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(AND – A Nova Democracia) Figuras da Classe Operária – 1ª parte

15 ago

Leia a parte 2: https://iglusubversivo.wordpress.com/2011/08/15/figuras-da-classe-operaria-2/

Pedro Ventura Felipe Pomar

23 de setembro de 1913
Trechos do “depoimento de um amigo”, por Arnaldo Mendez *

10-pedro-pomar.jpg (199×234) Cabe neste relato um esclarecimento: trata-se de depoimento de quem nunca pertenceu aos quadros do Partido, e simplesmente, mesmo em períodos de legalidade e clandestinidade, foi amigo pessoal de Pedro. Hoje, que a tragédia de sua morte se abateu sobre nós, é necessário que se diga quem foi Pedro, mesmo àqueles que não participaram de nada como revolucionários.

É necessário também que se diga que com a chacina de que foi vítima, a ditadura pretendeu atingir o melhor dos revolucionários. Eles sabiam quais os homens que realmente ofereciam perigo às suas injustiças, ao seu regime de terror. Se pensam que a chacina apaga a história de nosso povo, estão enganados. Antes mesmo de ser chacinado, Pedro já estava na História. Agora, estará para sempre em nossa memória.

Conheci Pedro por volta de 1960, quando me foi apresentado por uns amigos que dirigiam o Partido numa região pobre de São Paulo. Pedro chegara com a família para morar numa pequena casa. Para ganhar o sustento traduzia livros. Lembro-me que traduzira De Moncada à ONU, de Fidel Castro, e Ascensão e Queda do III Reich, e iniciara um livro inacabado, O Estado Brasileiro.

Pedro era alto e calvo. Não fumava, não bebia, tinha uma postura e um andar inconfundíveis, calmo, corpo sempre reto. Vestia roupas simples, sempre limpas e bem passadas, apesar de serem antigas. Com maior observação, podia se notar que as roupas não eram dele, eram ajustadas, muitas vezes dadas por outros companheiros. Muito afetuoso, adorava crianças. Tinha um rosto expressivo, um olhar direto e indagador. Podia se ver na sua expressão tudo aquilo que estava sentindo. Sorria muito ao falar e quando nos via de longe. Escutava muito e quando interrompia a conversa, suas observações eram sérias e suas palavras marcavam pela sabedoria e justiça de quem tinha experiência da vida e do trato dos homens.

Sua memória era algo de incrível; podia localizar um militante no passado remoto, uma família em qualquer região do país. Pedro comia pouco, tinha costume de chamar as pessoas de “mestre”. Quando nos cumprimentava, tocava nos ombros, olhava dentro dos olhos e sorria. Não dirigia automóveis. Andava a pé, de ônibus, estava sempre no meio do povo, nos coletivos apertados, sempre no meio da multidão. Viajava muito.

Como todo ser humano, tinha suas preferências culturais, os artistas, os escritores de que mais gostava. Achava Graciliano Ramos um escritor honesto, que teria morrido sem ter compreendido o Partido. De Jorge Amado ficara aborrecido com uma entrevista, na qual aquele tratara os membros do PC do Brasil como aventureiros. De Caio Prado Júnior, dizia que via a realidade do ponto de vista da classe em que vivera, apesar de respeitá-lo.

Gostava muito de Frei Caneca. Nos momentos de calma gostava de ler a vida de Spartacus, escravo trácio que se rebelara contra o Império Romano. Essa história ele gostava de ler em conjunto com outras pessoas. De Guimarães Rosa dizia frequentemente sua frase famosa: “Viver é um perigo”. De Castro Alves apreciava os trechos de Seara Vermelha: “Cresce Seara Vermelha, cresce seara feroz”.

Dos compositores, gostava, entre outros, de Chico Buarque, João Bosco e Paulo César Pinheiro. Temia que algo pudesse acontecer a Chico Buarque. Ficara satisfeito com a homenagem de João Bosco a João Cândido, o velho marinheiro que rebelou-se contra a chibata. Quando ouvia Mestre-sala dos mares ficava orgulhoso. Para ele, a música, como toda arte, devia estar ligada aos sentimentos do povo.

Quanta coisa fica dentro da gente, e só o tempo vai devolvendo para a memória!

Outubro/1979

______________
* Retirado do livro Pedro Pomar.
Coleção Brasil Memória Volume 2, Editora Brasil Debates, 1980.

Carlos Nicolau Danielli

10-nicolau.jpg (200×249) Carlos Danielli nasceu em 14 de setembro de 1929, em Niterói, Rio de Janeiro.

Começou a trabalhar muito jovem nos estaleiros de construção naval em São Gonçalo, RJ e aos 15 anos integrava o movimento sindical.

Em 1946 ingressou na União da Juventude Comunista e em 1948 passou a integrar as fileiras do  Partido Comunista do Brasil — PCB, sendo eleito para o seu Comitê Central no IV Congresso em 1954.

Em 1962 ocorre a ruptura entre os comunistas marxistas-leninistas e o velho PCB revisionista de Luiz Carlos Prestes, e Danielli passa a integrar a direção central do PCdoB.

Em 1972, ano da deflagração da Guerrilha do Araguaia, Carlos Danielli respondia pela Secretaria Nacional de Organização e pela imprensa do partido, dirigindo o jornal A Classe Operária, órgão central do PCdoB.

Foi preso no no dia 28 de dezembro de 1972, às 19 horas, na rua Loefgreen, no bairro de Vila Mariana – SP, pelos agentes do DOI-CODI, quando iria se encontrar com a combatente do Araguaia Criméia Alice Almeida, enviada por Maurício Grabois afim de reatar o contato entre o comando da guerrilha e a direção do partido.

Durante quatro dias, Carlos Danielli foi barbaramente torturado sob o comando do então major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, do capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirillo e do “Capitão Ubirajara”, codinome do delegado de polícia Aparecido Laerte Calandra.

Ele resistiu com heroísmo às sevícias e seus algozes não conseguiram arrancar-lhe nenhuma informação. Relatos de outros presos políticos contam que Danielli, já desfigurado pelas torturas, respondia altivamente aos seus carrascos quando indagado pela gráfica do partido e pela luta guerrilheira do Araguaia: “É disso que vocês querem saber? Pois é comigo mesmo, só que eu não vou dizer”.

Carlos Nicolau Danielli foi lentamente assassinado pelos verdugos do regime militar-fascista aos 43 anos de idade. Ele completaria 81 anos em 14 de setembro de 2010.

Entre uma sessão e outra de torturas, ele escreveu com seu próprio sangue na parede do infecto cubículo: “Este sangue será vingado.”

Iara Iavelberg

https://i1.wp.com/www.anovademocracia.com.br/images/77/14d.jpgDirigente da Vanguarda Popular Revolucionária – VPR e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro.

Nascida em 7 de maio de 1944 em São Paulo. Formou-se em psicologia e foi professora universitária.

Tombou em combate no ano de 1971.

Em depoimento concedido a AND (edição nº 56 – O que ainda escondem os porões militares) Adauto Dourado de Carvalho relatou que:

— A versão que dão da morte da Iara, de que ela foi cercada em um apartamento e se suicidou é mentirosa, não foi isso que aconteceu. A Iara era uma mente brilhante, um quadro revolucionário. Ela, armada, jamais se entregaria. Ela foi enterrada como suicida. Mas quando exumaram seu corpo, descobriram que a sua cabeça estava desfigurada. Não eram marcas de tiros de um possível suicídio, mas marcas de agressões com um objeto contundente. A versão oficial é uma farsa, assim como o assassinato do Lamarca. — afirmou.

Bergson Gurjão Farias

https://i0.wp.com/www.anovademocracia.com.br/images/77/14c.jpgMilitante do Partido Comunista do Brasil – PCdoB

Nasceu em 17 de maio de 1947, em Fortaleza, CE.

Morto em combate pelas forças de repressão durante a Guerrilha do Araguaia em 11 de abril de 1972. Bergson dava cobertura para a retirada dos combatentes de seu destacamento guerrilheiro quando foi alvejado.

Sua ossada foi a segunda (e última) identificada, em 6 de julho de 2009, dentre os combatentes do Araguaia até os dias de hoje.

Lincoln Bicalho Roque

Dirigente do Partido Comunista do Brasil – PCdoB

Nasceu em 25 de maio de 1945 em São José do Calçado, ES.

Formou-se em sociologia pela Faculdade Nacional e trabalhou como professor.

Foi brutalmente torturado e assassinado pelos gorilas do regime militar-fascista no ano de 1973.

João Baptista Franco Drummond

Dirigente da Ação Popular Marxista-leninista e do Partido Comunista do Brasil – PCdoB

Nasceu no dia 28 de maio de 1942, na Fazenda das Posses, em Varginha, Minas Gerais.

Preso em 16 de dezembro de 1976 após participar de uma reunião do Comitê Central do PCdoB no bairro da Lapa. Drummond foi brutalmente torturado nas dependências do Doi-Codi e assassinado pelos esbirros militares.

A casa (aparelho) onde o PCdoB realizava a reunião já estava sob vigilância e cerco das forças de repressão e, à medida que os membros da direção presentes se retiravam da casa, eram seguidos e presos. Poucos conseguiram escapar do cerco. Os destacados dirigentes comunistas Pedro Pomar e Ângelo Arroio foram brutalmente assassinados no interior da casa da Lapa por uma cerrada descarga de armas de grosso calibre. Este episódio ficou conhecido como o “massacre da Lapa”.

Dinalva Oliveira Teixeira (Dina)

Militante do Partido Comunista do Brasil – PcdoB

Nasceu em Argoim, município de Castro Alves, sertão da Bahia, em 16 de maio de 1945.

Formou-se em geologia pela Universidade Federal da Bahia, em 1968. Participou ativamente do movimento estudantil de Salvador nos anos de 1967/68.

Era exímia atiradora e destacada nas tarefas militares da Guerrilha do Araguaia, chegando a ocupar o posto de vice-comandante do Destacamento C da guerrilha.

Foi morta em combate na Guerrilha do Araguaia no ano de 1973.

Emanuel Bezerra dos Santos
Dirigente do Partido Comunista Revolucionário – PCR

Nasceu em 17 de junho de 1943 na praia de Caiçara – Município de São Bento do Norte-RN.

Foi destacado dirigente estudantil no Colégio Atheneu e presidiu a da Casa do Estudante. Emanuel Bezerra cursou a antiga Faculdade de Sociologia, na Fundação José Augusto, e empenhou-se no estudo do marxismo-leninismo e economia política.

Foi um dos principais mobilizadores e organizadores da bancada dos estudantes potiguares para o congresso da Une, em Ibiúna-SP, ocasião em que foi preso e, enquadrado no decreto 447 do gerenciamento militar, expulso da Faculdade.

Foi dirigente do Comitê Universitário do PCR no Rio Grande do Norte. Entre os anos de 1968 e 1973, desenvolveu atividades de construção do partido nos estados de Pernambuco e Alagoas, cumprindo tarefas internacionais no Chile e Argentina em nome da direção do PCR.

Foi preso juntamente com outro destacado dirigente do PCR, Manoel Lisboa de Moura, em Recife – PE, no dia 16 de agosto de 1973, sendo ambos brutalmente torturados no Dops daquele estado. Posteriormente, transferido para o Doi-Codi de São Paulo, foi barbaramente torturado e assassinado pelo verdugo Sérgio Fleury. Resistiu bravamente às sevícias sem revelar nenhum segredo de sua organização aos gendarmes do regime fascista.

Em 1992, seus restos mortais foram identificados entre tantos outros em uma vala comum no cemitério de Perus-SP, utilizado pelo gerenciamento militar para ocultar os cadáveres dos militantes revolucionários assassinados nas câmaras de tortura. Após décadas de angústia e sofrimento imposto aos seus familiares e amigos, seus restos mortais foram transladados para a sua terra natal e sepultados com homenagens.

Jaime Petit da Silva
Militante do Partido Comunista do Brasil – PC do B

Nasceu em 18 de junho de 1945, em Iacanga – SP.

Seu pai faleceu quando era ainda muito jovem e, desde cedo, trabalhou para auxiliar a família. Em 1962, foi para Itajubá – MG. Em 1965, ingressou no Instituto Eletrotécnico de Engenharia da Faculdade Federal daquela cidade e trabalhava como professor de Matemática e Física.

Participava ativamente do movimento estudantil e foi presidente do Diretório Acadêmico de sua faculdade. Participou, também, do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, onde foi preso.

Em 1969, foi obrigado a abandonar o curso de Engenharia e ir viver na clandestinidade. Trabalhou no interior como eletricista. Posteriormente, mudou-se para a localidade de Caianos, no Araguaia, onde já residiam seus irmãos Lúcio e Maria Lúcia (guerrilheiros do Araguaia tombados em combate), integrando-se ao Destacamento B das Forças Guerrilheiras.

Tombou em combate no ano de 1973, quando tinha 29 anos de idade.

Jana Moroni Barroso
Militante do Partido Comunista do Brasil – PC do B

Cursava a Faculdade de Biologia da UFRJ quando ingressou na luta revolucionária. Era uma das responsáveis pela imprensa clandestina do PCdoB no Rio de Janeiro.

Em abril de 1971, mudou-se para a localidade de Metade, no sul do Pará. Nessa região, além do trabalho da roça e da caça, foi professora primária. Casou-se com Nelson Lima Piauhy Dourado (também combatente do Araguaia). Era combatente do Descamento A.

Tombou em combate em janeiro de 1974, após ataque das Forças Armadas, quando estava em companhia de Maria Célia Corrêa e Nelson Piauhy Dourado. Segundo depoimentos colhidos por sua mãe, Jana foi presa e levada para Bacaba, localidade às margens da Transamazônica onde foi construído um centro de torturas das Forças Armadas.

 
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Publicado por em 15/08/2011 em Brasil, História, Marxismo

 

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