A questão Kadafi

O Testamento de Kadafi

Vejamos primeiramente o que nos diz um recente testamento de Kadafi:

“Em nome de Alá, o benevolente, o misericordioso…

Por 40 anos, ou foi mais, eu não me lembro, eu fiz tudo que pude para dar ao povo casas, hospitais, escolas, e quando ele estava faminto, eu lhes dei comida. Eu até mesmo transformei Benghazi em terra arável a partir do deserto, eu resisti aos ataques daquele cowboy Reagan, quando ele matou a minha filha adotiva órfã, quando estava tentando me matar, e ao invés matou aquela pobre criança inocente. Então eu ajudei meus irmãos e irmãs da África com dinheiro para a União Africana.

Eu fiz tudo o que pude para ajudar o povo a compreender o conceito de democracia real, no qual comitês populares governam nosso país. Mas isso nunca foi o bastante, como alguns me disseram, até pessoas que tinham casas com 10 cômodos, ternos e móveis novos, jamais estavam satisfeitos, egoístas que são e queriam mais. Eles diziam aos americanos e a outros visitantes, que eles precisavam de “democracia” e “liberdade” jamais percebendo que este é um sistema suicida, no qual o cachorro maior come os outros, mas eles estavam encantados com aquelas palavras, jamais percebendo que na América não havia medicina gratuita, hospitais gratuitos, casas gratuitas, educação gratuita e alimentação gratuita, a não ser quando as pessoas tem que mendigar ou entrar em longas filas para ganhar sopa.

Não, não importava o que eu fizesse, jamais era o bastante para alguns, mas para os outros, eles sabiam que eu era o filho de Gamal Abdel Nasser, o único verdadeiro árabe e líder muçulmano que tivemos desde Salah-al-Deen, quando ele clamou o Canal de Suez para seu povo, como eu clamei a Líbia, para meu povo, foi suas pegadas que eu tentei seguir, para manter meu povo livre da dominação colonial – de ladrões que nos queriam roubar.

Agora, eu estou sob o ataque da maior potência militar da história, meu pequeno filho africano, Obama, quer me matar, para roubar a liberdade de nosso país, para roubar nossas casas gratuitas, nossa medicina gratuita, nossa educação gratuita e nossa alimentação gratuita, para substituir pela roubalheira americana, chamada “capitalismo”, mas todos nós no Terceiro Mundo sabemos o que isso significa, quer dizer que Corporações governam os países, governam o mundo, e as pessoas sofrem. Então, não há alternativa para mim, eu devo resistir, e se Alá desejar, eu morrerei seguindo Seu caminho, o caminho que tornou nosso país rico com terra arável, com comida e saúde, e até mesmo nos permitiu ajudar nossos irmãos e irmãs árabes e africanos para trabalhar aqui conosco, na Jamahiriya líbia.

Eu não quero morrer, mas se chegar a isso, para salvar essa terra, meu povo, todos os milhares que são minhas crianças, então que assim seja.

Que esse testamento seja minha voz para o mundo, que eu resisti aos ataques dos cruzados da OTAN, resisti à crueldade, resisti à traição, resisti ao Ocidente e suas ambições colonialistas, e que eu resisti com meus irmãos africanos, meus verdadeiros irmãos árabes e muçulmanos, como um raio de luz. Quando outros estavam construindo castelos, eu vivi em uma casa modesta, e em uma tenda. Eu nunca esqueci minha juventude em Sirte, eu não gastei nosso tesouro nacional tolamente, e como Salah-al-Deen, nosso grande líder muçulmano, que resgatou Jerusalém para o Islã, eu peguei pouco para mim mesmo…

No Ocidente, alguns me chamaram “insano”, “louco”, mas eles sabem a verdade porém continuam a mentir, eles sabem que nossa terra é independente e livre, e que não está sob o jugo colonial, que minha visão, meu caminho, é, e tem sido claro e pelo meu povo e que eu vou lutar até meu último suspiro para nos manter livres, e que Alá Todo-Poderoso possa nos ajudar a permanecer fiéis e livres.”

Coronel Muammar al-Kadafi, 05/04/2011

Veracidade das informações

O que nesse testamento é verdadeiro ou falso? Resposta difícil, mas que se resolve com muita pesquisa, algo fácil atualmente por conta do rápido fluxo de informações, de variadas procedências e naturezas, porém mesmo assim é demorado chegar a um consenso sobre o que realmente devemos defender. Uma das causas é que devemos sempre duvidar do que lemos e ouvimos na nossa grande mídia simplista. E o que estamos vendo através dela é um maciço ataque de “anti-Kadafianos”, com informações de pessoas que sequer viveram na Líbia, para os quais: as revoltas na Líbia possuem a mesma natureza das revoltas no Egito e na Tunísia; Kadafi é apenas um tirano corrupto e milionário, nada diferente de Mubarak.

A primeira questão a ser respondida é: A revolta líbia é fomentada por problemas econômicos como pobreza e desemprego como a mídia nos coloca? Vamos examinar os fatos…

Sob a liderança de Muammar Kadafi, a Líbia obteve o melhor padrão de vida na África. Em um artigo de 2007 da African Executive Magazine, Norah Owaraga nota que a Líbia, “diferente de outros países produtores de petróleo como Nigéria e Arábia Saudita, utilizou a renda do petróleo para desenvolver o país.” Isso é algo muito marcante pois em 1951 era oficialmente um dos países mais pobres do mundo.

David Blundy e Andrew Lycett, jornalistas da Two Fleet Street que não são defensores da Revolução líbia de 1969, dizem-nos:

“Os jovens são bem vestidos, alimentados e educados. Os líbios possuem agora uma renda per capita maior que a dos britânicos. A disparidade das rendas anuais são menores que a de muitos países. A riqueza foi consideravelmente espalhada na sociedade. Todo líbio tem direito a educação e serviços dentários e de saúde gratuitos e geralmente de excelente qualidade. Novas faculdades e hospitais são impressionantes em qualquer padrão internacional. Todos os líbios possuem uma casa ou um flat, um carro e muitos possuem televisores, gravadores de vídeo e telefones.”

O Estado buscou dar moradia a todos os seus cidadãos, sem cobrar aluguel. O Livro Verde de Kadafi diz: “A casa é uma necessidade básica tanto do indivíduo quanto da família, portanto outras pessoas não podem possuí-la.” Esse ditado se tornou uma realidade para o povo líbio.

Grandes projetos agriculturais foram implementados na tentativa de “fazer o deserto florescer” e atingir a autossuficiência em produção de comida. Qualquer cidadão líbio que queria se tornar um fazendeiro tem uso livre da terra, uma casa, equipamentos, um pouco de criação e sementes.

Todos possuem acesso a doutores, hospitais, clínicas e medicamentos, tudo isso livre de cobranças. O fato é que eles importam mão-de-obra de outras partes do mundo para realizar os trabalhos que os líbios desempregados recusam. Mas nenhum sistema é perfeito e a Líbia não é exceção. Eles sofreram nove anos de sanções econômicas e isso causou muitos problemas para a economia líbia.

“Mercenários africanos”?

Já apareceu na mídia, e ainda aparece, informações sobre “soldados mercenários” que lutam do lado de Kadafi, “enviados por ele”, porém isso é um mito. Na verdade há muitas pessoas em toda a África que defendem e respeitam Muammar Kadafi como resultado de sua contribuição à luta pela emancipação africana.

http://axisoflogic.com/artman/publish/Article_62705.shtml

A revolta atual na Líbia parte tanto de supostos islamistas, supremacistas árabes, incluindo alguns que recentemente deixaram o círculo interno de Kadafi. Eles têm usado os eventos de países vizinhos como um pretexto para organizar um golpe de Estado. Ora, golpe de Estado não é revolução! E muitas organizações e partidos políticos estão a defender essa falsa revolução, como se fosse uma “revolução popular” com a mesma essência das que ocorrem no Egito, contra Mubarak, e na Tunísia, contra Ben Ali. Nem a esquerda escapa dessa, sejam socialdemocratas, marxistas-leninistas, trotskistas, anarquistas ou anarco-marxistas pós-modernos; e porque um grupo falou alguma coisa diferente sobre tal “revolução”, eles quase se matam nas críticas, mas e a autocrítica? Todos estão tão desesperados em fazer julgamentos rápidos, que acabam se atropelando e viram simples repetidores do que a mídia ocidental tenta nos fazer engolir.

Recentemente uma pessoa fez um comentário altamente sarcástico a essa postagem, dizendo “Kadafi é um santo, coitado, tenham pena dele”. Ninguém aqui afirmou que ele é um santo, mas os fatos provam que não é o demônio apresentado pela grande mídia.

Peço a todos que estão lendo isso: não se alienem, acreditando que tudo o que veem na TV é a mais pura verdade; caso contrário, acabam como esse ignorante.

Discurso de Kadafi na ONU, 23 de setembro de 2009

A transcrição completa do discurso dele em inglês pode ser lida aqui:

http://metaexistence.org/gaddafispeech.htm

 

Mentiras da mídia sobre a Líbia e Kadafi

 

 

O poder na Líbia pertence ao povo

 

http://www.english.rfi.fr/africa/20110302-kadhafi-says-people-power

Congresso popular de base é a menor subdivisão administrativa na Líbia, responsável pelo governo da menor subdivisão geográfica, também denominada congresso popular de base. O congresso funciona como uma assembleia popular de democracia direta, onde as facções geralmente se organizam por tribos e clãs. Não há partidos políticos na Líbia. Dos congressos populares de base participam todos os homens e mulheres maiores de idade. Existem no país 600 congressos populares de base.

 

Rebeldes líbios reconhecem derrota e dizem que aceitam Kadafi

De: http://terceirateoria.blogspot.com/

“O tradicional Wall Street Journal, de propriedade do judeu sionista Rupert Murdoch (denunciado na Inglaterra por chantagem, escutas ilegais e sabotagens), acaba de publicar entrevista com uma das lideranças dos rebeldes líbios, Mustafa Abdel Jalil. Ele afirma que os rebeldes líbios voltaram atrás em suas recentes declarações à imprensa, e já admitem a presença do líder Muamar Kadafi na Líbia para a assinatura de um cessar fogo na guerra imperialistas que já dura cinco meses.
O Wall Street Journal, a exemplo da maioria da mídia ocidental, induz os leitores ao erro ao considerar uma sucessão de ataques aéreos terroristas por parte da OTAN à população civil líbia como uma “guerra civil”.
Nos últimos cinco meses de ataques criminosos as forças ocidentais invasoras, os novos cruzados, tentaram criar uma guerra civil na Líbia para justificar uma invasão ou ataques aéreos terroristas, avalizados pelas Nações Unidas – que sempre se colocou a serviço dos interesses imperialistas das potências ocidentais. Mas a realidade dos fatos provou que o povo árabe líbio não tem interesse em uma guerra civil, e muito menos em permitir a divisão do país para favorecer grupos criminosos chamados de “rebeldes” pelas potências agressoras, como este liderado por Mustafa Abdel Jalil, regiamente financiado por dinheiro do governo líbio, roubado de bancos europeus e norte-americanos pelas potências estrangeiras.
Segundo Mustafa Abdel Jalil, caberia à liderança rebelde decidir em que lugar da Líbia e sob quais condições a família Kaddafi deveria permanecer. A afirmação parece uma piada, e só encontra eco nas páginas do jornal norte-americano que não passa de um panfleto do Pentágono.
O líder Muamar Kadafi liderou o povo árabe líbio na Revoluação Al Fateh (há 41 anos), no ataque norte-americano à Líbia em 1986 e nos dias atuais. Em todas essas guerras Kadafi venceu os inimigos do povo árabe líbio e construiu uma nação soberana, forte e independente. Portanto, quem tem que sair da Líbia não é Kadafi, mas as forças militares estrangeiras que só fazem bombardear civis indefesos diante do silêncio cúmplice da maioria dos governos e da ONU.
Até agora, os rebeldes insistiam que Kadafi deveria partir para o exílio, mas diante dos fatos concretos, são obrigados a recuar em seus propósitos e declarações à imprensa, que sempre soam como mentiras a serviço dos assassinos do povo líbio.”

 

Famílias líbias levam OTAN aos tribunais internacionais

De: http://jornaldeangola.sapo.ao/

“O secretário do Congresso Popular de Base de Souk Jumaa, em Tripoli, Youssef Jumaa Zouzou, anunciou que as famílias cujas habitações foram bombardeadas pela OTAN domingo, em Arada (subúrbio Leste da capital Tripoli), apresentaram uma queixa contra a aliança militar, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o Governo britânico.
A Agência Líbia de Notícias (JANA) publicou as declarações de um dos moradores de nome Zouzou, segundo as quais a casa que foi bombardeada domingo em Arada é um edifício civil e não militar e que uma família inteira foi morta, qualificando este acto de “ crime perpetrado pela OTAN no quadro do genocídio do povo líbio”.
Os aviões da OTAN bombardearam, domingo, bairros residenciais no sector de Araba, causando a morte de nove civis, incluindo três membros de uma mesma família, e mais de 20  feridos.
O secretário do Comité Popular Geral líbio (Primeiro-Ministro), Baghdadi Mahmoudi, acusou a OTAN de cometer um genocídio colectivo através do bombardeamento de civis inocentes e de sítios civis, de  zonas residenciais e das infra-estruturas básicas da Líbia.
A mensagem foi transmitida domingo, ao presidente da 65ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, ao seu Secretário-Geral e ao presidente da actual sessão do Conselho de Segurança, aos presidentes do Parlamento Europeu, da Comissão Africana, Conselho do Parlamento Russo, do Conselho do Povo Chinês, do Senado e da Câmara do Congresso americanos, Mahmoudi
O responsável líbio apelou às organizações e organismos internacionais e aos Parlamentos do mundo inteiro para intervirem imediatamente a fim de parar as violações e agressões da OTAN.
TA OTAN admitiu ter bombardeado, domingo, um bairro residencial de Tripoli e feito vítimas civis. O comandante das operações da OTAN na Líbia, o general Charles Bouchard, disse que uma “falha técnica está na origem das perdas civis”, sublinhando que “estamos a investigar este incidente”.

O Presidente líbio, Muamar Kadafi, responsabilizou aos membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas , em particular os países membros permanentes, pela exterminação de civis no seu país.Tripoli intimou també a Bulgária para intervir.”

 

Os interesses imperialistas na região

Berlim empresta 100 milhões de euros à oposição líbia

De: Correio do Brasil

A Alemanha anunciou neste domingo (24/07) que fará um empréstimo aos rebeldes líbios no valor de até 100 milhões de euros. “Por causa da guerra do coronel Kadafi contra o seu próprio povo, a situação na Líbia é muito difícil”, justificou em Berlim o ministro alemão do Exterio, Guido Westerwelle.

Segundo o comunidado, a verba servirá para fortalecer o Conselho Nacional de Transição (CNT), “para que possa construir as estruturas necessárias e superar problemas de fornecimento, desde medicamentos a alimentos”.

Westerwelle informou ainda que o financiamento à oposição líbia, agrupada no CNT, é necessário porque os ativos congelados existentes na Alemanhado do ditador líbio, Muammar Kadafi, ainda não podem ser liberados.

O ministro também lembrou que os “vários bilhões” do ditador congelados no exterior não poderão ser usados agora, “embora pertençam ao povo líbio”. O político alemão observou que esse dinheiro será empregado como garantia do crédito “assim que o Conselho de Segurança da ONU o liberar para um governo líbio de direito”. Somente na Alemanha, a cifra congelada somaria mais de sete bilhões de euros.

 

O sistema financeiro internacional por trás da guerra na Líbia

Por Ellen Brown

Vários comentaristas e analistas de economia já observaram o estranho fato de os rebeldes líbios terem tido tempo, em plena rebelião, para criar, em março, seu próprio banco central ‘rebelde’ – antes até de haver governo ou Estado. Robert Wenzel escreveu, no Economic Policy Journal: “Mais um recorde, para o livro Guiness. Nunca antes ouvi falar de rebeldes que, com alguns dias de rebelião, já criaram um banco central. O movimento sugere que haja algo mais, naqueles rebeldes, além do exército de voluntários, e que podem estar em ação, ali, projetos muito mais sofisticados” (em http://www.economicpolicyjournal.com/2011/03/libyan-rebels-form-central-bank.html).
Alex Newman escreveu, no New American:
Em declaração distribuída semana passada, os rebeldes líbios relataram resultados de reunião realizada dia 19/3. Dentre outros informes, os supostos rebeldes esfarrapados anunciaram “a designação do Banco Central de Benghazi como autoridade monetária competente para definir as políticas monetárias da Líbia, o qual terá sede provisória em Benghazi” (em http://www.thenewamerican.com/world-mainmenu-26/africa-mainmenu-27/6915-libyan-rebels-create-central-bank-oil-company).
Newman citou o editor-chefe da rede CNBC John Carney, que comentou: “Parece-me que seja a primeira vez no mundo, que grupo revolucionário cria banco central ainda durante os combates pelo poder político. Sinal de o quanto são poderosos os banqueiros centrais que estão surgindo nesses tempos extraordinários.”
Outra anomalia também chama a atenção, na justificativa para que os EUA alinhem-se oficialmente ao lado dos rebeldes. Fala-se das violações dos direitos humanos, mas há contradições. Segundo artigo publicado na página internet da rede Fox News, dia 28/2:
“Enquanto a ONU trabalha febrilmente para condenar o ataque de Muammar al-Qaddafi contra manifestantes, o Conselho de Direitos Humanos preparava-se para divulgar relatório carregado de elogios à Líbia, no quesito direitos humanos. O relatório registra aumento de oportunidades educacionais e louva a posição oficial de fazer dos direitos humanos “uma prioridade” para aprimorar “o quadro constitucional”. Vários países, entre os quais o Irã, Venezuela, Coreia do Norte, Arábia Saudita e Canadá deram marcas positivas à Líbia para a proteção legal oferecida aos seus cidadãos – os mesmos que agora se estariam levantando contra o governo e sendo cruelmente atacados pelo mesmo governo. (em http://nation.foxnews.com/united-nations/2011/03/01/un-poised-praise-libyas-human-rights-record).
Sejam quais forem os crimes pessoais de Gaddafi, o povo líbio parecia viver muito bem. Uma delegação de médicos russos, ucranianos e bielorrussos escreveu carta aberta ao presidente Dmitry Medvedev e ao primeiro-ministro Vladimir Putin da Rússia, em que dizem que, depois de habituados à vida na Líbia, são de opinião que poucos países vivem em condições tão favoráveis quanto os líbios:
“[Os líbios] têm tratamento médico gratuito e seus hospitais oferecem o que há de melhor, no mundo, em tratamentos e equipamentos médicos. A educação é universal e gratuita, muitos jovens recebem bolsas de estudo no exterior, pagas pelo estado. Ao casar, cada casal líbio recebe empréstimo sem juros de 60 mil dinares líbios (cerca de 50 mil dólares), como auxílio do estado para constituir família. Há empréstimos oficiais sem juros e, pelo que vimos, sem prazo. Dados os subsídios que o estado paga, o preço de carros é muito inferior ao que se vê na Europa e praticamente todas as famílias têm carro. Gasolina e pão são subsidiados e baratíssimos, e os agricultores são isentos de impostos. O povo líbio é pacífico e calmo, não é dado a beber e os líbios são muito religiosos.” (em http://alexandravaliente.wordpress.com/2011/03/26/nato-u-s-war-crimes-open-letter-from-citizens-of-ukraine-belarus-and-russia-working-and-living-in-libya/).
Os médicos insistem que falta informação à comunidade internacional sobre a luta contra o regime. “Quem, afinal, se rebelaria contra o governo que vemos aqui?” – perguntam.
Ainda que muito disso não passe de propaganda, não há como negar pelo menos uma grande realização do governo de Gaddafi: há água farta para a população, e gratuita. O estado construiu um grande aqueduto que traz água ao deserto e implantou na Líbia o maior e mais caro projeto de irrigação que há no mundo (o Projeto “Grande rio feito pelo homem” [ing. GMMR, Great Man-Made River] custou US$33 bilhões). Na Líbia, a água é muito mais crucialmente importante para os cidadãos, que o petróleo.
O GMMR abastece 70% da população com água potável e para irrigação, bombeada do imenso Sistema Aquífero de Arenito Níbio, do sul até as áreas urbanizadas no litoral, localizadas ao norte, a 4 mil quilômetros de distância da fonte. Isso, pelo menos, não há dúvidas de que o governo de Gaddafi fez bem feito.
Outro argumento que se tem usado para explicar o ataque à Líbia é que se trataria “do petróleo”, ideia que também apresenta inúmeras contradições. Como observou o Jornal Nacional, a Líbia produz apenas 2% do petróleo mundial. Só a Arábia Saudita, só ela, tem capacidade para aumentar a oferta de petróleo e suprir qualquer demanda que se criasse pela falta do petróleo líbio, e mesmo que a Líbia fosse varrida do mapa. Além do mais, se se trata de petróleo, por que tanta pressa para criar um novo banco central?
Outros dados intrigantes voltam a circular na Internet, mostrando entrevista realizada em 2007, pela página “Democracy Now”, com o general Wesley Clark, general da reserva. Naquela entrevista o general Clark diz que 10 dias depois do 11 de setembro de 2001, um general lhe disse que já estava tomada a decisão de invadir o Iraque. Clark conta que a notícia o surpreendeu e que perguntou por quê. “Não sei”, foi a resposta, “Acho que é porque ninguém sabe o que fazer!” Mais tarde, o mesmo informante contou ao general Clark que havia planos para invadir sete países em cinco anos: Iraque, Síria, Líbano, Somália, Sudão e Irã.
O que há de comum entre esses sete países? Os que estudamos o sistema bancário e os bancos centrais em todo o mundo sabem que nenhum desses países aparece na lista dos 56 países filiados ao Bank for International Settlements (BIS) [Banco de Compensações Internacionais; é o ‘banco central’ dos bancos centrais; organização internacional responsável pela supervisão bancária, que visa a “promover a cooperação entre os bancos centrais e outras agências na busca de estabilidade monetária e financeira” mundial, com sede na Basileia, Suíça (NTs, com informações de http://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_de_Compensa%C3%A7%C3%B5es_Internacionais)%5D. Se não fazem parte do BIS, esses países estão fora do campo regulatório dos banqueiros centrais reunidos no BIS, na Suíça.
Os renegados mais resistentes são precisamente a Líbia e o Iraque – dois países que já foram diretamente atacados. Kenneth Schortgen Jr, escrevendo em Examiner.com, observou que “seis meses antes de os EUA atacarem o Iraque, o Iraque passou a exigir euros, em vez de dólares, nas vendas de petróleo – o que converteu o Iraque em ameaça mortal, porque ameaçava o domínio do dólar como moeda internacional de reserva, na modalidade de petrodólar” (em http://wn.com/pre_market_movers_february_4th,_2011?orderby=relevance&upload_time=today)
Segundo matéria publicada em jornal russo dia 28/3/2011, “Bombing of Líbia – Punishment for Ghaddafi for His Attempt to Refuse US Dollar” (em http://kir-t34.livejournal.com/14869.html), Gaddafi fez movimento semelhante ao dos iraquianos: começou a recusar dólares e a exigir euros, e conclamou os países árabes e africanos a usar uma nova moeda, o dinar de ouro. Gaddafi planejava conseguir que toda a África, seus 200 milhões de habitantes, passasse a viver com essa nova moeda única.
Ao longo do ano passado, vários países árabes e muitos países africanos aprovaram a nova moeda. Restaram contra só a África do Sul e alguns países da cúpula da Liga Árabe. A iniciativa não foi vista com bons olhos pelos EUA e pela União Europeia; o presidente Nicolas Sarkozy declarou que a Líbia seria ameaça à segurança financeira da humanidade. Gaddafi não se impressionou e prosseguiu na sua campanha para criar uma moeda da África.
Com o que, afinal, podemos voltar ao mistério do novo banco central ‘rebelde’, na Líbia. Em artigo publicado em Market Oracle, Eric Encina escreve:
Um fato raramente mencionado pelos ‘especialistas’, ‘comentaristas’ ‘analistas’ ou políticos ocidentais é que o Banco Central da Líbia é 100% banco público. Hoje, o governo da Líbia cria a própria moeda, o dinar líbio, graças ao uso que dá ao seu banco central público nacional. Ninguém pode dizer que a Líbia não seja nação soberana, rica em recursos naturais, e capaz de comandar o próprio destino econômico. O principal problema dos cartéis dos bancos globais é que, para negociar com a Líbia, têm de negociar através do Banco Central Líbio e em moeda nacional líbia. Nessas condições não têm controle sobre a negociação nem meios para manipular os preços e condições de negociação.
O objetivo de derrubar o Banco Central Líbio (CBL) não aparece nos discursos de Obama, Cameron e Sarkozy, mas não há dúvidas de que é objetivo prioritário na agenda da grande finança globalista: incluir a Líbia na lista de países financeiramente obedientes. (em http://www.marketoracle.co.uk/Article27208.html).
A Líbia não tem só petróleo e água. Segundo o Fundo Monetário Internacional, o banco central líbio mantém lastro de cerca de 144 toneladas de ouro. Com esse tipo de moeda-lastro, quem precisa de BIS, FMI e seus ‘aconselhamentos’?
Dadas essas evidências, é preciso agora considerar mais de perto as regras do Banco de Compensações Internacionais e o efeito que têm nas economias locais. Artigo que se lê na página do BIS na internet (http://www.bis.org/about/index.htm) declara que os bancos centrais reunidos na Rede de Governança dos Bancos Centrais devem manter, como seu objetivo único ou básico, “preservar a estabilidade de preços”.
Devem ser independentes dos governos nacionais, para garantir que nenhuma consideração política interfira no funcionamento. “Estabilidade de preços” significa manter suprimento estável de moeda, mesmo que isso implique castigar a população com pesadíssimas dívidas externas. Os bancos centrais ‘coligados’ são encorajados a não aumentar o suprimento de moeda mediante emissão de dinheiro e devem usar o dinheiro em benefício do Estado, diretamente ou mediante empréstimos.
Em artigo de 2002 em Asia Times Online, intitulado “The BIS vs national Banks” (14/5/2002), Henry Liu dizia:
As regulações do BIS têm o único objetivo de fortalecer o sistema bancário internacional privado, mesmo que à custa das economias nacionais. O BIS faz para os sistemas bancários nacionais o mesmo que o FMI fez aos regimes monetários nacionais. Economias nacionais que sirvam aos interesses da finança globalizada deixam de servir a interesses nacionais.
O FDI [ing. foreign direct investment, investimento estrangeiro direto] com valor nominal em moedas estrangeiras, quase sempre o dólar, condenaram muitas economias nacionais a um desenvolvimento sem equilíbrio, voltado para exportar, sobretudo para gerar pagamentos em dólar aos investidores estrangeiros diretos, com mínimo benefício às economias nacionais”(http://www.atimes.com/global-econ/DE14Dj01.html).

E acrescentava: “Se se aplica a “Teoria do Dinheiro do Estado” de Knapp, qualquer governo pode pagar com a própria moeda todas as necessidades do seu próprio desenvolvimento, para manter o pleno emprego sem inflação”. A “Teoria do Dinheiro do Estado” refere-se a dinheiro criado por governos, não por bancos privados.
A pressuposição da lei que manda não tomar empréstimos do próprio banco central do governo é que esses empréstimos seriam inflacionários, e que tomar empréstimos do dinheiro que haja em bancos estrangeiros ou do FMI não seria inflacionário. Mas, hoje, todos os bancos criam de fato o dinheiro que emprestam, seja dinheiro público ou privado. A maior parte do dinheiro novo, hoje, vem de empréstimos bancários. Tomar empréstimos do próprio banco central governamental tem a vantagem de que o empréstimo é praticamente sem juros. Já se sabe que se se eliminam os juros, o custo dos projetos públicos cai em média 50%.
Tudo faz crer que o sistema líbio funciona desse modo. Segundo a Wikipedia, entre as funções do Banco Central da Líbia está incluída a de “emitir e regulamentar os créditos e moedas circulantes na Líbia” e “gerenciar e emitir todos os empréstimos estatais”. O banco central da Líbia, público, pode administrar e administra a moeda nacional e faz empréstimos com vistas a atender, em primeiro lugar, os interesses do estado líbio.
Só assim se entendem que a Líbia tenha recursos para oferecer educação e atendimento médico universal e gratuito, e para dar a cada novo casal, como presente de núpcias, 50 mil dólares em empréstimo que o Estado faz, sem juros. Só assim se entende que o país tenha tido meios para pagar os 33 bilhões de dólares que lhe custaram o projeto do GMMR. Hoje, os líbios temem que os ataques aéreos da OTAN cheguem aos aquedutos desse projeto, o que, sim, geraria mais um desastre humanitário.
Difícil crer, nesse quadro, que os ataques à Líbia tenham a ver exclusivamente com o petróleo. Quase certamente têm a ver, também, com a independência radical do banco central líbio. Com energia, água e crédito abundante para desenvolver a infraestrutura para que energia e petróleo sejam postos a serviço do bem estar dos líbios, a Líbia pode sobreviver à distância das garras dos financiadores/credores estrangeiros. E aí, afinal, está a real ameaça que a Líbia traz: a Líbia pode provar ao mundo que é possível fazer o que a Líbia faz.
Inúmeros países não têm petróleo, mas estão em desenvolvimento novas tecnologias que podem tornam nações não produtoras de petróleo independentes, em termos energéticos, sobretudo se os custos para construir a infraestrutura são reduzidos à metade, porque os empréstimos saem do próprio banco central nacional e público, gerido em nome de interesses públicos. A independência no campo da energia libertaria os governos da rede dos banqueiros internacionais, e da necessidade de direcionar a produção doméstica para os mercados estrangeiros, para pagar o serviço das dívidas.
Caso o governo Gaddafi caia, será interessante observar se o novo banco central líbio recém-criado associar-se-á ao Banco de Compensações Internacionais, se a indústria do petróleo líbio será imediatamente privatizada e vendida a investidores globais e se continuará a haver água, educação e assistência médica universal e gratuita na Líbia.

Tradução do Coletivo da Vila Vudu

 

Que raios de “revolução popular” é essa? Tudo o que foi dito aqui comprova que as revoltas não passam de uma criminosa MANIPULAÇÃO DOS PAÍSES CAPITALISTAS para controlar a Líbia e destruir o seu socialismo.


Líbios a favor de Kadafi – O que a mídia não está mostrando a você

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