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Che Guevara, o marxista-leninista

23 dez

Alguns esquerdistas, por saberem que o pensamento de Che atrai muitos jovens à causa revolucionária, tentam defender que ele estava se aproximando do pensamento de Trotsky ou até mesmo tentam relacioná-lo ao anarquismo.

Dizem que a partir de 1960, Che passou a se distanciar da política da URSS. Pra eles, essa é uma prova de que Guevara estava se distanciando do marxismo-leninismo (erroneamente denominado pelos anticomunistas de “stalinismo”).

O que eles esquecem de dizer é que Che se distanciou da política da URSS na época de Kruschev, com suas teses oportunistas dos ”dois todos e das três pacíficas”, início de uma época de negação do marxismo-leninismo.

Outro argumento é o fato de Che carregar consigo um livro de Trotsky na Bolívia. Talvez se ele carregasse o “Minha Luta”, de Hitler, hoje muitos pensariam que ele era nazista. Eu mesmo tenho um livro de Trotsky que guardo junto com todos os meus livros, “A Revolução Traída” e isso não quer dizer de forma nenhuma que eu sou trotskysta, mas sim que não sou dogmático ou unilateral.

Numa carta datada de 10 dezembro de 1953, alguns meses depois da morte de Stalin, Guevara escreveu (na Costa Rica) para sua tia Beatriz:

“Tive a oportunidade de passar pela United Fruit (empresa imperialista) e me convenci uma vez mais o quão terríveis são esses polvos capitalistas. Jurei diante de uma foto do velho e chorado camarada Stalin não descansar até ver esses polvos capitalistas aniquilados.” Citação de Che Guevara: Uma Vida Revolucionária (1997) por Jon Lee Anderson.

“… en el paso atravesaba los vastos dominios de la United Fruit. Una vez más me pude convencer que estos miserables capitalistas son criminales. SOBRE UN RETRATO DEL VIEJO Y RECORDADO CAMARADA STALIN JURÉ DE NO CONCEDERME NINGÚN DESCANSO EN TANTO LOS MISERABLES CAPITALISTAS NO SEAN DESTRUÍDOS. En Guatemala voy a perfeccionarme a fin de lograr ser un auténtico revolucionario”.

Em 1955, mandou outra carta para sua tia, assinada com as palavras Stalin II.

Mas podem dizer que isso foi antes do XX congresso do PCUS e que o discurso de Che não era o mesmo de Stalin na década de 60.

Em novembro de 1960 insistiu em depositar flores no túmulo de Stalin. Isso é mais de 4 anos depois do infame e mentiroso relatório de Khrushchev.

Em 1961: “Nós consideramos que o partido trotskista está atuando contra a revolução.”

Citação de Apuntes Criticos a la Economia Politica, de 1964:

“Penso que o conteúdo fundamental no qual Trotsky se baseou é errôneo e que seu comportamento ulterior era errado e seus últimos anos foram ainda mais sombrios. Os trotskistas não contribuíram em nada para o movimento revolucionário; onde eles estavam em maior número era no Peru, mas eles falharam ultimamente porque seus métodos eram ruins.” (“Anexos”, página 402)

Pois bem, em mais uma carta,de 4 de dezembro de 1965 (Apuntes para una escuela de pensamiento cubana), ele propõe estudar filosofia e alguns marxistas. Ele divide esses marxistas em revolucionários e revisionistas:

“Se está realizando ya, pero sin orden ninguno y faltan obras fundamentales de Marx. Aquí sería necesario publicar las obras completas de Marx y Engels, Lenin, Stalin [subrayado por el Che en el original] y otros grandes marxistas. Nadie ha leído nada de Rosa Luxemburgo, por ejemplo, quien tiene errores en su crítica de Marx (tomo III) pero murió asesinada, y el instinto del imperialismo es superior al nuestro en estos aspectos. Faltan también pensadores marxistas que luego se salieron del carril, como Kautsky y Hilfering (no se escribe así) [el Che hace referencia al marxista austríaco Rudolf Hilferding] que hicieron aportes y muchos marxistas contemporáneos, no totalmente escolásticos.

(…)

Aquí vendrían los grandes revisionistas (si quieren pueden poner a Jruschov), bien analizados, más profundamente que ninguno, y debía estar tu amigo Trotsky, que existió y escribió, según parece.”

“En los llamados errores de Stalin esta la diferencia entre una actitud revolucionaria y una actitud revisionista. Se debe ver a Stalin en el contexto histórico en el que se desarrollo, no debe vérselo como una especie de bruto sino que se lo debe apreciar en ese contexto histórico particular..Yo he llegado al comunismo por papa Stalin y nadie puede decirme que no lea su obra. Lo he leído aun cuando era considerado muy malo leerlo, pero ese era otro tiempo. Y como no soy una persona no demasiado brillante y además testaruda continuare leyéndolo. Especialmente en este nuevo período, ahora que es peor que lo lea. Entonces, como ahora, me sigue pareciendo una serie de cosas que son muy buenas.”

(Publicado em Contracorriente, Havana, Setembro de 1997, Nº 9)

Enfim, enquanto Che não se considerava nem amigo de Trotsky, o “papai Stalin” foi o que o aproximou do comunismo. Alberto Ganado, parceiro motociclista de Che, disse ao biógrafo oficial dele, Jon Lee Anderson, que foi Stalin que Che “descobriu” em meados dos anos 50. (Anderson pp. 165-166, p. 565).

“Yo he llegado al comunismo por papá Stalin, me he hecho marxista leyendo a Stalin, y nadie puede decirme que no lea su obra. Lo he leído aún cuando era considerado muy malo leerlo. Y como soy una persona no demasiado brillante y además testaruda continuaré leyéndolo.”

No curso do ano de 1964, a exigência da discussão teórica obriga Che a um estudo antidogmático e de profundidade crítica. Estuda mais Marx que Lenin. Foi para Moscou, quatro vezes para a URSS. Estabeleceu todo tipo de relações sociais, em diferentes níveis, discutiu com acadêmicos e estudantes, operários e funcionários do partido. Constatou tendências filocapitalistas e ficou desiludido, caíram-se certezas de concepções mecanicistas do marxismo. É acusado de trotskista pela burocracia soviética revisionista e responde “…Além disso voavam acusações de trotskismo. Nesse sentido creio eu que temos a capacidade de destruir as opiniões contrárias ou temos que deixar que sejam expressadas…… Não é possível destruir as opiniões com a força, porque isso bloqueia todo o desenvolvimento livre da inteligência. Também do pensamento de Trotsky se pode tomar uma série de coisas, incluindo se, como é de meu entender, seus conceitos fundamentais são errados, se foi errônea sua atuação posterior e o último período ainda está incerto. De qualquer forma há sempre alguém que lança a acusação de trotskismo”. É interessante notar como os revisionistas soviéticos tentavam esconder seu revisionismo e que muitos hoje ainda o fazem. Os trotskistas fanáticos, por exemplo, quando deparados com estes fatos, apenas dizem que na época Che supostamente não havia estudado Trotsky. Talvez eles tenham uma bola de cristal ou uma máquina que lê mentes dos mortos, para saberem disso. Enfim, é somente a tentativa de sobrevivência de uma ideologia revisionista-oportunista que possui, felizmente, cada vez menos credibilidade no movimento comunista internacional.

“Mi deber como comunista marxista-leninista es desenmascarar a la reacción oculta tras el revisionismo, oportunismo y trotskismo y enseñar a los camaradas (tanto en acto como en potencia) que no deben aceptar como validos los juicios contra Stalin formulados por burgueses, socialdemócratas o incluso otros pseudo-comunistas lacayos de la reacción cuyo verdadero fin es dinamitar el movimiento obrero desde dentro.” (Che Guevara, 1966, em um discurso)

 
11 Comentários

Publicado por em 23/12/2009 em Cuba, História, Marxismo

 

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11 Respostas para “Che Guevara, o marxista-leninista

  1. FRANCISCO

    09/07/2011 at 08:20

    ainda fica por se saber muito da vida do CHE será de pois a morte dos Castro talvez se saivá mais

     
    • xRODRIGOx

      10/07/2011 at 22:44

      Não venha com lenga lenga falaciosa. Todos os fatos colocados na postagem estão com as fontes ORIGINAIS, ou seja, escritas PELO PRÓPRIO ERNESTO “CHE” GUEVARA.

       
  2. Yoseph

    12/12/2011 at 18:41

    Boa noite. Não tenho bases para comentar essas duas referencias desses dois textos, mas acho que mesmo que o Che não se considerasse trotskista, ou amigo do Trotsky, basicamente é impossível, a meu ver, negar a aproximação das ideologias dele ás do Trotsky. O Che depois da revolução cubana, já quando ministro em Cuba, abandonou o seu cargo e continuou a luta revolucionaria noutros países. Ora bem, aqui é onde difere a maior divisão entre o Trotsky e o Estaline. O primeiro com a teoria da revolução permanente, e o segundo com a construção do socialismo num só país. O Trotsky acreditava que a revolução socialista tinha de ser levada para o resto do mundo. Basicamente, no fundo, as próprias acções do Che mostram a tal aproximação. Independentemente dele na altura, poder ter sido partidário do Stalin..

     
    • xSGBDx

      10/03/2012 at 17:32

      Boa noite. Segundo a Revolução Permanente de Trotsky, seria impossível existir socialismo na Rússia se não houvesse uma revolução proletária na Europa. Essa posição não é propriamente de Trotsky, mas era já uma tese comum e bem vista antes de 1917 entre muitos bolcheviques. O Partido Bolchevique, e mais notadamente Lenin (por exemplo no III Congresso da Internacional Comunista, 1921), rompe com essa ideia quando percebem que a revolução ainda não havia atingido a Europa e que deveriam se esforçar para manter e consolidar o socialismo soviético, mesmo com todas as dificuldades. Porém, Trotsky continuou apostando nessa ideia falha. Lenin, portanto, é o criador primordial do que você chamou de “socialismo em um só país”. Entre aspas, pois o que defendiam não se tratava de construir o socialismo em um só país e sim em, antes de “levar a revolução para fora” (apoiando concretamente outras revoluções, movimentos comunistas (o que, aliás, aconteceu com peso) e, depois de certo tempo, países socialistas), primeiro estabilizar o sistema socialista. Isso garantiu a continuidade da Revolução Russa e de seu histórico de vitórias. O que difere mais a divisão entre Trotsky e Stalin é o fato deste nunca ter sido um oponente do leninismo – o mesmo não pode ser dito de Trotsky (ver Trotskismo X Leninismo, de Harpal Brar, 2009.

       
      • roberto

        10/07/2012 at 12:40

        Não concordo com vc camarada, se analisarmos todo o conteúdo da obra de Lenin, e não só o conveniente ao Stalinismo, vemos que Lenin sempre apostava na revolução internacional, principalmente na Alemanha como única forma de existência da própria URSS, vemos por exemplo, o que o próprio Stalin afirmava de Lenin em 1924 três mêses depois da morte do grande lider bolchevique e antes do aprofundamento da degeneração do Estado soviético, expresso na “teoria do socialismo em um só país”: “(…) derrubar em um país o poder da burguesia e implantar o do proletariado não significa ainda o triunfo total do socialismo. O objetivo fundamental do socialismo–a organização da produção socialista–pertence ainda ao futuro. É possivel cumprir este objetivo, é possivel alcançar a vitória definitiva do socialismo, em um só país, sem o esforço combinado dos proletários de vários países avançados ? Não, é impossivel. Para derrubar a burguesia é suficiente o esforço de um país; testemunha a história da nossa revolução. Para a vitória definitiva do socialismo, para a organização da produção socialista, não basta o esforço de um país, especialmente de um país camponês como a Russia: ele exige o esforço dos proletários de vários países avançados.(…) Estes são, em geral, os traços mais caracteristicos da concepção de Lenin sobre a revolução proletária”. (Stalin, “Questões do Leninismo”) Também se estudarmos toda a obra de Marx e Engels, principalmente a Ideologia Alemã, vemos que os pais do socialismo cientifico nunca acreditaram no socialismo em um só país, poís as forças produtivas há muito se tornaram internacionais, além da divisão mundial do trabalho e do dominio da economia mundial pelo imperialismo, fato que não permite a vitoria do socialismo dentro das fronteiras nacionais, principalmente de um país atrasado economicamente como a URSS na época. Acreditar nisso significa um rompimento com toda tradição marxista e bolchevique, bem como com o materialismo histórico. Os próprios acontecimentos trágicos posteriores, que culminaram com a restauração capitalista tanto na URSS, como na China e o atual isolamento e enfraquecimento do Estado Operário cubano, confirma a farça desta utopia pequeno burguesa do Stalinismo, como bem prognasticou Leon Trotsky em toda sua batalha contra a burocratização do Estado Operário soviético e pela revolução mundial, expressa principalmente em sua grande obra “A Revolução Traida”.
        O Stalinismo, como uma das vertentes da vitória da contra revolução, começou por elaborar uma teoria do socialismo nacional que na prática, significou a convivêcia pacifica com a burguesia imperialista. Para isso, destruiu o partido de Lenin, eliminando nos Processos de Moscou toda velha guarda bolchevique que dirigiu a revolução de outubro; dissolveu a maior obra dos bolcheviques: a III Internacional–maior simbolo do internacionalismo proletário–, a soldo do imperialismo; apoiou governos burgueses de frente popular, comprometendo a independência politica dos trabalhadores, que levou o proletáriado à várias derrotas históricas; se negou a combater frontalmente o nazismo em sua época de ascenção, através de sua teoria do “social-fascismo”; e mais um conjunto de malabarismos que levou à derrota o proletáriado mundial e a restauração capitalista nos Estados Operários, derrotas que refletem principalmente nos dias atuais, onde vemos uma ofensiva histórica do imperialismo contra nossa classe, expressa principalmente na globalização neoliberal e a recolonização dos povos oprimidos, somado a crise de direção da classe trabalhadora.

         
      • xSGBDx

        10/07/2012 at 18:14

        “Stalinismo” não existe. Stalin foi um Marxista-Leninista, nada mais que isso. Depois você associou o termo aos governos soviéticos pós anos 50; esse é um erro grande, já que nessa época todas as conquistas do socialismo soviético começaram a ser destruídas (e não durante os anos 20 a 50 como dita o dogma trotskista que vai contra a realidade). Baseio-me principalmente na obra The Restoration of Capitalism In The Soviet Union, cujo autor (William Bill Bland) nos dá dados concretos acerca da restauração do capitalismo e da diferença abismal entre essa situação social e a situação anterior sob Lenin e Stalin. A posição de coexistência pacífica, que na verdade tem sua fonte em Lenin e diz respeito a uma política externa defensiva em relação ao imperialismo, foi distorcida pelos revisionistas (como Khrushchev e Brezhnev), dando a ela uma natureza capitulacionista. Inclusive, também surge nessa época o que Mao Tsé-tung chamou de social-imperialismo, com a tentativa (infelizmente vitoriosa) dos revisionistas soviéticos de pacificar todos os Partidos Comunistas ligados a Moscou. Associar tudo isso ao marxismo-leninismo, ou é ignorância, ou é má fé.

        Na verdade também não existe “socialismo em um só país” no marxismo-leninismo, seja em teoria ou em prática, como essa própria obra de Stalin nos mostra, Fundamentos do Leninismo; e na prática, como nos mostra o apoio a outros processos revolucionários, financiamento de movimentos revolucionários, assim como fortes relações com os países socialistas que de tais revoluções surgiram, etc. Falar em “stalinismo” ou em “socialismo em um só país” é uma tática suja. O que houve, como um discurso de Lenin no 3º Congresso da 3ª Internacional (1921) nos mostra, foi o rompimento com a ideia de que a Revolução Russa não poderia sobreviver se não houvesse uma revolução proletária na Europa. O motivo é que tal revolução não ocorreu. Pode ser lido aqui: http://www.marxists.org/archive/lenin/works/1921/jun/12.htm
        É a parte 4, “Report On The Tactics Of The R.C.P.”, do dia 5 de julho:

        “(…) Before the revolution, and even after it, we thought: either revolution breaks out in the other countries, in the capitalistically more developed countries, immediately, or at least very quickly, or we must perish. In spite of this conviction, we did all we possibly could to preserve the Soviet system under all circumstances, come what may, because we knew that we were not only working for ourselves, but also for the international revolution. We knew this, we repeatedly expressed this conviction before the October Revolution, immediately after it, and at the time we signed the Brest-Litovsk Peace Treaty. And, generally speaking, this was correct.

        Actually, however, events did not proceed along as straight a line as we had expected. In the other big, capitalistically more developed countries the revolution has not broken out to this day. True, we can say with satisfaction that the revolution is developing all over the world, and it is only thanks to this that the international bourgeoisie is unable to strangle us, inspite of the fact that, militarily and economically, it is a hundred times stronger than we are. (Applause.)”

        A suposta burocratização do Estado operário soviético nos anos 30 não tem qualquer evidência, dada a sua inexistência em peso e, inclusive, dado o combate – com apoio direto de Stalin – à burocracia em todas as instâncias do PCUS. Um evento memorável é o dos “25 mil”, um apelo do Comitê Central do partido a 25 mil operários experientes das grandes fábricas, para se dirigirem ao campo e apoiarem a coletivização. Apresentaram-se mais de 70 mil. Sobre estes operários conscientes do papel dirigente da classe operária nas transformações socialistas no campo, Lynne Viola escreveu: “Viam na revolução de Stalin um meio de arrancarem a vitória final do socialismo depois de anos de guerra, de sofrimento e de privação. Viam a revolução como uma solução para os problemas do atraso, do déficit aparentemente crônico de alimentos e do cerco capitalista”. (Lynne Viola, The Best Sons of the Fatherland – Workers in the Vanguard of soviete Colletivisation, Oxford University
        Press, Oxford, New York, 1987, p. 211)
        “Qualquer que fosse a sua posição, os 25 mil eram unânimes na crítica
        ao comportamento dos órgãos de distrito durante a coletivização. Afirmavam que a responsabilidade pela corrida às mais altas porcentagens da coletivização lhes pertencia”. (Idem, p. 103)
        Zakhárov, um dos “25 mil”, escreveu que não tinha sido feito nenhum trabalho preparatório junto dos camponeses e que, por isso, não estavam de forma alguma preparados para a coletivização. Muitos queixaram-se de atos ilegais e da brutalidade dos quadros rurais. Makóvskaia denuncia a “atitude burocrática dos quadros em relação aos camponeses” e afirma que os funcionários falam da coletivização “com um revólver na mão”. (Idem, p. 109) Baríchev relata que numerosos camponeses médios tinham sido “deskulaquizados”. Naúmov coloca-se do lado dos camponeses na sua luta contra os quadros do Partido que “se apropriaram de bens confiscados aos
        kulaques”. Lynne Viola conclui: “Os ’25 mil’ viam os funcionários rurais como pessoas rudes, indisciplinadas, frequentemente corruptas e, em muitos casos, representantes das classes hostis”. (Idem, p. 141)
        Opondo-se aos burocratas e aos seus excessos, os “25 mil” conseguem ganhar a confiança das massas camponesas. Tudo isto merece ser sublinhado, já que estes operários eram, por assim dizer, os enviados de Stalin. E foram precisamente estes “stalinistas” que combateram consequentemente o burocratismo e os excessos e defenderam a via correta da coletivização.

        “Para isso, destruiu o partido de Lenin, eliminando nos Processos de Moscou toda velha guarda bolchevique que dirigiu a revolução de outubro”.

        Sabia que a primeira, e mais abrangente, depuração no partido foi incentivada por Lenin, em 1921? Não existe essa coisa de “não-sei-quem eliminou a velha guarda que dirigiu a revolução”. Ter participado dela ou não, ter sido importante alguma coisa nela, ou não, não é parâmetro para a realização das depurações. Elas servem para limpar o partido do revisionismo (que, mesmo assim, mais tarde, dará um golpe no PCUS, este sim com uma forte influência no movimento comunista internacional e fruto do enfraquecimento dos Partidos Comunistas ao redor do mundo, ao menos os que se mantiveram cegos em relação a tal processo; no PCCh, mesma situação — mas não houve depuração — na Albânia, idem, com Ramiz Alia). Um membro antigo não deve se tornar “infalível por decreto”, ou melhor, livre de auto-críticas e punições por comportamento contrarrevolucionário, somente por ser veterano. É interessante como, se isso fosse feito, nós veríamos uma degeneração burocrática mais rapidamente e com certeza você estaria agora me falando de como a proteção “stalinista” aos burocratas e contrarrevolucionários provocou a degeneração burocrática!

        “Dissolveu a maior obra dos bolcheviques: a III Internacional, a soldo do imperialismo”.

        http://www.marxists.org/portugues/tematica/rev_prob/07/manifesto.htm

        http://pt.scribd.com/doc/49544455/Dimitrov-sobre-a-dissolucao-da-III-Internacional

        “Apoiou governos burgueses de frente popular, comprometendo a independência politica dos trabalhadores, que levou o proletáriado à várias derrotas históricas”.

        Governos burgueses? Provavelmente você está se referindo à Guerra Civil Espanhola, na qual os revolucionários receberam vários equipamentos de guerra e recursos do governo soviético. A tática da Frente Popular se deu por causa da vitória do nazi-fascismo.
        Primeiro procurava-se construir uma aliança da classe trabalhadora e dos estratos intermediários da população, a fim de defender a democracia, preservar a paz e realizar um governo democrático trabalhista como meio para tal fim. Secundariamente, procurava capacitar o proletariado revolucionário a conquistar seções inteiras da classe operária e uma seção considerável do estrato médio para o programa do socialismo completo. Embora deva ser dito que se o trotskismo falhou ao apreciar a natureza revolucionária da Frente Popular, os jesuítas (que eram a grande burguesia e os proprietários de terra da Igreja Católica Espanhola), não. Seu órgão O Debate declarou, a 4 de Agosto de 1935, após o 7o Congresso da ECCI (que tinha adotado as táticas da frente popular): “O comunismo agora parece-nos infinitamente mais perigoso, quando se disfarça com a máscara de colaboração governamental e oferece essa colaboração para algo mais do que mera revolta”. (citado em Jellinek, p. 189). Seguindo-se à derrota da Greve Geral e do levante de Astúrias ao final de 1934, o movimento da classe operária espanhola orientou-se para a clandestinidade, e 30000 operários estiveram sofrendo nas prisões espanholas. Nessas circunstâncias, sob a iniciativa do Partido Comunista da Espanha, a frente dos operários foi ampliada par uma Frente Popular por um acordo entre o Partido Comunista, o Partido Socialista e os republicanos de esquerda. Os anarquistas não se uniram à Frente Popular, mas ao final instaram seus apoiadores a votarem por ela, por causa da promessa de libertar os presos políticos. O resultado foi que, quando a crise crescente nas fileiras da reação levou a uma eleição geral em fevereiro de 1936, o resultado foi uma vitória da Frente Popular, levando a uma transformação nas oportunidades para o movimento da classe operária. Na época, os trotskistas espanhóis estavam organizados em um aparelho sectário contra-revolucionário que teve a audácia de se autodenominar ‘Partido dos Operários da Unidade Marxista’ (POUM), que era dirigido por Joaquim Maurin (que tinha antes deixado o Partido Comunista sob uma argumentação nacionalista direitista) e Andréas Nin, um dos colegas mais íntimos de Trotsky na URSS, entre 1926-1927. Após as eleições de fevereiro, a classe operária espanhola enfrentou as tarefas de construir suas organizações dentro e fora da Frente Popular e lutar por um governo mais à esquerda do que o governo republicano que tinha emergido das eleições de fevereiro. A esse respeito, por iniciativa do Partido Comunista, alguns avanços reais foram feitos. Sindicatos vermelhos sob influência comunista entraram na UGT, a Federação Sindical Socialista; a juventude socialista e comunista formou uma única organização; as relações entre os anarquistas e as federações sindicais melhoraram; negociações foram abertas para a unificação dos partidos socialista e comunista. Daí tornou-se possível frustrar a estratégia da classe dirigente.

        Os trotskistas do POUM fizeram o melhor que podiam, de todas as formas, para prejudicar o processo de unificação das forças progressistas. Eles estimularam todos os excessos por parte de operários e camponeses zangados. As tentativas de organizar e disciplinar esses movimentos espontâneos eram rotuladas de contra-revolucionárias. Eis como Felix Morrow, o trotskista norte-americano, expressou a aprovação de atividades como incendiar igrejas: “O clero odiado, administrador dos ‘dois anos negros’, também foi tratado à venerável maneira dos camponeses oprimidos. Especialmente depois que ficou claro que o governo não tocaria no clero, as massas decidiram fazer justiça por suas próprias mãos. Isso consistia não apenas em incendiar igrejas, mas em ordenar os padres a deixarem as aldeias, sob pena de morte se eles retornassem. Devido a uma lealdade abjeta para com o governo, os stalinistas aviltaram a luta contra o clero: ‘Lembrem-se que atear fogo às igrejas e mosteiros dá apoio à contra-revolução’ (Correspondência da Imprensa Internacional, 1º de agosto de 1936). Eles não eram ouvidos mais do que Azaria. Na província de Valência, onde os operários agora esmagaram a contra-revolução tão decisivamente, mal havia uma só igreja funcionando em junho”. (Felix Morrow, Revolution and Counter-Revolution in Spain, p. 40). Os esforços do Partido Comunista para explicar que tais atividades nada tinham em comum com as táticas revolucionárias eram tratados com desprezo.

        No 22 dia de julho de 1936, os fascistas espanhóis pediram ajuda a Hitler e Mussolini. Em setembro de 1936, os republicanos foram à ofensiva em Aragón. As forças envolvidas estavam numa maré de sucesso, depois da consolidação do total da Catalunha no lado republicano, quando tinham conquistado uma série impressionante de vitórias. Pareciam irresistíveis. Da Catalunha avançaram sobre Aragon e foram capazes de recapturar metade de seu território, antes de serem forçadas a estancar. Na visão de Tamames, a razão para a perda do ímpeto repousava na retaguarda “que não correspondeu aos esforços esperados dela. Em Barcelona, enquanto Madri sofria escassez de alimentos, as pessoas estavam vivendo como se não houvesse uma guerra. A produção estava declinando por causa da coletivização anarquista. A CNT-FAL, em lugar de facilitar o avanço sobre o território aragonês, para o qual tinham dado uma contribuição extremamente importante, dedicou-se a fazer uma revolução e enfraquecer o poder republicano, ao criar entidades como o Conselho de Aragón. A lição a ser tirada do colapso do avanço em Aragón era clara: ganhar a guerra e conduzir uma revolução libertária ao mesmo tempo era simplesmente impossível.” Mas isso os anarquistas, encorajados pelos trotskistas do POUM, não foram capazes de entender. Esse fato colocou o Partido Comunista em colisão com os anarquistas e os trotskistas, desde que estava claro para o Partido Comunista que a guerra contra o fascismo tinha de ser ganha primeiro, como pré-condição para qualquer outro avanço.

        Ironicamente, o trotskismo nessa situação critica a Frente Popular, mas antes era exatamente a falta de uma Frente Popular contra o nazi-fascismo, a fonte das difamações contra os marxistas-leninistas. Esse fato deixa muito clara a função oportunista, contrarrevolucionária e anticomunista do trotskismo; não importa o que os revolucionários comunistas, marxistas-leninistas, estejam apoiando, o trotskismo sempre será seu inimigo. Enfim, foi feita a auto-crítica mais tarde, então esse ataque não passa de algo que já foi jogado na lata de lixo da história.

        Interessante notar que qualquer processo revolucionário na história nunca teve como direção um movimento trotskista. Mesmo atualmente, vemos na Índia, Turquia, Filipinas, Nepal, México, Peru, Equador, Bolívia, Brasil, etc. que os movimentos revolucionários de facto estão sempre atrelados ao marxismo-leninismo e ao maoísmo (que não deixa de ser marxista-leninista também). Mesmo assim, é dito que o “stalinismo” leva a classe trabalhadora à derrota. rs

         
  3. Yoseph

    19/03/2012 at 15:34

    Boa tarde! Embora já até me tivesse esquecido de ter escrito isto, gostei muito da sua resposta!
    A teoria do Trotsky não diz que: “seria impossível existir socialismo na Rússia se não houvesse uma revolução proletária na Europa”. O que diz em relação ao carácter internacional é: “A revolução proletária não pode ser mantida em limites nacionais senão sob a forma de um regime transitório, mesmo que este dure muito tempo, como o demonstra o exemplo da União Soviética.”
    Ora bem, passados 74 anos da revolução de Outubro, continuou sempre um regime transitório.. Tenho de recordar que o marxismo/comunismo prevê a sociedade socialista como um passo transitório para o objectivo final que é o comunismo, com tudo o que o conceito acarreta.
    Concordo consigo quando escreve que as duas teorias não começaram nestes dois dirigentes bolcheviques. A teoria da revolução permanente, até começou com Karl Marx e Friedrich Engels no entanto é importante referir que o Trotsky embora não seja o criador, ajudou a desenvolve-la tendo inúmeros trabalhos publicados sobre a mesma.
    Foi em 1905 ainda antes da revolução do mesmo ano, que ele defende alguns dos pontos mais importantes desta teoria. E é em 1915, dez anos depois, que Lenin publica os principais argumentos contra Trotksy sobre a teoria da revolução permanente. Mas não tem nada a ver se o socialismo pode subsistir num só país ou se a revolução tem de ser internacional. Tem sim a ver com o papel do campesinato na revolução…
    Estive a reler as resoluções do III congresso de 1921 que o senhor citou, e não encontrei nada contra a teoria da revolução permanente dito por Lenin, mas como estou a ler em inglês admito que me possa estar a escapar. No entanto enquanto dirigentes bolcheviques do governo soviético, entre Lenin e Trotsky não houve nenhum problema em relação a esta questão, que tinha começado nos tempos da divisão no POSDR.
    O Stalin que tinha inicialmente as suas convicções no social-patriotismo e que depois da revolução de Outubro se foi aproximando das ideologias de Lenin, apenas traz esta polémica divergência que estava “suspensa”(ou como o Trotsky denomina: “em longas treguas”), em 1924, após a morte de Lenin. Isto no IV Congresso da internacional. Ora de 1905 a 1924 o panorama sofreu alterações drásticas, em 1924 já tinham havido 3 revoluções na Russia, não sei se é muito justo terem ido buscar inúmeras frases de trotksy, sobre o assunto, algumas mesmo fora de contexto, passados quase 20 anos, e uma experiência histórica já comprovada!
    De qualquer das maneiras não foi o Trotsky que “continuou apostando nessa ideia falha”, foi antes o Stalin que utilizou primariamente esta bandeira no seu ataque a Trotsky.
    Esta por ser inconciliável com a teoria defendida por ele, ganhou obviamente um lugar na discussão teórica do movimento da altura e posterior.

    No diz respeito á questão principal, tenho de dar a mão á palmatória, O Che Guevara foi um grande revolucionario, um grande guerrilheiro mas não tenho bases para afirmar se era trotskista, sei que ele por motivos óbvios apoiava a URSS.

    Em relação ao Stalin nunca ter sido opositor do leninismo, ora bem, é bem sabido que o Trotsky após a divisão no partido inicialmente estava mais afecto aos mencheviques, e que em varios pontos diferia de Lenin. Enquanto o Stalin não contribuiu em nada para a teoria marxista. Ele limitou-se a interpretar o trabalho de Lenin (trotskistas até vão mais longe e dizem que ele o alterou mesmo). Daí que não exista a escola do comunismo chamada Estalinismo mas sim Marxismo-Leninismo.

     
    • xSGBDx

      07/04/2012 at 18:05

      Há enorme diferença entre os conceitos de Marx, Engels, Lenin e Trotsky. Para os primeiros, o termo “permanente” significa constante, interminável, no sentido de que a longo prazo deveriam ser considerados os interesses de classe do proletariado, independente de quais alianças foram necessárias para o cumprimento de objetivos de curto prazo, como a conquista do poder político… De que o proletariado quer uma revolução; e não quer, como a burguesia social liberal, apenas completar objetivos a curto prazo.

      Trotsky distorce essa ideia e defende que o “proletariado” (urbano) russo deveria dispensar qualquer aliança de classe, principalmente com os camponeses. Os trotskistas, e Trotsky, denominam sua teoria de “revolução permanente”, associando-a a Marx e Engels – teoricamente – porém não há qualquer relação, se analisarmos a fundo. A aliança operário-camponesa é uma das colunas do comunismo. Mas também sobre a questão internacionalista a “revolução permanente” trata:

      “Na ausência do apoio estatal direto por parte do proletariado europeu, a classe
      operária russa não será capaz de manter-se no poder e transformar sua direção
      temporária em uma ditadura socialista estável. Não há como duvidar desta
      verdade.” (Trotsky, Our Revolution, 1906).

      “A afirmação, repetida várias vezes no Programa de Paz, de que a revolução
      proletária não pode ser conduzida ao êxito dentro do contexto nacional, parecerá a
      muitos leitores ter sido refutada pela experiência de nossa República Soviética por
      quase cinco anos. Qualquer conclusão desse tipo seria completamente sem
      fundamento… não será possível um progresso estável na economia socialista na Rússia
      senão após a vitória do proletariado nos principais países dirigentes da
      Europa.” (Trotsky, Poscript to Programme of Peace, 1922).

      Também em A Revolução Traída, de 1933, Trotsky afirma que o avanço para o socialismo dependia em alguma medida da vitória inicial da revolução no resto da Europa :

      “But so long as the Soviet Union remains isolated, and, worse than that, so long as the European proletariat suffers reverses and continues to fall back, the strength of the Soviet structure is measured in the last analysis by the productivity of labor.” (Capítulo 1)

      “The first victory of a revolution in Europe would pass like an electric shock through the Soviet masses, straighten them up, raise their spirit of independence, awaken the traditions of 1905 and 1917, undermine the position of the Bonapartist bureaucracy, and acquire for the Fourth International no less significance than the October revolution possessed for the Third. Only in that way can the first Workers’ State be saved for the socialist future.” (Capítulo 11)

      E aí é interessante notar que fica claríssimo o papel sabotador do revisionista Trotsky, que objetivava o definhamento da URSS pois seus desejos egocêntricos não se realizaram, chegou até mesmo a fazer propaganda antissoviética nos EUA, vide o texto “Porque eu concordei em aparecer no Comitê Dies”: http://www.marxists.org/archive/trotsky/1939/03/dies.htm.

      Mas voltando ao assunto, com Lenin . . .

      “O desenvolvimento econômico desigual é uma lei absoluta do capitalismo. Daí, a
      vitória do socialismo é possível primeiro em uns poucos ou mesmo em um só país
      capitalista.” (Lenin, Sobre a Palavra de Ordem dos Estados Unidos da Europa, 1915)

      Outra vez, em 1916, Lênin formulou a mesma conclusão em seu artigo Military Programme of the Proletarian Revolution :

      “O desenvolvimento do capitalismo ocorre de maneira extremamente desigual nos vários países. Não pode ser diferente sob o sistema de produção de mercadorias. Disto segue-se inevitavelmente que o socialismo não pode alcançar a vitória simultaneamente em todos os países. Alcançará vitória primeiro em um ou alguns países, enquanto outros permanecerão burgueses ou pré-burgueses por algum tempo.” (Lenin, Military Programme of the Proletarian Revolution, 1916)

      E no III Congresso do Comintern, de 1921, me refiro ao Report On The Tactics Of The R.C.P. do dia 5 de julho:

      “We did all we possibly could to preserve the Soviet system under all circumstances, come what may, because we knew that we were not only working for ourselves, but also for the international revolution. We knew this, we repeatedly expressed this conviction before the October Revolution, immediately after it, and at the time we signed the Brest-Litovsk Peace Treaty. And, generally speaking, this was correct. Actually, however, events did not proceed along as straight a line as we had expected. In the other big, capitalistically more developed countries the revolution has not broken out to this day.” (de http://www.marxists.org/archive/lenin/works/1921/jun/12.htm – é a parte 4)

      A Revolução de Outubro forneceu indestrutível prova da correção da teoria de Lenin da revolução proletária. E veja que, com todos estes 75 anos, a revolução proletária surge em várias outras regiões, em todos os continentes com exceção da Austrália.

      O Stalin que tinha inicialmente as suas convicções no social-patriotismo e que depois da revolução de Outubro se foi aproximando das ideologias de Lenin, apenas traz esta polémica divergência que estava “suspensa”(ou como o Trotsky denomina: “em longas treguas”), em 1924, após a morte de Lenin.

      Em 1891, Stalin tinha 15 anos e estava no segundo ano do seminário; nessa época entrou em contato com os círculos marxistas clandestinos. No início de 1901, difundiu o primeiro número do Iskra. Durante a sua permanência na Sibéria, em 1902/1903, escreveu a um amigo em Leipzig que lhe enviasse cópias da “Carta a um camarada sobre as nossas tarefas de organização” e exprimiu-lhe o seu apoio às posições de Lenin. Após o Congresso de Agosto de 1903 do POSDR, Stalin apoiou sem hesitação os bolcheviques. Não há nada de “social-patriotismo” aí; esse é um ataque totalmente sem sentido ou sustentação concreta.

      De qualquer das maneiras não foi o Trotsky que “continuou apostando nessa ideia falha”, foi antes o Stalin que utilizou primariamente esta bandeira no seu ataque a Trotsky.

      Ataque ou defesa? :)

      Refiro-me à ideia de que o socialismo na Rússia só poderia se consolidar após uma revolução proletária na Europa, que Trotsky, como mostrei acima, continuou a defender mesmo em 1933.

      No diz respeito á questão principal, tenho de dar a mão á palmatória, O Che Guevara foi um grande revolucionario, um grande guerrilheiro mas não tenho bases para afirmar se era trotskista, sei que ele por motivos óbvios apoiava a URSS.

      Minha resposta:
      Foram apresentadas fontes de diferentes épocas, de Che tecendo elogios a Stalin e também críticas a Trotsky e Kruschev. Um verdadeiro marxista-leninista.

      Enquanto o Stalin não contribuiu em nada para a teoria marxista. Ele limitou-se a interpretar o trabalho de Lenin (trotskistas até vão mais longe e dizem que ele o alterou mesmo). Daí que não exista a escola do comunismo chamada Estalinismo mas sim Marxismo-Leninismo.

      Houve contribuição tanto teórica quanto prática, por Stalin, não apenas à política marxista mas também a ciência militar do marxismo. Obras como Problemas Econômicos do Socialismo na URSS, Fundamentos do Leninismo (que não é mera repetição), Marxismo e a Questão Nacional, Materialismo Histórico e Materialismo Dialético, sua obra sobre a Revolução Chinesa (que também mostra que Stalin foi um verdadeiro revolucionário, e Trotsky adotava posições antimarxistas), sobre a questão agrária, etc não devem ser esquecidas. Porém, se isso é Estalinismo, logo para qualquer teórico teríamos de criar um “ismo”, certo? Portanto, realmente, não há Estalinismo. Há o socialismo científico, “o marxismo”, um socialismo revolucionário e antirrevisionista.

      Sobre essa história de “Stalin alterou o leninismo”, quando uma revolução triunfa e se consolida os seus piores inimigos apresentam-se como os defensores mais firmes da “revolução autêntica”, contra os dirigentes que “traíram o ideal inicial”. Essa tese foi muito defendida pelos kruschovistas para justificar a traição ao socialismo que botaram em prática.

       
  4. Augusto Mazdaki

    07/04/2012 at 01:07

    Yoseph, talvez essa matéria aqui seja bem didática para você.

    http://espressostalinist.wordpress.com/2011/08/06/burying-the-myth-che-guevara-was-not-a-trotskyist/

    Você está falsificando a história, mas tenho a esperança de que não está fazendo de má fé…

     
    • xSGBDx

      07/04/2012 at 18:15

      Muito bom, camarada. Vou usar algumas coisas daí que não conhecia…

       
  5. Lúcio Júnior Espírito Santo

    29/07/2012 at 23:40

    E olha que Che nem menciona o pior: Trotsky colaborou com os nazis e os japoneses.

     

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