurso à Duma, Ilyukhin fez menção aos carimbos que tem em sua mão para falsificações em nome de Beria e Stalin e algumas fôrmas dos anos 30 e 40 como prova. Reclamou à Duma uma comissão para investigar o massacre de prisioneiros de guerra poloneses em Kozi Gory, visto que, dos milhares de vítimas do “terror” dos sovietes, somente 162 crânios foram encontrados em Kharkov e apenas 62 tinham perfurações de bala. Já em Katyn, em sua maioria, os crânios apresentavam buracos de bala. Em Mednoe, por sua vez, dos 226 “poloneses” mortos encontrados, apenas 20 tinham marcas de bala. O que é uma prova de que as mortes não têm conexão alguma com um fuzilamento em massa.

Segue uma série de vídeos do deputado:

https://www.youtube.com/playlist?list=PLzR7n6cbImSUMU2hjRjhExrSkZehszbWv

Em Março de 2011, Ilyukhin foi encontrado morto em sua casa, em circunstâncias misteriosas. A versão oficial é que ele teve um “ataque cardíaco”, mas houve uma demora incomum no atendimento.

Segue um texto de autoria do deputado russo:

Repor a verdade sobre o massacre de Katyn

Por: Viktor Ilyukhin

Traduzido do original em russo pela redação do Jornal “Avante!” e publicado no nº 1891, de 25 de fevereiro de 2010

A campanha anti-soviética lançada por Goebbels em 1943 para quebrar a aliança antifascista volta a ser hoje explorada pelo imperialismo na sua cruzada anticomunista.

Alertando para uma nova campanha anticomunista em torno do chamado “massacre de Katyn”, o deputado do Partido Comunista da Federação Russa, Viktor Ilyukhin, numa intervenção na Duma feita na sessão de dia 12 de Fevereiro, e que aqui publicamos, exigiu o apuramento da verdade e o fim das falsificações da história da União Soviética.

No próximo dia 5 de Maio terá lugar no Congresso dos EUA uma exposição dedicada ao fuzilamento dos oficiais polacos, feitos prisioneiros pelo Exército Vermelho em 1939, durante a incorporação de Belarus ocidental e da Ucrânia ocidental na União Soviética.

Na cerimônia de inauguração prevê-se a participação da secretária de Estado, Hillary Clinton, de congressistas, senadores e eminentes políticos e historiadores.

A administração dos EUA tenciona apoiar a Polônia e a sua versão sobre o fuzilamento dos polacos na Primavera de 1940 pelas tropas do NKVD da URSS, e dessa forma agudizar mais uma vez as relações da Rússia com a Polônia.

A partir de Março próximo decorrerá na Polônia toda uma série de iniciativas relacionadas com a morte dos oficiais polacos, que terão novamente um caráter anti-russo.

Tais iniciativas estão programadas também no nosso país, nos arredores de Smolensk, onde os polacos foram eliminados.

O presidente do governo russo, Vladimir Putin, convidou oficialmente o primeiro-ministro Donald Tusk a visitar a Rússia por ocasião do 70.º aniversário da tragédia.

Este fato não suscitaria qualquer repúdio ou objecção se não existisse uma série de outras circunstâncias.

Uma falsificação nazi

Em 1943, Goebbels, numa tentativa de criar contestações que desfizessem a coligação antifascista, lançou uma repugnante campanha acusando a URSS de ter alegadamente ordenado o fuzilamento nos arredores de Smolensk de mais de dez mil oficiais polacos. Esta declaração foi apoiada pelo governo polonês no exílio, dominado pelo sentimento de vingança e animosidade contra a União Soviética devido à derrota do exército polaco na Belarus ocidental e Ucrânia e à incorporação destes territórios na URSS.

Contudo, as calúnias de Goebbels foram então rejeitadas por todo o mundo e enquanto a União Soviética foi uma superpotência ninguém pôs em causa que os prisioneiros foram eliminados pelos fascistas. Todavia, nos finais dos anos 80 inícios de 90 do século passado, surgiram alegações – não num lugar qualquer mas no nosso próprio país – de que os polacos teriam sido fuzilados pelos Sovietes. Isto coincidiu com o processo de interdição do PCUS que foi iniciado por Yeltsin.

O sobejamente conhecido Aleksander Iakovlev bateu-se empenhadamente para comprometer dessa forma a URSS e torná-la alvo da condenação mundial. Em seguida teve lugar uma gigantesca operação de adulteração e falsificação dos arquivos documentais do CC do PCUS. Mas a sua apresentação no Tribunal Constitucional da Federação Russa em 1992-93 foi um fiasco. Por falta de provas, Boris Yeltsin e a sua equipa tiveram que desistir das acusações contra o PCUS e contra a URSS de fuzilamento dos polacos.

Não obstante, o antigo presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, sem ter estudado um só documento do arquivo histórico, apresentou desculpas à Polônia pelo fuzilamento dos polacos. De igual modo procedeu Boris Yeltsin. O segundo presidente da Rússia Vladimir Putin não só se desculpou como entregou uma série de documentos ao governo polaco.

Falo disto com uma enorme preocupação, e não só porque é necessário restabelecer a justiça histórica. Hoje, no Tribunal Europeu existem 70 ações contra a Rússia interpostas por familiares dos oficiais assassinados que exigem ser indenizados. Após ser examinadas pelo tribunal, a Polônia tenciona apresentar uma ação conjunta contra a Rússia pelo fuzilamento dos oficiais reclamando uma compensação no valor de aproximadamente 100 mil milhões de dólares. A indenização terá de ser paga pela Rússia, pelos nossos filhos, e não pela URSS. Podemos afirmar com elevado grau de segurança que esta ação será decidida favoravelmente, e que as propriedades e contas bancárias russas no estrangeiro serão confiscadas de modo a satisfazer as pretensões polacas.

Testemunhas e balas alemãs

Há vários anos que existe no nosso país uma comissão de historiadores, deputados da Duma, cujo trabalho permitiu confirmar que os polacos foram fuzilados com armas alemãs depois de, no Verão-Outono de 1941, os fascistas terem ocupado Smolensk e os seus arredores, onde se situavam os campos em que estavam isolados os oficiais polacos. Foram identificadas testemunhas do massacre, incluindo soldados alemães. Um conjunto de oficiais polacos, dados como fuzilados, na realidade permaneceu vivo. Estabeleceram-se provas que podem demonstrar a falsificação de documentos do CC do PCUS, que transitaram para o arquivo do presidente Yeltsin.

Todavia, ao tentar desenvolver o seu trabalho, a comissão tem encontrado uma resistência assinalável por parte de uma série de ministérios e departamentos.

Sob o pretexto de que tudo está já esclarecido recusam-lhe a consulta de documentos de arquivo, apesar de a parte polaca ter tido amplo acesso a eles.

A comissão está a ser impedida de aceder aos processos criminais que estão nos arquivos.

Neste sentido, o nosso grupo insiste na criação de uma comissão parlamentar para o apuramento de todas as circunstâncias da morte dos oficiais polacos, e solicita a reabertura da investigação criminal destes fatos pela procuradoria geral. Em simultâneo insistimos na realização de uma investigação parlamentar sobre a morte de 80 a 120 mil oficiais do Exército Vermelho feitos prisioneiros pelos polacos em 1920.

É necessário que Vladimir Putin evite repetir afirmações precipitadas e muito provavelmente erradas sobre a morte dos oficiais polacos.

Nós elaboramos um filme histórico-documental sobre o fuzilamento dos polacos, que dentro em breve poderá ser visto no site do PCFR.

Para terminar quero recordar uma citação de W. Churchill: “Ao lançarmos uma discussão entre o passado e o presente, descobriremos que perdemos o futuro”. Nós queremos que o poder russo cesse de combater o nosso passado soviético, só então o país poderá ter um belo futuro.

Ilyukhin não foi o primeiro

Há também uma denúncia de 31 de março de 2009 requisitada por Sergei Strygin ao expert forense Eduard Petrovich Molokov, que requisitou análise da Carta de Beria nº 794/B. Ele descobriu que as páginas 1, 2 e 3 foram escritas em máquinas de escrever diferentes da que foi utilizada na página 4 (a que contém a suposta assinatura “de Beria”). Ele não pôde examinar coisas como a idade do papel porque Strygin só tinha acesso a cópias digitais.

Conclusões

O “Massacre de Katyn” está longe de ser um massacre perpetrado pelo Exército Vermelho. As evidências apontam para a utilização desse fato em uma extensa campanha de difamação anti-comunista, que serviu aos interesses deploráveis do nazismo.

Um comentário sobre “Resposta à animação “Os Invencíveis”, do Instituto de Memória Nacional da Polônia — Parte 4

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