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O caminho do socialismo soviético à restauração capitalista

09 jan

Depois da queda dos sistema político-econômicos de vários países socialistas, tornou-se comum ouvir na grande mídia que isso significou “o fim do socialismo”, “o fim da história”, “a vitória final do capitalismo”, “a prova de que o socialismo não funciona”. Qual é o problema dessa visão? É o que este texto tenta responder.

Fala-se muito do “colapso do socialismo na União Soviética”, porém o termo “colapso” é um erro, por dar a ideia de que as razões são internas. Se alguém for assassinado, não se fala em um “colapso”. A culpa de uma contra-revolução não se encontra no exercício do poder das vítimas desta, mas o fato dessas vítimas terem perdido o poder.

A conquista do poder pelo proletariado e a eliminação de velhas instituições burguesas não levam por si próprias à instauração de novas relações de produção, nem estas novas relações surgem imediatamente, nem são ordenamentos legislativos instaurados mediante decisão estatal. Recai sobre o poder proletário a responsabilidade de criar instituições sociais adequadas às forças produtivas e de desenvolver tais forças, tecnicamente e politicamente (neste aspecto, dar a elas um viés coletivista e democrático, bem diferente do que se encontra em qualquer empresa capitalista, por exemplo).

O desenvolvimento das forças produtivas em cada país socialista é essencial para a construção de uma sociedade comunista. É capaz que isso já esteja claro para qualquer pessoa que tenha lido os clássicos de Marx e Engels. Porém, é a partir das revoluções proletárias na Coreia e na China que surge uma ênfase maior nos aspectos político e ideológico da revolução, ou seja, a transformação dos indivíduos em relação à cultura, à moral, etc.

Mas a primeira fase do comunismo, comumente chamada de socialismo, não é um novo modo de produção. Ela é uma fase de transição do modo de produção capitalista para a segunda fase do comunismo, como Marx deixa claro em Crítica ao Programa de Gotha. No socialismo ainda existem classes e, além disso, há o agravamento da luta de classes, com o proletariado tentando se constituir plenamente como classe dominante. Não foi rápido para a burguesia conseguir abolir completamente o feudalismo (3 séculos e mesmo assim, ainda existem países com resquícios feudais, principalmente no hemisfério sul); com o proletariado essa tarefa não é menos difícil.

É importante conhecer experiências anteriores. Não se trata de “ficar preso no passado”, mas conhecê-lo realmente, para não cair nas armadilhas ideológicas que a classe dominante nos impõe. Além disso, o presente depende do passado; a situação atuais é entendida com mais precisão se conhecemos o passado relacionado a ela. Os comunistas precisam conhecer a história do movimento comunista por completo. Isso, obviamente, não é fácil e não será explicado através de um único texto. O presente texto se focará União Soviética por ela ter sido o maior baluarte do socialismo na história, palco dos acontecimentos mais importantes ao movimento comunista até hoje, inclusive com influência direta nas organizações brasileiras.

A propriedade num país socialista é a propriedade de uma organização social, geralmente órgãos de poder popular (como os Soviets na URSS, as Comunas Populares na China, os Comitês Revolucionários na Coreia, os Comitês de Defesa da Revolução em Cuba e quaisquer conselhos de trabalhadores e comunas). Essa é a principal diferença em relação à sociedade capitalista. Além das propriedades coletivas, há aquelas que são controladas diretamente pelo Estado (que não é uma entidade independente da sociedade) e também a minoria de propriedades individuais e privadas (lembrete: a primeira fase do comunismo é uma sociedade que surge a partir das ruínas de uma sociedade capitalista e é um período muito longo, em que ainda permanecem algumas contradições sociais, com solução a longo prazo).

Tudo começou com a Comuna de Paris, que não vingou por uma série de problemas internos (erros teórico-práticos do próprios comunardos) e externos (a força dos exércitos inimigos – lutaram contra vários exércitos nacionais – era estrondosa). A Comuna durou apenas 3 meses, mas foi a primeira vez que o proletariado foi capaz de sentir que ele é uma classe revolucionária responsável por fazer sua própria história. Foi a refutação cabal de quem dizia que “as Massas eram inertes”, que elas não tinham relevância histórica e o que fazia a roda da história girar eram, na verdade, os intelectuais e filósofos. Depois de uma séria luta de classes em que o proletariado saiu vitorioso, em 1917 é fundada a República Socialista Federativa Soviética Russa (RSFSR). Em 1922, cria-se a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), quando uniram-se: a RSFSR, a RSS (República Socialista Soviética) Bielorrussa, a RSS Ucraniana e a RSFS Transcaucasiana.

Os limites do caminho percorrido pela União Soviética para o comunismo e as dificuldades encontradas neste caminho foram determinados, sobretudo, pelo fato de que o proletariado europeu não fez a sua revolução. Isso levou Vladimir Ilytch Lenin a formular o que se conhece hoje como “socialismo em um só país”, termo que não deve ser interpretado ao pé da letra pois tanto Lenin quanto Stalin o defendiam tendo em vista o desenvolvimento de processos revolucionários, gradualmente, em cada país no mundo. Tal teoria é lançada nos seguintes termos, por Lenin, em seu Sobre a Palavra dos Estados Unidos da Europa:

“A desigualdade do desenvolvimento econômico e político é uma lei absoluta do capitalismo. Daí decorre que é possível a vitória do socialismo primeiramente em poucos países ou mesmo num só país capitalista tomado por separado. O proletariado vitorioso deste país, depois de expropriar os capitalistas e de organizar a produção socialista no seu país, erguer-se-ia contra o resto do mundo, capitalista, atraindo para o seu lado as classes oprimidas dos outros países, levantando neles a insurreição contra os capitalistas, empregando, em caso de necessidade, mesmo a força das armas contra as classes exploradoras e os seus Estados. A forma política da sociedade em que o proletariado é vitorioso, derrubando a burguesia, será a república democrática, que centraliza cada vez mais as forças do proletariado dessa nação ou dessas nações na luta contra os Estados que ainda não passaram ao socialismo. É impossível a liquidação das classes sem a ditadura da classe oprimida, o proletariado. É impossível a livre unificação das nações no socialismo sem uma luta mais ou menos longa e tenaz das repúblicas socialistas contra os Estados atrasados”.

Em 26 de dezembro de 1919 foi lançada a campanha de erradicação do analfabetismo, o Libkez (ликбе́з), quando Lenin assinou o decreto “Sobre a erradicação do analfabetismo entre a população da RSFSR”. Todas as pessoas entre 8 e 50 anos eram obrigados a se alfabetizar em sua língua materna. Em 1917, somente 32% dos adultos na Rússia sabiam ler e escrever; em 1926, o número sobe para 60,9%; em 1939, sobe para 89,7% e na década de 50 já era de quase 100%, algo que ainda hoje, em 2013, é considerado “luxo” apenas dos países capitalistas mais desenvolvidos.

O número de clubes culturais e instituições afins aumentou de 32 mil em 1929 para 54 mil em 1933. O fundo de livros das bibliotecas públicas era em 1932 de 91 milhões de exemplares contra 9 milhões em 1913 e o número de museus elevou-se para 732 em 1932, em lugar dos 180 que havia em 1913. A imprensa soviética transformou-se, cada vez mais, num instrumento efetivo de educação e organização das massas. A tiragem total dos jornais que se publicavam no país elevou-se de 9,4 milhões em 1928 para 36,5 milhões em 1933. Em todos os distritos editavam-se jornais de raio local, cerca de 3 mil das seções políticas das E.M.T. (estações de máquinas e tratores) e mais de mil de fábricas e empresas, com grandes tiragens. O exército de correspondentes operários e camponeses superava a cifra de 3 milhões de pessoas. Em 1932, publicava-se em 88 línguas, de todos os povos da URSS. Impulsionou-se, grandemente, a rádio-difusão.

A Dra. Esther Conus, relata em seu livro Proteção à infância e à maternidade na URSS que após a Revolução de Outubro as mulheres constituíam a terça parte da população operária da Rússia, recebendo os mesmos salários dos homens empregados em igual função. Ainda assim, em cada aldeia, as mulheres tinham que lutar contra hábitos seculares. A jornalista Anna Louise Strong conheceu vinte presidentas de aldeias, em 1928, em um trem na Sibéria, rumo ao Congresso das Mulheres em Moscou. Para a maioria delas, aquela tinha sido a primeira viagem de trem e apenas uma estivera fora da Sibéria alguma vez. Elas tinham sido convidadas para ir a Moscou com o intuito de “aconselhar o governo” sobre as exigências das mulheres; para tanto, seus municípios as haviam escolhido por votação para representá-los.

O poder soviético usou várias armas para libertar as mulheres, como a educação, a propaganda e a lei em todas as partes. Ousaram desafiar a cultura burguesa que as relegava ao papel de ama doméstica. Grandes julgamentos públicos condenaram duramente os maridos que assassinaram suas esposas. Com a pressão das novas exigências, juízes confirmaram a pena de morte para os praticantes do que o velho costume não considerava como crime.

Ao aprofundar-se a miséria e sem dispor de tempo livre, as mães trabalhadoras eram obrigadas a colocar, cada vez mais cedo, seus filhos como aprendizes nas fábricas e nos campos. Não era por acaso que a Rússia pré-revolucionária tinha o maior índice de mortalidade infantil do mundo, situação que se reproduz nos países sob o domínio do imperialismo. A proteção à infância e à maternidade na URSS, enquanto existiu de forma revolucionária, tornou-se um dos principais cuidados do Comissariado do Povo para a Saúde Pública.

A política de construção de creches foi semelhante em todas as repúblicas socialistas. Na URSS revolucionária — antes do advento do revisionismo no poder, em 1953 — era expressamente proibido construir qualquer grande imóvel sem o plano de construção de uma creche com os leitos necessários. De 14 creches com número de vagas desconhecido, antes de 1917, a Rússia passou a ter mais de 365 mil vagas em 1932 nas cidades, quando o Comissariado do Povo para a Saúde Pública ainda considerava o serviço deficiente.

Ao contrário dos países dominados pelo imperialismo, as creches não eram depósitos de crianças. Longe de separar a criança da família, as creches as inseriam na sociedade, educavam-nas a respeitar o trabalho coletivo e os trabalhadores, a ciência e a natureza. Além do mais, as crianças tornavam-se independentes pelas suas atividades e, ao mesmo tempo, socializadas em função da forma coletiva dessas mesmas atividades. Aprendiam a se vestir, a lavar-se e a cuidar de sua higiene pessoal etc., a organizar o seu espaço e a produzir intelectual e materialmente, de forma individual e coletiva.

Cada sociedade socialista também priorizou o desenvolvimento de uma saúde pública de qualidade e com acesso gratuito para todos os seus cidadãos e mesmo para os estrangeiros. As mesmas características também possuía a educação, o transporte (o trem sempre foi o meio de transporte mais importante e com a melhor infraestrutura) e qualquer outro serviço à disposição. Toda família tinha direito à moradia, porque ela é considerada um bem social nos países socialistas, não uma mercadoria (o que depois muda na URSS, com as reformas dos revisionistas).

O Estado soviético criou postos de saúde em todas as empresas com consultórios especiais para as mulheres. Estes consultórios prestavam atendimento médico durante a gravidez e após o parto, tratavam moléstias ginecológicas, aconselhavam e forneciam informações profiláticas. Todo o serviço era gratuito. O serviço médico contava, ainda, com um amplo atendimento de enfermeiras que visitavam as pacientes em casa.

O governo soviético foi o primeiro, em todo o mundo, a legalizar a prática do aborto.Ele só era permitido nos três primeiros meses de gravidez e o processo para sua realização compreendia: 1) parecer médico indicando a margem de riscos da operação; 2) análise das circunstâncias gerais que determinavam o aborto; 3) tentativa de fazê-la mudar de ideia — o que ocorria em grande parte dos casos, tal como no divórcio.

Porém, também existiam alguns problemas, principalmente decorrentes da falta de experiência e do improviso quase forçado da reorganização social, na primeira ditadura proletária da história. Importantes aspectos da política soviética foram determinados pelo cerco dos países capitalistas e pelo estado de guerra, praticamente permanente, que a URSS viveu. Não se pode analisar nenhuma república soviética sem levar essa situação em consideração.

Graças à mudança de planos, que fez os comunistas soviéticos não ficarem esperando uma revolução na Europa para então tentarem consolidar o socialismo em seu país, foi possível resistir às pressões internas e externas e às agressões que sofriam, fazendo com que o socialismo sobrevivesse, até elevar o movimento comunista a um nível superior em todo o mundo, permitindo o triunfo da revolução proletária na China e o desenvolvimento do movimento de libertação nacional em todas as colônias da época.

Os soviéticos construíram um sistema industrial completo, planificado, baseado nas tecnologias mais avançadas da época. Instauraram a produção coletiva na agricultura, lançando as bases para o crescimento cultural e político dos camponeses e a eliminação de seu atraso técnico, cultural e político. Estabeleceram um sistema de emancipação das mulheres e crianças; implantaram formas de poder direto dos trabalhadores; criaram um sistema de educação geral. Permitiram a ampla participação no patrimônio cultural da sociedade e a ampla utilização da assistência médica. Expandiram o ensino técnico para todas as regiões. Impulsionaram a luta de massas no âmbito da propriedade coletiva dos meios de produção; regulamentaram os locais de trabalho e as relações entre massas e dirigentes; foram contra a separação do conteúdo científico do trabalho e a constituição deste como patrimônio de uma parte da sociedade; e contra a utilização burguesa da cultura e da técnica e também o conteúdo de classe da cultura e da técnica. Durante cerca de 30 anos não havia movimento de libertação e de emancipação de classes, povos e raças oprimidas que não tenha encontra na URSS um ponto de apoio, ajuda e inspiração.

Por conta das condições extremas, de cerco imperialista constante, seria quase impossível não consolidar concepções errôneas, devido a falta de experiência. A tarefa da industrialização e militarização no preparo para a Segunda Guerra obrigou os comunistas soviéticos a descuidarem de alguns aspectos da construção do socialismo:

– Centralismo em um grau danoso

– Utilização de medidas administrativas como forma de governo e de resolução de problemas

– Nem sempre compreendiam que as vitórias conseguidas mudavam o terreno da luta (o que levou os problemas anteriores a serem prolongados mesmo após a vitória contra o nazi-fascismo)

– Era reprimida a manifestação das forças burguesas em vez de se eliminar a sua base material

. O próprio Stalin começou a entrever alguns destes problemas, em Problemas Econômicos do Socialismo na URSS, mas os comunistas soviéticos não chegaram a encontrar a solução. Em tal texto, Stalin também critica, mas sem citar seu nome, o economista Nikolai Voznosensky – membro do Comitê Central do CPUS desde 1939, e de seu birô desde 1947, exerceu os cargos de Presidente da Comissão de Planejamento Estatal desde 1937 e de “Primeiro Ministro” desde 1939. Em 1947 ele publica um livro, que se torna popular e defendido por outros economistas (como Leontiev e Gatovsky), entitulado “A Economia de Guerra da URSS durante o período da Guerra Patriótica”, com as seguintes ideias:

– A distribuição do trabalho entre diferentes ramos da economia deveria ser determinada pela “lei do valor” (significando a rentabilidade das empresas e indústrias individuais);

– Os preços das mercadorias deveriam ser “preços de mercado”, baseados em seus valores ou nos “preços de produção” (definido por Marx como custo de produção + lucro médio);

– Desenvolvimento da “contabilidade de custos” e dos “incentivos econômicos” em forma de bônus ao “pessoal” das empresas.

Algumas pessoas estavam abertamente associadas à “reforma econômica” que Voznosensky queria em 1948-9:

– Aleksei Kuznetsov, que foi Primeiro Secretário do Partido em Leningrado de 1945 a 1946, e então Secretário do Comitê Central;

– Grigori Popov, Primeiro Secretário em Moscou e também Secretário do Comitê Central;

– Petr Popkov, que sucedeu Kuznetsov no caso de Primeiro Secretário de Leningrado e era membro do Presidium do Soviet Supremo;

– Mikhail Rodionov, “Primeiro Ministro” da República Russa;

– Ivan Goliakov, Presidente da Corte Suprema; e

– Ivan Shikin, Coronel-General, Presidente do Diretório Político Chefe do Exército Soviético.

Mais discretamente, apoiaram:

– Aleksei Kosygin, “Primeiro Ministro” da URSS, que foi Diretor da Fiação Oktyabr em Leningrado em 1937-8, “Prefeito” de Leningrado em 1938-9, “Primeiro Ministro” da República Russa em 1943-6, Ministro das Finanças da URSS em 1948, e Ministro da Indústria Leve da URSS desde dezembro de 1948, e também foi membro do birô político do CC do Partido desde 1948.

É notável a visita dos iugoslavos, principalmente Milovan Djilas, principal reformador capitalista na Iugoslávia, a Leningrado em janeiro de 1948 e a recepção amigável.

Algumas semanas depois da introdução da “reforma econômica” de Voznosesnky, a linha marxistas-leninistas tentou pará-la:

Em 13 de março de 1949, foi anunciado que Voznosensky não tinha mais o cargo de Presidente da Comissão de Planejamento Estatal (substituído por Maxim Saburov); também não era mais membro do Comitê Central. Ivan Shikin foi removido do posto de Presidente do Diretório Político Chefe do Exército Soviético. Mikhail Rodionov não era mais “Primeiro Ministro” da RSFSR (substituído por B. Chernousov). Um dia depois, Petr Popkov não era mais membro do Presidium do Soviet Supremo (substituído por Vasily Andrianov) nem Primeiro Secretário de Leningrado. No dia seguinte foi a vez de Ivan Goliakov, que não era mais Presidente da Corte Suprema (substituído por Anatol Volin). Em dezembro de 1949, Grigori Popov foi removido do posto de Primeiro Secretário de Moscou e Secretário do CC do Partido (em ambos os cargos ele foi substituído por Nikita Khruschev). Em 15 de julho, Voznosensky não era mais Ministro da Educação da RSFSR. Em 15 de janeiro de 1950, um decreto do Presidium do Soviet Supremo restaurar a pena de morte (abolida em maio de 1947) para traição e certos crimes contra o Estado. E em dois estágios, em 1º de janeiro e 1º de julho de 1950, a “reforma econômica” de 1949 foi anulada. Nessa época, porém os marxistas-leninistas, liderados por Stalin, eram já uma minoria no Comitê Central e em seu Birô Político.

Em 1952, Stalin dá um aviso ao partido:

“Deixar de dar primazia à produção de meios de produção” iria “destruir a possibilidade de expansão contínua da nossa economia”.

Três anos depois da morte de Stalin (ocorrida em 5 de março de 1953), com hábeis manobras e complexos preparativos, a camarilha revisionista de Khruschev toma o poder. Julgaram e condenaram Stalin por seus “excessos”, no infame Relatório Secreto de 1956. Na realidade, repudiaram os aspectos positivos e deram caráter de linha geral aos aspectos negativos: métodos autoritários de direção, funcionamento administrativo, prioridade da economia sobre a ideologia e a política. Além de adicionarem mais aspectos negativos à sociedade soviética: supressão “por decreto” da luta de classes, repressão dos movimentos de massas (que haviam tido um importante papel na construção do socialismo nos anos 20, 30 e 40).

Executam Beria, depuram o partido dos marxistas-leninistas, jogam forças do exército uma contra a outra, desfazem o NKVD, lutam contra o “grupo antipartido de Molotov, Malenkov e Kaganovich”. As forças objetivas e subjetivas contrárias ao avanço para o comunismo se consolidam.

Acusam Stalin do “assassinato” de muitos “bons comunistas”; Khruschev descreve Voznosensky e Kuznetsov como “talentoso e proeminentes líderes” (N. S. Khruschov: “Secret Speech”, 20th. Congress, CPSU, in: “The Dethronement of Stalin”; Manchester 1956; p. 23) que“inocentemente perderam suas vidas” (ibid, p.23) porque “o assim chamado ‘assunto de Leningrado’ [N.E.: em inglês Leningrad affair], foi fabricado” (ibid.; p. 23).

Obviamente, como um sobrevivente da conspiração da oposição, Khruschev apresentou a liquidação desses colegas conspiradores que foram detectados como “injusta” e que foi resultado “de uma odiosa falsificação, de uma violação criminosa da legalidade revolucionária”. (N. S. Khrushchov: ibid.; p. 14)

A burguesia que se impõe nessas circunstâncias não é composta geralmente por ex-capitalistas, ex-latifundiários, nem por elementos marginais da sociedade (exploradores, sabotadores, criminosos, etc.). Ela está dentro do partido comunista, como avisava Mao Tsé-tung, que também alertava que o partido comunista e o Estado são estão livres da influências das contradições, o que o leva a formular a teoria da luta de duas linhas: nos Partidos Comunistas, duas linhas político-ideológicas se degladeiam pelo poder, porque as contradições sociais não foram resolvidas por completo.

Os revisionistas modernos fizeram com que, com a sua reorganização da sociedade e traição ao socialismo, os trabalhadores fossem admitidos e despedidos; que cada unidade produtiva vendesse e comprasse a preços que garantissem o seu êxito no mercado; que cada trabalhador vendesse sua força de trabalho; que o nível de vida fosse determinado pelo contrato de compra e venda a que se vinculava. Silenciaram a exploração interna e internacional. Em vez de se preocuparem em resolver os problemas e contradições, dedicaram-se a restaurar as relações capitalistas. As organizações de massa passaram ao controle total e direto desse Estado restauracionista; elas foram depuradas e os seus novos membros eram diretamente selecionados pelos revisionistas.

Mas o poder da camarilha golpista não era absoluto ou ilimitado. Não se atreveram a estabelecer a plena liberdade de comércio para cada empresa ou unidade produtiva, nem permitiram que os preços ditassem as leis de mercado, ou que a liberdade de despedir os trabalhadores e contratar mão-de-obra fosse ditado pelas exigências de valorização do capital em cada empresa. Ao menos inicialmente.

As reformas econômicas que trataram de, gradualmente, restaurar o capitalismo na União Soviética, iniciaram-se em 1957; depois houve as reformas defendidas por Evssei Grigorievitch Liberman e Vadim Aleksandrovitch Trapeznikov, aplicadas de maneira experimental, em 1956, nas empresas Bolschevicka de Moscou e Maiak em Gorki; a reforma geral de 1965; as reformas iniciadas em 1967, a partir do complexo químico de Chiokino.

Nos anos 60 a planificação econômica é abolida. As justificativas eram baseadas num suposto “aperfeiçoamento” da planificação: “Um número de medidas são consideradas para aumentar os padrões científicos do planejamento estatal da economia”.

(A.N. Kosygin: “Sobre a Melhoria da Gestão Industrial, Aperfeiçoamento do Planejamento e Reforço dos Incentivos Econômicos na Produção Industrial”, em: “Izvestia” (известия), 28 de Setembro de 1965, em M.E. Sharpe (Ed.): “Planejamento, Lucro e Incentivo na URSS”, Volume 2; Nova Iorque; 1966; p.15)

“As mudanças econômicas significam melhoria do planejamento econômico nacional… A reforma consolida o planejamento central”.
(Editorial: “Política Econômica e Trabalho pelo Comunismo”, em: “Pravda” (Пра́вда), 14 de Janeiro de 1966, em: “A Reforma Econômica Soviética: Principais Caraterísticas e Objetivos”; Moscou; 1967; p.9)

“Estas deficiências na gestão econômica devem ser eliminadas não tornando o planejamento mais complicado, detalhado e centralizado, mas desenvolvimento a iniciativa econômica e a independência das empresas – as empresas devem ter uma iniciativa mais ampla, não devem ser vinculadas à tutela mesquinha e aos métodos burocráticos de planejamento central”.
(E.G. Liberman: “Contabilidade de Custos e Incentivos Materiais do Pessoal Industrial”, em: “Voprosy Ekonomiki” (Вопросы экономики), Nº 6, 1955, em: M.E. Sharpe (Ed.): op. cit., Volume 1; p.7)

Percebe-se a premissa de que o planejamento econômico era ineficiente. Vamos aos fatos:

A colheita de 1930 foi excelente. A produção de cereais atingiu entre 77,2 a 83,5 milhões de toneladas, bastante acima dos 71,7 milhões obtidos em 1919. Graças à planificação nacional, as culturas técnicas, sobretudo as de algodão e beterraba, tinham aumentado a sua produção em 20 por cento. Os fornecimentos de cereais para as cidades passaram de 7,47 milhões de toneladas em 1929-1930 para 9,09 milhões em 1930-31. O consumo total da população rural evoluiu de um índice 100 em 1928 para 105,4 em 1929, baixando para 102,4 em 1930. O nível de vida tinha subido ligeiramente no campo, enquanto diminuía na cidade. Para alimentar as cidades e realizar a industrialização, o Estado soviético aplicava uma política de preços extremamente baixos para os cereais. Contudo, em 1930, os rendimentos dos camponeses subiram consideravelmente graças às vendas nos mercados livres e ao trabalho sazonal.

Entre Setembro e Dezembro de 1930 foi lançada uma campanha de propaganda dirigida aos kolkhozes (fazendas coletivas). De 1 de Setembro a 31 de Dezembro de 1930, um milhão e 120 mil famílias entraram nos kolkhozes, o que significava que 25,9 por cento das famílias camponesas haviam optado pela agricultura coletiva. Com a concessão das melhores terras e de diversos tipos de vantagens aos kolkhozianos, a pressão econômica sobre os camponeses individuais acentuou-se durante o ano de 1931. Entre Junho de 1930 e Junho de 1931, a segunda grande vaga da coletivização elevou o número de famílias coletivizadas de 23,6 por cento para 57,1 por cento.

Joseph E. Davies, diplomata estadunidense, é obrigado a reconhecer quais eram realmente os traços essenciais do sistema agrícola socialista:

“Foi um processo de aprendizagem em grande escala, num lapso de tempo extremamente curto, no qual os dirigentes do Partido e seus conselheiros, os responsáveis locais do Partido, os camponeses e as instituições econômicas contribuíram todos para o resultado final. Os principais traços do sistema kolkhoziano estabelecido em 1929-1930 foram mantidos até à morte de Stalin e durante algum tempo depois”.

(R.W. Davies, The Socialist Offensive, The Coletivisation of Soviet Agriculture, 1919-1930, Mc Millan Press, 1980, pp. 4-5)

Condições climáticas extraordinariamente negativas produziram uma má colheita em 1936, com apenas 69,3 milhões de toneladas, mas os seus efeitos foram atenuados graças às reservas e à boa planificação na distribuição. No ano seguinte alcançou-se a colheita recorde de 120,9 milhões de toneladas. A produção manteve-se elevada entre 1938 e 1940, com 94,99, 105 e 118,8 milhões de toneladas de cereais recolhidos.

A coletivização e a economia planificada permitiram à União Soviética resistir à agressão fascista e fazer face à guerra total desencadeada pelos nazis alemães. Durante os primeiros anos da guerra, o consumo de trigo teve de ser reduzido para metade, mas graças ao planejamento as quantidades disponíveis eram equitativamente distribuídas.

Em todas as ondas de coletivização houve combate à burocracia, assim como uma grande adesão do povo trabalhador, voluntariamente:

Em Fevereiro de 1930, foi decretada a mobilização de 7200 membros dos sovietes urbanos para trabalharem no campo durante pelo menos um ano. Novos efetivos do Exército Vermelho e operários industriais foram transferidos de forma permanente para os kolkhozes. Em Novembro de 1929 é decidida a célebre campanha dos “25 mil”. O Comitê Central lançou um apelo a 25 mil operários experientes das grandes fábricas para se dirigirem para o campo e apoiarem a coletivização. Apresentaram-se mais de 70 mil. Foram selecionados 28 mil dos jovens que tinham combatido na Guerra Civil, membros do Partido e do Komsomol.

Sobre estes operários conscientes do papel dirigente da classe operária nas transformações socialistas no campo, Lynne Viola escreveu: “Viam na revolução de Stalin um meio de arrancarem a vitória final do socialismo depois de anos de guerra, de sofrimento e de privação. Viam a revolução como uma solução para os problemas do atraso, do déficit aparentemente crônico de alimentos e do cerco capitalista.”

(Viola, op. cit., p.211) (The Best Sons of the Fatherland – Workers in the Vanguard of Soviet Colletivisation, Oxford University Press, Oxford, New York, 1987)

Logo à chegada, os “25 mil” tiveram de lançar-se no combate contra o burocratismo do aparelho local e contra os excessos cometidos durante a coletivização. Lynne Viola escreveu:

“Qualquer que fosse a sua posição, os 25 mil eram unânimes na crítica ao comportamento dos órgãos de distrito durante a coletivização. Afirmavam que a responsabilidade pela corrida às mais altas percentagens da coletivização lhes pertencia.” (Ibidem, p. 103)

Opondo-se aos burocratas e aos seus excessos, os “25 mil” conseguem ganhar a confiança das massas camponesas. (Ibidem, p. 135) Tudo isso merece ser sublinhado, já que esses operários eram, por assim dizer, os enviados de Stalin. E foram precisamente esses “stalinistas” que combateram consequentemente o burocratismo e os excessos e defenderam a via correta da coletivização.

Num livro publicado em 1931, com o título O Fim do Capitalismo, de Ferdinand Fried, um autor burguês, afirma-se que é necessário também na Alemanha passar da economia não planificada para a planificada já que:

“A Rússia [com o plano quinquenal] passa por uma época de enormes investimentos, enquanto as fábricas do resto do mundo se degradam por falta de atividade e o trigo tem de servir de combustível”.

(F. Fried, O Fim do Capitalismo, Jena, 1931, p.260)

No jornal social-democrata Vorwärts, de 23 de outubro de 1932, podia ler-se sob o título “Objetivo e caminho do socialismo”: “O mais valioso da experiência russa é a comprovada possibilidade de execução da economia planificada”. Dois meses antes é escrito no mesmo jornal, por J. P. Mayer, em 28 de agosto: “A longo prazo não há nenhum meio capitalista para dominar a crise. O movimento socialista entra assim no estágio da realização. O socialismo torna-se na questão de maior importância do presente, uma ordem atual e vida”.

Mesmo depois de todos os fatos terem sido elucidados nos parágrafos anteriores, a planificação ainda é taxada de “obsoleta”, “restritiva”, “burocrática” e, como de praxe, jogaram a culpa dessas mentiras em Stalin, segundo as fontes mais parciais da burguesia, que possuem uma clara motivação: a difamação do socialismo marxista.

As reformas da época de Khruschev pretendiam substituir a “direção administrativa” por um sistema de “direção econômica”. O domínio – apesar de limitado – da classe capitalista era ocultado pelo véu mistificador da subordinação igual e livre de toda a gente às mercadorias, ao aparelho produtivo, ao dinheiro, ao mercado, às leis objetivas e naturais da economia.

As teses nacionalistas e as ideias de Trotsky e Bukharin começaram a reaparecer nas políticas do PCUS. Gorbachev reabilitou os trotskistas, os bukharinistas e os nacionalistas burgueses como “gente boa” e “vítimas do stalinismo”.

Havia 4 teses essenciais:

1) O Estado da classe trabalhadora foi substituído pelo Estado de “todo o povo”, um Estado para “todas” as classes. Abandonaram a luta contra as tendências burguesas e reacionárias, o que garantia uma certa tranquilidade para a burocracia que emergiu com a derrota dos marxistas-leninistas e Stalin. Abandono da luta de classes.

2) A URSS alcançaria o comunismo em 1980. As promessas de um futuro ideal serviram para acalmar as massas e consolidar as posições dos burocratas e tecnocratas. Otimismo oportunista.

3) O capitalismo entraria em colapso. Explicava-se assim que seria possível tomar o poder na Europa e no resto do mundo por via pacífica e parlamentar. Defesa de democracia burguesa, embelezando a sociedade imperialista e a ditadura da burguesia.

4) Atitude pacífica e amigável para com os Estados Unidos. Khruschev declarou: “Queremos ser amigos dos Estados Unidos e cooperar com eles na luta pela paz e segurança dos povos. Comprometemo-nos a alcançar este fim com boas intenções e sem propósitos ocultos”. Numa época em que o Terceiro Mundo estava envolvido numa luta contra o imperialismo estadunidense que queriam submetê-lo a seu domínio neocolonial.

A partir de 1961, o PCUS não era mais um partido representante dos interesses da classe trabalhadora, como Khruschev afirmou no XX Congresso, mas um que representava os interesses de “todo o povo”, o que não passava de demagogia. Em uma sociedade que ainda contém classes com interesses antagônicos – e a URSS se encaixava nessa definição, pelo que foi demonstrado até agora – é impossível haver um único partido político representando os interesses de “todo o povo”. Qual classe, então, o PCUS representava nessa nova fase histórica?

Poderia ser, esta nova classe, a pequena burguesia, que naqueles países era composta principalmente de fazendeiros coletivos e um pequeno número de profissionais liberais, trabalhadores científicos e artísticos? Mas, de acordo com o marxismo-leninismo, a pequeno-burguesia é tão somente uma classe intermediária que não tem capacidade de possui uma política independente; é capaz de seguir uma ou outra classe que é decisiva: burguesia ou proletariado.

O PCUS era, já nos anos 60, representante da classe capitalista soviética e se esforçaria para consolidar a ditadura da burguesia, depois de destruir tudo que os antigos comunistas, marxistas-leninistas, haviam contruído.

O novo rumo fez com que as relações entre trabalhadores e dirigentes das unidades produtivas se tornassem antagônicas, cada vez mais. Todo assunto administrativo em relação à unidade produtiva se transformou em preocupações cada vez mais exclusivas dos dirigentes. O objetivo das unidades produtivas deixava de ter como único fim a satisfação das necessidades sociais da população; produziam valores de uso pelo interesse que os produtores tinham em seu valor de troca; a lei do valor, antes com ação bastante limitada na sociedade, agora dirigia a economia; os diretores passaram a receber salários muito maiores que os dos trabalhadores.

A burocracia pró-capitalista permitiu a diferenciação real entre os próprios trabalhadores, na distribuição e no consumo, como um instrumento de pressão. Porém, isso não pode ser comparado aos métodos de disciplina do capitalismo, por 3 razões:

– Os privilégios da classe dominante (como o direito dos diretores a um motorista particular) mantinham-se ligados à sua função;

– A classe dominante desfrutava de muitos privilégios às escondidas, como lojas de artigos preciosos e de luxo, então não havia estímulo aos trabalhadores guardarem dinheiro para então poderem adquirir tais bens;

– A cultura dominante ainda difundia o consumo moderado, a sobriedade do vestuário e a igualdade.

Houve a abolição dos “preços políticos” de alguns produtos e serviços básicos, assim como a degradação gradual de sua qualidade e o crescimento de um mercado paralelo de produtos e serviços melhores a “preços livres”.

Falava-se ainda, na época de Khruschev, em “coexistência pacífica”. Tal conceito foi formulado primeiramente por Lenin:

“O socialismo não pode triunfar simultaneamente em todos os países. Começará triunfando em um ou em vários países, e os demais seguirão sendo, durante algum tempo, países burgueses ou pré-burgueses”.

(V.I. Lenin, “O Programa Militar da Revolução Proletária”, Setembro de 1916)

Existiria, portanto, um período de convivência entre diferentes sistemas. Os países socialistas só poderiam aplicar uma política externa de paz. As ideias básicas da coexistência pacífica de Lenin eram as seguintes:

1) A existência de um país socialista está totalmente contra a vontade dos imperialistas. O imperialismo nunca quererá viver em paz com ele e aproveitará todas as oportunidades para liquidá-lo.

2) O Estado soviético só podia conviver em paz com os países imperialistas mediante a ljuta. Isto foi o resultado de repetidas provas de força entre o imperialismo e o Estado soviético.

3) Deve ser dado tratamento diferente em relação a diferentes tipos de países do mundo capitalista.

4) A política de coexistência pacífica é a política do proletariado no Poder em suas relações com os países de sistema social diferente.

5) É impossível a coexistência pacífica entre as classes oprimidas e opressores, entre as nações oprimidas e opressoras.

Stalin, como bom marxista-leninista, afirmava:

“A coexistência pacífica entre o sistema capitalista e o sistema comunista é inteiramente possível se ambas as partes tẽm o desejo de cooperar, estão dispostas a cumprir a obrigação que se tenham comprometido, e observam o princípio de igualdade e de não ingerência nos assuntos internos de outros Estados”.

(I.V. Stalin, “Respostas às perguntas de editores norte-americanos”, )

Enquanto persistia na política de coexistência pacífica de Lenin, Stalin se opunha resolutamente a que se renunciasse a apoiar as revoluções dos povos dos diversos países para congraçar-se com o imperialismo.

Já os dirigentes do PCUS após a morte de Stalin consideravam a coexistência pacífica o princípio dirigente das relações externas, “o imperativo categórico dos tempos presentes” e a “exigência imperativa da época” (B.N. Ponomariov, “A bandeira triunfante dos comunistas do mundo”, Pravda 18 de novembro de 1962). Já numa época mais avançada, queriam “desideologizar as relações internacionais” (discurso de Chevardnadze na 43ª Assembleia da ONU em setembro de 1988).

Exaltaram em termos superlativos a coexistência pacífica. Sustentavam a ideia de que os imperialistas estavam dispostos a aceitar essa política e deixaram de ser um obstáculo para ela. Pronunciaram-se pela “cooperação legal” com os países imperialistas. Afirmaram que a coexistência pacífica ajudava o proletariado nos outros países por ter permitido a “transição pacífica” do capitalismo para o socialismo, mas a história nos prova que tal transição é impossível de ser realizada pacificamente.

Khruschev sustenta que sob a ditadura da burguesia e de acordo com as leis eleitorais burguesas, o proletariado pode conquistar uma maioria estável no parlamento; que obter uma maioria no parlamento equivale à tomada do Poder e à destruição do aparato estatal burguês. Todas essas lorotas são uma reprodução do revisionismo da II Internacional, uma ressurreição do bernsteinismo e do kautskismo. A traição de Bernstein ao marxismo se caracterizou principalmente pela difusão do caminho legal parlamentar, pela oposição à revolução violenta. Via o caminho parlamentar não como um dos meios possíveis de luta, mas como o principal e quase exclusivo.

“Só os canalhas ou os tolos podem crer que o proletariado deve primeiro conquistar a maioria nas votações realizadas sob o jugo da burguesia, sob o jugo da escravidão assalariada, e que só depois deve conquistar o Poder. Isto é o cúmulo da estupidez ou da hipocrisia, isto é substituir a luta de classes e a revolução por votações sob o velho regime, sob o velho Poder”.

(V.I. Lenin, “Saudações aos comunistas italianos, franceses e alemães”, setembro de 1919-março de 1920)

Tais foram os principais problemas encontrados na época khrushevista. Mas por que Khruschev caiu?

O fator fundamental foi a sua atuação contra a lei do desenvolvimento histórico da sociedade apontada pelo marxismo-leninismo e a vontade revolucionária dos povos da União Soviética e do mundo.

Khruschev procurou apagar os grandes êxitos alcançados pelo povo soviético, denegrindo a ditadura do proletariado, dando uma das armas mais sujas aos imperialistas e reacionários anticomunistas em sua campanha de difamação caluniosa a Stalin.

Em violação aberta das Declarações de 1957 e de 1960, ele procurou a “cooperação legal” com o imperialismo estadunidense. Em um momento praticou uma política aventureirista, ao levar mísseis para Cuba, e em outro seguiu uma política capitulacionista, ao retirar os mísseis. Vendeu a soberania de Cuba pelas costas do governo cubano, ao convir que as Nações Unidas controladas pelos EUA exercessem a “inspeção” no território de Cuba.

Tentou impedir a China de estabelecer sua própria força nuclear de auto-defesa.

Em nome da “transição pacífica”, exigiu os movimentos revolucionários de seguirem a via parlamentar legal, uma via que paralisa a vontade revolucionária do proletariado e desarma ideologicamente os povos revolucionários, ocasionando sério reveses à revolução em diversos países, inclusive o nosso. Transformaram os Partidos Comunistas em meros partidos social-democratas inertes, dóceis instrumentos da burguesia.

Instruiu ao delegado soviético frente às Nações Unidas a votar a favor do envio de tropas agressoras para ajudar o imperialismo estadunidense em sua repressão ao povo congolês; se opôs à luta revolucionária do povo argelino. Social-imperialismo.

Qualificou Tito, lacaio dos EUA que restaurou muito rapidamente o capitalismo na Iugoslávia, de “marxista-leninista”, enquanto a China e a Albânia se tornaram seus inimigos mortais. Rompeu descaradamente todas as relações econômicas e diplomáticas com a Albânia, privou-a arbitrariamente de seus legítimos direitos como país membro da Organização do Tratado de Varsóvia e do COMECON e conclamou publicamente a derrubar a direção do Partido e do Estado da Albânia. Com a China, rompeu centenas de convênios e contratos, retirou mais de mil especialistas soviéticos do território chinês. Provocou conflitos nas fronteiras entre a China e a União Soviética e realizou na região de Sinqiang amplas atividades de subversão. Apoiou reacionários hindus a desencadear ataques armados contra a China e os intigou e ajudou com assistência militar a realizar provocações militares.

Violou a independência e a soberania dos países socialistas, intervindo como queria em seus assuntos internos; se opôs a que países irmãos desenvolvessem sua economia sobre uma base independente e tentou obrigá-los a converter-se em fontes de matérias-primas e em mercados de venda.

Dividiu as organizações do Partido em “industriais” e “agrícolas”, recuando na diminuição das diferenças entre cidade e campo. Dirigia irresponsavelmente a agricultura e a indústria, ocasionando sérios danos à economia nacional, como foi a chamada “conquista das terras virgens”.

Sob Leonid Brezhnev, sucessor de Khruschev, o programa político e econômico permaneceu o mesmo. A “revolução científico-técnica” de Brezhnev-Kosygin foi na mesma direção, porém em ritmo mais lento. Nenhuma das duas classes antagônicas era bastante forte para mudar decisivamente a situação a seu favor; a burguesia, mesmo dirigindo o Estado, a economia, a cultura, não podia se confrontar com o proletariado.

Floresceu a pequena economia comercial, com o consequente esbanjamento de recursos materiais e energias e a consequente corrupção. O enriquecimento, sob a forma de entesouramento, opulência e luxo, ocupou o lugar que as leis proíbiam de ocupar na propriedade individual das forças produtivas.

Brezhnev achava que a distinção entre as nacionalidades havia sumido e inventou a noção de “povo soviético”; fala-se nessa época da política de russificação, que espoliou a autonomia nacional tão defendida anteriormente por Lenin e Stalin.

Um dos partidários de Khruschev, Jaurés Medvediev, escreveu:

“Na época de Stalin, os dirigentes do Partido sentiam mais a potencial ameaça do aparelho de segurança do que os cidadãos comuns”. E acrescenta: “Brezhnev não era um verdadeiro líder em 1964. Era mais o representante da burocracia, que procurava uma vida fácil com privilégios crescentes e garantidos. O seu eleitorado era a elite burocrática. Neste aspecto, Brezhnev também mudou o sistema porque, mais do que qualquer outro, criou as condições propícias para a exploração de uma autêntica elite privilegiada, uma autêntica nomenklatura”.

A disciplina do partido diminuiu, o nepotismo tornou-se prática comum e o prestígio ideológico e administrativo do Partido foi destruído. A distinção entre propriedade pública e privada deixou de ser respeitada.

A nova burguesia tomou a forma de “burguesia compradora” nas relações com a burguesia imperialista (comércio e empréstimos internacionais) e dedicou-se ao enriquecimento individual, acumulando poder aquisitivo e bens no estrangeiro e dentro do país, mantendo-se-lhe vedado o acesso ao capital produtivo (o que desencadeia o processo D – M – T – M’ – D’: Dinheiro-Mercadorias-Trabalho-Novas Mercadorias-Mais Dinheiro).

O Estado soviético nessa época tentava influenciar as empresas a seguirem as linhas de seu “plano econômico”, utilizando as mesmas “alavancas econômicas” de qualquer país capitalista:

“A tentativa de fazer amplo uso das alavancas econômicas e do estímulo econômico no planejamento é uma reação saudável contra a concepção administrativa de um plano”.

(L. Alter: “Incentivos Devem Estar Ligados ao Planejamento a Longo Termo de uma Empresa”, em: “Voprosy Ekonomiki” (Вопросы экономики), Nº 11, 1962, em: M.E. Sharpe (Ed.): op. cit., Volume 1; p.167)

A abolição do planejamento econômico socialista necessitava de um regulador substituto; ele só poderia ser o lucro.

Os economistas soviéticos definiam lucro como “excedente de renda sobre as despesas”, abandonando todas as lições que Karl Marx deu n’O Capital:

“O lucro é formado diretamente pela diferença entre o preço e o custo de produção”.

(L. Gatovsky: “The Role of Profit in a Socialist Economy”, in: “Kommunist” (Communist), no. 18, 1962, in: M.E. Sharpe (Ed.): “Planning, Profit and Incentives in the USSR”, Volume 1; New York; 1966; p.98)

No XX Congresso do PCUS, Nikita Khruschev afirmou:

“Nós devemos elevar a importância do lucro e da rentabilidade”.

(N.S. Khrushchov: Relatório sobre o programa do PCUS, XX Congresso do PCUS; Londres; 1961; p.54)

Essa reforma seria levada a cabo realmente pelos sucessores de Khruschev. O secretário-geral Leonid Brezhnev e o primeiro-ministro Aleksei Kosygin declararam:

“Vamos considerar o lucro como uma dos instrumentos econômicos do socialismo. Um aprimoramento considerável de seu papel na economia socialista é um requisito indispensável para a contabilidade de custos”.

(Editorial: “Política Econômica e o Trabalho pelo Comunismo”, em: “Pravda” (Пра́вда), 14 de Janeiro de 1966, em: “A Reforma Econômica Soviética: Principais Caraterísticas e Objetivos”; Moscou; 1967; p.11)

A “contabilidade de custos” era definida como um método de gestão baseado na garantia da rentabilidade de cada empresa individual:

“Contabilidade de custos (khozraschot) é um método de gestão aplicado às empresas socialistas que é baseado na medição em termos monetários das entradas e resultados de suas operações, para as empresas que cobrem suas despesas com sua própria renda, assegurando a rentabilidade”.

(A.M. Rumyantsev: “Management of the Soviet Economy Today: Basic Principles”, in: “Soviet Economic Reform: Progress and Problems”; Moscow; 1972; p.12)

“Sem utilizar os mecanismos do mercado socialista…, é impossível assegurar a operação de empresas na base da completa contabilida de custos”.

(R. Rakitsky: “Bourgeois Interpretation of the Soviet Economic Reform”, in: “Voprosy ekonomiki” (Problems of Economics), No. 10. 1965, in: “The Soviet Economic Reform: Main Features and Aims”; Moscow; 1967; p. 129).

“A reforma econômica de 1965 encarna um dos princípios primários da economia socialista: o que é um benefício para a sociedade deve ser o benefício de toda empresa”.

(E.G. Liberman: “Plan, Direct Ties and Profitability”, in “Pravda” (Truth), November 21st., 1965, in: “The Soviet Economic Reform: Main Features and Aims”, Moscow; 1967; p. 50)

Na época da reforma de Kosygin, dos cinco institutos mais importantes e influentes da economia política soviéticos, três estavam nas mãos de economistas pró-capitalistas do tipo de Aganbeguian, por exemplo.

“A maioria das empresas industriais não vendem os seus bens para o Estado, mas para outras empresas ou organizações comerciais. Isso representa a maior parte do mercado interno”.

(B. Sukharevsky: “The Enterprise and Material Stimulation”, in: “Ekonomicheskaya gazeta” (Economic Gazette), No. 49, 1965, in: M.E. Sharpe (Ed.): op. cit., Volume 2; p. 212)

A classe trabalhadora soviética foi expropriada dos meios de produção, que se tornaram a propriedade efetiva da nova classe de capitalistas soviéticos sob a forma de diretores das empresas industriais. Não se pode dizer que era um país com um capitalismo da forma que geralmente conhecemos, mas podemos dizer que era uma espécie nova de capitalismo, que abria cada vez mais o caminho para o domínio total da burguesia e real consolidação de sua ditadura sobre a classe trabalhadora.

Esse processo é similar à acumulação primitiva de capital:

“A relação-capital pressupõe a separação entre os trabalhadores e a propriedade das condições da realização do trabalho. Tão logo a produção capitalista se apóie sobre seus próprios pés, não apenas conserva aquela separação, mas a reproduz em escala sempre crescente. Portanto, o processo que cria a relação-capital não pode ser outra coisa que o processo de separação de trabalhador da propriedade das condições de seu trabalho, um processo que transforma, por um lado, os meios sociais de subsistência e de produção em capital, por outro, os produtores diretos em trabalhadores assalariados. A assim chamada acumulação primitiva é, portanto, nada mais que o processo histórico de separação entre produtor e meio de produção.”

(K. Marx, “O Capital”, Volume 1, Capítulo XXIV – “A Assim Chamada Acumulação Primitiva”, coleção Os Economistas, p.340)

Os meios de produção transformaram-se em mercadorias:

“Sob o socialismo o mercado é uma esfera de circulação da mercadoria planejada, uma esfera para a comercialização de produtos – meios de produção e bens de consumo manufaturados pelo Estado e pelas empresas cooperativas”.

(L. Gatovsky: “Unity of Plan and Cost Accounting”, in: “Kommunist” (Communist), No. 15, 1965, in: M.E. Sharpe (Ed.): op. cit., Volume 2; p. 88)

Brezhnev também deu grande ênfase na expansão do poder militar, obtendo paridade militar com os Estados Unidos. Isso exigiu recursos que não puderam ser usados para suprir necessidades domésticas, além de terem fechado os olhos para o setor privado ilegal, uma “segunda economia”. O “pacto” com esta economia fez surgir o que ficou conhecido como “os milionários de Brezhnev”, pessoas que fizeram fortunas através de redes de corrupção toleradas pelo novo poder. Nos anos de Brezhnev não houve praticamente condenações pela prática deste tipo de crime. Com Andropov, essa situação alterou-se radicalmente e muitas pessoas foram condenadas nesse período.

Sobre as nacionalidades, Brezhnev negou que o socialismo mundial nasceria da mistura de diferentes experiências revolucionárias nacionais. Apresentava o Exército Soviético como garantidor da liberdade dos países espoliados pelo imperialismo e pelo capitalismo, negando a necessidade dos partidos comunistas no mundo se aterem à realidade específica de seu país. Apoiou reformistas (Chile), putchistas e aventureiros (Etiópia, Afeganistão), bem como militaristas (Egito, Síria), os quais ele apresentava invariavelmente como artesãos da revolução socialista, além das invasões no Camboja e no Afeganistão.

Roger Keeran e Thomas Kenny, autores de “O Socialismo Foi Traído” (“The Socialism Betrayed”, no original em inglês), afirmam que havia sempre duas tendências na política soviética: uma ala de direita, que defendia a incorporação de formas e ideias capitalistas, e uma ala de esquerda que apostava na luta de classes, num partido comunista forte e na defesa da classe operária. Encontramos as duas correntes mesmo antes da Revolução de Outubro, com os mencheviques de um lado e os bolcheviques do outro. Mais tarde a situação se polariza entre: Bukarin e Stalin; Khruschev e Molotov; Brezhnev e Andropov; Gorbachev e Ligatchov.

Há pessoas que atacaram o livro de Keeran e Kenny, dizendo que a falta de democracia e o excesso de centralização foram as causas do colapso soviético. Este é o principal argumento da burguesia para difamar qualquer experiência socialista, é como uma fórmula mágica, mas é incorreto, como já foi mostrado exaustivamente, acusar o socialismo de ter destruído a União Soviética.

Outro ataque a eles foi o fato deles não falarem tanto de Stalin, e terem sido brandos com este, por não terem reconhecido nele um monstro, um louco, um carniceiro. O ódio a Stalin é tão cego e intenso que alguns críticos dizem que os dois autores estão errados, insistindo que a causa do fim da URSS foi Stalin.

Depois da morte de Brezhnev, houve como sucessor, por pouco tempo, Andropov, depois Chernenko, os dois no período que vai do final de 1982 ao começo de 1985; depois, Gorbachev finalmente.

Um mês depois de Gorbachev assumir, em maio de 1985, Willy Brandt declara a um amigo íntimo: “Já vi muita coisa na minha vida, mas ainda não tinha visto um anticomunista na direção do Kremlin”. (L’Humanité, de 10 de outubro de 1992)

Gorbachev dizia estar conduzindo a URSS ao caminho leninista novamente, mas depois de ver tudo que foi feito antes dele, era difícil acreditar em tamanho otimismo. A restauração capitalista avançou cada vez mais sob Gorbachev. Foi nele que a nova classe capitalista encontrou o seu lugar; na Glasnost o seu meio de expressão e na Perestroika, a legitimação de seus projetos restauracionistas. Criticaram Brezhnev, mas a partir do ponto de vista dos liberais e pró-ocidentais.

Na sua famosa entrevista à Spiegel, Gorbachev, sincero, declarou que as suas “simpatias políticas pertencem à social-democracia” e a um “estado social do gênero do da Alemanha federal”. (Spiegel 3/1993, p.124)

Apesar dos problemas, não havia sinal de crise. Houve desaceleração no crescimento econômico, mas ainda era respeitável segundo os padrões capitalistas.

Por todas as razões dadas neste texto, é mais preciso afirmarmos que houve dois períodos decisivos do golpe da burguesia remanescente: o primeiro em 1956 e o segundo em 1989. Não é verdade que não tenha havido resistência ao fim da URSS, ou que isso era inevitável. Basta lembrar que, no referendo de 1991, a maioria esmagadora (75 por cento) votou a favor da manutenção da URSS. Gorbachev e Iakolev, ao mesmo tempo em que faziam falsas promessas, destruíram totalmente num curto espaço de tempo a organização do partido, os jornais e todos os meios de informação foram entregues aos anticomunistas.

No plenário do CC do PCUS de janeiro de 1987, sob o slogan de “democratização”, teve início a exclusão do PCUS do poder político e econômico. Também converteram o Komsomol (organização da juventude comunista), com 15 milhões de membros, num centro de formação para jovens empresários. Usando recursos do Komsomol, os jovens capitalistas russos fundaram os primeiros bancos comerciais e bolsas do país.

Fica, portanto, a conclusão de que desde as primeiras reformas econômicas, em 1957, até 1991, devemos considerar a sociedade soviética como uma fase de transição entre o socialismo e o capitalismo, com a gradual destruição de todas as conquistas do socialismo, até a final consolidação da nova classe burguesa (que não deve ser confundida com a burocracia do Partido, que é representante dos interesses de uma classe, mas não a própria classe), que com a sua investida anticomunista muito bem planejada, conseguiu subverter os países socialistas, não apenas a URSS, mas também o Leste Europeu, tendo sido uma minoria a arquitetar o derrubamento do Muro de Berlim e o consequente fim da União Soviética.

Hoje vemos nos países outrora com gestões revisionistas um grande desejo popular pela volta do socialismo: Rússia, Romênia, República Tcheca (que recentemente elegeu socialistas), Alemanha, Hungria. O proletariado sentiu os efeitos negativos do capitalismo; se não era bom para ele o revisionismo, o capitalismo foi pior ainda. Ao longo do processo de degeneração, os ataques contra o marxismo-leninismo, assim como os ataques contra a ditadura do proletariado e todos os seus êxitos e conquistas, desempenharam um papel importantíssimo. O ataque contra o legado de Stalin também foi parte importante da restauração; foram demolidas as estátuas de Lenin, sem necessidade de campanha contra a sua obra, pois não foi necessário; ao atacar Stalin, atacamos Lenin como consequência.

Devemos aprender com os erros do passado revisionista para não repeti-los, não dando chance alguma para os capitalistas e nunca diminuir a vigilância e a firmeza ideológica, seguir sempre o caminho da revolução proletária. Um caminho que será pavimentado, a partir de então, sem uma União Soviética para nos auxiliar. Não podemos nos desviar do objetivo final dos povos oprimidos, que lutam pela real democracia e real liberdade: a construção da sociedade comunista em todos os países.


Fontes:

BLAND, W. B. The Restoration of Capitalism in the Soviet Union.

KENNY, T.; KEERAN, R. The Socialism Betrayed.

MARTENS, L. Balanço do colapso da União Soviética.

MARTENS, L. Stalin, um novo olhar.

SOCIALI, R. (Org.). Contribuição para o balanço da experiência dos países socialistas.

STRONG, A. L. The Stalin Era.

WEBB, S.; WEBB, B. URSS, uma nova civilização.

 
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Publicado por em 09/01/2014 em Padrão

 

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