Figuras do Movimento Operário: Stálin (por Jacob Gorender)

Fonte: Problemas – Revista Mensal de Cultura Política nº 23 – Dez de 1949.

I — Primeiras Experiências Revolucionárias

Stálin nasceu a 21 de dezembro de 1879, na cidade de Gori, na Geórgia. Seu pai foi sapateiro artesão e, depois, operário numa fábrica de calçados Sua mãe era filha de um antigo camponês servo. Desde cedo, conheceu a opressão e a miséria em que vivem as massas trabalhadoras.

Stálin estudou no seminário de Gori e depois no de Tiflis. Reagiu ao ambiente obscurantista do seminário e aos ensinamentos reacionários dos monges. Interessou-se pela literatura progressista da Geórgia e dá Rússia. A sua curiosidade intelectual era insaciável. Tanto se dirigia para os grandes escritores clássicos como para as obras de sociologia e ciências naturais, que abordavam as questões de um ponto de vista avançado. A leitura dessas obras custou a Stálin diversas punições no seminário.

Aos quinze anos, Stálin entra no movimento revolucionário, ligando-se com os grupos ilegais de marxistas russos, que viviam então na Transcaucásia, da qual a Geórgia faz parte. Stálin começa a ler obras de Marx, Engels e de Lênin, que, naquela época já havia iniciado a sua genial atuação de dirigente comunista.

Stálin, organiza no seminário círculos de leitura de obras marxistas e toma a iniciativa da publicação de um jornal estudantil clandestino. Não podendo suprimir as suas atividades, os monges o expulsam do seminário.

Passando a se sustentar com o seu trabalho num observatório geofísico, Stálin intensifica a sua atividade revolucionária. Toma posição ao lado dos marxistas-revolucionários e combate os oportunistas, futuros mencheviques. Stálin, Lado Ketskoveli e Sacha Zulukidse, são os iniciadores da agitação de massas na Transcaucásia, da propaganda em contacto direto com os operários, quando a maioria oportunista insistia em fazer uma propaganda apenas de caráter “legal”, distanciada das massas.

Stálin passa a dirigir vários círculos marxistas entre os operários. Desde logo se destaca pela precisão com que organiza as reuniões e pela simplicidade com que expõe os temas mais profundos. Ao mesmo tempo Stálin procurava se informar ao máximo da vida dos operários, aprendendo com eles.

Em 1898, Stálin e os seus companheiros socialistas revolucionários começam a dirigir greves importantes. Em 1899, organizam a primeira manifestação do 1.° de maio em Tiflis. A polícia tzarista se lança, em 22 de abril de 1901, contra uma grande manifestação de trabalhadores, organizada por Stálin. Era assim que Stálin começava a se temperar na luta de massas.

II — Dirigente Revolucionário no Cáucaso

Em 1901, a polícia já fortemente suspeitosa da atividade de Stálin apesar do cuidado e da habilidade com que Stálin trabalha, procura prendê-lo e faz uma busca em sua casa, não o encontrando. Stálin começa a sua vida ilegal, a sua vida de revolucionário profissional.

A 24 de novembro de 1901, organiza-se o primeiro comitê de Tiflis do Partido Operário Social-Democrata Russo. Stálin é eleito para o comitê e enviado para Batum, a fim de ali criar a organização revolucionária.

Lutando contra o oportunismo dos “marxistas legais“, Stálin cumpre rapidamente a sua tarefa em Batum. A sua atividade na direção de grandes greves põe em alarme as autoridades tzaristas. Stálin dirige pessoalmente grandes manifestações e entra em choque com a polícia, que, numa dessas manifestações, assassina 15 operários e fere 54. Stálin organiza o enterro revolucionário dos operários e faz imprimir um protesto vigoroso.

Stálin organiza uma imprensa clandestina em Batum e com ela realiza um grande trabalho.
A 18 de abril de 1902, durante uma reunião do grupo dirigente do Partido, Stálin é detido pela polícia e encarcerado. Embora no cárcere, Stálin é eleito, em fevereiro de 1903, para o Comitê da União Caucasiana do Partido.

Ainda no cárcere, Stálin não cessa a sua atividade revolucionária. Encontra meios de enviar diretivas aos que estão em liberdade e organiza o estudo do marxismo entre os companheiros de prisão. Stálin é um leitor incansável. A sua cultura já é extraordinária e ele a aumenta incessantemente.

Processado e condenado, Stálin é deportado para a aldeia de Novaia Uda, na Sibéria oriental. Foi por ocasião desse desterro que Stálin travou o seu primeiro contacto, por correspondência, com Lênin, que se encontrava no exílio. Stálin já tinha, então, enorme admiração por Lênin e nunca, em momento algum, iria se afastar do caminho revolucionário leninista.

Na primavera de 1905, Stálin foge do desterro e regressa a Tiflis. Iniciavam-se, então, as primeiras lutas que prepararam a revolução, de 1905.

III — Stálin Durante a Revolução de 1905

Regressando do desterro, Stálin imediatamente retornou á atividade revolucionária na Transcaucásia. À frente de bolcheviques da têmpera de Shaumian e Dzhaparidse, Stálin dirigiu o Comitê caucasiano do Partido.

Já então, estava o Partido claramente cindido em bolcheviques e mencheviques. Stálin foi, desde o primeiro momento um bolchevique intransigente, um fiel discípulo de Lênin. Popularizava, ao máximo, como grande organizador e propagandista que era, as obras de Marx, Engels e Lênin, mas, ao mesmo tempo, já começava a fazer as suas contribuições teóricas próprias. São dessa época diversos folhetos e artigos de Stálin contra os mencheviques e os anarquistas. Também nessa época começa a escrever sobre o problema nacional, analisando-o do ponto de vista marxista. No seu folheto ”Como compreende a social democracia o problema nacional?“, escrito em setembro de 1904, já se encontram as idéias centrais da obra clássica “O marxismo e o problema nacional”, que apareceria em 1913.

Assim é que, em 1904, com 25 anos de idade, Stálin já é um dirigente marxista completo, na teoria e na prática.

No período preparatório da revolução de 1905, Stálin desenvolveu incansável atividade. Em missão do Partido, percorria as principais cidades do Cáucaso, fundava novas organizações, dirigia movimentos grevistas, orientava a imprensa clandestina, na qual colaborava constantemente. Funcionou, nessa época, por iniciativa de Stálin, uma tipografia clandestina em Ablabar, que foi das mais notáveis de todo o Partido. Lutador de massas intrépido, Stálin era também um conspirador de incomparável habilidade.

Em dezembro de 1904, Stálin dirige, em Bakú, grande centro petrolífero, uma greve famosa. Pela primeira vez na história do movimento operário russo, os operários de Bakú conseguiram firmar um contrato coletivo. Com essa greve se iniciam as grandes lutas proletárias, que desembocariam na revolução de 1905. Os bolcheviques do Cáucaso dirigidos por Stálin, de tal maneira se distinguiam, que no III Congresso do Partido, foram as organizações do Cáucaso consideradas as mais combativas.

Preparando a revolução, Stálin soube dar às massas palavras de ordem claras e concretas. Desmascarando as manobras da burguesia liberal e o reboquismo dos mencheviques. Stálin insistiu com vigor na necessidade da hegemonia do proletariado. Em comícios e conferências, polemiza com os adversários dos bolcheviques e os esmaga com uma argumentação clara e irrefutável.

Stálin insiste sobretudo em que o proletariado deve se armar para a insurreição e tomar medidas práticas nesse sentido. Organizar grupos de combate para obter armas e ensinar o seu manejo.

Pouco antes da insurreição reuniu-se em Tammerfors na Finlândia, uma conferência bolchevique. Stálin compareceu como delegado da organização do Cáucaso e pela primeira vez se encontrou pessoalmente com Lênin. Stálin, nessa ocasião, fez parte da comissão política que redigiu as resoluções.

Em dezembro de 1905, a insurreição dos operários e camponeses deflagra por todo o Império Tzarista. Embora derrotada, foi essa insurreição uma lição magnífica para as massas trabalhadoras que, em 1917, iriam alcançar a vitória definitiva.

Derrotada a insurreição, Stálin, em nenhum momento se deixou cair no desânimo. Apontou ao desprezo as lamúrias dos mencheviques e, da própria derrota, tirou para as massas ensinamentos e perspectivas de vitória.

Em 1906, Stálin assistiu, na qualidade de delegado, ao IV.° Congresso do Partido. Num magnífico discurso definiu as divergências entre bolcheviques e mencheviques; “Ou hegemonia do proletariado ou hegemonia da burguesia“.

Pouco depois do IV.º Congresso, constituiu-se na Transcaucásia, por iniciativa de Stálin, o Bureau Regional bolchevique.

Em 1907, Stálin, assiste, em Londres, ao V.° Congresso do Partido, que terminaria com a derrota dos mencheviques. Ao regressar, Stálin escreveu suas notáveis “Anotações de um delegado”, que constituem o melhor resumo daquele Congresso. Já então, era extremamente estreita a amizade e a colaboração entre Lênin e Stálin.

Começava um negro período de reação na Rússia. É, nessas condições, que Stálin atua em Bakú e ali se tempera como lutador prático entre os operários da indústria do petróleo então monopolizado pelo capital anglo-francês.

IV — Stálin no Período da Reação

Com a derrota da revolução de 1905 o tzarismo tomou a ofensiva para esmagar completamente as poucas liberdades conquistadas pelo povo russo no período de ascenso democrático. Um regime feroz de repressão, de assassinatos e deportações se abateu especialmente sobre o proletariado. Foi em tais circunstâncias, que Stálin dirigiu o Partido em Bakú. Para caracterizar a atuação de Stálin, basta dizer que ainda em 1908, houve 47.000 grevistas em Bakú, mais do que em qualquer outra província do Império Tzarista. Stálin desenvolveu nessa época intensa atividade sindical.

Ao mesmo tempo, Stálin não cessava de dar combate aos mencheviques, ao seu podre oportunismo. Quando estes insistiam que os operários deviam se desarmar completamente, Stálin organizava grupos de auto-defesa para proteger os operários dos assaltos das “centúrias negras“, de toda espécie de pistoleiros a soldo das classes dominantes.

Combinando a atividade ilegal com a atividade legal, Stálin participou intensamente da direção da campanha para a III.ª Duma (Parlamento russo). Mas, ao mesmo tempo, Stálin procurava mostrar à massa que não devia ter nenhuma ilusão nas “soluções” parlamentares para os seus problemas.

Naquela época, atuavam no Cáucaso, ao lado de Stálin, bolcheviques que mais tarde teriam extraordinária projeção, como Vorochilov, Ordzhonikidse, Dzhaparidse, Spandarian, Shaumian e outros.

A 25 de março de 1908, Stálin é novamente detido. Por essa ocasião, dá um grandioso exemplo de heroísmo. A administração do cárcere resolveu dar uma “lição” aos presos políticos e os obrigou a passar entre duas filas de soldados que os espancavam com a culatra dos fuzis. Stálin passou sob a chuva de golpes sem baixar uma única vez a cabeça, com um livro de Marx na mão.

Depois de oito meses de cárcere, Stálin é novamente deportado para a Sibéria. Mas a 24 de junho de 1909 foge mais uma vez e regressa a Bakú. Durante 8 meses consegue trabalhar em liberdade. A 23 de março de 1910 é novamente detido e deportado, permanecendo na Sibéria até 6 de julho de 1911.

Na conferência do Comitê Central do Partido, em junho de 1911, Stálin foi designado para participar da “Comissão Organizadora” encarregada de convocar uma conferência bolchevique de toda a Rússia. É então que Stálin passa a atuar fora do Cáucaso. Com um passaporte falso, chega a Petersburgo (hoje Leningrado) sendo quase imediatamente detido.

Em janeiro de 1912, foi celebrada, em Praga, a conferência bolchevique de toda a Rússia. Nessa conferência, sob a direção de Lênin, foram expulsos definitivamente os mencheviques e formado um Partido bolchevique monolítico. Stálin, embora ausente, pois estava preso, foi eleito membro do Comitê Central e designado para dirigir o Bureau russo do Comitê Central.

Escapando à deportação, Stálin regressa a Petersburgo. Começa, então, a atuação de Stálin como um dos dirigentes do Partido em toda a Rússia, como um dos mais autorizados dirigentes bolcheviques.

Uma das primeiras iniciativas de Stálin foi a publicação, em Petersburgo, de um diário bolchevique legal. A 5 de maio de 1912 surgiu nas ruas a “Pravda“. No mesmo dia, denunciado por provocadores; Stálin é detido. Nova deportação e, mais uma vez, evasão, a 1.° de setembro de 1912. Outra vez em Petersburgo, Stálin se dedica a dirigir o Partido na maior cidade da Rússia, no centro operário de mais importância. Colabora assiduamente, na “Pravda“, mostrando-se um jornalista consumado, o dirige a campanha eleitoral para a IV.ª Duma. É nessa ocasião que Stálin redige o famoso “Mandato ao deputado operário”, que Lênin tinha em tão alta conta.

Por duas vezes esteve Stálin em Cracóvia (na Polônia), em contacto pessoal com Lênin. Foi em Cracóvia, no ano de 1913, que escreveu a sua obra clássica “O marxismo e o problema nacional”, que Lênin considerava ser o que havia de melhor no assunto.

Denunciado pelo provocador policial Malinovski (então infiltrado no C.C. do Partido e na fração parlamentar), Stálin foi mais uma vez detido. Dessa vez, de 1913 a princípios de 1917, iria sofrer a mais longa e dura de suas deportações. Sob severa vigilância foi enviado para um ponto quase deserto próximo ao círculo polar. Stálin, entretanto, não perdeu tempo. Estudou intensamente e, nas poucas ocasiões possíveis, organizou reuniões com os companheiros de deportação. Ao iniciar-se a 1.ª guerra mundial, Stálin, embora muito longe do cenário dos acontecimentos, tomou imediata posição a favor do internacionalismo proletário, desmascarando a traição dos mencheviques e de todos os partidos da II Internacional.

V — Stálin Dirigente da Revolução Bolchevique

O ano de 1917 iria assistir os mais importantes acontecimentos do século. No mês de fevereiro, o tzarismo é derrubado e a Rússia entra num regime de dualidade de poderes: de um lado, os Soviets de deputados operários e soldados, de outro, o governo burguês, apoiado pelas facções “esquerdistas” menchevique e social-revolucionária.

A 12 de março de 1917, tendo abandonado a deportação por conta própria, Stálin regressa a Petrogrado. Lênin ainda se encontrava no estrangeiro e coube a Stálin a direção do Partido em tão difícil e complicada situação. Stálin encontra para todos os problemas a solução leninista, chamando as massas à revolução proletária, pregando a tomada do poder pelos Soviets.

A 16 de abril, Lênin regressa a Petrogrado e pouco depois apresenta as suas célebres “Teses de Abril“. A partir de então, Lênin e Stálin estariam sempre em estreita colaboração. Stálin aparece sempre como o mais próximo colaborador de Lênin e como o lutador mais firme contra os traidores e oportunistas do tipo de Trotski, Kamenev, Zinoviev, Piatakov, Bukarin e outros.

Em maio de 1917, é criado o Bureau Político do C.C. do Partido e Stálin é eleito para esse órgão sobre o qual passou a recair a maior responsabilidade na direção do Partido.

Em julho de 1917, Kerenski desencadeia a reação, destrói a redação da “Pravda” e dá ordem de prender Lênin. Obrigado à clandestinidade mais rigorosa, Lênin passa a dirigir o Partido através da orientação que diretamente transmite a Stálin. Nessa ocasião, desmascarando Trotski e os seus comparsas, Stálin se opõe a que Lênin compareça diante do tribunal burguês e toma todas as medidas para proteger a vida de Lênin.

Em agosto, reúne-se o VI Congresso do Partido. Dada a ausência forçada de Lênin, cabe a Stálin fazer os informes principais. E Stálin aponta a solução: — derrubar o governo provisório de Kerenski e tomar o poder pela força. Em defesa do marxismo criador, Stálin refuta Bukarin e os trotsquistas, afirmando que existem na Rússia condições suficientes para a vitória da revolução socialista.

Na sessão ampliada do Comitê Central, a 16 de outubro, Stálin é eleito para dirigir o Centro do Partido responsável pela insurreição. Em luta implacável contra os capituladores como Kamenev e Zinoviev, Stálin prepara a insurreição, que deflagra a 7 de novembro. A 9 de novembro é organizado o primeiro governo operário e camponês com Lênin na presidência do Conselho e Stálin como seu suplente e como comissário do povo das nacionalidades. Neste cargo que ocuparia até 1923, Stálin teve oportunidade de desenvolver um gigantesco trabalho de consolidação do podei soviético entre as numerosas nacionalidades do antigo Império tzarista, combatendo o chauvinismo e aplicando o método do internacionalismo proletário para unir, em colaboração fraternal, de igual para igual, as nacionalidades grandes e pequenas.

Com a vitória da insurreição em Petrogrado e, pouco depois, em Moscou e em toda a Rússia, começa um período de choques tremendos para defender e consolidar a existência do poder soviético. Lênin, Stálin e Sverdlov são os dirigentes bolcheviques que desfazem as manobras de Trotski dentro do Partido e organizam a luta contra os guardas brancos e as potências intervencionistas.

De 1918 a 1920, Stálin se desloca por todas as frentes de guerra. Onde havia um perigo mortal, ali estava Stálin. Reorganiza o abastecimento, forma quadros e dirige operações militares, elaborando e executando planos estratégicos geniais. A sua atuação em Tsaritsin, na frente sudoeste contra Wrangel, na defesa de Petrogrado bastaria para imortalizar um chefe militar. Com Vorochilov, Dzerzhinski, Frunze, Kuibishev, Budieny, Kirov e outros bolcheviques, Stálin cria e forja o glorioso Exército Vermelho. Por proposta de Lênin, o Comitê Executivo Central de toda a Rússia assinala, a 27 de novembro de 1919, os méritos excepcionais de Stálin na frente da guerra civil e o condecora com a ordem da Bandeira Vermelha.

VI — Stálin, o Construtor do Socialismo

Com a vitória sobre os guardas brancos e as 14 potências intervencionistas, inicia-se para a União Soviética um período de trabalho pacífico. A atuação de Stálin, à frente do Partido, adquire um caráter cada vez mais decisivo. Já gravemente enfermo, Lênin é forçado a longos períodos de inatividade e, então, é a Stálin que fica entregue o leme da direção do Partido.

No XI.º Congresso do Partido, Stálin é eleito secretário geral do Comitê Central, posto então criado e no qual Stálin até hoje se mantém, como o maior e mais respeitado dirigente comunista do mundo.

Em dezembro de 1922, é aprovada formalmente a primeira Constituição da URSS, em cuja elaboração Stálin desempenhou o principal papel. Coroava-se, assim, o enorme trabalho de Stálin para irmanar dezenas de nacionalidades diferentes e criar o mais poderoso Estado multinacional que já houve na História, um Estado multinacional baseado no absoluto direito de igualdade entre todas as nações componentes.

A 21 de janeiro de 1924 morre Vladimir Ilitch Lênin. A notícia abala o proletariado de uma ponta a outra da terra. Stálin, o fiel discípulo de Lênin, faz-lhe o juramento de zelar por sua obra, de desenvolvê-la à vitória definitiva.

Podemos verificar, hoje, que Stálin, com a colaboração de bolcheviques da têmpera de Molotov, Zhdanov, Kalinin, Kirov, Kaganovitch e outros, soube cumprir, de modo genial, o seu célebre juramento. E, nesse sentido, nada poderia comprová-lo melhor do que a própria existência, o próprio desenvolvimento da União Soviética nesse último quarto de século.

O papel de Stálin na construção do socialismo pode ser avaliado pela afirmação que fez certa vez Kirov, o abnegado bolchevique assassinado pelos trotskistas, de que nenhuma campanha ou obra de importância se realizava na URSS sem que de Stálin houvesse partido antes a iniciativa, a orientação, o planejamento essencial.

E assim realizaram os povos soviéticos os grandiosos planos quinquenais stálinianos, transformando, num ritmo até então desconhecido, uma nação atrasada numa potência industrial de primeira ordem e em contínua expansão. Se a produção se estagnava ou mesmo decrescia nos principais países capitalistas, inclusive nos Estados Unidos, na União Soviética ela era, em 1940, doze vezes superior ao nível de 1913.

Graças à firme e sábia orientação de Stálin, pela primeira vez na história, milhões de camponeses abandonaram voluntariamente as pequenas explorações individuais e tomaram, com entusiasmo, o caminho das grandes explorações agrícolas kolkozianas utilizando os mais modernos meios técnicos. Uma agricultura de tipo completamente novo surgiu sobre a terra.

A Rússia que, sob o tzarismo, tinha 70 por cento de analfabetos, liquidou radicalmente o analfabetismo. Os povos soviéticos são hoje os povos mais cultos do globo. A atenção solícita de Stálin colocou a ciência soviética num posto de vanguarda fazendo surgir do seio das massas trabalhadoras uma nova intelectualidade completamente dedicada aos operários e camponeses e a uma obra de bem estar de toda a sociedade que não tem igual no mundo.

Nada disso teria sido realizado pelos povos, soviéticos se a guiá-los não existisse o glorioso Partido Bolchevique, que derrotou os traidores trotskistasbukarinistas e fez profundamente sua a convicção de Lênin e Stálin sobre a possibilidade e a necessidade da construção do socialismo em meio às duras condições do cerco capitalista.

Dirigente prático genial, Stálin realizou, ao mesmo tempo, uma obra teórica que o situa entre os grandes clássicos do marxismo. Stálin continuou e enriqueceu magistralmente a obra de Marx, Engels e Lênin. Seus livros, como “Os Fundamentos do Leninismo“, e a “História do Partido Comunista (bolchevique) da URSS“, hoje editados em todas as línguas civilizadas e em dezenas de milhões de exemplares, têm servido para educar gerações de comunistas e para guiar os partidos comunistas detodos os continentes na luta pela vitória da grande causa do socialismo.

Dirigindo a construção da primeira sociedade socialista, Stálin deu ao movimento revolucionário mundial, uma base sólida, que antes não existia, deu ao proletariado dos países capitalistas o exemplo de que precisavam para aprofundar a sua fé na vitória definitiva do comunismo. Ao mesmo tempo, o trabalho de Stálin na Internacional Comunista contribuiu decisivamente para forjar o poderoso movimento comunista mundial que marcha de vitoria em vitória. Nesse particular, é sobretudo necessário assinalar a justeza científica das indicações de Stálin aos comunistas chineses, graças as quais puderam estes chegar, após 20 anos de lutas às magníficas vitórias dos dias de hoje.

VII — O Vencedor da Guerra Anti-Fascista e o Campeão da Luta Pela Paz

Mas, enquanto construía o socialismo, Stálin construía também a sua defesa e dirigia, com genial acerto, a política exterior da União Soviética. Os seus informes ao XVII.º e ao XVIII.º Congresso do Partido Bolchevique em 1934 e 1938, mostram que, em meio à complicadíssima situação que precedeu à II guerra mundial, soube Stálin encontrar genialmente o fio dos acontecimentos, desmascarar os planos dos imperialistas e preparar a URSS para os difíceis embates da luta contra o nazi-fascismo. Enquanto por todo o mundo se alastrava a histeria guerreira e o fascismo parecia invencível, crescia a União Soviética como um baluarte da paz, que dava alento e inspirava às melhores forças da humanidade.

Durante a grande guerra patriótica, lutando para esmagar as hordas de Hitler, acrescentou Stálin à sua vida gloriosa mais um imortal capítulo. Chefe supremo das forças armadas soviéticas, que suportaram o principal peso da guerra, elaborou Stálin os planos estratégicos que conduziram os heróis de Stalingrado à libertação de mais de metade da Europa e ao esmagamento da fera nazista em Berlim. Graças a Stálin e aos povos soviéticos surgiram as democracias populares e a humanidade toda, inclusive a nossa Pátria, se viu livre da terrível ameaça do milênio nazista, que Hitler anunciava. Graças à Stálin, forjou-se, durante a guerra, a coalizão das Nações Unidas e foram lançadas as bases da cooperação internacional pacífica entre Estados socialistas e capitalistas, cooperação necessária à consolidação de uma paz duradoura.

Nestes quatro anos que se sucederam à derrota do nazi-fascismo, os povos soviéticos se entregaram com abnegação ao objetivo que lhes apontou Stálin, reconstruir a economia devastada e superar os níveis de produção de antes da guerra. Enquanto por todo o mundo capitalista a opressão do imperialismo ianque freia o desenvolvimento econômico dos povos e os ameaça de uma terrível crise que está em aproximação, na União Soviética o plano quinquenal stalinista é executado antes dos prazos e a produção já supera em 50 por cento o nível de antes da guerra. Sob a direção de Stálin, marcham os povos soviéticos, a passo acelerado, em direção ao comunismo.

Para todos os povos do mundo, para todos os trabalhadores e homens progressistas que se opõem aos planos guerreiros do imperialismo anglo-americano, responsável pela sabotagem da cooperação internacional pregada lealmente pela URSS, Stálin é o grande campeão da paz, o guia firme na luta contra uma nova guerra. Os discursos e entrevistas de Stálin, a sua orientação às delegações da URSS na ONU, têm servido para esclarecer centenas de milhões de homens e mulheres e mobilizá-los para a grande frente mundial pela paz. Graças à sábia política exterior Stáliniana, graças ao contínuo fortalecimento da URSS e das democracias populares, graças ao ascenso do movimento mundial pela paz, inspirado e orientado por Stálin, o imperialismo anglo-americano vê os seus infames planos belicistas desmascarados e vai perdendo as posições com que conta para levar a humanidade a uma nova carnificina.

A 21 de dezembro de 1949 completou Stálin 70 anos de uma vida de incomparáveis glórias. Para ele se voltam cheios de gratidão os trabalhadores e os povos da URSS e de todo o mundo, fazendo votos de que, ainda por longos anos, tenha a humanidade a guiá-la o genial bolchevique, o herdeiro de Lênin, o construtor da primeira sociedade socialista, livre da exploração do homem pelo homem, o generalíssimo vencedor da grande guerra anti-fascista, o amigo de todos os povos e invencível campeão da luta pela paz.

“É impossível obter-se a emancipação dos povos coloniais e dependentes em relação ao imperialismo sem uma revolução triunfante: a emancipação não se obtém sem esforço”.
Stálin

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