A Revolução Maoísta no Tibete — Parte 3

Guardas Vermelhos e as Comunas Populares

Solo Fértil no Tibete Para a Revolução Cultural de Mao

Em um dia ensolarado de Agosto de 1966, Mao Tsé-tung ficou em frente a um milhão de jovens Guardas Vermelhos que inundaram Pequim – e colocou uma de suas braçadeiras vermelhas. Mao Tsé-tung fez algo que nenhum outro chefe de estado da história havia feito: convocou as massas do povo a se levantarem contra o governo e o partido no poder que ele mesmo liderou. “Bombardeiem os Quarteis-generais!” ele disse. A luta intensa e histórica que ele desencadeou foi irromper pela China nos próximos dez anos – de 1966 a 1976. A Revolução Cultural Proletária estava em curso.

Dentro de alguns dias dessa grande reunião, alguns Guardas Vermelhos voaram para Lhasa, Tibete – onde sua mensagem radical encontrou uma audiência ansiosa. O novo ensino médio no Tibete tinha se formado em sua primeira classe sênior em 1964. Um núcleo de jovens de servos e escravos agora sabia ler e aprendeu princípios básicos maoístas sobre a revolução.

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Resposta à animação “Os Invencíveis”, do Instituto de Memória Nacional da Polônia — Parte 4

O Massacre de Katyn

Contexto

No dia 13 de Abril de 1943, a imprensa nazista anunciou que haviam sido encontradas valas comuns na Floresta de Katyn próximo a Smolensk, contendo os corpos de milhares de oficiais poloneses alegadamente assassinados pelos russos. O plano era minar as relações entre soviéticos e poloneses. Três dias depois, o governo soviético nega as acusações alemãs.

A insistência do líder do governo polonês no exílio, o General Władysław Sikorski, em endossar a propaganda alemã levou ao completo desastre nas relações entre o governo polonês em exílio em Londres e o governo soviético – como Goebbels comentou em seu diário:

“Esta quebra representa uma vitória de 100 por cento para a propaganda alemã e, especialmente, para mim pessoalmente… nós fomos hábeis em converter o incidente de Katyn em uma questão altamente política…”

O objetivo de Sikorski era disputar a fronteira a leste da Linha Curzon.

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Resposta à animação “Os Invencíveis”, do Instituto de Memória Nacional da Polônia — Parte 3

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Rússia refresca memória da Polônia sobre ajuda soviética ao país durante 2ª Guerra Mundial

Enquanto a Polônia tenta eliminar quaisquer vestígios da União Soviética de sua história, o Ministério da Defesa russo desclassificou documentos que comprovam assistência maciça soviética aos poloneses nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial.

Os documentos do Arquivo Central do Ministério da Defesa “nunca antes publicados para livre acesso”, detalham o apoio recebido pela Polônia da União Soviética durante libertação dos nazis entre 1944 e 1945. De acordo com os papéis, a URSS fornecia aos poloneses nas áreas libertadas “comida, medicamentos, veículos, combustível e matéria-prima para empresas industriais”.

Por exemplo, “durante março e novembro de 1945, mais de 1,5 bilhão de rublos (cerca de 930 milhões de reais) nos preços de produtos alimentícios de 1945 foram dados para a população polonesa e empresas agrícolas do país”.

Além do mais, o Exército Vermelho se envolveu na reconstrução de ferrovias e pontes, que foram bombardeadas pelas forças nazis antes de serem expulsas da Polônia.

O Ministério da Defesa da Rússia publicou também o acordo entre o comando soviético militar e o governo provisório polonês em relação ao destino do equipamento industrial e outras propriedades abandonadas pelos nazis no país. “Nota-se que todas as usinas [alemãs] e equipamento na Polônia sem exceções foram entregues aos poloneses. Desmontagem e transferência foram rigorosamente proibidas”, diz-se nos documentos.

Em junho, o parlamento polonês adotou um pacote de emendas legislativas para proibir qualquer propaganda relacionada ao comunismo ou qualquer outro regime totalitário em edifícios e estátuas. Há alguns dias, autoridades locais da cidade de Szczecin deram início à destruição do monumento em homenagem aos soldados soviéticos. Muitos outros monumentos no país correm o risco de ser destruídos da mesma forma.

O embaixador russo na Polônia, Sergey Andreev, criticou a lei polonesa anticomunista. Em entrevista ao canal RT, ele disse: “Qual é a ligação entre os monumentos e propaganda comunista? Foram erguidos para homenagear 600.000 soldados soviéticos e oficiais que morreram durante a libertação da Polônia entre 1944 e 1945. Trata-se de monumentos dedicados às pessoas que salvaram a Polônia, pois somente graças a eles, a Polônia existe hoje em dia, caso contrário não existiria nem comunismo nem capitalismo, tampouco poloneses como povo.”

A publicação dos documentos pelo Ministério da Defesa se enquadra no projeto digital “Memória contra o esquecimento” que visa preservar exatidão histórica e prevenir sua falsificação.

Fonte: Sputnik News

Resposta à animação “Os Invencíveis”, do Instituto de Memória Nacional da Polônia — Parte 2

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A luta dos comunistas dentro dos campos de concentração

O vídeo esconde o fato de que os maiores levantes armados ocorridos em campos de concentração, como o do Gueto de Varsóvia, foram liderado por jovens comunistas e de outras matizes de esquerda.

Era comum a ideia de que essa perseguição nazista era mais um fardo que o povo judeu deveria carregar e aguentar; isso denota a inserção de uma ideologia de colaboracionismo com os nazis dentro dos campos. Porém, nem todos pensavam dessa forma. Contra essa desmoralização, círculos rebeldes auto-organizados se formaram; seções do Gueto eram compostas por indivíduos de esquerda: social-democratas, socialistas-sionistas e comunistas. Todos os partidos – o Partido Comunista polonês; o Bund, organização judia de massas social-democrata; o grupo de jovens marxistas-sionistas Hashomer Hatzair; e o partido sionista de esquerda Po’alei Zion se dedicaram à estratégia de organizar células que buscavam reviver atitudes coletivistas, entre uma juventude judia emocionalmente paralisada e desmobilizada.

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Resposta à animação “Os Invencíveis”, do Instituto de Memória Nacional da Polônia — Parte 1

Leia também a Parte 2.

Esse instituto produziu uma animação gráfica de viés nacionalista sobre a Polônia, denominada “Os Invencíveis”, que segundo o qual retrata “a história da luta pela liberdade do povo polonês contra as ocupações dos regimes nazista e soviético”.

O vídeo é repleto de incoerências históricas, com um raciocínio simplista que vem acompanhado do sensacionalismo tanto na forma de escrita quanto nas imagens. Isso joga vários véus sobre a realidade histórica e presta um desserviço a quem precisa ter acesso a alguma informação fidedigna sobre os fatos enunciados.

Não é nem mesmo explicado o contexto político que levou à assinatura do tratado de não agressão entre a URSS e a Alemanha, que não tinha nenhuma relação com qualquer plano “para destruir a Polônia”. São ocultados todos os fatos que precederam a invasão nazista, algo útil para alimentar o discurso de que supostamente havia uma espécie de conluio maléfico entre os dois países. Tentam destruir o resgate da memória da resistência armada da esquerda contra o nazismo, de dentro dos campos de concentração. Confiam na propaganda que jogou a responsabilidade pelo Massacre de Katyń nas mãos dos soviéticos. Escondem a ascensão do fascismo, tanto na Polônia quanto em alguns outros países que compunham o que a burguesia chama de “Bloco de Varsóvia”, que continuou atuando mesmo depois da guerra.

Os longos parágrafos que se seguem tentam dar uma resposta a esses ataques mentirosos, tendo um compromisso sério com a verdade, sem apelar para a distorção de fatos históricos com o objetivo de alimentar determinada retórica político-ideológica.

Nesta primeira parte, o foco será dado ao Tratado de Não Agressão Mútua, pelo qual o vídeo passa muito rapidamente – com uma afirmação sensacionalista de duas linhas: “Em 23 de agosto de 1939, Hitler e Stalin firmaram um pacto secreto. O objetivo era destruir a Polônia”.

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Anotações de Marx ao livro de Bakunin “O Estado e a anarquia”

Do Portal Vermelho à Esquerda
https://vermelhoaesquerda.blogspot.com.br/2014/01/anotacoes-de-marx-ao-livro-de-bakunin-o.html )



Neste texto, Karl Marx faz anotações de caráter crítico ao livro do teórico anarquista Mikhail Bakunin. Neste livro, como mostra Marx durante as anotações, há vários erros de Bakunin sobre o comunismo científico. Mais tarde, tais críticas de Bakunin à concepção marxista se mostram cientificamente refutadas sobre a experiência da revolução russa, sobretudo com a criação da República proletária Soviética! 
 

Abaixo, o texto. Em itálico e clareado, os escritos de Bakunin; em fonte normal, as intervenções de Karl Marx.

“Nos últimos tempos, o filisteu alemão começa de novo a sentir um terror sagrado ante as palavras: ditadura do proletariado. Pois bem, senhores, quereis saber o que é essa ditadura? Olhai a Comuna de Paris. Eis aí a ditadura do proletariado”. (Engels em introdução do livro Guerra Civil na França).


 

Já apontamos nossa profunda repugnância pela teoria de Lassale e Marx, que recomenda aos operários, senão como ideal supremo, pelo menos como objetivo imediato e principal a instauração de um Estado popular, o qual, segundo sua expressão, não será senão o proletariado erigido em classe dominante. E alguém se pergunta: quando o proletariado seja classe dominante, sobre quem vai dominar? Isso significa que restará de pé outro proletariado, submetido a esta nova dominação, a este novo ‘Estado’”.

Isto significa que enquanto subsistam as outras classes e especialmente a classe capitalista, enquanto o proletariado lute contra elas (pois com a subida do proletariado ao poder não desaparecem todavia seus inimigos, nem desaparece a velha organização da sociedade) terá que empregar medidas de violência, a saber, medidas de governo. Enquanto o proletariado seja todavia uma classe e não tenham desaparecido as condições econômicas nas quais descansa a luta de classes e a existência destas, será preciso, pela violência, tira-las do caminho ou transforma-las, será preciso acelerar pela violência seu processo de transformação.

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Sobre o livro ‘A Anarquia’, de Malatesta

Resolvi reler este livro novamente depois de alguns anos de tê-lo mofando na estante. Se eu fosse comprar um livro sobre o assunto hoje, seria mais exigente quanto ao seu conteúdo e suas fontes (Malatesta não cita quase nada); porém, compreendo que é um livro escrito somente para agitprop e dá pra tolerar isso.

Apesar da maior parte do livro já não me convencer hoje, há algumas partes que são aproveitáveis.

O panfleto é de 1891 e pode ser lido em inglês aqui: http://www.marxists.org/archive/malatesta/1891/xx/anarchy.htm (Versão curta)

E em espanhol aqui: http://www.nodo50.org/fau/teoria_anarquista/malatesta/1.htm (Versão completa, provavelmente a que foi utilizada na tradução deste livro que tenho em mãos)

Comentarei primeiramente a biografia de Errico Malatesta escrita por Jorge Silva antes da introdução ao livro, algo que me chamou a atenção:

É citado um movimento italiano chamado Levante de Benevento, do qual Malatesta fez parte; diz-se que ele se tornou lendário na Itália depois que “um grupo anarquista percorreu o sul da Itália distribuindo armas à população e queimando os arquivos públicos, proclamando o comunismo libertário”. Não me incomoda a ação contestadora ou o uso das armas (que, aliás, é um ato autoritário); porém, o fato de pensarem que mudarão tudo ao colocarem armas nas mãos do povo politicamente desorganizado (e não se preocupando em organizá-lo, já que isso supõe necessariamente uma centralização em algum grau), adotando a via da “espontaneidade das massas”, uma tática que a história comprovou continuamente ser causa somente de derrotas para o proletariado. Não preciso citar exemplos do Brasil recente, tendo as Jornadas de Junho de 2013 falhado miseravelmente em pelo menos trazer um pouco de estabilidade política. Nada que incomode os anarquistas e seus dogmas, infelizmente. O anarquismo nega a necessidade de organizações proletárias disciplinadas e centralizadas, deixando o proletariado inofensivo diante das poderosas organizações capitalistas.

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