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Grover Furr — Leitura (a)crítica e o discurso do anticomunismo

01 jun

Grover Furr é professor de História e Literatura Inglesa na Universidade de Montclair, New Jersey.

Publicado em The Red Critique, número 11.

Ainda que oficialmente a Guerra Fria havia terminado, o anticomunismo está muito vivo e presente em todos os tipos de discursos—críticos, históricos e políticos—, gozando de uma grande influência tanto no mundo acadêmico como na sociedade em geral. Durante cerca de três décadas ou mais, o comunismo funcionou como o grande inominável na pós-estruturalista “guerra contra a totalidade”. Os ataques contra o “logocentrismo” do “racionalismo ocidental” foram usualmente dirigidos contra o legado burguês do Iluminismo, mas se analisarmos a linguagem destes ataques, Marx vai aparecer no ponto de vista tanto ou mais que Locke e Rousseau.

Apresentado como a crítica ao “reducionismo de classe” em comentários preestabelecidos de um modelo “interseccional” de gênero, raça e classe, e da relação do discurso com a ideologia, essa antipatia para com o marxismo penetrou com força no substrato cultural, exercendo uma postura e permanente influência inclusive (ou sobretudo) nos acadêmicos que presumem estar “além da teoria” e de ter regressado ao particular. E apesar de que o impacto deste antimarxismo esteja limitado em grande parte do mundo acadêmico que se expressa em uma linguagem extremamente teórica, este espalha-se por toda a sociedade através do jornalismo e das declarações de intelectuais públicos e de estudiosos e professores, para confluir com os conceitos da Guerra Fria do “autoritarismo vermelho”, conceitos que nunca saíram do cenário.

Por vários anos tenho investigado a história da Terceira Internacional e, particularmente—com a ajuda de acadêmicos russos afincados na antiga URSS—, tenho investigado o que foi publicado nos arquivos da era soviética anteriormente secretos.

Encontrei, com toda clareza, que uma grande quantidade de mentiras fizeram parte—e ainda fazem—dos relatos da história comunista e da política as quais gozam de um status praticamente incontestável nos Estados Unidos e em todo o mundo ocidental, tanto entre os acadêmicos quanto entre o público em geral.

Ou seja, o que descobri é que o local e o particular—ou, utilizando uma palavra em desuso, ainda que indispensável, os “fatos”—não só podem ser fetichizados e descontextualizados, mas são simplesmente inventados. E esta falsificação (ou falando com mais clareza, esta mentira) pode passar praticamente inadvertida enquanto se concorde com conceitos não questionados, porém amplamente populares sobre o reducionismo e o autoritarismo de esquerda.

No nosso atual ambiente acadêmico, a atração pós-estruturalista para a dissociação fragmentária e a antipatia para com a totalidade aparecem ligadas ao discurso herdado do anticomunismo. E a atual tendência historicista a ver os “fatos” como funções de “discursos”—e, consequentemente, não suscetíveis de serem submetidos a julgamentos de verdade ou falsidade—fazem ainda mais complicada a tarefa de recuperação e de reconstrução históricas. Porém, cada vez mais pessoas estão comprometidas nesta tarefa.

Gostaria destacar brevemente algumas das minhas conclusões, que revelam a indiferença e o desprezo para com os fatos que caracterizam a maioria dos acadêmicos—na verdade, pseudo-acadêmicos—anticomunistas que tratam do assunto da antiga União Soviética.

Em sua recente e louvada biografia de Stalin, o acadêmico Robert Service escreve que o marechal Mikhail Tujachevsy, detido em Maio de 1937 sob a acusação de colaborar com o exército alemão e japonês para dar um golpe de estado na URSS, confessou apenas dois dias após a sua detenção:

“Tujachevsky foi executado em 11 de junho, havia assinado uma confissão com uma mão manchada de sangue depois de um terrorífico espancamento”.

Esta declaração não somente é falsa, mas constitui uma mentira deliberada. Não existe nenhuma “impressão digital ensanguentada” em papel com a confissão do Marechal, e tampouco nenhuma prova de que Tujachevsky tinha sido espancado e ameaçado. Mas, quantos de seus leitores têm a possibilidade de conhecer isso? (2)

A falta de qualquer tentativa séria de objetividade no estudo e na análise das fontes e provas sobre a história do movimento comunista no século XX é o foco da minha investigação e o tema do meu ensaio. Gostaria de introduzir brevemente alguns aspectos sobre os quais trabalhei.

1. O discurso de Kruschov: uma mentira

Em 26 de fevereiro de 1956, no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, realizado em Moscou, Nikita Kruschov pronunciou seu famoso discurso “Sobre o culto à personalidade e as suas consequências”. No referido às suas consequências, com certeza foi o discurso mais importante do século XX e, talvez, de todos os tempos. Foi um golpe fatal para o movimento comunista internacional, do qual ainda não se recuperou.

Acadêmicos, jornalistas, cientistas políticos e historiadores ainda falam das “revelações” de Kruschov, a “exposição”, etc. dos “crimes” de Stalin, neste discurso. Mas, quantos sabem que todas e cada uma das supostas “revelações” pronunciadas por Kruschov em seu discurso eram falsas? Não “algumas” ou “a maioria”—mas cada uma delas? Passei boa parte dos últimos anos documentando esse fato.

Essas mesmas “revelações” de Kruschov são a base sobre a qual se edificou a subsequente teoria marxista e comunista, assim como também a propaganda anticomunista. E—tenho que repeti-lo—todas elas são falsas.

Ninguém pode duvidar do ódio que Kruschov e companhia certamente sentiam por Stalin. Mas eles não podiam fazer nenhuma crítica sincera a Stalin, isto é, nenhuma que se atreveram a dizer em voz alta. Em suma, por trás do “Discurso Secreto” conhecido há outro “discurso secreto” que nunca foi pronunciado, e que constitui o verdadeiro motivo do ataque contra Stalin. Para uma descrição dos verdadeiros motivos pelos quais Kruschov e companhia odiavam Stalin, remete ao meu artigo publicado em duas partes de “Cultural Logic” em 2005, intitulado “Stalin e a luta pelas reformas democráticas”.

Também completei uma monografia muito mais ampla em que examina as supostas “revelações” de Kruschov apresentadas no seu famoso discurso—mais de 50—e em que documento, com provas provenientes dos arquivos soviéticos antes secretos, que praticamente todas e cada uma destas revelações são falsas.

Que implicações tem isso para a nossa compreensão da história do movimento comunista, do socialismo “real” e da teoria marxista? Pois que todos eles devem ser estudados novamente, repensados de princípio a fim. Um dos melhores investigadores norte-americanos do período de Stalin na União Soviética, J. Arch Getty, qualificou a pesquisa histórica realizada durante o período da guerra fria como “produtos de propaganda”—a “investigação” não pode limitar-se a criticar ou tentar corrigir as suas partes individuais, mas deve ser reconstruída a partir do começo. Concordo com Getty, e adicionaria que essa “pesquisa” politicamente tendenciosa e desonesta, ainda se está produzindo hoje e, por desgraça, é a dominante.

2. Objetividade: o caso dos Julgamentos de Moscou

Em 1936, 1937 e 1938 celebraram-se os famosos Julgamentos de Moscou. Entre os acusados havia importantes bolcheviques e colaboradores de Lenin. Os cargos contra eles incluíam crimes como assassinato, sabotagem econômica, planos de um golpe de Estado, o assassinato de Stalin e de outros dirigentes comunistas, e conspiração com os exércitos alemão e japonês.

Naquela data, a opinião sobre os Julgamentos estava muito dividida. Mas desde Kruschov foi amplamente assumido—esta é a palavra correta—que os acusados eram inocentes, e que as suas confissões foram forçadas de algum modo. Durante os últimos anos da URSS, o governo de Gorbachev e o Partido Comunista declararam praticamente todos esses acusados como “reabilitados”—o que significa que passavam a ser inocentes. Porém, não se colocou nenhuma prova da sua inocência. Os membros das comissões de “reabilitação”—cujos materiais foram publicados nos últimos 15 anos estiveram muito preocupados por este assunto.

Esforcei-me, nos últimos anos, por reunir e estudar todo o material dos arquivos soviéticos anteriormente secretos que foi publicado e que se refere a estes Julgamentos. Publicou-se apenas uma pequena parte do que sabemos que continua a existir. De toda maneira, os arquivos conhecidos permitem—ou melhor, exigem—o total repensar da história soviética.

Leon Trotsky foi um co-conspirador processado in absentia em cada um dos três Julgamentos de Moscou. Muitos dos acusados afirmaram que Trotsky colaborava com os fascistas alemães e japoneses. Esta era uma acusação que muitos encontraram então dificilmente crível, e que Trotsky rejeitou com indignação.

Muitos consideram essas acusações—contra os acusados nos julgamentos de Moscou e contra Trotsky—tão vergonhosas que as mesmas quase nunca são levadas a sério atualmente. E mais ninguém se preocupou em buscar os documentos dos antigos arquivos soviéticos e ver o que há neles. Eu o fiz e, portanto, quis apontar algumas coisas sobre isso.

O que domina a discussão sobre a culpa ou a inocência dos acusados nos julgamentos de Moscou é a absoluta inexistência de objetividade, ou mesmo uma mínima intenção de ser objetivo. A argumentação baseada no insulto, na invenção e na rejeição, ou simplesmente baseada na suposição do que se deve provar, caracteriza esta discussão em todos os níveis.

Isso é um grande problema e um perigo grave para nós na tradição marxista. Pensamentos dessa forma eliminam qualquer possibilidade de uma pessoa ser capaz de descobrir a verdade.

Marx e Engels escreveram que o proletariado “não tinha nada a perder, exceto as suas correntes”. Interpreto que isso significa que os que estão do lado da classe trabalhadora não devem temer buscar a verdade e aprender com ela, independentemente do quanto essa verdade possa golpear nossas “preciosas” ideias preconcebidas.

Marx também escreveu que deveríamos “duvidar de tudo”. Se isso não significa “questionar as nossas próprias ideias preconcebidas”, então não significa nada.

Uma parte essencial da objetividade consiste em reunir todas as provas, estuda-las cuidadosamente, e depois verificar se hipótese é apoiada pela preponderância das provas. Se novas evidências vêm à luz, teremos que preparar-nos para trocar as nossas conclusões, se for necessário, a fim de levar em conta essas evidências.

A questão da suposta colaboração de Trotsky com os alemães e japoneses é tão boa como qualquer outra consideração e, portanto, quero falar um pouco da mesma.

Não é o objetivo declarar a ideia como “absurda” desde o princípio. Isso não difere de declará-la como “correta” desde o princípio. O que devemos fazer é considerar as evidências. Nenhuma pessoa objetiva rejeitaria as transcrições dos Julgamentos. As confissões dos supostos conspiradores são evidências—a serem refutadas ou corroboradas pela análise ou por evidências adicionais.

Pode estar além da capacidade da maioria dos estudiosos e pesquisadores aproximar-se desta questão de maneira séria. Mas não estava além da capacidade de Trotsky fazer o mesmo. Trotsky foi capaz de conspirar ou não com os alemães e os japoneses. Mas Trotsky era um homem muito inteligente.

Ele não qualificou as acusações como “absurdas”, “loucas”, etc. Sabia que, se fizesse isso, muitas pessoas objetivas não só não acreditariam nele, mas perderiam o respeito por ele, perguntando-se porque ele não levando o testemunho a sério. Por isso impulsionou a “Comissão Dewey”, testificou que ele mesmo, pediu a seus seguidores que testificaram, obteve testemunhos do estrangeiro, e assim por diante.

Ou seja, as transcrições, evidências e depoimentos, tanto da Comissão Dewey como dos Julgamentos de Moscou, devem ser tidos em conta e estudados na sua totalidade.

E até o fim da União Soviética estiveram bem as coisas, sem que houvesse à mão testes adicionais. Kruschev, os “kruschevistas” como Roy Medvedev, Gorbachov e os “reabilitadores” nunca forneceram prova alguma verbo da questão de Trotsky e os alemães/japoneses.

Mas agora, desde o fim da URSS, contamos com mais provas dos antigos arquivos soviéticos. Não tanto como quisessem. Os historiadores nunca estão satisfeitos e sempre querem mais e mais evidências! Porém, não podemos dizer que temos poucas provas. E todas elas apoiam a acusação de que Trotsky, de fato, conspirou com os alemães e com os japoneses.

Durante o ano passado investiguei e rascunhei um artigo em que tentei reunir todas essas provas. Não está ainda pronta para a sua publicação. Mas já posso dizer duas coisas, não que não há nada secreto neste assunto:

  • Uma ampla quantidade de novas evidências apontam que Trotsky colaborou, de fato, com os alemães e os japoneses.
  • Não existe nenhuma “arma fumegante”. Neste assunto há que levar em conta as provas circunstanciais que atualmente podemos aceder aos pesquisadores.

Se num futuro aparecem novas provas, então um especialista objetivo estará pronto para trocar as suas conclusões, e até poderá mudar as suas conclusões totalmente. Se este fosse um assunto do qual ninguém se preocupar ou não existiram ideias pré-concebidas sobre ele – algo que puder ser examinado com, digamos, a mesma distância que os júri supostamente têm, e muitas vezes de fato, respeito a um caso sobre o qual estejam obrigados a decidir, simplesmente não existiria nenhuma controvérsia. Trotsky seria considerado “culpado”, pois as provas vão “além da dúvida razoável”. Não para além de qualquer dúvida concebível, desde logo, não é algo “seguro”-mas, quantas questões na história são “seguras”? De todo o modo, as provas que temos contra Trotsky excede enormemente qualquer prova da sua inocência, e certamente superam em muito as suas próprias negações.

Enquanto realizava esta investigação, tive que mudar as minhas próprias ideias. Duvidei-isto é, com uma mente aberta-sobre todo este assunto. O que me impedia dizer: “Stalin, ou Ezhov, tendo uma armadilha para Trotsky”? Nada! Assim que também estava preparado para encontrar-me com isso. Mas, ao contrário, encontrei justamente o contrário, o mesmo que encontraria qualquer estudioso objetivo que analisará as provas que temos agora. (3)

Por certo, fiz outro tanto com Bukharin. É um dogma do anticomunismo, seja liberal, conservador, russo, ocidental, etc. Que Nikolai Bukharin, que confessou e foi condenado nos Julgamentos de Moscou de 1938, era “inocente”. Rubashov, o herói de “Zero e o Infinito” de Arthur Koestler, que confessou que tinha abandonado a “lealdade ao partido”, estava baseado em Bukharin. Porém, a enorme quantidade de provas que agora temos aponta para que Bukharin foi culpado exatamente do que ele próprio confessou, tanto antes como durante o seu julgamento. Dizer isso é simplesmente, “tabu”. Mas as coisas são assim.

Tudo isso – as evidências e um estudo objetivo das mesmas – vão mudar o ponto de vista de alguém? Duas coisas:

  • “A mudança do ponto de vista” que me interessa. O trabalho do pesquisador e cientista. Reunir provas, estudo-as com detimento; extrair as conclusões. Ser objetivo. Atender às provas e a lógica, e “deixa que a maçã caia onde tem de cair”. “Diz a verdade e corre!” (Título da autobiografia do grande jornalista George Seldes).
  • Muitas pessoas são capazes de ser objetivas. Muitas vezes falo com muita gente jovem que vê os horrores do capitalismo. Eles querem mudar o mundo-e muito bem por eles! Compreendem que a herança do movimento comunista tem de ser estudada, mas estudada criticamente. Eles querem ser objetivos porque veem – com maior clareza que muitos da minha geração – que a objetividade, a verdade, é o único caminho à frente para a classe operária. Concordo com isso.

Mas há pessoas que simplesmente não são capazes de questionar-se os seus próprios prejuízos tanto tempo arraigados. A gente que defende uma determinada causa – o Trotskismo, o anticomunismo, o capitalismo, o anarquismo, a socialdemocracia – considera muitas vezes que essa causa tem mais importância que a objetividade. E não vão mudar de opinião simplesmente porque a evidência diga que deveriam fazer. Essas pessoas não me interessam.

Como marinheiros do medievo cujos mapas eram mais imaginários que baseados em fatos verdadeiros, fomos enganados pela história canônica da URSS, que são na sua maioria falsas. O processo de encontrar a verdade da primeira experiência socialista do mundo apenas começou. Acho que isto tem uma importância imensa para a história do movimento comunista, para o futuro do projeto marxista, e para o futuro da sociedade humana.

Notas

1. Recomendo ao leitor interessado a lista dos trabalhos de investigação sobre a União Soviética durante a era de Stalin adicionada a este ensaio.

2. Segundo uma comissão da era Kruschev, os sinais sobre um papel com as confissões de Tukhachevsky são de sangue. Ainda que isso fosse verdade, e mesmo se fosse o sangue de Tukhachevsky – o que não está demonstrado – uma vista de olhos às mesas mostra que não são “pegadas digitais”. Não existe nenhuma prova de que Tukhachevsky fosse “atingido” nem de que recebera abusos físicos de qualquer tipo. As manchas podem ser vistas em http://images.izvestia.ru/lenta/35492.jpg

3. Estou preparando os estudos de provas nos casos de Trotsky e de Nikolai Bukharin e, com um colega russo, uma edição da confissão-antes inédita e agora já disponível-de Bukharin do dia 2 de junho de 1937.

Bibliografia

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