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O projeto “popular” do PT

11 dez

Texto de um dos amigos do blog Grande Dazibao

Os ideólogos da camarilha oportunista-reformista hoje no poder (PT-PCdoB-PDT-PPS…) fazem uso de argumentos retirados da ciência do Marxismo-Leninismo para justificar sua política pró-imperialista. Afirmam que o PT está implementando no Brasil um projeto democrático-popular de governo, com a única diferença de que não teríamos precisado passar por uma revolução para isso. Afirmam que o PT está realizando o que a esquerda revolucionária tentou implementar ,país em outros tempos , apenas que por meio da democracia. Criticam a atual esquerda revolucionária , afirmando que ingenuamente defendem que o socialismo seja implantado o quanto antes no país, quando é necessário alargar as conquistas democráticas. Estaria então toda a esquerda revolucionária defendendo uma estratégia sem sentido de revolução , quando a democracia está sendo guiada por pessoas “progressistas”. Eis, em resumo, os argumentos apresentados pelas marionetes do governo petista.

A questão é: existe mesmo um governo democrático-popular em nosso país?

A origem do PT, companheiros, pode nos revelar muita coisa. Os militares, durante a ditadura fascista em nosso país, esmagaram como sabemos a esquerda revolucionária brasileira, com ferro, fogo e derramamento de sangue. Neste tempo, os revolucionários lutavam , não pelo Socialismo, mas pela Democracia Popular em nosso país. Foram duramente reprimidos. Foi durante o período de refluxo do movimento revolucionário (início dos anos 1980), que surgiu em torno da figura de Luís Inácio “Lula” da Silva, a proposta de uma esquerda nova, que rejeitava o marxismo e considerava o partido leninista como um modelo “ultrapassado”. Lula havia sido treinado, junto com outros sindicalistas, em cursos oferecidos pelo IADESIL (Instituto Americano de Desenvolvimento do Sindicalismo Livre), uma instituição norte-americana ligada ao projeto yankee de combater o comunismo, criando um sindicalismo novo, defensor da conciliação dos operários com a burguesia. Treinado na John Hopkins University, na mais fina arte da demagogia que se mascara de esquerda para atrair os trabalhadores ao mesmo tempo que rechaça o comunismo, Lula havia sido introduzido sindicato de São Bernardo pelo sr. Paulo Vidal, próximo dos militares, de quem herdou a direção do sindicato em 1975. Nos cursos do IADESIL, Lula e seus comparsas desenvolveram a proposta de criar um novo partido político de tendência anti-comunista. O suposto “novo sindicalismo” contava igualmente com amplo apoio da Igreja Católica, e defendia a proposta do papa João Paulo II, típica da Igreja, de conciliação entre as classes (uma mera retomada da política “social” da Igreja surgida ainda no século XIX , que afirmava a harmonia entre as classes para se contrapor ao comunismo). Uma ampla aliança entre a Igreja Católica (por meio das chamadas CEB’s , Pastoral da Terra, e ideologicamente legitimadas pela chamada “teologia da libertação”), ex-guerrilheiros arrependidos e renegados e diversas correntes trotskistas, da esquerda liberal e semi-trotskistas juntaram-se aos sindicalistas anti-comunistas para formar o que se tornaria o PT. Rapidamente a eles se juntaram os revisionistas e traidores do PCdoB (e sua defesa de uma política eleitoreira para alcançar a “democracia popular”), PCB (que havia aderido a muito tempo a um projeto concialiador e reformista, bem ao gosto dos revisionistas soviéticos) e o MR8. Fizeram uso de um discurso esquerdista (de repúdio ao FMI, crítica aos patrões, crítica ao peleguismo e ao trabalhismo) para conquistar a simpatia das massas. Porém, na medida em que se fortaleciam, este discurso foi ganhando uma tonalidade menos vermelha.

Os petistas sempre receberam amplos financiamentos da Igreja Católica, da democracia cristã européia e do sindicalismo “livre” norte-americano. Puderam assim pretender alcançar em pouco tempo o poder no país. O general Golbery do Couto e Silva, eminência parda do regime militar fascista, considerava de suma importância para a burguesia brasileira apoiar a liderança de Lula, visto que era um líder operário conciliador e que não se alinhava ao marxismo revolucionário.

Ao longo do governo FHC , o PT e a CUT (sua frente sindical) foram se fortalecendo junto aos trabalhadores defendendo a desmobilização e a negociação com a burguesia. Foi basicamente graças ao massacre terrorista dos militares e a demagogia pelega dos petistas, que a esquerda revolucionária foi dizimada , sendo hoje tratada como “coisa do passado”. Lula vence , finalmente, as eleições presidenciais de 2002, e inicia um processo de transição (o primeiro na história do país), entre o governo FHC e o seu. Podemos dizer, em poucas palavras, que os petistas significaram uma continuidade do projeto liberal do governo FHC. O Bolsa Família reuniu vários programas assistencialistas do governo anterior (Bolsa-escola, vale-gás, etc) em um só, e recebeu ampla propaganda governamental. O novo governo se pautava nas “recomendações” do FMI de somar assistencialismo e uma política liberalizante a nível macro-econômico. E assim estamos atualmente.

O que vemos hoje em dia?

O governo petista continua o processo de privatização das empresas e serviços públicos do governo anterior com uma sutileza maquiavélica. Vende concessões do nosso petróleo para empresas estrangeiras, financia grandes monopólios privados nacionais e estrangeiros instalados no país, iniciou a privatização sutil do ensino superior (por meio do PROUNI, em que dinheiro público é investido em faculdades particulares para abrir vagas públicas LÁ), nada fez para retomar as estatais privatizadas no governo anterior, pelo contrário, fortalece o processo de privatização; tem uma política cada vez mais vigorosa de cortes de gastos governamentais, ao mesmo tempo que mantém altos impostos para pagar os juros de uma dívida pública absurda que serve para financiar monopólios privados; isolou o MST no campo , impede o avanço da reforma agrária porque defende a indenização dos latifundiários para desapropriar terras improdutivas indevidamente ocupadas pelos fazendeiros (e eles não disponibilizam muitos recursos para isso -QUASE NADA , na verdade); ultimamente tem privatizado os aeroportos, rodovias, enfim toda a INFRAESTRUTURA PRODUTIVA. Soma-se a isso a política autoritária de atrelar os sindicatos ao projeto liberal do governo, o distanciamento completo dos dirigentes sindicais(muito bem pagos) em relação às massas, o completo aniquilamento por vias “democráticas” de todo movimento independente da classe operária, mantendo o controle sindical em vigor desde os tempos de Getúlio Vargas. As marionetes do governo ainda tem a cara de pau de falar que estão implementando uma “democracia popular”. O país está passando por um processo desastroso de desindustrialização ,visto que seu total apoio ao “livre mercado” tem possibilitado a invasão de produtos estrangeiros , ao mesmo tempo que pequenas e médias empresas fecham em todo o país. Até a burguesia nacional está insatisfeita com o governo petista e tem se aproximado cada vez mais da direita encabeçada pelo DEM/ PSDB. O governo petista é um governo para os monopólios privados subsidiados com dinheiro público (capitalistas burocratizados) e para os grandes latifundiários, que tem provocado a elevação absurda do preço dos alimentos ( o carro-chefe do aumento inflacionário que verificamos hoje). O governo PETISTA , companheiros, É REALMENTE UMA DEMOCRACIA POPULAR? OU A MAIOR ARMA DA ALTA BURGUESIA NACIONAL E ESTRANGEIRA CONTRA OS TRABALHADORES?

E ainda vem alguns afirmarem aqui que não precisamos mobilizar as massas populares em torno de uma política verdadeiramente popular, por meio de uma revolução! Queremos uma reforma agrária radical, terra para quem trabalha! Queremos o fim das privatizações com a retomada das empresas já privatizadas! Queremos a mobilização política das massas, a participação delas no Estado, o que é impossível nesse estado patronal dominado por burocratas que representam lá os interesses da alta burguesia financeira e imperialista! Queremos VERDADEIRA DEMOCRACIA POPULAR E NÃO DEMAGOGOS DESCARADAMENTE MENTIROSOS!

Fonte: http://grandedazibao.blogspot.com.br/2012/03/o-projeto-popular-do-pt.html

 
1 comentário

Publicado por em 11/12/2012 em Brasil, Capitalismo, Ideologia burguesa

 

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Uma resposta para “O projeto “popular” do PT

  1. Lúcio Jr

    16/01/2013 at 19:54

    Eu só tenho dúvidas se existe uma burguesia nacional. Parece que há uma de interesses nacionais e que está fechando com o PT. A burguesia antinacional é que está radicalizando junto da mídia, pq sabe que o crescimento do PT irá obrigá-la a se associar a esse projeto que une demagogia e liberalismo. Assim, por exemplo, a imprensa, trincheira da burguesia financeira, terá de se associar, atacar menos o PT. E isso ela não quer de jeito nenhum.

     

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